Filter

    Casa N. Sra. da Aurora - Ponte de Lima

    Casa N. Sra. da Aurora - Ponte de Lima
    Casa do Arrabalde, Casa do Conde de Aurora
    XVIII
    Portugal

    Miguel Pinto de Vilalobos

    Ponte de Lima (norte)
    41.770023
    -8.582579
    COM_CCK_hhh

    Sem dúvida uma das mais significativas exemplos de casa senhorial do século XVIII em Portugal. As suas qualidades emergem pela coerência e rigor estético do conjunto arquitectónico com uma linguagem de raiz classicista tardia vinculada ao arquiteto Manuel Pinto de Vilalobos. A casa apresenta, ainda, um programa interior pouco alterado com um piso nobre onde se destaca uma excepcional coleção de mobiliário. Neste conjunto destaca-se a cama japonesa de arte Nambam classificada como móvel de interesse nacional por decreto de 2018. Além da cama Nambam destaca-se ainda uma coleção de mobiliário indo-português dos finais do século XIX de inequívoco interesse não só pela sua qualidade estética como pela diversidade tipológica.

     

    Localizada na margem esquerda do rio Lima, a Casa de Nossa Senhora de Aurora é fruto da prosperidade económica que se irá refletir na encomenda pública e privada na vila de Ponte de Lima durante a primeira metade do século XVIII. Ainda hoje encontra-se nos limites da expansão urbana, adaptando-se perfeitamente aos novos traçados da Vila. A casa senhorial, presente na Rua do Arrabalde, é envolvida a Este por um arvoredo extenso que ainda hoje pertence aos terrenos da casa.

          

     

    A casa senhorial com tipologia de fachada de linha horizontal, com capela no prolongamento do conjunto distribui-se em dois pisos, sendo o piso nobre demarcado por um forte friso em granito unindo uma sequência de janelas de sacadas encimadas por frontão reto. Independentemente da característica barroca presente na acentuação volumétrica, das molduras das janelas e nos cunhais, a linguagem de raiz classicista tardia do arquiteto Manuel Pinto de Vilalobos ainda predomina na morfologia da casa.

        

    Fachada Principal

    Caracterizada pela sua simetria, a fachada principal é organizada em dois estratos horizontais. O exterior do piso térreo é composto por portas emolduradas por pilastras e encimadas por mísulas de pequenas dimensões que suportam os varandins do piso superior. Em relação ao piso nobre, os varandins são encimados por frontões triangulares.

          

    Capela

    Erguida ao mesmo tempo que o resto da casa, a Capela trata-se de um caso singular, visto que é a única capela dedicada a Nossa Senhora de Aurora no contexto nacional. A sua devoção regularmente associada à Diocese brasileira, remete à relação próxima de João de Sá Soto Maior com o Brasil, já que era desembargador em Salvador da Baía. O portal composto por pilastras com cornija e rematado com entablamento, marca o local de entrada que superiormente é finalizado por uma janela encimada por frontão triangular interrompido.

      

     

    Pormenores

    De linguagem clara, a fachada principal conta com detalhes de pequeno relevo, tal como as mísulas nas janelas do piso térreo e os frontões triangulares que encimam as janelas do piso nobre. O pormenor mais saliente da fachada é o brasão da família de Aurora colocada na esquina do edifício, que acrescenta à simetria e coesão da fachada.

            

     

    Armas na Casa da Nossa Senhora de Aurora

    Armas da família de Aurora representados nas mais variadas composições, como livros, tetos, colchas e panos de armar representados no exterior e interior da Casa.

            

     

    Documentação

    Documentação e respetivos títulos datados entre o século XVII e XIX que atestam a compra de terrenos e casas no arrabalde por parte da família Sá Coutinho Rebelo Sotto Maior, onde posteriormente a casa ganharia forma

            

    Retratos

    À esquerda retrato do Conde de Aurora Juiz conselheiro Dr. José de Sá Coutinho e à direita retrato da primeira condessa de Aurora, Maria Angelina Pereira de Souza de Menezes.

