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    Paço de Bertiandos

    Paço de Bertiandos
    XVII,XVIII,XIX
    Portugal
    Bertiandos, Ponte de Lima
    41.760471
    -8.625680
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    Pela complexidade e coerência do seu programa arquitectónico, o Paço de Bertiandos constitui um dos mais notáveis e representativos exemplos da arquitectura senhorial em Portugal. Marcado por um desenho arquitectónico muito cuidado e um classicismo tardio afecto à arquitectura chã, o edifício integra-se num ciclo de arquitectura produzido pela Provedoria de Obras Reais e pelos arquitectos formados na linha de Manuel Pinto de Vilalobos. As suas qualidades decorrem de um programa complexo, com uma torre quinhentista que articula dois corpos arquitectónicos independentes, organizados no entanto com uma forte unidade entre si, o que imprime ao conjunto uma erudita grandiosidade.

     

    Junto da aldeia de Bertiandos, o edifício é envolvido para Sul e Nascente por vastos campos de vinhedo e de mata. A abertura da estrada Nacional em 1875 vem alterar radicalmente a estrutura de enquadramento do edifício, cujo terreiro de entrada é cortado por esta via, deixando a casa de ter ligação directa com o rio Lima. Em contraponto com a fachada virada a Sul, o paço apresenta a Norte um vasto pátio de serviços onde se organiza um interessante conjunto de edifícios agrícolas e de apoio à vida do conjunto habitacional. Além da capela da casa, observamos a presença de um corpo de cozinhas, casa do forno, onde se destaca um grande tanque de rega e uma interessante atafona com cobertura oitavada. Para nascente onde se espalham vastos campos de vinha, desenvolvem-se caminhos em forma de latada com belas hortênsias.

            

    Com uma composição muito elaborada, o edifício desenvolve-se à volta de uma torre quinhentista que, articulando-se axialmente com as escadarias nobres, se estrutura como o núcleo gerador de todo o conjunto arquitectónico. Este núcleo organiza, por sua vez, dois conjuntos arquitectónicos que se desdobram numa longa fachada de grande impacto formal.  Correspondendo funcionalmente a duas casas, estas duas alas ligam-se entre si de forma harmónica, com uma linguagem estética comum através do uso de elementos arquitectónicos idênticos, onde as varandas alpendradas com colunas toscanas ocupam um lugar de destaque. Esta coerência manifesta-se igualmente tanto no friso do andar nobre como na cornija apoiada por friso e arquitrave que, ao mesmo nível, percorrem os dois edifícios. Numa lógica de contraponto e ao mesmo tempo de complementaridade, observamos que a ala nascente se estrutura com uma varanda central ladeada simetricamente por duas torres, enquanto a ala poente se organiza com um corpo central ladeado simetricamente por duas varandas. Nesta dicotomia e complementaridade, cada ala adquire a sua identidade própria, assumindo o corpo poente uma tendência horizontal na sua lógica conceptual enquanto o corpo nascente se destaca, de forma clara, com uma tendência verticalizante. 

          

     

    Ala nascente do 1º Morgado

    Uma análise cuidada ao desenho e composição arquitectónica de cada um dos corpos habitacionais observamos que, embora pensados numa linguagem comum que garante ao edifício uma forte unidade, cada edifício é concebido com uma identidade e uma composição arquitectónica muito próprias. A ala virada a nascente desenvolve-se de forma simétrica a partir de um eixo central com uma tipologia de casa com duas torres que, situadas em cada extremo da fachada, enquadram ao centro uma varanda alpendrada, tipologia que encontramos em várias casas da região, mas que aqui é formulada de forma muito subtil. Marcada por uma forte verticalidade, cada torre é rematada por telhado de quatro águas e pináculos em pirâmide sobre plinto, num desenho maneirista muito idêntico ao usado nas gravuras do século XVII. Digno de nota, a varanda de quatro colunas toscanas assentes em plintos é encimada por uma faixa transversal de ornatos salientes que repetem o efeito ritmado dos merlões do remate do edifício poente. Tanto os dois torreões como a varanda central são rematados por entablamento, desdobrando-se em arquitrave, friso e cornija, num desenho em tudo igual ao corpo poente, assegurando de forma subtil uma harmonia aos dois conjuntos arquitectónicos. A salientar, no piso nobre os torreões recebem cada um uma janela de sacada rematada por frontão triangular. Nesse mesmo torreão destaca-se, numa das janelas do terceiro piso, a armação furada de seteiras posta no séc. XIX para defesa de eventuais salteadores.

