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    Conde de Valadares,1795

    Conde de Valadares,1795
    Portugal
    XVIII

    TT, Orfanológicos, Letra C, Maço 60, nº 4

    Conde de Valadares

    Palácio de Marvila

    Requerimento do ilustríssimo e Excelentíssimo Conde de Valadares ao presente falecido, e hoje o Excelentíssimo e Reverendíssimo Principal Abranches como tutor e administrador da pessoa e bens de seu sobrinho o Ilustríssimo e Excelentíssimo Conde de Valadares Álvaro António de Noronha Abranches Castelo Branco e dos mais menores seus irmãos.

    1795

    (Transcrição paleográfica realizada por Lina Maria Marrafa de Oliveira no âmbito do Projecto: “A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro, Séculos XVII, XVIII e XIX”)

     

    (fl. 4)

    Rol dos concertos que se pretendem fazer nos armazens e Palacio de Marvila por serem de muita necessidade os quais são os seguintes

    Primeiramente lagiar e batumar as paredes dos armazéns e dito Palacio que estão comidas do mar que continuamente esta combatendo

    Em 2º concertar em varias partes o quarto alto do dito Palacio de varias madeiras e concerto dos telhados e’muitas partes por estar chovendo que chega a passar aos ditos armazens

    Em 3º reparar-se as cazas que servem de cocheiras e de palheiros por estarem em varias partes cahindo

    Em 4º reparar-se a caza da nora de tirar agoa, e a mesma nora e tambem as cazas do telhal chamadas o refeitorio por estarem e’muitas partes arruinadas e tambem fazer e abrir vários canos para a expedição das agoas das terras pertencentes ao dito Palacio

    (fl. 4v)

    Joze Theodoro de Noronha Feital escrivão proprietario de hum dos oficios da Correição do Civel da Corte por sua Magestade Fidelissima que Deus guarde atesto que em observância do despacho da pitição do Ilustrissimo e Excelentissimo Conde de Valadares fui ao citio de Marvila para efeito de ver e examinar o estado e ruina em que se achassem as propriedades constantes do rol incluzo para que os mestres da cidade avaliassem prudentemente o valor dos seos reparos e sendo ahi presentes Luis da Cunha mestre do oficio de carpinteiro , e Luis Antonio Seabra mestre do oficio de Pedreiro lhes encarreguei que com boa e san consiencia sem dolo examinassem as rui-(fl. 5)nas que vissem no Palacio, armazens, e mais oficinas declaradas no rol junto para de tudo passarem huma fiel certidam de avaliação do seo justo valor, o que lhes encarreguei debaxo do juramento de seos cargos e prometemdo-o assim fazer forão em minha companhia ao dito Palacio, armazens, e mais oficinas e examinando meudamente as ruinas, para os reparos fizeram avaliação de que passou hum deles a certidão que se mostra assignada por ambos á qual me reporto; e por passar na verdade o referido de que dou minha fé passei o prezente que escrevi e assignei em Lisboa aos vinte e quatro dias do mês de (fl. 5v) de Fevereiro de mil setecentos setenta e seis

    Joze Theodoro de Noronha Feital

    (fl. 6)

    Luis da Cunha mestre carpinteiro Luis Antonio Seabra mestre pedreiro juízes que ambos temos sido dos ditos nossos oficios e mestres da sidade avaliadores prevactivos dos predios urbanos pro(sic.) previzam do Supremo Senado da Camara desta sidade de Lisboa e seu termo sertefiquemos em como fomos em o dia de vinte e tres do mês de Fevereiro  deste presente ano ao sitio de Maravila em companhia do escrivão do sinal da Corte Joze theodoro de Noronha Fetal em comprimento do Despacho reter(sic.) proferido na petição do suplicante o Excelentissimo Conde de Valadares para efeito de vermos e emzaminarmos o Palacio e Armazais que o Excelentissimo suplicante ademenistra do seu morgado no sobredito sitio de Maravila o estado em que se acham e a preçizam que tem de reparos pretençentes aos nossos ofiçios e a despeza que neles se poderá fazer o que com o feito fizemos vendo e emzaminando tudu(sic.) muntu(sic.) meudamente e o estado em que se achão e os reparos de que precisão pera a sua comservação e despeza que neles se podera fazer pouco mais ou menos regulando-nos pelos apontamentos junto ao requerimento do Excelentissimo suplicante sastifazemos na forma seguinte

    Em primeiro lugar os tilhados dos armazais donde foi o moinho consertado e emxilharia dos ditos armazais e do Palaçio pela parte do mar as juntas batumadas com batume de azeite as que não estam batumadas para lhe hevitar maihor ruina estes reparos foram de despeza sem mil reis pouco mais ou menos ___________________________________ 100$000

