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    Paço Vitorino

    Paço Vitorino
    XVII,XVIII
    Portugal

    Engenheiro Militar Manuel Pinto de Lobos

    R. Condessa Paço Vitorino 279-233, Vila Nova de Gaia
    41.11217430782945
    -8.574722521202386
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    Sendo um dos mais interessantes exemplos de casa senhorial do Norte do País, o Paço Vitorino constitui um notável exemplo da influência dos engenheiros militares na arquitectura civil portuguesa. Nos seus valores mais assinaláveis destaca-se a sua estrutura em pátio de recebimento marcada por eixos de composição gerados por princípios de ordem e racionalidade. Com um núcleo mais antigo constituído à volta de um pátio interior, a arquitectura da casa apresenta, no seu conjunto fundamental, uma matriz clássica de vertente tratadística onde apontamentos de gosto barroco imprimem características de estética de transição muito próprias.

     

    Situado junto da margem sul do rio Lima, o Paço Vitorino permanece com uma envolvente de forte pendor bucólico composto por campos verdejantes pontuados por pomares e pequenos tufos de árvores. A aproximação à casa faz-se por alameda de plátanos e árvores frondosas.  

        

    Na sua estrutura arquitectónica o Paço Vitorino apresenta uma morfologia complexa onde se destaca o conjunto do pátio de recebimento envolto por dois corpos de serviços. A fachada deste pátio apresenta um alto muro de entrada que enquadra uma capela virada ao exterior, com uma fachada muito original com o frontão invertido e concheados. O conjunto do pátio de recebimento articula-se, por sua vez, com corpo mais antigo estruturado à volta de um pátio interior. Marcado por uma componente arquitectónica a fachada nascente abre-se sobre um jardim murado de desenho depurado que termina numa sequência de dois tanques de recreio enquadrados por duas casas de fresco.

    Portal e muro de entrada

        

    Numa tradição que recua ao século XVI, o paço apresenta para o exterior um alto muro rematado por cornija encimada por uma sequência de ameias. Ao centro deste muro rasga-se um grande portal com arco de volta perfeito, ladeado por pilastras almofadadas encimadas por entablamento dividido por arquitrave, friso e cornija. Sobre a arquitrave recorta-se um frontão de volutas com brasão ao centro ladeado de pináculos.

     

    Pátio de recebimento

          

    Na sequência do grande portal de entrada o conjunto organiza-se à volta de um grande pátio de recebimento de formato rectangular estruturado num eixo central que liga de forma cenográfica este portal com a escadaria e varanda de entrada. As diferentes fachadas que envolvem o pátio, tanto fachada da entrada como as fachadas laterais correspondiam antigamente aos anexos agrícolas. Elementos comuns, como as pilastras e as molduras almofadadas contribuem para conferir ao conjunto uma forte unidade estética.

        

    O anexo agrícola disposto à direita do terreiro é mais alto, mas talvez devido a uma reforma posterior, já que os vãos superiores têm molduras simples em contraste com os do piso térreo que são almofadados. Neste corpo, recorta-se ainda um chafariz de espaldar em granito com um nicho central sobre bica e bacia. O chafariz é ainda ladeado por duas pilastras que sustentam friso e cornija com, ao centro, o brasão com armas da família ladeado, por sua vez, de pináculos em bola de canhão.

     

    Fachada de entrada (escadas)

          

    A fachada principal composta de três panos, apresenta o pano central recuado onde se recortam, com grande impacto cenográfico, a varanda e as escadas de entrada de dois braços. Os panos da fachada são marcados por pilastras almofadadas e rematados por friso e cornija coroada por merlões. Ao nível do piso nobre nos panos laterais rasgam-se, de cada lado,  duas janelas de peitoril encimadas por friso e cornija.  No pano central arcada ao nível do andar nobre precedida por escadaria é formada com dois braços, com patim central abrindo-se em três frentes.  

     

    Varanda de recebimento

            

    Diferente da chamada varanda de vistas, aberta sobre a paisagem, a “varanda de recebimento” fechada sobre o pátio organiza-se em função da entrada sendo concebida sobretudo para ser vista. Como um camarote era aqui que, nas entradas ou despedidas, se localizava o dono da casa, muitas vezes acompanhado de família, servindo as arcadas como moldura a estas cerimónias marcadas por rigorosas normas de etiqueta.