          

     

    Ala poente do 2º Morgado

    Em contraponto com a ala nascente, caracterizado por uma solução de tendência vertical, com varanda central ladeada de duas torres, a ala poente é marcada por uma horizontalidade com um esquema de grande originalidade, com fachada composta por um pano central ladeado simetricamente por duas varandas alpendradas. O pano central da fachada é marcado pelas armas dos Pereira, sendo o conjunto assente em dois arcos abatidos formando alpendre de acesso à zona de serviços do piso térreo. Numa lógica de paridade entre os edifícios, a fachada é rematada por entablamento que se desdobra de forma canónica em arquitrave, friso e cornija, num esquema em tudo igual ao corpo nascente, solução que imprime de forma muito subtil uma sintonia aos dois conjuntos arquitectónicos. Digno de nota, o remate do telhado apresenta pináculos alternando com merlões chanfrados de desenho identico aos da torre quinhentista evidenciando, mais uma vez, um subtil jogo de concordâncias entre diferentes elementos arquitectónicos.

        

     

    Escadarias nobres e fachada poente

    Em sintonia com a torre quinhentista, o portal de entrada e as escadarias nobres organizam-se como o núcleo central e gerador de toda a composição arquitectónica. Na sua estética, estes elementos arquitectónicos constituem uma pré-existência face ao conjunto dos dois corpos habitacionais, que parece confirmar-se pelo beirado da parede voltada a poente, claramente arcaizante face as duas alas habitacionais marcadas por um beirado mais erudito, dividido em arquitrave, friso e cornija. Apoiada na zona de entrada sobre uma dupla arcada, a escadaria desdobra-se num lance central terminando num largo patamar com três frentes de grande efeito cenográfico. Com guarda de granito, recebendo as guardas pináculos rematados por bolas de canhão, a escadaria apresenta no seu conjunto um desenho muito clássico com clara influência da arquitectura militar e que nos remete para uma época, entre os finais do século XVI e a primeira metade do século XVII, anterior aos dois conjuntos arquitectónicos voltados a sul.

          

     

    Pátio de recebimento e marco miliário

    Alterado com a passagem da estrada que liga Ponte de Lima a Viana do Castelo, no terreiro de entrada destaca-se um marco miliário do séc. III, exemplar da arquitetura romana e que ali foi mandado colocar, com a extinção do Couto de Bertiandos, pelo senhor da Casa. Carateriza-se por ser um bloco troncocónico de granito que mede 2,5m de altura. Era um marco miliário da antiga estrada de Braga a Astorga, marca 18 milhas e foi lavrado no tempo do Imperador Maximiliano, no ano de 238. Este marco terá vindo da Correlhã e serviu de pelourinho durante os poucos anos em que Bertiandos foi Vila.

      

     

    Capela e armas

    A capela, construída nos finais do século XVIII na retaguarda do solar, ergue-se numa estrutura de capela palatina, pela sua ligação directa, por tribuna, ao interior do paço. Nesta tribuna podiam assistir os senhores e família às cerimónias religiosas tendo o público acesso, em baixo, através de uma porta lateral aberta ao nivel do piso terreo. A capela possui no interior uma nave, com paramentos rebocados e pintados de branco, pavimento em lajes graníticas e tecto em falsa abóbada de berço em estuque. A Capela-mor apresenta um arco de volta perfeita assente em pilastras, integrando o retábulo, de planta rectangular, em talha policromada de marmoreados, com tribuna central de perfil curvo, envolvido por friso terminado em volutas interrompidas por querubim e altar em forma de urna, decorado com concheados e acantos. O interior possui painéis de azulejos setecentistas de temas religiosos - alguns oriundos do demolido Convento do Vale de Pereiras, de Arcozelo, também no concelho de Ponte de Lima. A fachada lateral da capela ostenta as armas do 1º conde de Bertiandos, com escudo esquartelado dos Pereira, Silva, Sousa (de Portugal)e Meneses, com manto de Par do Reino, sendo o conjunto encimado por coroa de conde.

          

    ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987.

    ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988.

    AURORA Conde d', O Solar de Bertiandos, sep. rev. LUSÍADA, nº 8, Porto, 1956.

    idem, Roteiro da Ribeira Lima, Porto, 1959; s.a.,

    CARITA, Helder, A Casa Senhorial em Portugal, Lisboa: Leya, 2015.

    Guia de Portugal, vol. 4, Lisboa, 1965;

    AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1969;

    PINTO, Fernando F. S., Casa de Bertiandos. Ponto de Lima. Parecer sobre as anomalias existentes na ala poente do edifício, (DREMN), 2001;

    SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, vol. 1, Porto, s.d.;

    SOARES, Franquelim Neiva, A Sociedade Pontelimense na primeira metade do século XIX. Inquérito do Arciprestado de 1845 - 1846 in Arquivo de Ponte de Lima, vol. 5, Braga, 1984, p. 329 - 390.