    Em segundo lugar no Palacio se precisa de fazer todas as janelas do coarto alto e baxo e algumas portas por todas estarem pela parte exterihor emcapazes e munto poco se podera aproveitar delas emseto as ferages que algumas podem tornar a servir os madeiramentos em parte caresem de <ser> rehedificados como tambem alguns solhos e forros os tilhados todos ou a maihor parte (fl. 6v) deles nas paredes varias reformsois em cujos reparos se podera fazer de despeza dois contos de reis pouco mais ou menos ___________________________________________ 2.000$000

    Em treçeiro lugar as cazas que servem de palheiros e cavalariças e cuxeiras que estam no pátio da emtrada do Palaçio no lado do nasente precisão tilhados em parte consertados e em parte postos de novo algumas prusois de parede alguns barotados e madeiramentos, por esterem em parte arruinados como tambem algumas portas avaliemos a despeza destes consertos em a co<antia> de sento e vinte mil reis pouco mais ou menos _____________________________________________________ 120$000

    A caza da nora carese de vigamentos solhos e feros e madeiramento portas e janelas tilhados e reformadas as paredes pois desta dira caza não emzistem mais do que as paredes em a coantia de sento e sincoenta mil reis pouco mais ou menos _______________________________ 150$000

    Em ultimo lugar as cazas chamada<s> do refeitorio hera a caza donde habitavão os homens que trabalhavam na fabrica do tilhal a coal se acha instinto e desabitado nem fabrica e não só as cazas como tudu pretençente a mesma fabrica esta arruinado tambem mistico a caza chamada do refeitorio pela parte do mar havia huma muralha pera emparar as teras a coal se acha demolida por causa das agoas do mar que a haruinarão termos em que ja o mesmo mar tem comido uma grande parte da tera daquele sitio e hotra parte a tem levado as agoas da xuva para o mar por falta de se emcaminharem por parte serta que as conduza sem cauzar a ruina que se tem experimentado por falta desta cautela a muralha emtendemos ser util o rehedificar-çe e fazer-çe a serventia pera as agoas das xuvas por parte sertã que não cauze ruina as mesmas teras e este reparo poder fazer de despeza quinhentos mil reis pou-(fl. 7)co mais ou menos ____________________________________________ 500$000

    E falando no reparo e rehidificação da caza do refeitorio sera util cazo que a fabrica do Tilhal emtre hotra vez a fabricar emtam sera preciso comsertar os tilheiros em que se recolhe a obra que se fabrica e o mesmo forno e eira donde se emxuga a telha  e o tigolo e emtam se poderá tirar otalidade do reparo que caresse cuja despeza avaliamos em coatrosentos mil reis pouco mais ou menos ____________________________ 400$000

    Emportam as seis adisois em que arbitramos as despezas dos reparos declarados nesta sertidam como dela se ve a coantia de tres contos duzentos e setenta mil reis pouco mais ou menos ___________ 3.270$000

    Nesta forma nos parece termos sastifeito ao doutíssimo Despacho e Requerimento do Excelentissimo suplicante e por todo o referido ser verdade e nos assim o emtendermos em rezam dos nossos oficios o afrimamos debacho do juramento a que semos obrigados pelo nosso cargo e passemos a prezente sertidam feita por em e assignada por ambos em Lisboa aos vinte e coatro dias do mes de Fevereiro de mil setecentos setenta e seis anos

    Luis da Cunha                                                     Luis Antonio Siabra

    (fl. 180)

    Contada despeza que se fez na quinta e morgado de Marvila, com as obras das propriedades pinhoradas, respectivas ás bemfeitorias do Ilustrissimo e Excelentissimo senhor Conde de valadares D. Alvaro de Noronha (que Deus haja em gloria) por hordem de seu filho o Ilustrissimo e Excelentissimo senhor conde D. Joze Luis de Menezes, e por Despacho do Juizo do Civel da Corte, cuja despeza compreende os anos de 1776 até 1782

    A saber

    Nos armazens que trazem de renda – Mayne e Companhia – foi consertada, encascada e reformada, com reformação grossa, a parede da parte do mar,em todo o prolongo compreendendo, desde o cunhal da parte do poente até entestar com a parede do armazem de baxo da baranda, e na altura, até a faxa, sendo toda igualmente emboçada e rebocada; e se mocissarão e betumarão as juntas do lagedo grosso do parapeito = Da mesma sorte foi reformado e betumado o cães de pedra da mesma parte do poente: e todas as muralhas que decorrem desde o dito caes até ao outro da parte do nacente, forão reformados, desde a sapata de lajedo do fundamento, para baxo , na profundidade de sinco palmos, e na grossura da ametade da parede = Tambem se fez de novo com todo o seu alicerce na profundidade de seis palmos, hum lanço de muralha, que tem de prolongo vinte palmos e de altura, desde a superficie da praia, nove palmos; cuja muralha foi construída, no armazém, situado, entre a baranda e o cães de parte do nacente = E toda a entelharia, lajedo grosso destas muralhas, foi mocissado, e betumado, levantando-se muita parte dele, que com o contino embate do mar, e tempestades, tinha cahido, botando-ce-lhe muitos gatos de ferro para o sentro da parede = tambem se fez de novo desde o fundamento a cavalharice sita no pátio da mesma quinta pertencente aos ditos armazens, que de todo estava aruhinada.

