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    Palácio Vale Flor

    Palácio Vale Flor
    Pestana Carlton Palace Hotel
    XIX
    Portugal

    Ferreira da Costa; Ventura Terra; Nicola Bigaglia

    Rua Jau, 45-49; Calçada de Santo Amaro, 176-176 A; Rua Soares de Passos; Rua João de Barros 50-62; Travessa dos Moinhos
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    O primeiro proprietário deste palácio foi José Constantino Dias (1855-1932), que fez fortuna em São Tomé e Príncipe, tornando-se Visconde, Conde e depois Marquês de Vale-Flor (1890 e 1907, respetivamente). O início da construção data do final do século XIX, prolongando-se no início do século seguinte. O palácio é rodeado por um jardim murado, que se desenvolve para Norte. Desenha-se como um edifício de dois pisos principais e mansarda, numa estilística que remete para o estilo de influência francesa de fim de século. Tem entrada nobre no piso térreo, do lado ocidental, que dá passagem para uma escadaria monumental. A decoração interior é de grande sumptuosidade, dentro do gosto revivalista e eclético, destacando-se as pinturas murais, os estuques e os vitrais.

      

    Enquadramento Urbano e Paisagístico

    Edifício situado numa zona elevada, dentro de um parque ajardinado e murado, a sul da Tapada da Ajuda e do Parque Florestal de Monsanto. O edifício principal corresponde ao antigo palácio, existindo, para Norte, um jardim, onde subsiste um pavilhão e um lago que pertencem ao núcleo original. Do outro lado da Rua Jau, dentro de outro espaço murado, ficam as antigas cavalariças. Ao longo do tempo foram sendo construídos novos edifícios dentro do parque, sobretudo desde que o palácio foi convertido em hotel, de modo a aumentar a capacidade de alojamento de hóspedes.

          

     

    Morfologia e Composição

    Edifício com quatro pisos, incluindo o piso térreo, um piso nobre, um piso de quartos e mansarda. De planta quadrada irregular, as divisões distribuem-se em torno de um pátio interior coberto. Tem duas frentes, a principal voltada para a Rua Jau, dela separada por um espaço ajardinado e murado. A fachada traseira está voltada para o jardim. Na fachada principal estão agregados dois corpos de planta circular, um de cada lado, o ocidental correspondente à entrada nobre e vestíbulo, o oriental correspondente à capela. No piso térreo (Piso 0), além do vestíbulo, ficam os serviços e a entrada inferior para a Capela.

          

     

    Fachada Principal

    Voltada a Sul, divide-se em três corpos. O corpo lateral ocidental, que corresponde à entrada e vestíbulo, tem apenas um piso e é formado por uma sucessão de quatro corpos, sendo o mais ocidental, de planta retangular, correspondente à antiga entrada para as carruagens, acessível por uma rampa, com guarda de cantaria, ornamentada por canteiros e vasos de pedra. Nessa fachada, apresenta um grande portal ornamentado por ferro forjado. É coroado por platibanda com frontão de remate circular, decorado por cartela com grinaldas e folhas de palma. Ao seu lado fica um segundo corpo mais estreito, acessível por curto lanço de escada, que dá lugar a um outo portal mais estreito. Segue-se o corpo que, interiormente, corresponde à escadaria. É rematado por platibanda com frontão de remate circular, com cartela idêntica à anterior. O entablamento é ornado por mísulas decoradas com folhas de acanto. O muro é rasgado por três janelões geminados interiormente ornamentados com vitrais. Entre este corpo e o corpo principal fica um outro corpo de ligação mais estreito, com um vão de sacada.

    O corpo principal tem quatro pisos à largura de onze vãos, com cave semienterrada (Piso 0), rasgada por vãos estreitos, de iluminação interior. Apresenta um desenho simétrico, com três corpos separados por pilastras. Ao nível do Piso 1 (piso nobre), os corpos laterais apresentam janelas de sacada em arco abatido rematadas por cornija sobrelevada, protegidas por guarda em ferro forjado. O corpo central, revestido de cantaria de junta fendida, tem uma janela de sacada mais larga, servida por varanda com balaustrada de cantaria. O remate é feito por arco abatido, tendo ao centro o brasão de armas do Marquês: escudo partido, na primeira pala, uma cornucópia contendo flores (rosas) na segunda entre dois castelos, uma banda com a legenda: Honor et Labor. Sobre o escudo fica a coroa de marquês, tendo como suportes dois leões afrontados – o que está heraldicamente errado, pois deveriam ser “dois leopardos” (armas de “mercê nova” de 1892). Do escudo oval pende a insígnia de Nossa Senhora de Vila Viçosa. Ao nível do Piso 2, os vãos são também de sacada, mas rematados por arco de volta perfeita. No corpo central, estão três janelas de sacada geminadas, servidas por varanda de ferro forjado. As três janelas têm moldura comum, coroado por frontão em remate circular, que, no tímpano, sobre a janela central, apresenta uma consola ladeada por festões. No Piso 3 (mansarda), as janelas são de peito, sendo a central mais saliente e coroada por frontão triangular. Sobre a cornija, em baixo das janelas dos corpos laterais, dispõem-se acrotérios ornados por rostos.

    O corpo lateral a oriente, simétrico relativamente ao ocidental, corresponde à capela. Tem um piso, muito embora seja acessível pelos Pisos 0 e 1 – correspondendo o 1 à tribuna. Sob os três janelões geminados ornamentados com vitrais, apresenta um portal de acesso exterior à capela, ornado por ferro forjado. O portal é ladeado por dois óculos elípticos, sendo a moldura do portal rematada superiormente por frontão de volutas. Este corpo, é também rematado por platibanda com frontão de remate circular, ornamentado por cartela com grinaldas e folhas de palma. O entablamento repete a ornamentação por mísulas decoradas com folhas de acanto.

