Filtrar

    Palacete Seixas

    Palacete Seixas
    XIX
    1899
    Portugal

    Paulino Montez, Victor Piloto, Pedro Vaz (arquitetos); Alberto Pedro da Silva, Cosme Damião Dias, Guilherme Francisco Barracho, Victor Piloto (construtores civis); Virgílio Preto (engenheiro); Luigi Manini (decorador); Varela Aldemira (pintor)

    Avenida da Liberdade, 270; Praça do Marquês de Pombal, 18; Rua Rodrigues Sampaio, 113
    38.72486
    - 9.14888
    COM_CCK_hhh

        

    Edifício de gaveto que ocupa o ângulo sudeste da Praça do Marquês de Pombal, sendo o único palacete remanescente dos que existiam nesta Praça. Com portal de entrada pela Avenida da Liberdade, configura-se exteriormente como um edifício de dois pisos, com telhado de mansarda, no estilo eclético e historicista do fim de século XIX, tendo a particularidade de apresentar uma marquise em ferro forjado na fachada voltada para a Rotunda do Marquês.

          

    [1] «Palacete Seixas / Instituto Camões – Casa da Lusofonia», PT DGPC/SIPA FOTO.00524551, s.a., s.d. In http://www.monumentos.pt crédito da imagem DGPC/SIPA.

    [2] Praça Marquês de Pombal, c. 1900, fot. Paulo Guedes, in AML Cotas: PAG000296 A9049 N7849

     

    Situado no topo da Avenida da Liberdade, inicialmente o Palacete ocupava um lote mais vasto, com frentes para a Avenida da Liberdade, Praça Marquês de Pombal e Rodrigues Sampaio. Tinha um jardim situado nas traseiras, hoje preenchido por outras construções, entre elas um prédio na frente voltado para a Rua Rodrigues Sampaio, n.º 113, onde antes estava a garagem. Outra construção actual é um elevador exterior situado à direita da fachada Oeste. Entre os edifícios mais modernos que o rodeiam, sobressai, ao lado do elevador, o prédio do jornal Diário de Notícias, do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, Prémio Valmor em 1940.

    O Palacete distingue-se pela geometria da planta em forma de “papagaio de papel” (Vaz et al., 2011, 24), que lhe confere uma volumetria de prisma poligonal. As fachadas voltadas para a rua são simétricas, com eixo na esquina entre a Praça Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade. Tem três pisos e andar de mansarda (-1, 0, 1 e 2), sendo que o inferior (-1), correspondente à Cave, é apenas acessível pelo interior do edifício; o Piso 0 tem acesso à rua pela porta principal; o Piso 1 é acessível pela escada de serviço e escadaria nobre, situada ao centro do edifício; a mansarda (2) é acessível pela escada de serviço e a partir dela também se pode chegar ao sótão. Todas as divisões têm janelas que permitem a entrada de luz natural, incluindo a escadaria central que é iluminada por uma claraboia moderna em forma de cone invertido. Na origem, sobre a antiga claraboia estava um mirante, que desapareceu num incêndio em 1948. O mirante, que se pode ver em fotografias antigas, era em ferro forjado, lembrando um «minarete islâmico» ou um «coreto em miniatura» (Teixeira, 2003, 205). Interiormente, todas as divisões se organizam em torno da escadaria principal. As salas maiores estão voltadas para a Praça do Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade, ficando as restantes, mais pequenas, voltadas para as outras frentes. É de supor que originalmente, o Piso -1 fosse destinado a serviços, o Piso 0 a espaços de recepção, ficando o Piso 1, mais resguardado, para os quartos dos proprietários e a mansarda (Piso 2) para os quartos dos criados.

