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    Casa Menezes Bragança

    Casa Menezes Bragança
    Palácio de Chandor
    XVIII
    Goa
    Culsabhatt, Chandor, Goa 403714, Índia
    15.261721
    74.043417

    O conjunto arquitectónico, que designamos por Palácio de Chandor, localiza-se no largo da Igreja Nossa Senhora de Belém e constitui elemento emblemático do núcleo urbano fundamental da povoação de Chandor. Este espaço de forma irregular, marcado ao centro pela presença de um monumental cruzeiro, é definido a sul pelo palácio e a poente pela Igreja Nossa Senhora de Belém.

    No seu conjunto o Palácio Chandor divide-se, em termos de programa interior, em duas casas; respectivamente, a ala nascente, correspondendo à Casa Bragança Pereira, e a ala poente, correspondendo, hoje, à Casa Meneses Bragança. Uma longa fachada marcada ao centro por núcleo entrada de acesso ás duas casas. Rematado por frontão triangular e dois fogaréus este corpo central salienta-se da fachada conferindo uma clara unidade ao conjunto. Um jardim limitado por um muro de alvenaria corre ao longo da fachada principal acentuando um efeito de unidade ao edifício.

         

    A morfologia complexa do Palácio de Chandor resulta da oposição entre uma longa fachada principal tripartida, e um alçado a tardoz que se desenvolve de forma assimétrica.

    Sob a forma de prisma rectangular, a Casa Menezes Bragança localiza-se a poente de um corpo central que organiza os acessos de todo o edifício.

    Este núcleo central salienta-se na fachada com uma varanda de arco abatido no piso nobre, um arco de volta perfeita no piso térreo e duas pilastras de secção quadrangular adossadas lateralmente. O conjunto é rematado ao centro por um frontão triangular ladeado por dois fogaréus.

    Com uma fachada principal abrindo-se com doze janelas de sacada a morfologia da casa organiza-se à volta de dois pátios. Na zona do tardoz a casa apresenta um tratamento diferenciado com dois pequenos corpos rectangulares adossados a nascente, na área de serviços.

    A totalidade do palácio apresenta na cobertura um telhado de quatro águas de cumeada assimétrica.

     

    Sob um esquema tripartido e simétrico, a fachada principal do Palácio de Chandor apresenta um corpo central saliente onde se abrem uma varanda de sacada no piso nobre e um pórtico em arco de volta perfeita no piso térreo. Adossado lateralmente por duas pilastras de secção quadrangular, o volume é rematado por um frontão triangular e dois fogaréus em cada lado.

    A Casa Menezes Bragança desenvolve-se a poente deste núcleo central, apresentando no corpo da fachada principal doze janelas de sacada com arcos tribulados alternadas com pilastras toscanas. A esta marcação rítmica de tramos verticais ao longo da fachada do edifício sobrepõe-se uma forte horizontalidade delineada pelo baixo muro que limita o lote da propriedade, ou pelo telheiro e duplo beirado que correm o limite superior da casa.

     Corpo Central de Entrada
    Ao centro da fachada, um corpo central saliente faz a união entre o programa interior das duas casas. Este para alem de fazer a comunicação com o exterior através de um terreiro ladeado pelos muretes a propriedade, destaca-se do conjunto pelo pórtico em arco de volta perfeita, a varanda de tribuna no piso nobre e frontão triangular e dois fogaréus que o rematam ao cimo.

       

    O alçado poente da casa desenvolve-se num conjunto de três janelas de arco tribulado sobre uma extensa varanda que corre a totalidade do piso nobre, não existindo quaisquer janelas no piso térreo. O corpo edificado apresenta lateralmente duas pilastras adossadas, sendo rematado por telheiro e duplo beirado.

    A norte, o alçado tardoz desenvolve-se em seis janelas de sacada alternadas com pilastras toscanas no piso nobre e com janelas em arcos tribuladas no piso térreo. O limite superior é reforçado pelas linhas do telheiro e duplo beirado que correm todo o edifício.

     

    As janelas de sacada decoradas com arcos trilubados manifestam uma liberdade estética própria da segunda metade de XIX.

    As suas molduras curvas e salientes terminam sob um apontamento curvo junto da guarda da varanda. Feita em madeira, esta guarda apresenta padrões geométricos e florais sobrepostos feitos em talha. A opção da madeira, em oposição ao ferro forjado, manifesta uma clara filiação com as tradições de arquitectura e construção autóctones.

    Salientes palmo e meio para o exterior da casa, os suportes das varandas das janelas de sacada apresentam-se sobre três pequenas mísulas que vemos divulgadas na arquitectura portuguesa a partir do barroco.  