          

     

    Azevedo, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1988.

    D´Aurora, Conde, Roteiro da Ribeira-Lima, LIMICI, Ponte de Lima, 1996.

    Gil, Júlio, Os mais belos Palácios de Portugal, Lisboa, 1992.

    Rocha, Joana Mafalda Faria e, A Casa de N. S. da Aurora, Ponte de Lima: análise histórico-formal, Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção de grau de Mestre em Arquitetura (área de especialização em Cultura Arquitetónica) apresentado à Universidade do Minho, 2017.

    https://hdl.handle.net/1822/49986

     

    Entre 1602 e 1715- Primeiro registo de sete títulos que referem a compra de terrenos e casas no Arrabalde por parte da família dos Sá Coutinho Rebelo Sotto Maior, onde futuramente o edifício ganharia forma.

    Entre 1714 e 1718- Monografias atestam a construção do edifício.

    1723- Construção da capela atestada por fonte manuscrita. 

    1802- Único registo escrito de alterações feitas ao conjunto edificado.

    1887- Por decreto de Rei D. Luís I, é criado o título de Conde de Aurora atribuído a João de Sá Coutinho da Costa de Sousa M      acedo Sotomaior Barreto.

    1888- Devido ao seu falecimento é sucedido por seu irmão, José de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sotomaior Barreto.

    1896- Nasce o futuro terceiro Conde de Aurora, José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, que se destacou como escritor, e em 1935 ganharia o prémio Eça de Queirós, pela obra O Pinto.

    1969- Ano em que é nomeado o quarto e último Conde de Aurora, João de Sá Coutinho Rebelo Sotto Maior, função que desempenhou até ao ano de 2012. 

    1997- Classificada como imóvel de interesse público.

     XIX/XX- Obras de manutenção.

    Coordenação: Hélder Carita

    Texto: Tomás de Oliveira Rodrigues

    Fotografia: Hélder Carita, Joaquim Rodrigues dos Santos, Tiago Molarinho, Joana Mafalda Rocha

    Piso térreo

    Organizado em cinco divisões, a planta do piso térreo ocupa apenas metade do edifício. A partir do saguão distribuem-se as várias lógias que preenchem os restantes espaços, e a escadaria de aparato que dá acesso ao piso superior.

          

     

    Piso Nobre

    Considerado a alma da casa, é neste piso que se distribuem as áreas sociais da habitação, onde convivem espaços públicos e privados, que no caso da Casa dos Condes de Aurora ainda hoje ainda são respeitados. Ao subir-mos a escadaria de aparato deparamo-nos com as seguintes divisões: Sala Vaga, Salla, Antecâmara, Biblioteca, Quarto do japão, Casa de Jantar e outros espaços de pequenas dimensões correspondentes ao ócio dos proprietários.

          

     

     

    Sala vaga

    Recuando à tradição do século XVI e XVII, a entrada da casa conta com um grande espaço- Sala Vaga- que se adaptava às necessidades diárias. À entrada destas salas encontravam-se os camareiros ou archeiros, que faziam a seleção dos convidados e os acompanhavam a outras divisões do interior da casa. Neste espaço poder-se-iam praticar uma série de atividades, tais como, banquetes, dançar e cerimónias semipúblicas.

          

     

    Salla

    Passando à maior divisão da casa, praticavam-se uma série de atividades, nomeadamente cerimónias semipúblicas, banquetes, bailes e jogos. O espaço no seu dia a dia, estaria desprovido de artes decorativas, dado que a mobília e decoração dependeriam da atividade que se fosse realizar no próprio dia. Neste caso, no século XIX, a Salla recebe uma coleção importante de artes decorativas provenientes de Goa.

          

     

    Antecâmara

    Dando seguimento à Sala Vaga, a antecâmara que dá acesso direto ao jardim, funcionava como espaço de receção de convidados, tradicionalmente de condição social média que se dividia consoante as diferentes necessidades.  