        

    Voltada a Ocidente, para a Avenida da Liberdade, a fachada é dividida em três corpos separados por pilastras que apresentam ao nível da cimalha, sob a cornija, capitéis compósitos. Tem quatro pisos à largura de quatro vãos, sendo que o piso inferior (cave) é apenas visível na sua parte superior, iluminado por janelas estreitas ao nível da rua, protegidas por gradeamento de ferro. Tanto a cave como o rés-do-chão são revestidos por cantaria. O rés-do-chão é rasgado por três janelas de peito, duas geminadas do lado esquerdo e uma central; do lado direito fica a porta ladeada por colunas de fuste liso e capitel compósito e encimada por um arco em cujo fecho se vê um relevo com um rosto feminino. A moldura das janelas assenta sobre mísulas com acantos e é encimada por uma cornija decorada com relevo vegetalista. O piso superior repete o mesmo número de vãos, sendo os do lado esquerdo e o vão sobre a porta constituídos por janelas de sacada com varanda protegida por balaustrada de cantaria. As consolas que amparam as varandas apresentam decoração com folhas de carvalho, sendo que as sacadas geminadas no primeiro piso são ladeadas e intercaladas por colunas idênticas às da porta principal. O último piso, sobre o piso nobre, corresponde ao andar de mansarda. Sobre as janelas geminadas, ao nível da mansarda, está uma pequena varanda protegida por um murete de cantaria com motivos curvos entrelaçados. A mansarda é iluminada por vãos de formato circular inscritos numa moldura sobrepujada por frontão interrompido, decorado no tímpano com cesto de flores.

        

     

    Fachada Norte

    Virada para a Praça do Marquês de Pombal, esta fachada é simétrica à principal. A diferença é que apresenta uma terceira janela de peito, no lugar do portal. Sobre ela, em vez da varanda, está uma marquise em vidro e ferro forjado, de secção curva, assente sobre uma base de cantaria decorada com motivos vegetalistas.

          

     

    De ambos os lados das fachadas principais estão portões de ferro que permitem aceder ao antigo jardim. As fachadas não são visíveis do exterior, estando uma delas quase encoberta pelo edifício situado a Este, virado para a Praça do Marquês de Pombal. A outra está também parcialmente encoberta pelo elevador exterior recentemente construído. A estrutura da fachada Sul é semelhante à das fachadas exteriores, mas com menor investimento ornamental. Ao nível do piso térreo apresenta uma porta que acede ao antigo jardim, sendo geminadas as janelas do lado direito (em ambos os pisos), as do piso superior terminadas em arco de volta perfeita.

        

    Arquivo Municipal de Lisboa, Obra N.º 3298, Vols. 1 e 2.

    ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro XIV, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1938-1939.

    CARITA, Hélder (com.), Luigi Manini: Quinta da Regaleira: imaginário & método: arquitecturas & cenografia: [catálogo] exposição internacional, Sintra, Fundação Cultursintra, 2006.

    MONTEIRO, Gisela, MESQUITA, Sandra, GONÇALVES, Sara (Com.), Flores de Pedra, Câmara Municipal de Lisboa, 2020.

    Museu Civico Cremasco, Crema, Itália, Desenhos do arquitecto Luigi Manini.

    PASSOS, Silva, «Palacete Seixas / Instituto Camões - Casa da Lusofonia», in SIPA, 1999 [http://monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5789, consultada a 14 de Junho de 2023]

    TEIXEIRA, José de Monterroso, «Rotunda do Marquês: “a cidade em si não cabia já” ou a monumentalidade (im)possível», in Revista Camões [Em linha], N.º 15/16, 2003, pp. 198-210. [Consult. 10 de Junho de 2023, http://bibliotecasicl.pt/Biblionet/Services/GetRepositoryFile.ashx?repository=105199_REPOSITORY-BDIGITAL&guid=0e6717f7-9d57-4120-ace5-6e432c3847de]

    VAZ, Pedro (Coord.), Palacete Seixas – Instituto Camões, Instituto Camões, 2011.

    Século XIX

    1882 – Criação da Praça Marquês de Pombal.

    1899, 27 de Julho - Pedido de construção das fundações feito por Vicente Rocha.

    1899, 3 de Agosto - Deferimento do Requerimento de Vicente Rocha, por parte da Câmara, para a realização das fundações da «d’um prédio no seu terreno com frente para a Avenida da Liberdade, Praça do Marquez de Pombal e rua Rodrigues Sampaio e bem assim para vedar o referido terreno provisoriamente e construir uma barraca para guardar ferramentas (…)». / «É constructor responsável Alberto Pedro da Silva, inscripto no registo competente do Serviço de Obras sob o n.º 65». Nesse ano começou a «edificação formal» da Praça (Araújo, 1938-1939, 44).