       

    Beirados e pilastras

    Um duplo beirado percorre o limite inferior da cobertura do telhado de quatro águas, este beirado encontra um conjunto de pilastras salientes que pontuam lateralmente cada tramo constituído pelo espaço ocupado por cada janela de sacada.

     

     

    Jardins

    Ao longo da fachada principal e em articulação com o espaço do largo, a Casa Menezes Bragança apresenta o jardim de aparato, ou da entrada que enquadra a fachada principal do edifício. Este jardim apresenta-se ornamentado com algumas peças de mobiliário urbano em embrechados de grande qualidade estética.

    Em articulação com o jardim de aparato, um conjunto de jardins pouco individualizados desenvolve-se ao redor de toda a propriedade.

       

     

       

    CARITA, Helder, Palácios de Goa, Lisboa, Ed. Quetzal, 1996, pp.136 – 159

    HPIP - http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=1452

    SILVESTRE, Joana, (2016), Do lugar ao habitar: estudo sobre a casa-pátio em Goa- Dissertação de mestrado integrado em Arquitectura, Faculdade de Arquitectura e Artes - Universidade Lusíada de Lisboa

    1878 – Emitidas em Lisboa pelo Concelho de Nobreza, cartas patentes são entregues a Francisco Xavier de Bragança declarando brasão de armas e títulos de moço fidalgo com exercício na Casa Real.

    1882 – Os mesmos títulos são recebidos por António Elzário Sant’ Anna Pereira.

    Século XIX – Progressiva importância e autonomia da Família Bragança Pereira e da Menezes Bragança faz com que cada casa cresça de forma independente.  

    Helder Carita, Desenho da fachada principal do Palácio Chandor

    Piso 0

    O programa interior do piso 0 apresenta uma estrutura de conjunto que sugere que a planta inicial do Palácio de Chandor estaria articulada em torno de três pátios, sendo um eixo central que organizaria os interiores das duas casas.

    O programa funcional da Casa Menezes Bragança apresenta no piso 0 duas áreas distintas. Uma destinada a serviços agrários com acesso pelos portões secundários localizados simetricamente no murete exterior, e outra que funciona como entrada alpendrada e tem as escadarias que dão acesso ao piso nobre do palácio.

    A porta principal abre-se à sala de entrada e, posteriormente, para galeria alpendrada onde se desenvolve a sala das escadas centrais. Estas são formadas por um lance que se desdobra em dois, dando acesso a poente ao piso nobre da casa Menezes Bragança.

     

    Saguão (logea de entrada)

    Com uma planta de base quadrangular, o saguão liga o palácio com o exterior através de duas fenestrações, a porta exterior e uma abertura para o primeiro lance de escadas no enfiamento desta.

       

     

    Piso 1-Piso nobre

    O programa interior do piso nobre do conjunto arquitectónico do Palácio apresenta-se estruturado ao redor de três pátios, desenvolvendo-se a Casa Bragança Pereira a poente do pátio central que tem as escadarias que dá acesso às duas casas.

    Organizados longitudinalmente a partir deste espaço, desenvolve-se um conjunto de compartimentos; sala de visitas e quartos que se articulam com a biblioteca e galeria em forma de “L”. Conjuntamente com o pátio interior, estes dois espaços articulam o interior da casa, organizando a nascente, virada a tardoz, a zona de serviços, e a poente as salas que funcionam como áreas de recepção.

    A galeria a sul, integrada na zona de recepção, funciona como espaço de circulação entre salão de baile interior, sala de jantar a poente e biblioteca a nascente.

     

     

    Pátio alpendrado

    Suportado por grandes pilares de secção quadrangular, o alpendre cria uma vasta zona coberta, mas com livre circulação. Ao centro, uma escadaria desenvolvem-se em dois tramos de sentidos opostos e em três lances de degraus, uma vez que a partir do primeiro patamar a escadas seguem lateralmente sob a forma de dois lances distintos.

    Estas escadas apresentam claras afinidades tipológicas com as escadarias do palácio dos Santa da Silva em Margão tal como a Casa dos Miranda na mesma localidade.

           

     

     

    Sala de visitas

    A poente do vestíbulo de entrada do conjunto edificado localiza-se a sala de visitas da casa Menezes de Bragança. Conformadas numa planta rectangular, as paredes pintadas de verde vivo apresentam fenestrações rectangulares com molduras em arco abatido de cor grená. Para dar uniformidade ao espaço desenvolve-se ao longo da sala um rodapé também grená. As várias portas abrem-se a norte para a galeria central e quarto, a poente para a biblioteca e a sul três janelas de sacada estão viradas para o jardim de aparato.

