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    Casa do Barão de Oliveira Castro

    Casa do Barão de Oliveira Castro
    Palacete Oliveira Castro
    XIX
    Brasil
    Petrópolis - RJ
    -22.509459
    -43.169859
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    Esta propriedade refere-se a localidade do 1º Distrito de Petrópolis (região hoje denominada como Centro), antiga fazenda Itamarati fundada ainda no século XVIII. Sob os prazos de terra n° 2213-W- e 2314-T-do quarteirão Palatinato Inferior, conforme a planta de 1854, de Otto Reimarus. O terreno é próximo ao rio Palatinato e fundo para o leito da extinta estrada de ferro da Leopoldina Railway.

    O palacete, assobradado, possui planta em formato retangular distribuída em dois pavimentos sobre o porão alto com mais de 1000 metros quadrados de área construída. No primeiro pavimento, o casarão é contornado por uma varanda e seu acesso se dá por uma escadaria. O segundo pavimento não acompanha as mesmas dimensões, tendo menor volumetria, seguindo até o sexto vão da fachada lateral. A estrutura da casa pode ser dividida em duas partes: alvenaria e estrutura metálica. A cobertura também pode ser classificada em dois tipos: telha francesa que cobre o corpo principal da edificação e metálica em toda extensão das varandas. “A estrutura metálica é formada por colunas e lajes nervuradas que sustentam as varandas.”

    Segundo o Inventário do 2º barão de Oliveira Castro, foi "construída de pedra, cal e tijolos, coberta de telhas franzesas, divididas em diversos compartimentos forrados e assoalhados, com varanda de lados e frente tendo duas portas e duas janelas na frente e doze ditas em cada lado"

    A fachada principal possui uma varanda rendilhada de ferro fundido, produzida na Tchecoslováquia, e quatro portas, permitindo variados acessos. O acesso principal à varanda se dá por uma escadaria dividida por dois lances ligados a um patamar central que levam para a sala de visitas. Os outros pavimentos também possuem quatro vãos de janela cada.

    As fachadas laterais da direita e da esquerda apresentam a continuação da varanda que se apresenta primeiramente na fachada principal. Ambos os lados possuem um acesso direto ao pavimento nobre (Piso 1) por meio de uma escada. Os vãos possuem ritmo parecido, exceto pelo fato da fachada do último pavimento não terminar junto com os pavimentos do térreo e do primeiro. Todos os vãos possuem esquadria em verga reta e acabamentos decorativos.

    Biografia. José Mendes de Oliveira Castro (filho). Disponível em: <https://epl.di.uminho.pt/~ritafaria/MEC/instanciaConceito.php?conc=Biografia&id=236>. Acesso em 09 ago. 2023

    Estereoscópio de mesa / Coleção Sanson. Disponível em: <http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/2852>. Acesso em 05 mai. 2023

    Estereoscópio portátil e dobrável / Coleção Sanson. Disponível em: <http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/2850>. Acesso em 05 mai. 2023

    Inepac - RJ. Petrópolis – Casa do Barão de Oliveira Castro. Disponível em: <https://www.ipatrimonio.org/petropolis-casa-do-barao-de-oliveira-castro/#!/map=38329&loc=-22.512104970366952,-43.17254714395528,17>. Acesso em: 10 mai. 2023

    JUDICE, Ruth Boucault. A casa do barão pede socorro. Disponível em: <https://ihp.org.br/?p=3863>. Acesso em 09 mai. 2023

    LAETA, T. ; FERNANDES, M. C. . Koeler, Reimarus e Taunay: três documentos históricos cartográficos da cidade imperial de Petrópolis e seus propósitos. Anuário do Museu Imperial, 2021.

    Leque / Coleção Sanson. Disponível em: <http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/10264>. Acesso em 05 mai. 2023

    José Mendes de Oliveira Castro

    José Mendes de Oliveira Castro foi o primeiro Barão de Oliveira Castro em Petrópolis, Rio de Janeiro. Ele nasceu em 04 de outubro de 1842, no Rio de Janeiro, e era filho de Antônio Mendes de Oliveira Castro com Castorina Angélica de Jesus Alves Pereira. Seu pai emigrou para o Brasil após a vitória de D. Pedro IV, residindo na Chácara dos Macacos enquanto fez carreira e fortuna como comerciante e capitalista.

