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    Palacetes de Antonio Jannuzzi

    Palacetes de Antonio Jannuzzi
    Brasil
    XIX

     

    Antonio Jannuzzi foi projetista e construtor italiano que teve vasta atividade profissional na Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Sua produção arquitetônica é classificada como parte do grupo eclético, onde adotava uma linguagem arquitetônica para cada função e programa, dessa forma a produção residencial seguia o partido das Villas Italianas (GRIECO, 2005). 

    Os palacetes inserem-se no estilo neorrenascentista, que é como se denomina a utilização e adaptação de certos elementos de composição da linguagem clássica, mas que ultrapassam a definição de “classicizante” por sofrer influência direta da arquitetura do Renascimento italiano do século XVI (Ibid.). Assim sendo, estas residências apresentam o aspecto formal calcado na arquitetura das Villas, mas com elementos visuais do ecletismo dos séculos XIX/XX, com as devidas adaptações de fachada e planta. As casas eram implantadas soltas no terreno, mantendo distância da rua e proporcionando uma vista total das fachadas. A composição das fachadas era geralmente dividida em tramos com presença de vãos em arco pleno, colunas e o coroamento era com acabamento de platibanda com balaustrada (Ibid.).

     

    Palácio Rio Negro

    Um exemplo eclético classicizante de inspiração italiana, o Palácio Rio Negro, apresenta fachadas e volumetria mais trabalhadas que outras residências. 

    Foi construído em 1889 para ser residência de Manoel Gomes de Carvalho, Barão do Rio Negro, membro da família de fazendeiros e capitalista presentes nas cidades de Barra Mansa e Vassouras. Manoel era filho de Manoel Gomes de Carvalho (1º barão do Amparo) e de Francisca Bernardina Leite. Foi irmão de Ana Bernardina, João Gomes de Carvalho, o barão e depois visconde de Barra Mansa, e Joaquim Gomes Leite de Carvalho, o 2º barão do Amparo. Em 1896 o Governo do Estado adquire o Palacete e instaura a sede do governo executivo do Rio de Janeiro. O Palacete se torna ainda a residência de verão dos presidentes da República, sede do comando da 1ª Brigada de Infantaria Motorizada e, por fim, é incorporado ao Instituto Brasileiro de Museus, sendo uma unidade do Museu da República.

     

     

    Palacete Jannuzzi (Palácio Itaboraí)

    O Palacete Jannuzzi é outra residência fundamentada na arquitetura das Villas, mas com o aspecto visual do ecletismo dos séculos XIX/XX, com as devidas adaptações de fachada e planta.

    Construído em 1892 para ser a residência de verão da família Jannuzzi em Petrópolis, o Palacete logo foi vendido para a Congregação Metodista Norte Americana que instalou o Colégio Americano de Petrópolis, o qual funcionou até 1920. Em 1938 o Palacete Jannuzzi é desapropriado pelo Governo do Estado, quando também passa a ser chamado por Palácio Itaboraí. Como residência de verão dos governadores, o Palacete sofreu intervenções que acrescentaram uma ala de serviço, descaracterizando a planta desenvolvida por Antonio Jannuzzi. Em 1982 o Palacete foi tombado pelo IPHAN (Processo IPHAN n.º 662-T-62, v.I-A, p. 189 e 197) e nos anos seguintes as atividades desenvolvidas no Palacete foram encerradas até ser cedido para a Fundação Oswaldo Cruz, que promoveu obras de restauração, concluídas em 2011. O Palacete Jannuzzi possui planta baixa simétrica, com acessos laterais, que seria uma características das plantas produzidas por Jannuzzi. O pavimento térreo abrigava amplos salões e o pavimento superior o setor íntimo.

     

     

    Residência Conde Modesto Leal

    A residência Conde Modesto Leal é mais um projeto que se aproxima da tipologia das Villas italianas. Este palacete foi adquirido em 1892 por João Leopoldo Modesto Leal, o Conde Modesto Leal, que encomendou a reforma a Jannuzzi em 1900. Modesto Leal era comerciante nascido na cidade de Saquarema, foi também banqueiro, empresário e político.

    A decoração da casa contava com mobiliário e peças da belle epóque francesa e telas do pintor Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo. A residência é tombada pelo INEPAC e pelo IRPH. Possuía dezoito cômodos, com amplos salões decorados e pintados também pelo pintor Francisco. O projeto apresenta também acessos laterais, abrigando no pavimento térreo os usos sociais na parte frontal da planta e de serviço na parte posterior. O pavimento superior abriga as áreas íntimas. 

    O palacete permanece com a família Leal e atualmente abriga eventos.

     

     

    Bibliografia

    Almanak Henault, 1909 (http://memoria.bn.br/DocReader/709930/810)

    Globo Online. 18 de setembro de 2010. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/imoveis/palacete-modesto-leal-onde-acontece-casa-cor-uma-das-ultimas-chacaras-urbanas-do-rio-2951277>. Acesso em 17 mar. 2021.

    GRIECO, Bettina Zellner. A arquitetura residencial de Antonio Jannuzzi Ideias e Realizações. Dissertação (Mestrado em Arquitetura). Rio de Janeiro: UFRJ, 2005.

    Grupo Hel. Disponível em: <https://www.grupohel.com/eventos_espacos/palacete-modesto-leal/>. Acesso em 17 mar. 2021.

    Il Brasile e gli Italiani. 1906. Disponível em: <https://archive.org/details/ICIB_il_brasili_e_gli_italiani_tiff>. Acesso em 09 de mar 2021.

    Mayerhofer & Toledo. Disponível em: <http://www.mtarquitetura.com.br/copia-fazenda-da-forquilha>. Acesso em 17 mar. 2021.

    OLIVEIRA, Benedito T. (Coord.); COSTA, Renato G. R.; PESSOA, Alexandre J. S. Um Lugar para a Ciência: a formação do campus de Manguinhos. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003.

    Wikipedia - Modesto Leal. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Modesto_Leal>. Acesso em 17 mar. 2021.

     

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Texto: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB), 2021

    Edição: Francesca Martinelli (PCTCC/FCRB)

     

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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