    1900, 15 de Junho - Carmen Graziella Castilla da Rocha faz o pedido de construção «uma casa». O construtor é Alberto Pedro da Silva.

    Século XX

    1904, 20 de Janeiro - O construtor passa a ser Cosme Damião Dias.

    1903, 5 de Fevereiro - O construtor passa a ser Guilherme Francisco Barracho. Data de cerca deste ano o projecto de Luigi Manini (1848-1936) para a arquitectura interior em estilo Luís XV (Denise Pereira in Carita, 2006, 14). Um dos desenhos tem a data de 1903 e a legenda: «Chaminé, Intercolumnis, e tectos da Salla de jantar (…) Para o Emo. S. V. Rocha na sua nova Casa a avenida (?). / L. Manini 1903» (Museu Cívico de Crema – Caixa 921, Pasta 12, Fl. 6, n.º 0231).

    1906, 25 de Junho – É proprietário o arquitecto Alfredo Coffino (1869-1925) que pede para fazer uma vedação de madeira em torno do seu terreno entre a Avenida da Liberrdade e a Rua Rodrigues Sampaio.

    1908, 26 de Março – O proprietário é Carlos de Seixas (c. 1873-1941), comerciante e industrial, ligado à produção de madeira e azeite (propriedades em Cantanhede e Castelo Branco). Era sobrinho de Ernesto Henrique Seixas, futuro proprietário do Palacete Ribeiro da Cunha (de 1911 a 1920). Sabe-se que foi um entusiasta da cultura portuguesa, nomeadamente do poeta Luís de Camões, tendo tido um papel mecenático com apoio a vários artistas, entre eles Ernesto Condeixa, Sousa Pinto, Carlos Reis e Columbano Bordalo Pinheiro. No ano de 1908, Carlos de Seixas solicitou autorizaçãopara construir uma garagem, voltada para a Rua Rodrigues Sampaio.

    1908, Abril - Carlos de Seixas pede a numeração das portas. Nesta data a casa estaria concluída.

    1909, 12 de Fevereiro – Carlos de Seixas pede para construir umas capoeiras.

    1910 – A Praça Marquês de Pombal estava edificada.

    1911, 5 de Agosto – Carlos de Seixas pede para construir uma estufa.

    1915, 10 de Novembro – Carlos de Seixas requer edificar uma vedação de alvenaria e ferro.

    1917 – Foi colocada a primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal, projecto de Adães Bermudes, António Couto e Francisco Santos, concurso de 1913.

    1923 – Foi colocado papel de parede a forrar a casa (cf. Vaz, 2011, 24).

    1929 – A fortuna de Carlos Seixas foi afetada pela depressão pós-guerra e, posteriormente, por um mau negócio, que o levou à falência no princípio da década de trinta.

    1934 – O palacete passou para Isaac Jaime Rouffé e sua mulher Fortunata Cohen Rouffé. Nesse ano foi inaugurado o monumento ao Marquês de Pombal.

    1938, Maio – O prédio é adquirido pela Federação Nacional de Industriais de Moagem, com sede na Rua Augusta, sendo sujeito a obras de adaptação, sob a responsabilidade do engenheiro Virgílio Preto.

    1948, 8 de Setembro – O Palacete sofre um incêndio que destruiu parte da cobertura. Devido esse evento, a Federação solicitou à Câmara Municipal de Lisboa «autorização para proceder á reconstrução das partes deterioradas do telhado e da mansarda, em obediencia ao que existia anteriormente ao incendio, e pelo que respeita ao aspecto exterior – e com excepção da reposição do miradoiro que coroava a cobertura (…)».

    1949, Março – Obras de recuperação e reconstrução do Palacete, no segundo andar, sótão, cobertura e claraboia, entregues aos arquitetos Paulino Montez (1877-1988) e Victor Piloto.

    1950 – Data de uma pintura que decora o teto de uma sala do piso nobre (Galeria Luís XV), assinada por Varela Aldemira (1895-1975).

    1952 – Inauguração do segundo edifício da Federação no terreno voltado para a Rua Rodrigues Sampaio, dos arquitetos Paulino Montez e Victor Piloto.

    1957 – Conclusão da Praça do Marquês de Pombal.