    Casou-se com Carlota Deolinda Ribeiro de Castro (1843 - 1883) no dia 23 de maio de 1863, e, posteriormente, no dia 04 de outubro de 1888 com Constança Cordeiro Torres e Alvim (1853 - 1942), que recebeu o título de baronesa de Oliveira Castro.

    Do casamento com Carlota nasceram: José Mendes de Oliveira Castro Filho (1864), 2º Barão de Oliveira Castro); Carlota Mendes de Oliveira Castro (1865); Antonio Mendes de Oliveira Castro Sobrinho (1866); Deolinda Mendes de Oliveira Castro (1867); Francisco  Mendes de Oliveira Castro (1870); Alvaro Mendes de Oliveira Castro (1871); Horácio  Mendes de Oliveira Castro (1873); Carlota de Oliveira Castro Fonseca (1874); Octávio  Mendes de Oliveira Castro (1874); Castorina (1876); Elisio Mendes de Oliveira (1879); Amenco Mendes da Oliveira (1879); Américo Mendes de Oliveira Castro (1879); Castorina  Mendes de Oliveira Castro (1880); Hermínio Mendes de Oliveira Castro (1881) e Elisa  Mendes de Oliveira Castro (1883).

    Do segundo casamento nasceram: Heitor Alvim de Oliveira Castro (1889), Beatriz Nieborg (1892), Leonor Adameck (1893) e Helena Alvim de Oliveira Castro (1895).

    Foi comendador da Imperial Ordem da Rosa e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. O título de nobreza de barão lhe foi concedido pelo imperador Dom Pedro II em 9 de novembro de 1889, em reconhecimento aos seus serviços à Coroa e ao país. 

    Ele faleceu aos 53 anos, em Paris, na França, no dia 01 de outubro de 1896.

     

    José Mendes de Oliveira Castro

    José Mendes de Oliveira Castro, 2º barão de Oliveira Castro, nasceu em 18 de abril de 1864. Filho do 1º casamento do Barão de Oliveira Castro com dona Carlota Deolinda. Foi comerciante e banqueiro no Rio de Janeiro e casou em 11 de novembro de 1885, nesta cidade com D. Maria Estefânia Pontes Câmara, filha do Comendador Manuel Pontes Câmara e de Guilhermina Matos Vieira. O título de barão foi concedido por D. Carlos em 1904. (Cf. Nobreza de Portugal e do Brasil , Editorial Enciclopédia, lda, sob a direcção, coordenação e compilação do Doutor Afonso Eduardo Martins Zuquete.).

    Com a morte de sua mãe, e depois de seu pai em Paris (então casado com D. Constança Alvim Corrêa), voltou ao Brasil onde tomou conta de sua imensa família de irmãos na casa da rua São Clemente e depois na de Petrópolis, para onde foram na época da febre amarela no Rio. Com o dinheiro da herança de sua mãe, comprou a parte da casa de São Clemente aos irmãos. Dona Maria Estephania Pontes Câmara era filha de um riquíssimo imigrante da Ilha da Madeira (Manuel Pontes Câmara) e de uma gaúcha Guilhermina de Mattos Vieira, com idade para ser sua filha. Sua irmã, Elvira era casada com Antonio Lopes de Povoa do Lanhoso, onde fez muitas benfeitorias ao enriquecer. Tanto José quanto o Antônio foram sócios do sogro Manuel Pontes Câmara em negócios de café. Também foi também diretor do Banco do Brasil lá por 1915. 

    Faleceu em 24 de fevereiro de 1926 - Rio de Janeiro, RJ, Brasil, com a idade de 61 anos.

    Inventário Carlota Deolinda Ribeiro de Castro, 1884.

     

    À esquerda, José Mendes de Oliveira Castro, 1º Barão de Oliveira Castro. À direita, José Mendes de Oliveira Castro, 2º Barão de Oliveira Castro.

     

    Fotos do interior da casa registadas em 1940.

     

    Barão de Oliveira Castro e outros homens no interior da casa.

     

    Crianças no lance lateral da escada.

     

    Deolinda e Maria Mendes de Oliveira Castro sentadas na varanda.