          

     

    Fachada posterior

          

    Voltada a Norte, esta fachada é simétrica formada por três corpos separados por pilastras lisas de cantaria. Apresenta quatro pisos à largura de cinco vãos, mas com mais um corpo de um piso de cada lado, formando uma marquise ou jardim de Inverno. O piso da cave encontra-se semienterrado, iluminado por pequenos vãos. O Piso 1 (nobre), além das marquises nos extremos, apresenta quatro vãos de sacada, tendo ao centro uma porta, acessível por um lanço de escada e um terraço – sendo todos os vãos rematados por cornija em arco abatido com uma cartela ao centro. No Piso 2, tem cinco janelas de sacada, com moldura em arco de volta inteira, servidas por varanda, com guarda de balaustrada de cantaria suportada por mísulas. Ao nível do Piso 3 (mansarda) abrem-se vãos semelhantes aos da fachada Sul. De destacar ainda a presença de duas chaminés altas no eixo central dos corpos laterais.

     

    Fachadas secundárias

          

    A fachada Este, do lado da Capela, é formada por três corpos. O primeiro, mais saliente, corresponde à capela, sendo rasgado por janelões com vitrais, idênticos aos da fachada Sul. Segue-se o corpo central com quatro pisos, à largura de quatro vãos. O Piso 0 corresponde à cave, novamente iluminada por pequenos vãos. No Piso 1, as janelas de sacada são rematadas por arco abatido e encimadas por cornija, com uma mísula no fecho. No Piso 2, são em arco de volta inteira e com guarda de ferro forjado, com exceção das janelas sobre a capela, servidas por uma pequena varanda com balaustrada de cantaria. O Piso 3 (mansarda) é igual ao das restantes fachadas. No corpo mais a Norte, tem apenas os Pisos 0 e 1, sendo o 1 uma marquise com janelões de moldura reta, separados por pilastras estreitas ornadas por festões. Sobre a marquise, uma varanda com balaustrada de cantaria serve as janelas de sacada do Piso 2.

    A fachada Oeste é idêntica à Este, embora simétrica. De salientar a ornamentação em ferro forjado nas janelas da marquise. Também relevantes são as janelas do Piso 1, correspondentes à antiga Sala de Jantar, ornamentadas por vitrais. Neste lado, o último corpo, mais a Sul, é preenchido pela entrada para o Palácio, mencionada a propósito da fachada principal.

     

    Exterior

    Jardim

    O jardim foi desenhado em declives, tendo influências do jardim francês e inglês. O antigo lago foi transformado numa piscina. Junto do Palácio surgem estátuas com a temática das quatro estações (cf. Leal, 2014, 133-134). No jardim existe uma pequena construção que seria uma casa para arrecadação de ferramentas, construída em 1898; bem como uma gaiola de ferro para pássaros.

    * ** 

    * Planta de Lisboa de Silva Pinto (detalhe), 1911, in Lisboa Interativa [https://websig.cm-lisboa.pt];

    ** Ortofotomapa, in Lisboa Interativa [https://websig.cm-lisboa.pt]

                        

     

     

    Casa do Lago

    Pavilhão inspirado na arquitetura oriental, que terá sido uma estufa. No Arquivo Municipal de Lisboa guardam-se projetos para dois pavilhões de recreio a serem construído no jardim, em ferro e vidro, no estilo Arte Nova. De notar que em 1899, o (então) Conde de Vale Flor pedira também à Câmara para mandar construir um «jardim de inverno em madeira para receber plantas de estimação, medindo 14 metros de comprimento x 6 metros de largo», que pode estar na origem do atual edifício (18 x 7 metros). Contudo, este edifício terá sido depois demolido, sendo o que existe atualmente será datado de 1945 – muito embora a planta seja a mesma, por comparação com a que existia cerca de 1911, segundo a cartografia de Lisboa de Silva Pinto. O edifício foi erguido num terraço elevado, acessível por um lanço de escadas. Assume uma planta de três corpos interligados, maior ao centro. A entrada é flanqueada por esculturas em ferro de leões komainu. Os corpos laterais apresentam janelas em ferro, rematadas por arco de volta perfeita. Sobre as passagens para os corpos laterais estão relevos cerâmicos polícromos, com mulheres reclinadas e putti, uma delas segurando um ramo de flores, a outra um cacho de uvas, talvez figurando a Primavera e o Outono, que parecem ter relação com o projeto de 1908. Nos lambris das paredes surgem pinturas com cenas inspiradas nas estampas japonesas. O chão apresenta revestimento de mármore formando desenhos geométricos. Os lambris exteriores, em mármore, são ornados com motivos orientais e vegetalistas estilizados.

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    *Projetos de Pavilhões de Recreio a serem construídos no jardim. Arquivo Municipal de Lisboa, Obra Nº 15197 - Proc 433/908, Folhas 2 e 4.

     

    Muro

    Datam de 1896 e 1897, os pedidos para construir os muros de vedação da propriedade, mas o muro na configuração atual data de 1910, com projeto de José Ferreira da Costa. Nele sobressai sobretudo a entrada principal, com quatro portões, sendo os centrais mais altos e largos, para as carruagens. A construção é feita de cantaria e ferro forjado. A decoração faz-se com volutas, cartelas e motivos vegetalistas. Sobre os dois pilares laterais dos portões estão esferas armilares. O muro é rematado por balaustrada e decorado por vasos de pedra com relevos de flores. Existe ainda uma outra porta secundária, que dá acesso a uma escada para o jardim, que seria para o serviço da casa.