    Séc. XV – No final do séc. XV já a quintã de Bertiandos era de Lopo Pereira, Almoxarife da Alfândega de Ponte de Lima. 

    Séc. XVI – Em 1566, D. Inês Pinto, 2ª mulher de Lopo Pereira, manda construir uma torre, acrescenta terras às já existentes e funda 2 vínculos, conhecidos por 1º e 2º Morgadio de Bertiandos – o primeiro, encabeçado no filho mais velho, Francisco Pereira Pinto, situado a nascente; e o segundo, a poente, incluindo a torre, no secundogénito, António Pereira Pinto. Isto, na esperança de que sendo este clérigo, se reunificassem na geração seguinte, o que não veio a acontecer e gerou até uma longa discórdia entre os dois ramos familiares que nestas circunstâncias se iniciaram.

    No primeiro ramo destaca-se Frei António Pereira de Lima, Cavaleiro de Malta, que se bate contra os Turcos na batalha naval de Santa Catarina, no Mediterrâneo. No segundo, Francisco Pereira Pinto, que fica cativo em Alcácer-Quibir.

    Séc. XVII – É no início deste século que se dá início às obras que se hão de arrastar por muitos anos, definindo dois edifícios distintos, cada um deles cabeça do seu vínculo.

    No primeiro Morgadio, assinala-se Francisco Pereira da Silva de Lima, que presta serviço em Tânger; Frei Diogo de Melo Pereira, maltês, Bailio de Negroponto, na Grécia e que governou as armas do Minho na Guerra da Restauração; seu irmão Frei Lopo Pereira de Lima, também maltês e que chegou a Prior do Crato, também com um papel activo na mesma guerra; o Doutor Manuel Pereira de Melo, que governou a Universidade de Coimbra com poderes de Reitor e que fez parte do Conselho de Regência do Infante D. Pedro; e D. António Pereira da Silva, Bispo de Elvas e do Algarve e Secretário de Estado de D. Pedro II. No segundo Morgadio, Frei José de Bertiandos, que foi Prior de S. Vicente de Fora e Vigário Geral da sua Congregação.   

     

    Séc. XVIII – Ao longo de todo este século desenvolvem-se as obras que haveriam de definir a configuração actual do conjunto edificado da Casa de Bertiandos. Primeiro, o corpo poente, que regista ainda notas expressivas da gramática maneirista. Depois o corpo nascente, com uma curiosa solução para a elevação do piso nobre, a que não terá sido alheia a participação do notável engenheiro militar Manuel Pinto de Vilalobos. Em 1792, com o casamento dos administradores dos dois Morgadios, desavindos há duzentos anos, agregou-se o edificado disperso afecto a cada um dos ramos familiares e constituiu-se uma única casa, inteiramente volvida a sul e ao rio e com acesso formalizado por ampla escadaria colocada no eixo central.  

    No primeiro Morgadio, assinala-se neste período Francisco Pereira da Silva Pacheco, que foi Governador das Armas do Algarve na Guerra da Sucessão de Espanha e o Brigadeiro Gonçalo Pereira da Silva, que foi o 1º Donatário da Vila de Bertiandos.

     

    Séc. XIX – Estando a casa já praticamente unificada, realizaram-se apenas intervenções de refuncionalização que modernizaram a sua aparência e o próprio serviço, com a definição de um Regulamento Interno e de outro Externo, que regularam os procedimentos do pessoal. Assinale-se, no entanto, a reconstrução e ampliação da capela, em 1863 e, a poucos anos depois, a criação de um extenso jardim na frente da casa.

    Tendo sido esta uma época de grandes conflitos em todo o país permitiu, contudo, a ascensão desta família aos cargos mais importantes da política e da governação. Destacam-se Sebastião Pereira da Silva, 1º Conde e Marquês de Terena, que foi Governador das Justiças do Porto e Reitor da Universidade de Coimbra na guerra civil; seu irmão primogénito Gonçalo, também político activo, feito Conde de Bertiandos na Regeneração; e o neto deste, seu homónimo e o 3º titular, Oficial-mor da Casa Real e o último Presidente da Câmara do Pares do Reino.