     

    Fachada lateral

          

    Constituindo uma zona mais antiga o conjunto virado ao jardim desdobra-se em três corpos com um largo terraço constituindo à zona mais intima da casa.  Desdobrando-se em três os diferentes panos as fachadas apresentam molduras com vãos rectos tanto nas janelas como nas portas. 

     

    Capela

            

    A capela de Paço Vitorino destaca-se do conjunto pela sua estética vincadamente tardo barroca de clara filiação Nazoniana.  A fachada principal com remate em forma de tabela apresenta um portal em arco de volta perfeita rematado por frontão em asa de pássaro encimado por janela recortada com elementos fitomórficos e concheados na moldura. Pouco comuns são os cunhais de pilastras almofadadas coroadas por fogaréus.

     

    Armas

          

    Portão de Entrada - As armas com escudo esquartelado, I quartel Abreus; no II  Coutinhos: de ouro, cinco estrelas de cinco pontas de vermelho; no III Pereiras: de vermelho, cruz florida de prata, vazia de campo; e no IV Limas: de ouro, com quatro palas de vermelho sobreposto logier; em campo verde, uma arma de ouro e vermelho com as cores desencontradas entre três cabeças de leão de ouro. Encimado com coroa de marquês como timbre. Fachada da entrada – Armas plenas do Abreu; vermelho, cinco de cotos de asa de águia de ouro, cortadas em sangue. Coroa de conde como timbre. Chafariz do pátio de recebimento – escudo esquartelado sendo I e IV Abreus, II e III  Lima. Encimado com coroa de conde. Chafariz do Jardim – Armas com escudo partido doa Abreu e dos Coutinho, encimado com coroa de conde

     

     Jardins

          

    Constituiu um dos mais interessantes exemplos da arte paisagística do norte de Portugal. De pequenas proporções e envolto de altos muros o jardim é concebido sobretudo com um espaço mais para estar que para passear, conferindo ao um ambiente um clima poético e meditativo. Na sua estrutura base, o jardim é formado por um patamar composto por 18 canteiros rectangulares dispostos de forma simétrica, antigamente delineados por buxo, mas actualmente apenas marcados por placas de metal de forma simétrica. Articulado com dois tanques rectangulares situados a cotas mais altas dois patamares rebordos trabalhados, decorados com esculturas de figuras mitológicas e dos continentes, com um sistema hidráulico organizado, enquadrados por muros. O eixo de simetria do patamar central é marcado por grandes camélias, tendo ao centro uma pequena rotunda, delimitada por bancos e uma fonte de tanque circular. As camélias escondem os dois tanques que se encontram a S. do jardim. Nas entrada tem nos seus limites duas estátuas que representam os continentes Africa e América de um conjunto de quatro hoje desaparecido.

     

    Tanque da Preguiça

          

    Em clara articulação com o patamar das camélias, situados num patamar superior, desenham-se são delimitados pelos muros laterais de acabamento bujardado, enquadrados por alegrete; o de fundo, de maior cuidado, forma espaldar contracurvado, com pilastras almofadadas coroadas por pináculos sobre plintos formando três panos, o central rasgado por nicho em arco de volta perfeita com a imagem em pedra de Nossa Senhora da Conceição, e terminado em brasão entre aletas. Nos ângulos dos muros, dispõem-se duas casas de fresco rectangulares, telhados, apoiados em colunelos sobre plintos paralelepipédicos. Os muros que rodeiam os alpendres possuem indícios de terem possuído painéis de azulejos. Os tanques, rectangulares, têm os rebordos trabalhados de forma arredondada.

     

    Casas de Fresco

          

    No tanque superior surgem esculturas mitológicas: Neptuno e Diana, enquadrando elemento zoomórfico, no rebordo e a figura da preguiça também no rebordo. O sistema hidráulico que alimenta todo jardim encontra-se junto a estes tanques, apresentando-se superficialmente sob forma de caleiras abertas em granito. A caleira, a E. do tanque, atravessa o muro e rega o lado E. do jardim, ao passo que a caleira a O. vai em direcção ao tanque de lavar (limite O. do jardim).

    A água chega ao jardim através de um canal em pedra que atravessa todo o campo agrícola da quinta e depois se deposita num pequeno tanque atrás do nicho da Nossa Senhora da Conceição. O jardim encontra-se todo ele rodeado por campos agrícolas, actualmente abandonados.

     

    Séc.16 - referência à existência de duas propriedades distintas: a Quinta de Barco e a Quinta do Paço, separadas por um muro;

    1568, 0 Março - compra da Quinta do Paço por António Ramos a Vasco Anes Ferreira; posteriormente, o casamento da filha de António Ramos com filho de Manuel Abreu Pereira, a quem pertencia a Quinta do Barco, permitiu a união das duas quintas.