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    * José Cristiano de Paula Ferreira da Costa, «Projecto pª a escavação d’uma muralha vedando o parque e propriedade de Sua Excia. o Marquez de Valle Flor, sita no Alto de Sto. Amaro», 16 de Março de 1910. Arquivo Municipal de Lisboa, Obra Nº 15197 - Proc 1451/910, Folha 4.

    ** José Cristiano de Paula Ferreira da Costa, «Projecto para a muralha frente da propriedade de Sua Excellencia o Marquez de Valle», 16 de Março de 1910. Arquivo Municipal de Lisboa, Obra Nº 15197 - Proc 1451/910, Folha 2.

     

    Cavalariça

    Data de 18 de Agosto de 1897, um pedido para alteração do projeto de Cavalariça e Cocheira. O edifício desenha-se num estilo eclético de influência Beaux-Arts, com planta em U, semicircular no corpo central, destinado para as boxes da cavalariça. Nesse corpo sobressai a fachada principal onde se vê o brasão do Marquês de Vale Flor.

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    *José Cristiano de Paula Ferreira da Costa, Projeto da Cavalariça, Junho de 1910. Arquivo Municipal de Lisboa, Obra Nº 15197.

     

    Documentação

    Arquivo Municipal de Lisboa – Obra N.º 15197.

     

    Bibliografia

    BRAGA, Pedro Bebiano (Proj.), PINTO, Maria Helena Mendes (Col.) - Leandro Braga e as Artes Decorativas, 1839-1897, Instituto da Comunicação Social, 1997.

    Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. XXXIII, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, Lda.

    LEAL, Miguel Nuno Santos Montez - O Ressurgimento da Pintura Decorativa nos Interiores Palacianos Lisboetas: da Regeneração às Vésperas da República (1851-1910), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2014 (Tese de Doutoramento).

    Magalhães, Zita - Pestana Palace Hotel, Palácio Valle Flôr,  [Lisboa], Carlton Palácio, 2003.

    MELLO, José António de (Coord.), NEVES, Pedro Mascarenhas Cassiano – Casas e Palácios de Lisboa, Pedras d’Armas, Scribe, 2014.

    VALE, Teresa, GOMES, Carlos, CORREIA, Paula - «Palácio Vale-Flor / Pestana Carlton Palace Hotel», 1995-2001, in SIPA [http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2624].

     

    Cronologia e Proprietários

    Séc. XIX

    1855 – Nascimento de José Constantino Dias, em Murça.

    1871 - José Constantino Dias partiu para São Tomé e Príncipe, onde se empregou numa casa comercial.

    1882 - José Constantino Dias comprou a Roça Bela Vista, onde se alicerçaram as raízes da sua fortuna. Em data desconhecida casou com D. Maria do Carmo Dias Constantino Ferreira Pinto (1872-1952), natural de Cabo Verde, de quem teve quatro filhos.

    1890 - O rei D. Carlos concedeu-lhe o título de Visconde de Vale-Flor, sendo depois feito Conde.

    1896, 12 de Outubro – Início da construção do Palácio num terreno que pertencera à propriedade dos Saldanhas, Condes da Ega, à Junqueira. O (então) Conde de Vale Flor comunica à Câmara Municipal de Lisboa que adquiriu uma propriedade e deseja erguer um muro de vedação. É desta época o início da construção do palácio, desconhecendo-se o arquiteto inicial (Leal, 2014, 127-128).

    1897, 18 de Agosto – Pedido para mandar construir uma cavalariça e cocheira.

    1898, 17 de Janeiro – Pedido para mandar construir no jardim uma casa de pedra e cal para arrecadação das ferramentas.

    1899, 20 de Junho – Pedido para construir um jardim de inverno «em madeira para receber plantas de estimação»; uma barraca para arrecadação de utensílios do jardim.

    Séc. XX

    1905 e 1906 – Intervenção de Nicola Bigaglia (1841-1908) no Palácio. Segundo Zita Magalhães, o desenho de alguns detalhes pertence a Ventura Terra (1866-1919) (Magalhães, 2003, 23). O construtor era Ernesto Lessu.

    1907 – José Constantino Dias recebeu o título de Marquês de Vale-Flor. Nesse ano, o príncipe D. Luís Filipe (1887-1908) fez uma visita ao arquipélago de São Tomé, acompanhado pelo Ministro da Marinha e Ultramar, Aires de Ornelas (1866-1930).

    1908, 23de Janeiro – Projeto para dois pavilhões de jardim: um «Pavilhão de Recreio» e de um «Pavilhão de Ferro».

    1909, Novembro – Já depois de construído o corpo principal é apresentado na Câmara Municipal o projeto, do arquiteto José Ferreira da Costa (c. 1879 - c. 1919), para a «Escada Nobre», ligando a «Passagem de Carruagens» com o vestíbulo, dando acesso a um Bilhar, uma Galeria e um Grande Salão. Compreendia também o projeto da «Galeria de Passagem de Carruagens». Data também desse ano o projeto para a Capela.

    1910 - Projeto da cocheira, do muro e do portão do Palácio, também de José Ferreira da Costa.

    1931 – Instalação de um elevador por trás das escadas nobres.

    1932 – Falecimento do Marquês de Vale-Flor, em Bad-Nauheim, na Alemanha.

    1944 – Dois vãos de janela existentes no vestíbulo são vedados e um dos vãos (vitral) passa para um vão aberto no terraço do lado esquerdo da mesma fachada (quarto sul-poente, 3.º piso).

    1951 – Criação do Fundação Vale Flor e do Instituto Marquês de Vale Flor.