          

     

    Biblioteca

    A biblioteca, divisão que prossegue a antecâmara institui-se nas casas da alta nobreza e burguesia em oitocentos. De dimensões reduzidas, as estantes recheadas com livros, cobrem totalmente as paredes do espaço, encontrando-se a secretária ao centro do espaço, acompanhada por sofás.

          

     

    Quarto do japão

    Quarto de pequenas dimensões, que integra uma cama única do século XVI, Arte nanban com laca sobre fundo preto, decorada com aves, motivos geométricos e folhas de videira em incrustações de madrepérola. Considerada Bem móvel de interesse nacional, trazido de Goa para Portugal pelo 2.º Conde D´Aurora, José de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sottomaior Barreto, juntamente com toda a mobília adquirida na Índia pelo juiz e Conselheiro do Governo do Estado da Índia no decurso das duas últimas décadas do século XIX. Trata-se de um leito com cabeceira alta com dossel entretanto desaparecido.

          

     

    Casa de Jantar

    De acordo com a tradição do século XIX, a Casa N. Sra. de Aurora conta com uma grande sala de jantar onde serviam as refeições de quotidiano. A Casa de Jantar apresenta uma decoração pictórica ao gosto de D. Maria I.

            

     

    Quarto de aparato

    A oeste do piso nobre deparamo-nos com o Quarto de Aparato, que possuí Leito em pau-santo, com colcha onde surgem representadas as armas da família de Aurora. Esta divisão é servida por uma varanda sobre o pátio de entrada na capela da casa.

          

     

    Capela (interior)

    Recuada face ao volume da casa, a sua entrada através de um pequeno pátio enquadrado por muretes de pedra que continuam o alinhamento da fachada do edifício principal, resultam na harmonia visual.

    No seu interior podemos observar um retábulo em talha dourada, que emoldura a figura de Nossa senhora da Aurora colocada ao centro. Sobre a entrada o coro alto agarra-se às paredes da capela revestidas a azulejo.

      

     

    Respetivamente à pintura decorativa interessa mencionar a Casa de Jantar, que surge com a decoração pictórica ao gosto de D. Maria I.

    Mobiliário Indo-Português da Salla.

    Digno de nota pela sua raridade, a antiga Sala Grande do Palácio apresenta um notável conjunto de móveis goeses dos finais do século XIX trazidos para o continente por um antepassado da família. Para além da qualidade do seu entalhamento em madeira de teca este conjunto salienta-se pela diversidade das tipologias de mobiliário, onde para além de cadeiras, cadeirões se destaca um borne, dois canapés e ainda duas excecionais conversadeiras de primoroso desenho. 

          

    Bem móvel de interesse nacional, trazido de Goa para Portugal pelo 2.º Conde D´Aurora, José de Sá Coutinho da Costa de Sousa de Macedo Sottomaior Barreto, juntamente com toda a mobília adquirida na Índia pelo juiz e Conselheiro do Governo do Estado da Índia no decurso das duas últimas décadas do século XIX. Trata-se de um leito com cabeceira alta com dossel entretanto desaparecido Bem móvel de interesse nacional.

    Leito arte nanban. Século XVI Período Momoyama-Edo (séc. XVI-XVII). Localização: Quarto do Japão.

      

    Cadeira de braços de dobrar. Goa. Finais do século XIX. Madeira sissó entalhada e palhinha. Localização: Salla

        

    Cadeira, couro gravado com o brasão da família Aurora. Pregaria metálicos. Localização: Biblioteca.

        

    Canapé. Goa. Finais do século XIX. Madeira sissó entalhada. Localização: Salla.

        

    Cadeira. Goa. Finais do século XIX. Madeira sissó entalhada. Localização: Salla.

          

    Conversadeira. Goa. Finais do século XIX. Madeira sissó entalhada. Localização: Salla.

      

    Canapé. Goa. Finais do século XIX. Madeira sissó entalhada. Localização: Salla.

      

    Cadeira de braços. Madeira sissó entalhada e palhinha. Localização: Quarto de Aparato.

          

    Leito em estilo nanban. Século XVI. Localização: Quarto do Japão.

     

     

     

    ttt
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

    Please publish modules in offcanvas position.