    Tambem se consertarão, e repararão os armazens do moinho; cuja obra constou de fazer quazi de (fl. 180v) novo o caminho que da serventia ao dito moinho, fazendo-ce , uma muralha, desde a superficie da paria , forrada de enxelharia betumada, e gateada donde foi preciso, fazendo-se tambem de novo, a muralha do mesmo caminho da parte da caldeira, entulhando-ce este donde foi necessário, fazendo-ce de novo a calsada desde a porta do dito moinho, até á esquina da horta nova, e dahi para sima até quazi ao meio do olival = Tambem se reformrão as paredes dos ditos armazens, tanto da parte do mar, como da caldeira, sendo encascados, emossados, rebocados,e guarnecidos pela parte de fora, e por dentro somente a parede da banda do mar; tapando-ce muitos vãos de janelas, e huma chaminé, tudo de pedra e cal, e todoas as juntas da enxelharia, forão betumadas, tapando-ce e mocissando-çe de pedra e cal, os canaes e abrturas das setias, forrando-ce os vãos de enxelharia, tanto da parte do mar como da caldeira = E desde a sapata do lajedo do fundamento, que estava no mar, esolapada, se reformou para o fundo todo o vão, em roda dos ditos armazens, na profundidade de dois palmos, e na grossura da ametade do alicerce = tambem se consertarão quazi todos os tilhados, metendo-ce telha nova donde foi necessário = tambem se reformarão as empenas, tanto da parte que olha ao poente como da parte que olha ao nacente = Tambem se entulhou todo o vão, donde andavam e motião os rodízios = Da mesma forma se consertou e reformou a caza que esta defronte da esquina da horta nova sendo toda assoalhada, com taboado, e barrotes novos, fazendo athe portas, e janelas com todas as ferragens comrespondentes, encascando-ce , e emboçando-ce as paredes, fazendo-ce-lhe os tilhados quazi todos de novo = tambem se fez de novo hum cães de madeira, abrindo-ce hum portal para a sua serventia, e fazendo-ce huma porta nova de duas meias, com todas as suas ferragens, sendo esta pintada a olio, como todas as mais do mesmo armazem e cazas.

    Tambem se fez de novo desde o fundamento hum lanço de muralha, de cinco palmos de grosso, que tem de prolongo, duzentos e sincoenta palmos, e de altura, desde a superficie da praia, treze palmos, tendo os alicerces em algumas partes, por cauza de fojos que se encontrarão, de profundidade, doze, e quinze palmos; cuja muralha foi feita para sustentar o terreno da eira de baxo, donde se lavrava telha, e a caza chamada do refeitorio e a outra a ela imediata, que os continos embates do mar , de todo hia aruhinando.

    Tambem se consertou, e reformou, arma-(fl. 181)zem chamado piqueno, que tras de renda Antonio Alves, cuja obra constou, de fazer de novo todo o tilhado, sendo este mouriscado, e se fez totalmente de novo a tacanissa da parte do norte, e hum contrafeito da parte do poente, para dar correnteza ás agoas, metendo-ce em todo o prolongo do dito telhado, muitos paos de castanho, asnas, ripa, e telha nova, sendo novos todos os paos de fileira = Tambem forão corridos os tilheiros do patio do mesmo armazem, e consertados, e mouriscados, os telhados das cazas a ele respectivas; e varias reformaçoens nas paredes do dito armazem pela parte interior = tambem se betumou todo o lajedo grosso, em roda do cães, e se consertarão as portas com todas as suas ferragens comrespondentes.

    Tambem se consertou o palheiro respectivo ao armazem grande, fazendo-ce-lhe de novo os tilhados, de construção ordinaria, metendo-ce-lhe muitos barrotes, ripas, e telha nova, consertando-ce as janelas, e suas ferragens, e fazendo-ce hum arco interior, na parede de entremeio, para melhor serventia do dito palheiro.

    (fl. 181- 202)

    [Despesas com os oficiais de pedreiro e carpinteiro e trabalhadores de Maio de 1776 a Julho de 1782]

    (fl. 202v )

    Conta dos materiais e aviamentos que se comprarão e gastarão nas obras da quinta e morgado de Marvila nas propriedades pinhoradas respectivas ás bemfeiturias do ilustríssimo e Excelentissimo senhor Conde de Valadares D.alvaro de Noronha (que Deus haja em gloria) por hordem de seu filho o Ilustrissimo e Excelentissimo senhor Conde D. Joze Luis de Menezes, e popr Despacho do Juizo do Civel da Corte nos anos de 1776-até 1782.

    (fl. 202v – 213)   

      

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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