    1992 – Aquisição do Palácio pelo Grupo Pestana.

    1997 – O Palácio foi classificado como Monumento Nacional.

    2001 - Inauguração do hotel.

     

    Observações

    Autor: Margarida Elias

    Fotografias: Hélder Carita e Margarida Elias

    Julho de 2024

     

    Piso 1

    No vestíbulo há uma escadaria de dois lanços curvos convergentes que acedem ao piso nobre (Piso 1) onde, após um segundo vestíbulo, se encontram as áreas sociais. Um corredor atravessa todo o edifício de ocidente para oriente, separando o corpo Sul dos outros corpos. No corpo Sul ficam duas salas de estar, tendo ao centro, a “Sala Japonesa” ou Sala Oriental, com varanda para a Rua Jau. No extremo oriental fica o vestíbulo e a tribuna da Capela. No corpo ocidental encontra-se a Sala de Jantar mais íntima e, no oriental, a Sala de Música. O corpo Sul é prolongado de ambos os lados por dois corpos semi-octogonais, formando marquises. Este corpo é ocupado por dois salões, sendo os corpos semi-octogonais destinados a jardins de Inverno. Ao centro do corpo Norte fica um segundo hall de entrada com saída para o terraço, com uma escadaria de acesso ao jardim. Ao centro do edifício, fica o pátio interior, coberto por claraboia, e, entre esse pátio e a “Sala Japonesa”, existe uma escada de acesso ao Piso 2. De assinalar que o palácio possui também um antigo elevador que permitia aceder aos vários pisos.

    Planta do Arquivo Municipal de Lisboa (detalhe), Obra N.º 15197 - Proc 4241-DMSC-PG-2005 - Folha 4.

     

    Vestíbulo e Escadaria de Aparato

    Espaço acessível através da antiga passagem para coches, dando lugar a um espaço com saída para ambos os lados (Norte e Sul), e, por fim ao vestíbulo. Este inscreve-se em planta circular, sendo dominado pela escadaria de aparato que permite o acesso ao piso nobre. A escadaria, em mármore, faz-se em dois lanços curvos convergentes, formando uma tribuna no patamar superior, com guarda de balaustrada de cantaria. Ao nível do Piso 0, o vestíbulo dá lugar a um arco abatido, através do qual se tem acesso à área de serviços e, ao fundo do corredor que atravessa o edifício de Oeste para Este, à Capela. Ao nível do Piso 1 a escadaria tem também um arco abatido, que dá passagem para as divisões de aparato. O vestíbulo é iluminado por janelões com vitrais (a Norte e Sul), sendo o teto ornado por claraboia circular com um vitral. A ornamentação deste espaço faz-se também pelo revestimento de mármore branco e rosa, sendo de destacar as pilastras nas paredes com capitéis jónicos. Também são de referir os estuques, com festões, ramos de folhas de carvalho, folhas de acanto, entre outros motivos decorativos neoclássicos. No chão sobressai o pavimento de mármore com desenho geométrico radial.

                  

     

    Sala de Jantar Renascença

    Sala inspirada pelas artes decorativas do Renascimento italiano, sendo forrada até meia parede com painéis de carvalho (o que remete para o gosto do escritório-biblioteca inglês), sendo a restante parede forrada com papel de parede figurando um padrão vegetalista de frutos e flores. A divisão é iluminada por janelas com portadas de vitral, onde se destaca o monograma do Marquês. O teto é trabalhado em caixotões com molduras concêntricas, decorados em relevo, formando duas rosetas nos espaços de onde pendem os candeeiros, uma de cada lado da área central. Esta foi deixada em aberto sendo preenchida por uma pintura em trompe-l’oeil. A pintura é rodeada por uma moldura com florões, folhas de acanto e volutas. As sobreportas são ornamentadas por uma pintura dentro de moldura oval com cabeças de águia afrontadas e enrolamentos de acanto, sobrepujada por uma coroa. No fundo da sala, destaca-se fogão, também em talha, tendo sobre ele um espelho decorativo de grandes proporções que alcança a sanca do teto. Os pés do fogão, nas esquinas, possuem a forma de garras, sendo encimados, junto do tampo, por cabeças zoomórficas. A restante decoração compõe-se de enrolamentos de acanto e de outra folhagem, envolvendo, ao centro um rosto infantil. O fogão de sala, propriamente dito, é feito de metal amarelo, com um mascarão entre folhagem ao centro, e decorada nas bordas por um friso de azulejos Arte Nova de figuração floral policromática. A sala possui ainda os seus móveis originais, que correspondem a dois aparadores com decoração em talha idêntica à do fogão, que são semelhantes aos que Leandro Braga (1839-1897) realizou para a Sala de Jantar da Rainha no Palácio da Ajuda (cf. Leal, 2014, 129).

                    

     

    Antecâmara

    Sala que fica do lado oposto ao da Sala de Jantar, com entrada pelo corredor e pelo patamar da escadaria de aparato, tendo janelas de sacada voltadas para a Rua Jau. Trata-se de uma sala cuja decoração, em tons claros, se faz por meio de estuques, nas sobreportas e sobrejanelas, dentro de uma linguagem neoclássica, que se estende também à decoração das próprias portas, onde surgem grinaldas de folhas de loureiro. Sobressai também a porta de correr para o corredor, ornada por vitral, igual ao da Sala de Jantar Renascença.