    Séc. XX – Nesta fase mais recente, teve lugar, sobretudo nas décadas de 1940, 50 e 60, a recuperação da casa e da sua estrutura agrícola, muito debilitadas no período subsequente à morte, em 1929, do 3º Conde de Bertiandos, que foi, formalmente, o seu último Morgado. Foram seus autores os então Senhores da Casa, D. Sebastião de Lancastre e sua mulher D. Maria Angelina de Sá Coutinho, ambos sobrinhos-netos daquele titular. A casa, que é uma das mais significativas do património histórico do país e que, desde a sua origem, tem pertencido sempre à mesma família, foi classificada em 1977 como Imóvel de Interesse Público, sendo depois reconhecida a importância do seu enquadramento com a atribuição de uma Zona Especial de Protecção em 1992.

    O paço de Bertiandos conserva na sua biblioteca um precioso arquivo documental. Neste arquivo destaca-se um pequeno livro com o Regimento da Casa que constitui, na história da Casa Nobre, um documento único, com paralelo apenas na Casa Real. O texto do Regimento descrimina em pormenor as regras de funcionamento das diferentes estruturas de organização e manutenção da casa.

     

    Fotografia antiga

      

    Coordenação - Helder Carita

    Texto: Helder Carita 

    Fotografia: Helder Carita e Joaquim Rodrigues dos Santos

    A actual estrutura interior do Paço de Bertiandos resulta de grandes transformações operadas no paço na sequência da união das duas casas em 1790, com o casamento de Damião Pereira da Silva de Sousa e Menezes, 10º Administrador do 1º vínculo de Bertiandos com D. Maria Angelina Pereira Forjaz, 9ª Morgada do 2º vínculo de Bertiandos. Estas transformações, que correspondem a um enriquecimento da Casa, tiveram o seu momento alto com os preparativos do casamento, em 1825, de Donna Teresa Teles da Sylva, decorrendo deste evento a construção da capela e da grande sala de jantar de gosto neo-clássico. Da unificação dos dois antigos paços é igualmente o grande corredor que, ligando as duas casas, irá permitir uma nova funcionalização de um paço que passa a ter uma condição de palácio. Na nova organização, no antigo corpo nascente passam a funcionar as grandes salas de recepção, distribuindo-se nesta zona a sala de jantar, as diversas antecâmaras, gabinetes e biblioteca. Em contraponto com esta zona, mais vinculada ao elemento masculino da casa, a zona do antigo corpo poente recebe funções mais íntimas e mais ligadas, por sua, vez ao ambiente feminino, com a casa de jantar de todos os dias, saletas, guarda roupas e quartos. Nas traseiras dos dois corpos unificados distribuem-se compartimentos de serviços de que se destaca a antiga cozinha.

          

          

      

     

    Sala vaga

    Numa tradição que remonta ao século XVI a entrada da casa é provida de um grande espaço onde tradicionalmente se juntavam várias funções. No dia à dia era aqui que se colocavam os camareiros esperando as visitas até serem acompanhadas a outras zonas do interior da casa, conforme as circunstâncias.  Em momentos de festas era aqui que se dançava ou se efectuavam as cerimónias semi-públicas, sendo as antecâmaras reservadas a encontros com convidados que eram distribuídos pelos diferentes espaços conforme a sua condição social. Na tradição mais setecentista este compartimento era equipado apenas com bancos de encostar, passando a partir do século XIX a receber outro equipamento mais acolhedor de acordo com o período romântico. Em Bertiandos esta sala recebe ao centro um grande bufete do século XVIII e num canto uma liteira reservada para as saídas das senhoras. De tradição é o conjunto de panos de armar que enquadram as diferentes portas, com as principais linhagens da família.

          

     

    1ª antecâmara

    Na sequência da Sala Vaga tanto a primeira como a segunda antecâmara funcionavam como espaços de recepção de convidados, dividindo-se entre si com vocações diferentes. A primeira antecâmara era por tradição para visitas de condição social média; apresenta, no Paço de Bertiandos, um mobiliário dito D. Maria I, caracterizado por linhas neo-clássicas e quadros de antepassados da família.

        

     

    2ª antecâmara

    Em clara articulação com a primeira antecâmara e à medida que se entra no interior de uma grande casa, a segunda antecâmara era tradicionalmente reservada para convidados de condição social mais elevada. No caso de Paço de Bertiandos esta sala recebe uma decoração mais cuidada, com pinturas neo-clássicas nas paredes, quadros de antepassados da casa e mobiliário do século XVIII de que se destaca uma rara coleção de cadeiras de braços em pau santo de estilo D. José I.