    1580 - albergou D. António Prior de Crato;

    1638 - casamento de D. Francisca de Lima Abreu com Guilherme de Kampanear, que possibilitou a unificação das duas casas, formando uma planta em "U".

    1653, 3 Fevereiro - Guilherme Kampanear e D. Francisca instituíram em morgado a sua Quinta do Barco.

    1653 - construção de uma primeira capela do Paço;

    1780 - reformulação completa das construções, com a unificação total das construções dispersas pela quinta, com projecto coordenado pelo Engenheiro Militar Manuel Pinto de Lobos.

    séc. 18 - a capela foi reformulada e construiu-se o jardim, este com o traçado atribuído por tradição a Nicolau Nasoni.  

    1836, 23 Julho - a quinta foi saqueada e incendiada, durante as revoluções liberais, passando, desde então, a ser conhecida como a " Casa Queimada"

    1907, 7 Fevereiro - decreto de D. Carlos I concedendo o título de 1º Conde de Paço Vitorino a Francisco de Abreu Lima Pereira Coutinho.

    1941, 15 Fevereiro - ciclone derruba a pedra de armas da cimalha da fachada de entrada

    1959 - Últimas modificações verificadas na edificação.

    2015 - Depois de um longo período de abandono a casa co]Susana Correia e Paulo Carvalho), pelos actuais proprietários que adaptaram a casa a turismo rural.

    CONDE D'AURORA, Roteiro da Ribeira Lima, Ponte de Lima, 1959; Guia de Portugal, vol. 4, Lisboa, 1965;

    AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1969; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987;

    SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, vol. 1, Porto, s.d.; OLIVEIRA, E. P., Vale do Lima - Um rio dois países, Braga, 2001;

    BORGES DE ARAÚJO, M., LAGES CORREIA, S., LAGO DE CARVALHO, P. e LOPES RIBEIRO, P., Paço de Vitorino. Trabalho realizado no âmbito da disciplina de História da Arquitectura Portuguesa, (Universidade do Minho), Guimarães, 2005;

    MALHEIRO, M. F., Restauro do jardim do Paço de Vitorino. Relatório do trabalho de fim de curso de Arquitectura Paisagista, (Secção Autónoma de Arquitectura Paisagista - Instituto Superior de Agronomia), Lisboa, 2006.

    Coordenação: Helder Carita

    Texto: Helder Carita 

    Fotografia: João Morgado, Helder Carita e Joaquim Rodrigues dos Santos

            

            

    Quase em ruinas o Paço Vitorino recebeu restauro profundo adaptando-o a hotel. Além da arquitectura no programa dos seus interiores foi preservado não só a galeria do pátio como a antiga Sala Grande definindo-se como grande espaço polivalente situado junto à entrada. Ao longo do século XVIII este espaço tende a dividir-se ou permanecendo toma a função de zona principal de recepção. 

     

    Capela (interior)

          

    De planta longitudinal simples, o interior da capela é coberto com abóbada de berço. O coro-alto de madeira e retábulo-mor, de talha a branco, barroco, de planta côncava e um eixo.

     

    Pátio interior

          

    Do cuidado restauro efectuado foi recuperado o antigo pátio interior da casa que como a Sala Grande apresentam características que remontam ao século XVI correspondendo a um núcleo antigo da casa pautado por uma tradição de casa pátio voltada sobre si própria.

     

    Sala Grande

          

    No conjunto dos interiores o paço manteve a antiga estrutura da chamada Sala Grande que vemos ser referida em paços reais e grandes casas como Salla ou Sala Grande, definindo-se como grande espaço polivalente situado junto à entrada. Ao longo do século XVIII este espaço tende a dividir-se ou permanecendo toma a função de zona principal de recepção

     

    Quarto de aparato

        

    épocas mais antigas era utilizado para cerimónias de baptizado, casamento ou ainda de luto. Como elemento simbólico o quarto é marcado por uma rara cama de dossel indo-portuguesa, dita de “bilros”, do século XVII, em madeira de sissó.   

     

          

    Nos seus interiores guardam um colecção de móveis portugueses do séc. XVII e XVIII distribuídos, hoje na Sala Grande e em dois quartos de aparato.

        

    Cama de transição D. José I para D. Maria I em  pau santo

        

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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