          

     

    Sala Oriental

    Sala que faz a ligação entre a Antecâmara e o Salão, sendo servida pela varanda principal que dá para a Rua Jau. A porta para o corredor dá passagem para a escadaria central de acesso ao Piso 2. Apresenta decoração oriental, sendo por isso apelidada de Sala Japonesa. Contudo, «apesar de possuir muitas citações à arte e cultura japonesa, também possui muitas outras influências orientais, de uma forma geral, e não exclusivamente nipónicas» (Leal, 2014, 129). Esta sala integra-se na tradição da época de os palácios possuírem uma sala oriental, dentro do gosto pelo orientalismo, em voga na segunda metade do século XIX, tal como acontece também no Palácio da Ajuda. Assim como noutras salas do Palácio Vale Flor, a conceção da decoração foi entregue ao atelier Jansen, de Paris (fundado em 1880), sendo contratado o pintor Eugénio Cotrim (1849-1937) para compor os painéis decorativos e a pintura do teto (1909). Nesta sala destacam-se as madeiras lacadas e as portas orientais com pórticos trabalhados com dragões. No teto e nos painéis das paredes encontram-se elementos associados à cultura e arte japonesas (cf. Magalhães, 2003, 32; Leal, 2014, 129).

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    * Fotografias Homem Cardoso

     

    Salão

    Sala ampla, cuja decoração se insere no estilo rococó, razão porque é também denominada Sala Luís XV, correspondendo a uma encomenda ao atelier Jansen de Paris. Este estilo decorativo «foi durante muito tempo um sinal de êxito e prosperidade» (Magalhães, 2003, 28). Na sua decoração ressaltam os estuques, que servem de molduras para pinturas com temas alegóricos de inspiração clássica (1900), sendo essas pinturas da autoria de Carlos Reis (1863-1940). A este pintor se «atribui a orientação da decoração mural do edifício e ainda a proposta dos pintores que nele trabalharam» (Magalhães, 2003, 67).

          

     

    Capela

    Dedicada à Imaculada Conceição, tem planta circular e é composta por dois pisos (Piso 0 e Piso 1), sendo o acesso feito pelo Piso 0, quer pelo interior da casa, quer por uma porta voltada para a Rua Jau. Pelo Piso 1 é acessível apenas para a tribuna, precedida de vestíbulo. Trata-se de um espaço iluminado por vitrais em todas as fachadas, exceto a ocidente, onde está a porta interior, sobrepujada pela tribuna, com guarda de balaustrada de madeira. A decoração corresponde também a uma encomenda ao atelier Jansen de Paris. É de salientar também a cobertura feita por cúpula, ornada por estuques e um vitral na zona da lucerna. Os três vãos das janelas Norte e Sul são geminados, em arco de volta inteira, sendo mais alto o vão central. O vão do Altar-mor desenha-se em arco abatido, assim como o vão da porta da tribuna.

              

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    * Projeto do Atelier Jansen para a Capela.

     

    Sala de Música

    Sala que faz ligação entre o Salão e a Sala de Jantar do lado Nordeste. É iluminada pelos vãos de janela voltados a oriente. A decoração é feita por estuques de gosto neoclássico.

     

    Sala de Jantar Nordeste

    Voltada para o Jardim, a Norte, esta sala talvez tenha sido a Sala de Baile, a avaliar pelo tema da festa e da dança que se encontra no teto, numa tela pintada por Constantino Sobral Fernandes (1878-1920), datada de 1915. A sala compõe-se de um corpo de planta retangular que se prolonga para uma marquise (ou Jardim de Inverno) a Este, de planta semi-octogonal, sendo a passagem entre os dois corpos pontuada por duas colunas de capitéis coríntios e fuste canelado. Note-se que há um pedido na Câmara Municipal de Lisboa, feito pelo Marquês de Vale Flor, em 7 de Novembro de 1900, para «fechar por meio de fero, vidro e zinco dois terraços já existentes em dois dos ângulos do rez do chão», que serão os atuais jardins de Inverno. Além da decoração pictórica do teto, a ornamentação faz-se por estuques de estilo Rococó, com troféus e elementos vegetalistas entrelaçados (cf. Leal, 2014, 133).

          

     

    Hall de Entrada Norte e Pátio interior

    Vestíbulo que dá acesso a um terraço e ao jardim do lado Norte, fazendo passagem entre as duas salas de aparato, a Sala de Jantar Nordeste e a Noroeste. Tem também ligação para um Pátio Interior coberto por claraboia situado no centro da casa, que tem a particularidade de ser ornamentado com duas pinturas de Carlos Reis figurando os retratos das filhas dos Marqueses de Vale Flor. O Hall tem decoração em estuque de estilo neoclássico, com destaque para a presença de festões e grinaldas.

          

     

    Sala de Jantar Luís XV

    Ampla sala que é simétrica à Sala de Jantar Nordeste, apresentando decoração em branco e dourado do estilo Regência, com estuques, figurando elementos florais, vegetalistas e conchas. No teto tem igualmente uma tela decorativa de Constantino Fernandes, datada de 1914-1915, com a representação de três figuras a dançar (Três Musas ou Três Graças), dentro de uma moldura quadrilobada. Destaque ainda para a lareira em mármore e ferro, com decoração também de concheados, elementos vegetalistas e cabeças de leão (cf. Leal, 2014, 132-133).

            

     

    Escadaria

    Espaço do hall da segunda escadaria, que permite o acesso ao Piso 2. Este espaço faz a ligação entre o corredor principal (que vem da escadaria de aparato e desemboca no vestíbulo superior da capela) e o Pátio interior. Neste espaço sobressai a escada curva, de dois lanços com patim, com guarda de balaustrada de madeira, ornada por relevos. O balaústre de arranque apresenta uma decoração classicizante com rostos, fitas e elementos vegetalistas. Na parede que está voltada para o Pátio Interior vê-se um vitral. No cimo da escada o teto apresenta decoração de estuque.