         

     

    Biblioteca

    Sob uma longa forma rectangular, a biblioteca estende-se perpendicularmente ao corpo da fachada principal. Este espaço para além de funcionar como um eixo de distribuição entre a área de recepção situada poente, os quartos a nascente e a zona de serviços a tardoz, serve de espaço de leitura pelo imobiliário (guarda livros e poltronas) organizado ao longo das suas paredes.

    De salientar são os grandes vão rectangulares com as portadas ornamentadas com vitrais coloridos, que fechadas conferem alguma privacidade ao espaço.

           

    Salão

    Integrado na zona de recepção da casa, o salão constitui um espaço interior por não comunicar directamente com o exterior.

    Na sua estreita forma rectangular, grande número dos vãos desenham-se na extensa parede virada para o jardim de aparato, contrastando com as duas portas localizadas nos extremos da parede oposta.

    Nas paredes de menores dimensões, abrem-se portas viradas a poente para a sala de jantar e, a nascente para o pequeno gabinete.

    Ao longo das paredes organizam-se varias poltronas, apresentando-se longitudinalmente ao centro no tecto três grandes candelabros de cristal.

       

     

    Sala de jantar

    O espaço da sala de jantar estende-se da fachada principal à tardoz, abrangendo toda a extensão do alçado poente da casa. As varias janelas a poente apresenta-se viradas para o exterior, enquanto no lado oposto, a nascente, as portas existentes unem longitudinalmente todas as salas da área de recepção (galeria sul, salão de baile, quarto)e galeria norte.

    Ao longo do comprimento da sala organizam-se vários conjuntos de mesas e cadeiras, estando dispostos sobre elas alguns candelabros.

         

    Quarto

    A sul da galeria norte e alinhados com o pátio, organizam-se um conjunto de quartos de forma quadrangular que a norte comunicam com a galeria e a nascente- poente somente um se articula, respectivamente com o pátio ou com a sala de jantar  

    Algumas camas de dossel do século XIX destacam-se na decoração sobre o pavimento de mosaico hidráulico.

    No quarto de paredes pintadas a verde-água, apresenta-se sobre a porta uma sanefa de madeira em talha do século XVIII, tradição popular quase desaparecida.

       

     

    Gabinete

    O gabinete é um pequeno quarto de forma rectangular situado entre o pátio interior e a galeria sul. Para além de dar acesso a estes compartimentos, abre uma porta com vitrais coloridos para a biblioteca a nascente e outra porta para o salão a poente.

     

     

    Pátio nascente

    No centro da casa abre-se um pátio ajardinado. Com acesso pelo piso térreo, o piso nobre apresenta-se como volume avançado, destacando-se nele as grandes janelas quadradas para a galeria a sul e a biblioteca a nascente e as janelas de arcos de volta perfeita, que menores dimensões se localizam na área dos quartos. De assinalar é o sistema de carepas das janelas pois constituem um traço significante na arquitectura tradicional goesa.

         

    Piso 1, Divisão 3

     

    As portas do salão apresentam uma moldura convexa ornamentada ao cimo do arco por arranjo floral. Ambas são feitas em estuque e pintada em tons dourados.

       

    Piso 1, Divisão 1

    No friso superior das paredes, à volta dos limites laterais das portas da galeria sul e nos rodapés existentes entre elas estende-se, pintada a branco e com sombreados a azul escuro, uma linha com delicados motivos florais e desenho de folhagens quando há uma mudança de direcção ou nas suas extremidades. Uma moldura marmoreada em tons de azul segue este desenho, desenvolvendo-se nas portas como moldura ou friso inferior contínuo ao longo das paredes.

         

    Piso 1, Divisão 3

    A sala de visitas apresenta um friso superior pintado com motivos florais sobre as verdes paredes. Segundo uma repetição linear, o rodapé do mesmo compartimento apresenta um cardo pintado a branco e com folhagens em vários tons de verde.

       

     

    Piso 1, Divisão 3

    As portas da sala de jantar apresentam moldura pintada sob a forma de estrutura de madeira pentagonal, evidenciando-se que as distintas direcções do desenho da fenestração significam na pintura o cruzamento entre dois estreitos troncos com diferentes sentidos. Em cada moldura, o cruzamento ao cimo do arco apresenta-se ornamento pela pintura de um arranjo floral colorida a verde e rosa.

         

     

    Piso 1, Divisão 1

    Ao longo da galeria sobressaem conjuntos de móveis de assento de várias épocas, deles é exemplo o canapé que remontando ao Século XIX se destaca ao centro como importante peça de imobiliário.  

       

     

    Piso 1, Divisão 1

    As camas de dossel destacam-se como principal elemento de mobiliário nos vários quartos.

     

     

    ttt
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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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