    1989 – Demolição do edifício de Ventura Terra, existente na Praça do Marquês de Pombal, tornando o Palacete Seixas no «último testemunho da antiga “Rotunda” do séc. XIX» (Vaz, 2011, 18). Nesse ano, o Despacho da Secretaria de Estado da Cultura, n.º 104 de 19 de Dezembro (Diário da República, II Série, n.º 293, 22 de Dezembro de 1989) inclui o imóvel no conjunto de valor nacional da Avenida da Liberdade.

    1996, 1 de Outubro – Portaria n.º 529/96, do Ministério da Cultura (Diário da República, I Série B, n.º 228, 1 de Outubro de 1996) que integra o edifício no perímetro da zona especial de protecção da Avenida da Liberdade e área envolvente.

    1997 – Adquirido pelo Estado.

    2000 – Desenvolvimento do projecto do Palacete Seixas na Direção de Serviços de Estudos e Projetos da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Cf. Vaz, 2011, 20.

    Século XXI

    2001 – O Palacete passa para o Instituto Camões, como obras de remodelação do arquitecto Pedro Vaz.

    Arquivo Municipal de Lisboa

    Obra N.º 3298, Vol. 1, Processo 2634/1.ªREP/PG/1900 Folha 9, «Planta das Fundações, Planta da Cave».

     

      

    Obra N.º 3298, Vol. 1, Processo 2634/1.ªREP/PG/1900 Folha 8, «Planta do Rez-do-Chão, Planta do Andar Nobre».

     

    Obra N.º 3298, Vol. 1, Processo 2634/1.ªREP/PG/1900 Folha 6, «Fachada Principal, Avenida da Liberdade».

     

    Museu Civico Cremasco, Crema, Itália

    Desenho do arquitecto Luigi Manini (1848-1936) com esboços para a decoração interior.

      

    Desenho 0031 G (Caixa 821, Pasta 3, folha 4) - «Esboços para chaminés para a nova Casa do Sr. V. Rocha», assinado L. Manini. Apresenta várias hipóteses para «chaminés», que não se concretizaram, muito embora haja alguma semelhança nas pilastras decoradas em estilo Renascença da lareira do Piso 0 (Galeria, Piso 0, divisão 3). Desenho 0231 (Caixa 821, Pasta 12, folha 6) – «Chaminé, Intercolumnis, e tectos da Salla de Jantar (…) Para o Emo. S. V. Rocha na sua Casa a Construir», assinado L. Manini 1903. Vêm-se diversas decorações entre elas um friso de flores, mísula e base de coluna.

     

      

    Desenho 0244 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 19) - «Detalhas (…) das mísulas da galleria, rez do chão, e portas da salla de jantar para o palacete do Exmo. S. V. Rocha», assinado Luigi Manini. Vêem-se as mísulas da galeria do rés-do-chão (Piso 0) e porta da sala de jantar, que mostram cartelas com o monograma VR, que possivelmente preencheria algumas das cartelas hoje vazias. As mísulas com cabeças de mulher foram adoptadas para a cúpula da escada. Desenho 0246 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 21) - «Tectos (?) Renascença», assinado L. Manini. Projecto para o tecto em caixotões, que não corresponde ao que hoje se pode ver, com excepção dos florões ao centro de cada caixotão e dos rostos nas mísulas, que se assemelham aos dos atuais capitéis sobre as colunas (Piso 0, divisão 3).

     

          

    Desenho 0237 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 12) - Esboço do caduceu e do mascarão que existem junto da escada (Piso 0, divisão 2). Desenho 229 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 4) - Decoração do arranque da cúpula da escada. Desenho 0230 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 5) – «Decoração da cupola da escada do E. S. Rocha». Esboço de decoração, onde se veem vários elementos decorativos, incluindo uma cabeça de leão e um rosto feminino. Por último, um desenho sem número que corresponde a um esboço de decoração, onde se veem vários elementos decorativos, incluindo um rosto feminino encimando uma voluta.