            

     

    Piso 2

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    * «Planta do 1.º Piso», in Magalhães, 2003, 34

    O Piso 2  tem uma planta semelhante ao piso inferior, sendo ocupado por quartos. Entre os quartos sobressaem os dois que ocupam o corpo Sul, voltados para a Rua Jau, que eram os quartos dos marqueses de Vale Flor, tendo por isso maiores dimensões. Esses dois quartos são servidos por terraços, um voltado a ocidente e o outro oriente. São separados por um Boudoir, situado sobre a “Sala Japonesa”, servido por uma varanda.

     

    Boudoir

    Chegando ao Piso 2, encontramos um novo corredor principal que atravessa o corpo voltado para a Rua Jau. Sobre a Sala Japonesa fica um Salão mais íntimo, que era o Boudoir, correspondendo a uma sala intermédia e que separava os quartos de dormir, dos grandes salões sociais do piso térreo. Sendo ornamentado com estuques e pinturas de inspiração Rococó, no teto destaca-se uma pintura decorativa de Carlos Reis. Sobre a sanca estão cartelas com figuração de flores e alegorias à música. As pinturas das sobreportas (datadas de 1907), são telas decorativas executadas por José Basalisa (1871-1961) (cf. Leal, 2014, 132).

            

     

    Quartos do Marquês e da Marquesa

    Do lado oriental ficam os Quartos do Marquês que compreendem duas salas contíguas e uma casa de banho. O primeiro quarto tem decoração pictórica com grinaldas e elementos florais. O segundo quarto apresenta uma temática idêntica, embora a pintura do teto seja um trompe l’oeil figurando o céu. A casa de banho apresenta igualmente uma temática floral, com azulejos no revestimento das paredes e nos mosaicos do chão.

                    * *

    * Projetos do atelier Jansen, in Magalhães, 2003, 37.

    Do lado oposto ficam os Quartos da Marquesa, em estilo Luís XVI, em cujas paredes sobressaem estilizações de entrelaçados dourados nos lambris. As telas, na parte superior das janelas, representam paisagens inspiradas na pintura de Joseph Vernet (1714-1789). Este quarto tem terraço sobre a entrada (cf. Leal, 2014, 132).

    * *

    * Projetos do Atelier Jansen, in Magalhães, 2003, 35.

     

    No fogão de sala da Sala Renascença, sobressai um friso de azulejo em arco, decorado com motivos florais sobre fundo azul. As flores representadas são papoilas, margaridas e espigas de trigo, que simbolizam o amor e a prosperidade.

        

    Piso 0

    Vestíbulo

    Em torno do vitral central da cúpula, o espaço é ornamentado por um trabalho em estuque inscrito numa moldura circular. No círculo central, que serve de moldura para o vitral, vêem-se grinaldas de folhas de carvalho e laços, intercalados por mísulas ornadas por folhas de acanto. Deste círculo partem oito faixas a radiar para a moldura exterior da cúpula, unidas de duas a duas, formando uma cruz. Essas faixas, junto da moldura, são ornadas por motivos vegetalistas, desembocando nas mísulas junto da lucerna.

        

     

    Capela

    Com projeto do atelier Jansen, o trabalho em estuque é idêntico ao do vestíbulo, contudo difere nos motivos decorativos que partem da moldura circular junto do vitral. Formando também uma cruz inscrita num círculo, entre as faixas que compõem o braço da cruz, estão raios de luz, nuvens e estrelas. A moldura junto do vitral é decorada com uma faixa com ramos de louro. Um dos altares é ornado por estuques pintados a dourado, figurando festões com flores (rosas, malmequeres e peónias).

          

     

    Piso 1

    Antecâmara

    Nesta sala desenha-se no teto uma moldura de cantos chanfrados, tendo ao centro uma rosácea cruciforme ornada de motivos vegetalistas. Na sanca a decoração faz-se com um friso de óvulos e dardos entre outros motivos geométricos. Na maioria das sobreportas vêem-se bustos de perfil com figuras do século XVIII e grinaldas. Na sobreporta que dá passagem para o corredor, em frente à Sala Renascença, está um painel figurativo historiado com uma cena clássica. Nas sobreportas que acedem ao vestíbulo e escada de aparato estão painéis com ramos de oliveira e espigas de trigo.

              

     

    Salão

    Estuque decorativo de estilo rococó, sendo o teto formado por uma moldura contracurvada de base oval, pintada a dourado, que envolve uma pintura de Carlos Reis. A decoração desenvolve-se sobre a sanca e nas sobreportas, onde emoldura outras pinturas do mesmo artista. Na área do teto o estuque foi substituído por trompe l’oeil simulando aquele material, desenhando formas em contracurva, com motivos vegetalistas, cestos de flores e concheados. Estes motivos prolongam-se no estuque da sanca e molduras sobre o remate superior das portas e janelas, onde também se vêm grinaldas de flores e rostos.

                

     

    Sala de Música

    Sala de estilo neoclássico, ornada por estuques com motivos vegetalistas. Destaca-se o medalhão central do teto em forma de roseta oitavada formada por ramos de folhagem.

      

     

    Sala de Jantar Nordeste

    Sala decorada no estilo Luís XV, com projeto do atelier Jansen, em tons de branco e dourado. No teto desenha-se uma moldura oval que envolve a pintura de Constantino Fernandes, ligando-se esta moldura a uma faixa sobre a sanca, com decoração vegetalista, concheados e cartelas, que se prolonga pela parte superior das paredes e na área do Jardim de Inverno.

