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    Casa dos Semanários

    Casa dos Semanários
    Brasil
    XIX

     

    Desenhos Arquitetônicos

    Conjunto de desenhos que compunham o "Projeto para transformação da residência imperial em Petrópolis: Paço Imperial e Casa dos Semanários", por Theodor Marx, 1858-1861.

    Desenhos: nanquim, aquarela e grafite.

    Fonte: Biblioteca Nacional, Brasil.

     

                 

    Paço Imperial de Petrópolis: Planta geral do pavimento principal (transformação),1858.

    Descrição: 3 plantas baixas e 1 fachada: Residência da Mordomia; Repartição Geral da Cozinha; Administração; Morada dos Senhores Semanários. 

    Paço Imperial de Petrópolis: (transformação) Parte de Este, 1859.

    Descrição: Planta do pavimento térreo; Planta do sotão; Planta do pavimento principal. 

     

     

    Casa dos Semanários: Planta baixa do pavimento térreo, 1859. (L7)

    Descrição: Planta baixa de um pavimento da edificação, identificando dependências para Mordomia, da Superintendência e para a Repartição da Cozinha. Existe a seguinte legenda: Pª Mordomia: A-Entrada princial e Vestibulo; B-Escada principal; C-Entrada particular; D-Corredor de comunicação; E-Quarto dos creados; F-Privadas; G-Escada de serviço. Da Superintendencia: H-Armazem; I-Escriptorio geral; K-dito pequeno do chefe; L-Antesala; M-Quartos. Para a repartição da cozinha: N-Armazem; O-Privadas.

    Notas: "Rio de Janeiro, junho 1859/ NA: As paredes externas já existirão.Transformou-se a disposição interna. Th. Marx " - anotação manuscrita pelo autor a tinta no c.i.d.".

    Casa dos Semanários: Planta baixa do primeiro pavimento, 1859. (L8)

    Descrição: Existe a seguinte legenda: "A-Escada principal; B-Ante-Sala; C-Sala de visitas; D-Quarto de estudos; E-Sala de jantar; F-Quarto adherente; G-Corredor de communicação; H-Escada de serviço; I-Privadas; K-Quarto de trabalhos; L-Toillete; M-Quarto de dormir; N-Toillete; O-Quarto disponivel; P Q- Quartos pª convidados; R-Passagem.

    Notas: Data e assinatura no c.i.d. "Rio de janeiro, julho 1859/ NA: As paredes exteriores já existirão. Transformou-se a distribuição interior. Th. Marx" - anotação manuscrita pelo autor a tinta no c.i.d.

     

      

    Casa dos Semanários: Corte Transversal, 1859. (L9)

    Descrição: Corte transversal dos dois andares da edificação, detalhe do forro e da clarabóia.

    Fachada Principal, s/data. (L13)

    Descrição: Projeto da fachada principal do novo pavilhão, contendo a representação de um trecho da Casa dos Semanários, à direita, e do corpo central, onde seriam dispostos a cozinha, a sala de jantar, a sala das costureiras, o quarto para criados e o quarto para damas, dentre outros compartimentos.

    Casa dos Semanários: Detalhes do vestíbulo da escada para a mordomia, s/data. (L22)

    Descrição: Representação da entrada para a escada,  onde se vê a porta de duas folhas e quatro colunas, além da planta do teto, com vista para baixo.

     

     

     

    Notas

    A Casa dos Semanários, ou Quartel dos Semanários, foi construída entre 1859 e 1861, para funcionar como alojamento petropolitano dos funcionários que faziam rodízios semanais a serviço do Imperador D. Pedro II e de sua família. Dentre eles, havia camaristas, médicos, os mestres das princesas e o Bispo Diocesano, além de membros de famílias importantes que, porventura, o Imperador precisasse abrigar, ainda que não fossem servidores da Casa Imperial. A expressão “entrar de semana” é frequentemente encontrada nas cartas que a Princesa Isabel dirigia ao seu pai (AGUIAR, 2015)

    A construção da Casa dos Semanários fez parte de um projeto de transformação da residência imperial de Petrópolis, desenvolvido entre 1858 e 1861, pelo arquiteto da Casa Imperial, Theodor H. Marx (1833-1890). O projeto previa diversas melhorias na residência imperial, já existente, além da construção de edificações novas, onde seriam implantadas as acomodações dos funcionários e demais instalações de serviço. O empreendimento foi batizado nos desenhos do arquiteto como “Complemento do J. Paço de Petrópolis”. A Casa dos Semanários foi construída nos fundos do Palácio Imperial, facilitando a conexão e o acesso às dependências da família imperial. No espaço central entre as duas construções, foi traçada uma extensa área ajardinada, projetada pelo botânico e paisagista francês Jean Baptiste Binot.

    A primeira referência à denominada “obra nova” se encontra no ofício n° 335, de 1-V-1859. No Relatório Anual de 1859 (ofício n° 360, de 9-1-60) estão enumerados os trabalhos que já haviam sido realizados até aquele momento, como o vigamento do telhado e a construção das claraboias da Casa dos Semanários. Em 1861, foram concluídas as obras desta edificação, dando início a construção do corpo central do pavilhão, onde seria implantado o setor de serviços, abrigando ambientes como cozinha e despensa. Entretanto, uma portaria de 16 de dezembro de 1862, assinada pelo Mordomo Mor da Casa Imperial, Paulo Barbosa (1790- 1868), ordenou a suspensão das obras do Palácio de Petrópolis, bem como a redução das despesas mensais, abaixando a consignação de 4:000$000 para 800$000, sob argumento de que o cofre da Casa Imperial se encontrava “em apuros”. No “Livro de ordens para as obras do Palácio Imperial de Petrópolis”, pode ser lida a ordem n° 57 de 7-XII-62, que solicitava a baixa de todos os empregados da construção. Já a ordem n° 58 de 22-XII-62, ordenava a arrecadação das ferramentas utilizadas na obra (AULER, 1953). 

    A atuação de Theodor Marx no projeto resultou em uma numerosa coleção de plantas e desenhos, distribuídos em 25 pranchas, depositadas atualmente na Biblioteca Nacional. As peças gráficas revelam a intenção do arquiteto em compor um conjunto integrado e harmônico entre o Paço Imperial - edificação preexistente - e o pavilhão proposto por ele. Entretanto, como este foi apenas parcialmente construído, a unidade pretendida para o conjunto ficou comprometida.

    Após a revogação do banimento da Família Imperial, o Quartel dos Semanários se transformou na residência de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, filho primogênito da Princesa Isabel, também conhecido como Príncipe do Grão-Pará. Em virtude disso, em 1925, a edificação passou a ser chamada de Palácio Grão-Pará e sofreu diversas modificações arquitetônicas.

     

     

     

    Bibliografia

    AGUIAR, Jaqueline Vieira de. Princesas Isabel e Leopoldina: Mulheres Educadas para Governar. Curitiba: Annris, 2015.

    AULER, Guilherme. A construção do Palácio de Petrópolis. Petrópolis: Vozes de Petrópolis, 1952.

    AULER, Guilherme. A princesa e Petrópolis. Petrópolis: Vozes de Petrópolis, 1953.

    PESSOA, Ana; SANTOS, Ana Lúcia Vieira dos. Th. Marx, um arquiteto na corte de D. Pedro II. 3º Anais do Congresso Internacional de História da Construção Luso-Brasileira. 3 a 6 setembro 2019, Salvador.

     

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2023.

    Pesquisa, texto e edição: Clara Albani Rezende (PCTCC/FCRB), 2023.

     

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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