          

     

    Sala de Jantar

    Numa tradição que encontramos em vários interiores de palácios reais do século XIX, o paço de Bertiandos conta na sua estrutura distributiva com uma grande sala de jantar vocacionada para momentos mais solenes, sendo as refeições de quotidiano servidas na casa de jantar. Na sua estética, a sala de jantar apresenta-se com uma decoração neo-clássica de grande coerência estética, acusando uma forte influência inglesa não só na decoração dos estuques como do mobiliário que segue uma linha de inspiração britânica vinculada ao estilo Sheraton, com os seus característicos espaldares em forma de escudo, ânforas e festões de espigas de trigo, graciosamente interligados por fitas muito finas delicadamente entrelaçadas

          

     

    Biblioteca

    Com algumas excepções a biblioteca é um compartimento que se institui no século XIX, normalmente nas grandes casas da burguesia e alta nobreza. No Paço de Bertiandos esta biblioteca corresponde à terceira antecâmara que pensamos se reconverteu em biblioteca. Este espaço cobre a generalidade das paredes, tendo ao centro uma secretária e num canto uma zona de leitura e trabalho

          

     

     

    Gabinete

    Na sequência das zonas de recepção, os inventários de casas referem, num lugar mais recatado do programa dos interiores, um gabinete que, no caso de Bertiandos, surge na sequência da biblioteca, o que também encontramos noutros inventários.

          

     

     

    Corredor

    Nas estruturas interiores de grandes casas o corredor é normalmente um fenómeno do século XIX, correspondendo a uma maior funcionalidade dos programas interiores. No Paço de Bertiandos a unificação dos dois antigos paços determina a abertura de um grande corredor que, ligando as duas casas, permite uma funcionalização de um paço que passa a ter uma

        

     

    Casa de Jantar

    Situada na antiga zona baixa da torre quinhentista, os interiores do Paço de Bertiandos integram ainda uma casa de jantar mais vocacionada para o dia-a-dia. Designada por casa de jantar este espaço diferencia-se da sala de jantar, vocacionada como o nome sugere para festas e momentos mais solenes.

          

     

    Sala Azul

    Na lógica de distribuição interior, a actual Sala Azul corresponde a uma função recente que atribui mais importância ao dia-à-dia no interior de uma casa, determinando a existência de um espaço de uso mais quotidiano para toda a familia. Pensamos que a actual Sala Azul correspondia, em termos de século XVIII, à Câmara de Aparato usada para momentos especiais, partos, lutos ou doença. Esta câmara também servia como zona para receber em privado, mas do elemento feminino.

         

     

    Quartos

    As chamadas câmaras ou câmaras de dormir multiplicam-se a partir do século XIX para receber os quartos de dormir de rapazes e raparigas que, até ao século XVIII, dormiam com as criadas e quando cresciam iam para o convento, quartel ou eram casados. Neste movimento tendem a desaparecer as trascâmaras ou guarda roupas que ocupavam funções de apoio às câmaras, podendo servir para vestir, arrumos de roupa e se necessário para uma criada (camareira).

     

    Cozinha velha e casa do forno

    Este grande compartimento quase exterior à casa e com ligação directa para o pátio de serviço, além de lugar de preparação da comida dos familiares e criados da casa, servia também de casa de jantar do pessoal.  Junto da cozinha, mas como edifício autónomo, é ainda a casa das massas, onde se cozia o pão para todos os trabalhadores e famílias afectas à casa.

        

     

     

      

     

     

     

    Acusando a importância da 2º antecâmara no programa dos interiores das grandes casas, este espaço surge com uma decoração pictórica de gosto D. Maria I. Esta decoração parece fazer contraponto à casa de jantar, com estuques de gosto inglês realizados nas primeiras décadas do século XIX para a festa de casamento de Dona Teresa Teles da Sylva, filha dos condes de Tarouca, que passava a ligar a Casa de Bertiandos à mais alta nobreza da corte.

      

     

    Entre o mobiliário mais interessante do Paço de Bertiandos destacam-se na Sala Vaga uma mesa de encostar D. José I, um bufete em pau-santo de grandes proporções e uma coleção de cadeiras do século XVIII. Os interiores ainda guardam noutras compartimentos mobiliário do século XVIII, destacando-se o conjunto de cadeiras de palhinha D. José I, em pau-santo. A biblioteca guarda uma original cama de campanha de desdobrar do século XIX.

              

    Bufete em pau-santo. 1ª Metade do séc. XVIII.  Mesa de encostar D. José I. Cadeira de espaldar D. José I em pau-santo.

      

    Bau com mesa de campanha desdobrável. Cama de bilros. Pau-santo, séc. XVII.

     

          

    Entre os elementos de função decorativa destaca-se uma colcha indo-portuguesa a par de uma interessante colecção de panos de armar distribuídos por várias compartimentos da casa.

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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