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    Descrição da Fazenda do Secretário

    Descrição da Fazenda do Secretário
    Brasil

    Fonte: FORTE, José Mattoso Maia. Notícia histórica e descritiva de Vassouras: a Fazenda do Secretário. In: Braga, Greenhalg H. Faria (Org.). Vassouras de Ontem. Rio de Janeiro: Cia Brasileira de Artes Gráficas, 1975, p. 14–52.

    A fazenda do Secretário e o barão de Campo Belo - Entre as grandes fazendas destacava-se a do Secretário, como entre os opulentos fazendeiros tinha posição saliente Laureano Corrêa e Castro, Barão do Campo Belo, filho do casal Pedro Correa e Castro e Mariana das Neves Correa. (...)

    "O velho casarão, edifício principal da fazenda, foi transformado como convinha à dignidade do opulento fazendeiro e titular do Império. Desapareceu o aspecto simples, colonial, com a forma de um paralelogramo e os ângulos superiores nas pontas dos telhados, à feição de bicos. Aos extremos do prédio foi dada a arquitetura de chalé, com duas janelas, cada uma. Na parte superior, correspondendo portas e janelas no pavimento inferior. No pavimento superior, entre os extremos, suas janelas abrem para o pátio fronteiro. No pavimento inferior à porta central é ladeada por 4 janelas.

    No pavimento superior, dispuseram-se as salas de visitas, de jantar, de espera, a dos retratos e os quartos nobres; no inferior, outras salas correspondentes às de cima, quartos, saletas de guarda-louças, de costura etc.

    O salão nobre, de visitas, fê-lo o Barão mobiliar com guarnição francesa, estofada. Mobília como não há hoje, feita de encomenda: um amplo sofá ao lado do qual, à direita e à esquerda, se dispunham quatro cadeiras de braços, de espaldar alto. Em frente ao sofá, e à distância, a grande mesa, mais ou menos arredondada, com pedra mármore, e os pés sustentados por braços torneados. Ao longo da sala 18 cadeiras, também estofadas, entremeadas com 4 consolos, sobre os quais descansavam quatro espelhos altos, com vistosa moldura dourada. Sobre o mármore dos consolos e da mesa central, assentavam as jarras de fina porcelana e os candelabros de bronze com as respectivas mangas de cristal lavrado. Duas mesas de jogo, nos extremos da sala, completavam o mobiliário.

    A sala correspondente no pavimento térreo, não possuía mobília do mesmo luxo, mas igualmente importada, em mogno e palhinha. Em vez de um haviam dois sofás, as cadeiras de braço eram cinco, outras 18 cadeiras singelas, outros 4 consolos e o piano.

    A sala de jantar nobre era outra grande peça do palacete. Uma grande mesa estendia-se no sentido do comprimento. Rodeando-a e compondo os vãos de portas e janelas, viam-se 48 cadeiras, 4 aparadores e o relógio-armário, de dar corda por manivela, descendo os pesos à medida que a corda se desenrolava; grande pendula, tímpanos soando as horas e aos quartos.

    O salão de jantar do pavimento térreo, que era o do uso diário, possuía igualmente grande mesa elástica, 30 cadeiras e 2 aparadores. Um belo serviço de porcelana inglesa, avaliado na época em Rs. 1:500$000, era posto em serviço nos dias maiores. Mas para as grandes datas da família e de recepção de personalidades, nas quais a opulência do fazendeiro deveria resplandecer aos olhos dos seus hóspedes, retiravam-se de três grandes caixas, pesando só o metal 4.697 oitavas, (*) um custoso faqueiro de prata — sem embar de haver outro menor, em prata dourada, guardado em duas caixas.

    Para o serviço das iguarias, rebrilhava principesca baixela: 36 pratos de prata lavrada, pesando cada qual 144 oitavas, e outros 24 pratos lisos, pesando 135 oitavas cada um; duas grandes sopeiras, com 3.328 oitavas de peso; 6 terrinas cobertas pesando 3.712 oitavas. O peixe, os assados e outras iguarias eram servidos em 15 pratos travessos, cujo peso total era de 7.680 oitavas de prata de lei. Duas saladeiras com 1.024 oitavas e 4 molheiras, pesando 1.040 oitavas. Sobre os aparadores viam-se duas fruteiras, pesando cada uma 480 oitavas.