     

        

    Desenho 0170 G (Caixa 821, Pasta 10, folha, 15) - «Tecto do quarto da Cama, Quarto de Vestir», assinado L. Manini. Corresponde à decoração do arco que separa o «quarto da cama» do «quarto de vestir» (Piso 1, divisão 3). Florão sobre a porta, ornamentação da porta com enrolamentos de motivos vegetalistas, esboço da criança a dormir e de criança com coroa de flores, um rosto numa cartela junto de duas pombas, o tecto com uma mulher a dormir e três putti. Desenho 0243 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 18) - Mostra um projecto para um tecto, com uma moldura ornamentada com bustos e caduceus, tendo ao centro uma figura feminina segurando uma tocha, rodeada por putti. Seria para uma «das saleta toilette» (talvez para o Piso 1, divisão 3).  Desenho 0248 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 23) - «Portal para a Galleria da Salla Luis XV para casa do Emo. S. V. Rocha», assinado L. Manini. Corresponde à decoração da porta do Piso 1 com arco de volta perfeita e concha. Nele está também a decoração do arco nessa sala, com os instrumentos musicais, putti, folhas de acanto e capitéis com conchas (Piso 1, divisão 2).

     

      

    Desenho 0232 G (Caixa 821, Pasta 12, folha 7) e desenho sem número – O primeiro é assinado L. Manini. Ambos são esboços de decoração provavelmente para tetos.

     

    Autoria dos textos: Margarida Elias Junho, 2023

     

    Piso - 1

    O piso inferior (cave) não tem acesso directo para o exterior, sendo a ligação aos pisos superiores feita por uma escada de serviço no canto Sudeste. As divisões são intercomunicantes e distribuem-se em torno da caixa da escadaria central, sendo iluminadas por janelas abertas para a rua ou para o antigo jardim.

     

    Piso 0

    O piso 0 (Rés-do-Chão) tem acesso ao exterior, para a Avenida da Liberdade, através da porta principal (portal) do lado direito da fachada Oeste. Passando essa porta tem-se um curto lanço de escadas que, do lado esquerdo, dá entrada para o vestíbulo de onde parte a escadaria principal. Todas as divisões são acessíveis pelo corredor em torno dessa escada e têm iluminação pelo exterior, incluindo a escadaria com iluminação zenital vinda da claraboia em forma de cone invertido (contemporânea). Neste piso destaca-se a galeria voltada para o canto Noroeste da casa e a entrada para a escadaria que se desenvolve até ao piso superior.

        

     

    Galeria

    A galeria situa-se na esquina entre a Avenida da Liberdade e a Praça Marquês de Pombal. A sua planta é em L, de braços simétricos, sendo a área central com formato pentagonal, separada das duas divisões laterais (de planta quadrada), através de duas colunas e duas pilastras adossadas às paredes. Assume-se como um espaço amplo, iluminado por seis janelas para a rua, quatro das quais geminadas. No canto apresenta uma lareira de cantaria com relevos renascentistas de grotescos. O tecto de caixotões de madeira, é trabalhado com relevos, sendo as colunas lisas marmoreadas em tons de vermelho com capitéis dourados, ornamentadas com volutas, acantos e rostos de querubins. Através dos desenhos de Manini é de supor que inicialmente seria aqui a Sala de Jantar (Desenhos 0031 G, 0231, 0244 G e 0246 G).

          

     

    Escadaria

    A escadaria parte de um arco de volta perfeita ladeado por dois nichos, que dá para um lanço de escadas que acede a um patamar de secção elíptica. Daqui se desdobra em dois lanços curvos concêntricos em ferradura, desembocando numa mesma saída no Piso 1. A caixa onde se inscreve a escada tem forma circular, sendo rodeada por um murete com balaustrada de cantaria. No piso 1, este muro é intercalado por seis pilastras com capitéis de tipo coríntio, adossadas por colunas marmoreadas, igualmente com capitéis coríntios, de onde partem arcos de volta perfeita, em cujo fecho está uma cartela barroca. Sobre a arcada está uma cornija de onde arranca a abóbada com clarabóia.