          

     

    Hall Norte

    Sala mais sóbria, em estilo neoclássico, ornada nas paredes com festões e grinaldas. Sobre o teto encontra-se um rosetão dourado de motivo vegetalista.

      

     

    Sala de Jantar Noroeste

    Decoração em estilo Regência, sendo a moldura central do teto, que envolve a pintura de Constantino Fernandes, de formato quadrilobado. Sobre os cantos estão cartelas, ornadas por folhagem e rostos de putti. A restante decoração do estuque é feita dentro de motivos vegetalistas e florais, que se estendem para o Jardim de Inverno.

        

     

    Escadaria

    No hall da escadaria que acede ao Piso 2, uma das portas, sob o vão da escada, é decorada com grinaldas e uma flor de lis. O teto sobre a escadaria é ornado por um rosetão formado por folhas de acanto. Sobre as paredes vêm-se outros estuques decorativos com volutas, sobressaindo, dentro de uma grinalda, um busto feminino, possivelmente figurando a Marquesa de Vale Flor.

        

     

    Boudoir

    Estuque decorativo pintado a dourado, no estilo Rococó, formando cartelas e molduras onduladas, preenchidas por pinturas. Os motivos em estuque compreendem folhagem estilizada e concheados, bem como cestas coloridas com flores e grinaldas.

          

     

    Casa de Banho

      

    Conjugação de estuque com pintura, sendo o estuque colocado sobre os cantos e ao centro, com motivos de flores e laçaria.

     

    Sala Renascença

    Sala com pinturas de Domingos Costa, sendo a do teto uma representação em trompe l’oeil, naturalista, simulando uma abertura para o céu azul, com ramos e uma roseira florida. Nas sobreportas vêem-se animais ligados à alimentação. Da esquerda para a direita, temos primeiro um par de perdizes, que evocam a caça – passatempo a que se dedicava o Marquês de Vale Flor. Seguem-se animais de quintas: coelhos, um galo e galinhas, e um cordeiro.

              

     

    Salão

    A pintura do teto, de Carlos Reis, apresenta uma imagem ornamentações em trompe l ‘oeil, sendo que a tela, segundo Miguel Leal, poderia intitular-se A Primavera. Vemos um céu povoado de nuvens, onde se encontra uma figura feminina semicoberta por um tecido drapejado e uma coroa de rosas, que está a tocar guitarra. Junto dela vemos seis putti a brincar, um dos quais enroscado nas suas saias, e um outro transporta à cabeça, uma cesta de flores. Sobre as nuvens observam-se também ramos de palmeira e rosas, além de panejamentos esvoaçantes onde se entrelaçam outros putti. O recorte do emolduramento faz-se em trompe l’ oeil, imitando estuque, com quatro cartelas de onde pendem cornucópias de rosas. Nas sobreportas existem outras três telas decorativas pintadas a óleo, igualmente de Carlos Reis, que representam putti. Numa está um par de putti, estando um deles a tocar flauta, tendo sobre as pernas uma pauta de música, enquanto o outro segura um ramo e uma coroa de flores; noutra, um dos putti segura flores, enquanto o outro toca harpa; na terceira, um dos putti toca flauta transversal, enquanto outro segura uma pauta e está a cantar (cf. Leal, 2014, 131).

                

     

    Sala Oriental

    A decoração pictórica desta sala foi realizada pelo pintor Eugénio Cotrim, em 1909. O teto é composto por uma pintura central onde se observam flores estilizadas, bolas nambam (que se oferecem no Ano Novo) e linhas onduladas (para afastar maus espíritos). Sobre a sanca vêem-se ramos floridos de cerejeira. Nas paredes surgem painéis com pequenas paisagens de inspiração japonesa: ramos de cerejeira ou amendoeira, lagos e pontes, lírios e peónias, pássaros vermelhos e grous, Fujiyama e a ponte de Quioto (cf. Magalhães, 2003, 32; Leal, 2014, 129).

                  

     

    Sala de Jantar Nordeste

    Teto com pintura de Constantino Sobral Fernandes, figurando uma cena de dança, do século XVIII, dentro de uma composição que recorda as pinturas de Watteau (1684-1721). Sobre um fundo de céu nublado, um par está a dançar a pavana, estando ela de frente e ele de costas, com um putto a sobrevoar sobre eles. Ao seu lado está outro par sentado, com ela de costas, sendo ele um Pierrot a tocar viola.

    * 

    * Fotografia de Homem Cardoso.

     

    Sala de Jantar Noroeste

    No teto, outra pintura sobre tela de Constantino Sobral Fernandes, datada de 1914-1915, que, segundo Miguel Leal, representa as Três Musas ou as Três Graças, com figuras femininas envolvidas em panejamentos, a dançar sobre um fundo de céu nublado. Figuradas em escorço, duas delas seguram uma grinalda de flores e uma coloca uma coroa de flores sobre a terceira. Nos cantos do teto, em trompe l’ oeil, estão representados motivos arquitetónicos cenográficos, simulando uma balaustrada, que dá continuidade à pintura central – vendo-se a continuação do panejamento de uma das figuras (cf. Leal, 2014, 132-133).

      

     

    Boudoir

    O Boudoir apresenta no teto uma pintura decorativa de Carlos Reis, correspondendo a uma tela de formato circular com putti esvoaçando entre nuvens. Sobre a sanca estão cartelas com figuração de flores e instrumentos musicais. As pinturas das sobreportas (datadas de 1907), são telas executadas por José Basalisa, apresentando trechos de paisagem pintados de forma naturalista (cf. Leal, 2014, 132).