    Para os serviços de chá e café, em fina porcelana, havia três aparelhos, do mais rico ao mais comum, pesando, respectivamente, 1880, 1616 e 1536 oitavas. Completavam a baixela uma bandeja grande e duas pequenas, com 3.200 oitavas: duas Salvas, uma grande e outra pequena, com 1.152 oitavas; um licoreiro com cálices e garrafas de cristal lavrado, pesando o Suporte 480 oitavas. Pela mesa distribuem-se dois candelabros de prata pesando cada um 1.063 oitavas, e dez castiçais, com 70 oitavas de peso cada um, e as respectivas mangas de cristal lavrado. Sobre um dos aparadores repousava a urna para água ou refresco pesando 3.248 oitavas.

    No serviço diário utilizava a família uma baixela mais modesta, cujo peso total não excedia de 646 oitavas. Todas estas peças representavam um total de 210 quilos, mais ou menos, de prata de lei. Valiam na época, pelo preço de compra, 150 contos.

    A vasta ante-sala do andar superior possuía mobiliário de erable: (*) um sofá, 20 cadeiras, mesa de centro, aparador com espelho emoldurado, e jarras de porcelana.

    O mobiliário dos quartos, com exceção do dormitório nobre, era simples: contavam-se, ao todo, oito marquesas de cabiúna, entre as grande, para casal, e as pequenas, para solteiro; cinco outras de vinhático, uma de erable e outra de mogno. francesas e duas outras inferiores.

    Na sala dos retratos era também simples o mobiliário: quatro cadeiras de braços, um aparador de erable e um clássico espelho emoldurado. Além dos retratos a óleo, da família, pendiam dois quadros com retratos da família imperial. Na sala chamada do guarda-louças viam-se dois quadros com gravuras representando o palacete da fazenda e O panorama de Vassouras, desenhos de Victor Frond, da obra já citada, de Ribeyrolles. Esse mesmo panorama, a óleo, fora pintado para uma das Salas nobres. Ignora-se quem fosse o autor do painel.

    O escritório de Campo Belo era muito singelo: um bureau, um banco com prensa de copiador de cartas, um sofá e as cadeiras indispensáveis. Nos dias maiores ornava-se O bureau com um tinteiro de prata, pesando 354 oitavas, caneta e pena de ouro.

    As joias do Barão, conservadas pela esposa, depois de sua morte, cifravam-se em poucas peças: dois cordões de ouro, um com 6 e outro com menos de 7 oitavas; um isqueiro de ouro dos que antigamente se usavam com pederneira e torcida; dois relógios de ouro, um de fabricação inglesa e outro suíço, Condecorado com a comenda da Ordem da Rosa, possuía o Barão três veneras, uma de ouro, montada em prata, outra com 29 quilates de brilhantes grandes e pequenos, e a terceira com 82 pedras de menor valor. A cruz do oficialato da Ordem de Cristo era também de menor valor com suas 82 pedras. Havia ainda entre essas joias uma coroa de prata, talvez a simbólica do baronato. A essas jóias foi dado, em conjunto, o valor de Rs. 4:270$000.

    Aos imóveis do Secretário e terras anexas, móveis, semoventes, lavouras, jóias, etc, foi dado por morte da Baronesa o valor total de Rs. 857:294$054, inclusive o de 220 alqueires possuídos pelo casal em Muriaé. Anteriormente, o quinhão de cada herdeiro fora calculado em Rs. 106:848$000 ou .......... Rs. 641:088$000 para os seis filhos. A meação da Baronesa importaria em soma igual, resultando que o Barão de Campo Belo deixara uma fortuna de RS. 1.282:176$000." (...)

     

     

     

     Observações

     

     Ver Fazenda do Secretário

    Edição texto e pesquisa: Ana Pessoa (FCRB) e Sávia Pontes Paz (PIC/FCRB)

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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