            

     

    Piso 1

    O piso 1 (Piso Nobre) tem uma configuração muito semelhante ao piso 0. A divisão pentagonal do canto Noroeste foi separada da divisão lateral do canto Nordeste, formando-se duas salas mais largas. Neste piso as divisões eram quase todas intercomunicantes e acessíveis pelo vestíbulo central em torno da escada. Destaca-se a divisão a Sudeste, acessível pelo corredor, que assume planta circular inscrita numa área pentagonal – sendo os ângulos do pentágono fechados por armários para arrecadação. Tal como nos outros pisos, a iluminação faz-se por janelas voltadas para o exterior, com três varandas e uma marquise nas fachadas voltadas para a Rotunda do Marquês e Avenida da Liberdade.

            

     

    Piso 2

    O último piso, de mansarda, segue o mesmo alinhamento de divisões dos outros pisos. As salas eram, na origem, quase todas intercomunicantes, além de serem acessíveis pelo vestíbulo. O acesso a esse piso é feito pela escada de serviço do lado Sul.

     

     

    Piso 0, divisão 1

    Subindo a escada entre a porta e o vestíbulo, está um arco de tipo serliano sustentado por duas colunas e duas pilastras adossadas às paredes, simetricamente. Entre o arco e o teto vemos uma cartela, de formato oval, ornamentada de ambos os lados por ramos de folhas de palma e grinaldas com fitas e rosas.

     

    Piso 0, divisão 2

    No vestíbulo, entre a escadaria e as salas voltadas para o exterior, o teto é decorado com diversos estuques. Sobressai, no arco que abre para a escada, uma cartela vazia, com moldura de volutas, e, de cada lado, um florão de onde caem cachos de romãs. Sobre a cartela, no teto, vê-se um caduceu, ladeado por ramos de louro. Entre os arcos, sobre nichos, estão grinaldas e cartelas com cabeças de criança de laço ao pescoço. Sob a escada há novamente uma decoração mostrando um mascarão com elementos vegetalistas estilizados (cf. desenho 0237 G de Manini).

        

     

    Piso 1, divisão 2

    Sala de estilo Luís XV, apresentando decoração em estuque sublinhado a dourado. O arco que divide os espaços, de tipo serliano, é suportado por colunas de fuste liso com capitéis de inspiração coríntia ornamentados com conchas. O arco é adornado com uma cartela, grinaldas e ramos de flores (margaridas e rosas), sendo estes motivos vegetalistas usados também na decoração do tecto, formando emoldurando a pintura central. Esta decoração repete-se no outro lado do arco (cf. desenho de Manini 0248 G).

        

     

    Piso 1, divisão 3

     

    Sala novamente dividida por arco suportado por colunas de fuste liso com capitéis jónicos. Os estuques são aqui de maior profusão, igualmente sublinhados a dourado. Sobre o arco enrolamentos fitomórficos e vegetalistas estilizados; sob o fecho do arco vê-se uma romã. Nos cantos do tecto observam-se ramos de flores (entre elas rosas) e folhagem, partindo de cartelas com rostos de crianças. Na outra parte da sala, de secção rectangular, sobre o arco vê-se um rosto feminino com um laço ao pescoço, junto de dois pombos, entre flores e fitas enroladas. Nos extremos está um motivo floral irradiante com folhas de acanto e diversas flores. Nas sobreportas, as flores e enrolamentos formam uma moldura circular, onde se vê outro ramo de flores (rosas e margaridas).

          

     

    Piso 1, Divisão 4

    Sala de secção circular, cujo o teto é decorado com estuques inscritos numa moldura, figurando uma grande cruz, ornamentada com motivos florais estilizados. No projecto inicial, de 1900, estava prevista uma cruz no pavimento, idêntica à do teto, fazendo lembrar a Cruz de Cristo do pavimento da capela da Regaleira, projectada por Manini (c. 1904).

     

    Piso 1, divisão 2

    No teto, observa-se uma pintura de Varela Aldemira, inscrita em moldura circular, assinada e datada: «V. Aldemira 1950». Figura três putti pairando entre as nuvens, com ramos e flores (rosas), dois deles olhando para baixo, na direção do observador, e outro olhando para cima. As outras pinturas desta sala são anteriores, provavelmente do início do século XX, sendo esse o caso da pintura na cartela sobre o arco, onde se vêem dois anjos sentados numa nuvem, um a tocar flauta e o outro pandeireta. Do lado esquerdo, sob uma grinalda e ramos de flores está um motivo (troféu) com uma gaita de foles e um chapéu rosa. Do lado direito do arco, uma corneta, castanholas e pandeireta, ambos os motivos entre flores.