                

     

    Quartos do Marquês

    Dois quartos contíguos, um dos quais com pintura simulando uma moldura em estuque, apresentando decoração com flores, grinaldas e festões. O outro quarto apresenta um céu em trompe l’oeil, azul e com nuvens, vendo-se sobre a moldura representações de flores.

      

     

    Quartos da Marquesa

    *

    * Fotografia de Homem Cardoso

    Teto com pintura de Eugénio Cotrim figurando um céu azul com nuvens, ornamentado com grinaldas de flores que pendem dos cantos da moldura.

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    * Fotografias de Homem Cardoso, 2003.

    Pinturas de Carlos Reis de estilo Arte Nova, com inspiração em Mucha (1860-1939), figurando mulheres, entre flores ou cuidando da sua aparência, com joias ou arranjando o cabelo.

     

    Quadros de Carlos Reis

    Retratos de três crianças, filhas dos Marqueses de Vale Flor, realizados em 1902. A mais velha era Clotilde (com cerca de 12 anos), a do meio Jenny (falecida em 1912) e a mais nova, Maria Luísa (nascida em 1899). As três meninas são figuradas de frente, com ramos de flores, tendo atrás de si, como fundo, um cortinado. No caso de Maria Luísa, o branco do vestido ladeia com o branco do cortinado, numa exploração tonal da cor branca muito do interesse de Carlos Reis.

        

     

    Piso 0 - Vitrais

    Vestíbulo

    Todos os vitrais do Palácio são da oficina de Cláudio Martins (1879-1919), «que realizava a maior parte das encomendas da nobreza, alta burguesia e da Igreja» (Magalhães, 2003, 52). Os cartões são de Conceição Silva (1869-1958). No vestíbulo temos um grande vitral na cúpula, organizado em círculos concêntricos, ornados por motivos geométricos, vegetalistas e florais.

    Sobre o portal está outro vitral, inscrito em moldura de arco abatido. No friso lateral apresenta concheados e folhas de palma; ao centro, em cima, um rosto feminino, grinaldas e fitas. Nas portas surgem outros vitrais com motivos geométricos e flores.

    Os janelões geminados que iluminam o vestíbulo e a escada de aparato, são também preenchidos por grandes vitrais. No centro apresentam um vaso dourado com flores, tendo no topo dois pássaros e grinaldas. A zona da moldura simula um nicho com capitéis jónicos. Nas janelas laterais vêem-se figuras: de um lado possivelmente Salácia, a rainha dos mares (com um remo e junto da proa de um barco) e Ceres, deusa da agricultura (com uma foice); do outro lado, Mercúrio (com um caduceu) e talvez Juno (ligada ao casamento e maternidade).

          

     

    Capela

    Na cúpula encontra-se um vitral organizado em círculos concêntricos, ornamentado com motivos geométricos, formando uma rosácea junto do centro. No altar mor surge um grande vitral, em cuja base se vêm ramos de oliveira e de carvalho. Sobre uma peanha uma figura femina mostra uma faixa com a frase «Gloria in Excelsis Deo». O restante espaço é ornado por flores, sendo a zona superior central preenchida por uma pomba (Espírito Santo) de onde partem raios de luz, sendo ladeada por querubins que seguram uma grinalda de flores. A porta é feita de vitral de desenho geométrico, ladeada por dois óculos igualmente preenchos por vitrais geométricos. Sobre ela está um janelão geminado. As janelas laterais apresentam no topo coroas de espinhos e, sob elas, grinaldas de flores. A central tem em baixo uma peanha ladeada por ramos de oliveira e de carvalho, sobrepujada por um rosto de Cristo e um cálice com uma óstia, indicando o Santíssimo Sacramento, tendo ao centro o Santo Sudário e uma Mitra. Noutro janelão geminado (Norte), a ornamentação é semelhante, mas com uma Bíblia aberta ladeada por um chapéu cardinalício (galero).

            

     

    Piso 1 - Vitrais

    Sala Renascença

    Janela com a coroa de Conde e o monograma VF (Vale Flor), sobrepujada por grinalda com cachos de uvas, cornucópias e vasos com diversas frutas, entre animais fantásticos. Na porta de correr (para o corredor) vaso com frutas e pássaros, igual à porta que dá para a Sala de Estar.

      

     

    Vestíbulo da Capela

    Vitral que apresenta urnas e cestos com flores, tendo como motivo central o brasão dos Marqueses de Vale Flor.

     

    Salão

    Num dos salões vê-se também um vitral de inspiração Arte Nova com flores.

     

    Escadaria

    Vitral que simula um nicho, com borda exterior ornada por folhas de loureiro. Figura feminina sobre peanha com decoração de concheados, motivos vegetalistas e grinalda de flores. A figura simbolizará a Flora (ou a Primavera) pois do seu regaço caem flores – lembrando a Primavera de Botticelli. A figura é ladeada por duas pilastras com bustos de perfil, capitéis jónicos, encimadas por esfinges, que sustentam um arco de volta inteira ornado, ao centro, por uma concha. No topo uma cabeça de querubim alado sobre uma cartela, de onde saem cornucópias com flores, pendendo ao centro uma grinalda.

     

     

    Pátio central

    Pinha italiana

    Vaso em mármore decorado em baixo-relevo com o tema das Estações do Ano, dentro de uma estilística de influência clássica. Possui um mecanismo que permite girar (Magalhães, 2003, 55).

     

    Pormenores

    São vários os detalhes do palácio que contribuem para o seu enriquecimento ornamental, entre eles os candeeiros de parede em metal, ornados por fitas e elementos vegetalistas, simulando ramos. Os fechos das portas também são ornamentados, com redes, folhas de acanto e de loureiro.

            

     

    ttt
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    Este projecto é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto [UIDB/00417/2020].

    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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