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    Contracto de Obra da Casa do Capitão-Mor do Passo de São Tiago, 1773

    Contracto de Obra da Casa do Capitão-Mor do Passo de São Tiago, 1773
    Goa
    XVIII

         

    Contrato da obra do forte e casa do capitão-mor do Passo de São Tiago, 1773

    GOA NACIONAL ARCHIVES, Livro de Obras, nº7840-1770-1773, s.n.

    Transcrição. Teresa Botelho Serra

     

    “Aos 17 de Março de 1773 sendo juntos em mesa de vereação os vereadores e mais oficiais comigo (….) José Francisco de Gusmão se pôr no lance as obras do Forte e Casa da Câmara do passo de S. Tiago neste presente ano de 1773.

    Com as condições o empreiteiro que levar a remate as ditas obras será obrigado a segurar depois delas acabadas um ano e um dia e dará inteiro cumprimento às condições seguintes

    Com a condição que na varanda da casa do capitão-mor fará de novo as seis janelas seis adufas de caixilho de dois quarteis cada um, de altura de seis palmos em quadrado e cinco em quadrado de largura, metidos os caixilhos encaixados que fique igual com a parede com vinte e quatro chapuzes bem pregados em que porá vinte e quatro bisagras doze aldrabas tudo firme e bem pregado e porá nas ditas janelas seis mainéis do comprimento de três mãos cada um, um palmo de largura e dois polegares de grossura em que porá pela dita obra um moio de chumbo.

    Com a condição que na sala da entrada fará de novo as três janelas, quatro quarteis de adufas de altura cada um de seis palmos, três de largura com oito bisagras, quatro aldrabas, tudo firme e bem pregado.

    Com condição que no telhado do balcão da coiraça porá de novo na beira três cachorros de três mãos cada um, quatro polegadas de grossura em quadrado e ripará a dita beira pondo-lhe de novo vinte e cinco côvados de ripas de telhas vãs de três polegadas de largura e uma de grossura e pregará tudo com três arráteis de pregos fortes.

    Com a condição que na porta ao pé da escada da entrada fará de novo uma (caf….) e duas bisagras novas e bem pregadas na dita porta.

    Com a condição que no telhado do balcão da dita escada porá de novo quatro agueiros de comprimento cada um  de nove palmos, quatro polegadas de grossura em quadros e ripará de novo o dito telhado com quatrocentos côvados de ripas vãs de três polegadas de largura e uma de grossura e pregará todo o dito madeiramento e ripará (muito?) com meia mão de pregos fortes.

    Com a condição que fará três (estrados?) na janela da varanda da escada, de comprimento cada um de oito palmos e cinco de largura, bem pregada e amarrada com cairo novo.

    Com a condição que fará todo remendo ordinário, rebocamento e (cafalamento?) e algerozes que faltam, em que porá dois moios de chumbo e fará todo o conserto ordinário de portas e adufas de todas as ditas casas.

    Com a condição que retelhará todos os telhados, em que porá quatro mil telhas vãs e duas mil telhas de gancho e será obrigado de tomar as goteiras no inverno e limpar e tirar a palha a todos os ditos telhados no fim de junho.

    Com estas condições e sendo muito nobre serviço, o nobre senado da câmara mandará arrematar as ditas obras a quem melhor e mais barato as fizer. Goa 11 de Março de 1773. António Pedro Filipe Catalão

    Foi arrematada a obra da condição acima no lanço de Luis Dias, morador em (S.P.?) e deu por seu fiador a Teodorico Marchona, morador em Panelim, em quantia de trezentos e dez reis e deu outro fiador a (José?) Cabral, morador em Ribandar Goa 17 de Março de 1773. João Vicente da Silveira e Meneses, (….), (….) Pereira, (….) Correia, Xavier Neto.

     

     

    Nota: Como parte integrante do sistema defensivo da cidade de Goa situadas em vários pontos da muralha distribuíam-se um conjunto de portas, denominadas por passos. Guarnecidas por uma força militar, que fazendo de alfândega controlavam as entradas e saídas da cidade sobretudo dos artigos de consumo diário. Sobre estas portas, o padre Gabriel Saldanha refere na sua História de Goa (1926: 220) que: ” as três principais correspondiam (…) o passo de Daugim ao noroeste da ilha, o passo seco ou váu de São Brás pelo oriente e o Passo  de São Tiago de Banastarim”. A manutenção da muralha como das edificações que lhe estavam relacionadas era da responsabilidade do Senado da Câmara da Goa explicando-se assim que estas obras se encontrem registadas nos Livros de Obras da Câmara.

    No estudo destes contractos encontramos interessantes referências a programas interiores como a sistemas construtivos e materiais de construção de revelante importância para a arquitectura e história da construção em Goa.

     

    Bibliografia:

    ROSSA, Walter; MENDIRATTA, Sidh “ A Cerca Adormecida: recuperação histórico-cartográfica da muralha portuguesa de Goa" in Goa Passado e Presente, Atas do Congresso. Lisboa: CEPCEP e CHAM, 2013, 413-423.

    SALDANHA, Padre m. J. Gabriel de, História de Goa, Monumentos Arqueológica, Vol. II, Nova Goa, casa Editora Livraria Coelho, 2º ed. 1926. Pp218-220

     

     

     

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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