          

    Do outro lado do arco, na cartela central, está uma cena inspirada no século XVIII, com um casal junto de um rio, ela sentada com um leque, ele de pé com uma espingarda. Do lado esquerdo do arco uma flauta de pan e uma corneta; do lado direito uma tocha. Noutras cartelas, sobre as portas e janela, outros casais à beira rio, sendo que, na cartela que está sobre a janela, a mulher é representada em traje de pastora. Note-se que este tipo de pinturas de paisagens bucólicas se assemelham às da Sala da Música da Quinta da Regaleira.

          

     

    Piso 1, divisão 3

    No tecto, dentro de moldura circular, vemos um céu estrelado, com a lua em crescente no lado direito. No meio está uma nuvem sobre a qual dorme uma mulher, junto de dois putti, sendo uma alegoria da Via Láctea (cf. desenho 0243 G de Manini). Do lado esquerdo do arco está uma criança a dormir com um manto estrelado e junto dele vê-se um casal de pássaros (talvez piriquitos). Do outro lado está uma criança acordada, com uma tocha acesa na mão esquerda, tendo junto de si um galo – figurando a noite e o dia. Seria o «quarto da cama» (cf. Desenho de Manini com número 0170 G).

        

    Na sala contígua, no teto, vemos uma criança segurando uma coroa de flores (confrontar desenhos de  Manini 0170). Nas sobreportas estão pinturas dentro de molduras circulares, com ramos de flores. Seria o «quarto de vestir» (cf. Desenho de Manini com número 0170 G).

        

     

    Piso 1, divisão 5

    Sala decorada junto do teto com um friso de grinaldas, intercalando escudos com bustos de perfil em grisaille e cestos de flores, entre elas rosas e papoilas.

        

     

    Piso 0, divisão 1

    Vitral sobre a porta da entrada formando um arco de volta perfeita, com moldura decorada por seis estrelas de cinco pontas. Os capitéis das colunas desta divisão são inspirados no estilo compósito, aliando as volutas e elementos vegetalistas (parras e uvas), com cabeças de faunos.

      

     

    Piso 0, divisão 3

    Sala separada em três secções através de colunas lisas com capitel dourado de inspiração compósita, com cabeças de querubins e folhas de acanto. Todo o teto é em madeira, sendo a área central da galeria, de secção pentagonal, decorada por uma moldura onde se vê, na cornija, um friso de mísulas adornadas por cabeças de leão. Este friso é seguido por uma faixa de caixotões com óvulos e florões; um friso com folhas de acanto e uma faixa com uvas e folhas de parreira. As áreas laterais, simétricas, são decoradas com teto em caixotões.

    No canto Noroeste da sala está uma lareira ornamentada com relevos de estilo renascentista, coroada por frontão contracurvado (ver desenho de Manini desenho 0031 C). Entre os motivos ornamentais é de notar nos elementos vegetalistas, bustos (entre eles o de uma mulher jovem e o de um homem velho), uma sereia, e putti brincando dragões.

            

            

     

    Piso 1, divisão 1

    No patamar da escadaria, é de apontar na decoração dos capitéis das colunas e pilastras, em estilo compósito, bem como nas cartelas sobre o fecho dos arcos. Sob os arcos, vemos consolas com volutas e um rosto feminino, junto de flores e frutos. Destaque também para a porta de estilo Luís XV que abre para a sala do canto Noroeste, decorada com cachos de romãs e motivos vegetalistas estilizados (cf. desenho de Manini 230 G).

        

     

    Piso 1, divisão 2

    Nesta divisão, estilo Luís XV, destaca-se uma lareira, ladeada por colunas com capitéis jónicos decorados com conchas, que sustentam um entablamento ornamentado com folhas de acanto, sobrepujado por frontão contracuvado igualmente ornamentado com acanto. Sobressai também a porta voltada para a escada, já antes mencionada, cuja bandeira de vidro forma um arco de volta perfeita. Essa porta é decorada com elelentos vegetalistas e uma concha ao centro (cf. desenho de Manini 0248 G).

          

    ttt
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

    Please publish modules in offcanvas position.