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    Vista de Pangim, c.1886-1877

    Vista de Pangim, c.1886-1877
    Goa
    XIX

     

         

    Vista de Pangim, nas margens do Mandovi.

    Horace Van Ruith(1839-1923).

    Óleo sobre tela. Colecção particular. Lisboa

     

     

    Nota:

    A cidade de Pangim, vista da margem norte do Mandovi, terá sido pintada entre os anos de 1886 e 1887, coincidindo com a viagem que o pintor realiza ao Sul do Malabar. A pintura celebra uma cena processional na cidade de Mysore datada do ano de 1887. 

    A cidade é apresentada numa perspectiva vista a partir da zona de Betim, pequena aldeia dos subúrbios situada na margem norte do Mandovi. O conjunto é banhado por uma cálida luminosidade rosa, de fim de tarde, que envolve todo o ambiente.

    De forma emblemática no casario da cidade destaca-se o então Palácio dos Governadores da Índia Portuguesa. Construída no reinado de Adil-Khan, esta fortaleza é conquistada pelas forças de Afonso de Albuquerque em 1510. Na segunda metade do século Séc. XVI a fortaleza é transformada em residência sendo descrita por Pyrard  de Lavale nos finais deste século com “ bons aposentos, que formam um palácio belo e cómodo onde os vice-reis quando chegam de Portugal vão sempre desembarcar e esperar até fazerem a sua entrada solene.. e o vice-rei que sai vai ali morar até partir” . 

    O palácio apresenta-se ainda com uma série de telhados de tesoura ainda sem a grande varanda voltada sobre o Mandovi, construída nos finais do séc. XIX o que permite uma avaliação das suas características arquitectónicas originais. Com uma estrutura arquitectónica de matriz erudita e clássica o palácio conforma-se com uma fachada sobre o rio com três corpos torreados, um ao centro e dois laterais, separados por dois panos recuados que imprimem ao conjunto uma dinâmica acentuada pelos tradicionais telhados em tesoura muito inclinados. De forma inusitada estes telhados apresentam-se na sua quase generalidade em branco, correspondendo, na nossa interpretação, a obras de reabilitação efectuadas em 1887 pelo governador Cardoso de Carvalho . A grande inclinação destes telhados associado à intensa pluviosidade das monções determinava obras onde as telhas eram levantadas e toda a cobertura dos telhados recebia uma nova camada de argamassa de cal com funções de impermeabilização.   

    Na envolvente do antigo Palácio dos Vice-Reis podemos reconhecer no casario que se recorta sobre as margens do Mandovi alguns palácios da velha aristocracia radicada na Índia e que tradicionalmente ocupava altos cargos na administração do Estado da Índia. Do lado esquerdo podemos assinalar o antigo palácio dos Castros que em meados do século XVIII era habitado por D. Rodrigo de Castro. Já sem os telhados de tesoura o edifício tinha entretanto sido vendido ao governo para aí instalar dependências de administração pública.

    Do lado direito do palácio dos Vice-reis e em direcção à barra podemos visualizar, por sua vez, o palácio dos Soares na altura já adaptado a Alfandega, num alto volume marcado com os típicos telhados de tesoura. Na margem esquerda do Mandovi, frente ao Índico desenha-se o recorte do Forte da Aguada quase imperceptível, mas representado com rigor. A partir de um fortim situado junto às margens do rio subia pela colina em direcção ao antigo farol que desde o século XVI orientava as caravelas e galeões na sua aproximação à Goa e que constitui o primeiro farol construído em todo o Oriente.

     

    Bibliografia:

    Carita, Helder, “Vista de Pangim”, in Choices, Lisboa, AR/PAB, pp.192-201.

     

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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