     

    Esposa José Mendes de Oliveira Castro (Segundo Barão de Oliveira Castro)

     

    Memento Funerário do Barão de Oliveira Castro, 1926.

     

    Impresso mostrando a fachada do palacete do barão de Oliveira Castro na rua visconde do Bom Retiro. No verso, legenda elaborada por José Kopke Fróes: "Rua Souza Franco (?) / Original fotográfico / de J. H. Papf / Palacete Oliveira Castro / (Barão de)". 

     

    Estereoscópio de mesa, em madeira clara, constituído por duas caixas retangulares, uma sobre a outra. A parte inferior possui uma abertura na frente que é acionada por meio de pequena chave. Em cada um dos lados há uma alça de metal. Na parte superior, na frente, há os binóculos sobre a etiqueta do fabricante. Em cada lateral, um botão que movimenta o binóculo. No lado esquerdo da caixa há um círculo com ponteiro; no centro e na borda, os números de 1 a 25 e, em volta do ponteiro, uma inscrição. Atrás há um visor retangular de vidro polido e fosco e, abaixo, dois suportes de metal, um de cada lado. 

     

    Estereoscópio portátil e dobrável. Pintado de preto e vazado. 

     

    Pertenceu à baronesa de Oliveira Castro, Constança Cordeiro Torres Alvim, casada com José Mendes de Oliveira Castro. Varetas em madrepérola com ornatos gravados e incrustados em folha de ouro representando borboletas, galhos e flores. Folha em cetim pintada a guache, com cena ao estilo do século XVIII, ladeada por representações de bosque. Verso sem decoração. Botão do eixo em madrepérola e alça em metal. 

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2023

    Texto e pesquisa: Sávia Pontes Paz (Faperj/FCRB)

    Programa geral, tipologia e planta

    O casarão possui mais de 1000 metros quadrados de área construída divididos em 17 cômodos e três pavimentos em planta retangular, com vasto detalhamento arquitetônico. Em seu interior, é possível encontrar decorações em pinturas de um artista francês nas paredes e tetos com cenas inspiradas na caça e em paisagens bucólicas, além de painéis poli-crômicos.

     

    Piso 0 

    O porão alto possui a mesma quantidade de vãos do primeiro pavimento e, apesar de habitável, apresenta pé direito baixo. Este foi o que mais recebeu intervenções para abrigar os atuais usos, mas ainda sim preservando as características internas mais relevantes.

    "o porão exterior é em aparelho almofadado, monumental, de inspiração palaciana; a original caixa d’água nos fundos do terreno tem arremate em ameias, sugerindo inspiração francesa para o projeto, pois este elemento, exclusivo de castelos medievais, completa uma construção chamada em francês de ‘’chateau d’ eau’’." (Processo de Tombamento, 1982)

     

    Piso 1

    No primeiro pavimento, conhecido como Piano Nobile, se encontra diversos salões com características originais e elementos decorativos nas paredes, pisos, forros. Além do espaço social, apresenta também os espaços de serviço de copa, cozinha e despensa; estes também com elementos decorativos originais. O pavimento é cercado por uma ampla varanda que circunda e se integra por meio dos vãos de janelas e portas ao interior da casa. Os forros possuem refinada decoração com ornamentos em estuque e papéis de paredes originais. O forro da varanda é arrematado em um rendilhado com lambrequins.

    Piso 2

    O último pavimento apresenta características originais como o piso de tábua corrida em alguns cômodos. De modo geral, apresenta poucas modificações. A escada que liga o 2º ao pavimento nobile é entalhada em madeira nobre, torneada e rica em detalhes, com valor de destaque nos elementos integrados do imóvel. 

    Piso 1, Divisão 1, Sala de visitas

    "As paredes são totalmente recobertas de pinturas formando painéis quadrangulares de estamparia amarelo claro com moldura rosa, com motivos ingênuos." Os painéis verticais possuem acabamento com borda decorativa tipo lambrequim na parte superior.

     

    Piso 1, Divisão 4, Sala com cenas de caça

    "A decoração desta sala que, apesar de pequena, possui quatro portas, foi concebida como o espaço de um quiosque ou pavilhão de caça. As paisagens que recobrem a totalidade das paredes em uma armação de cana-da-índia onde balaústres e suportes sugerem a estrutura de um pavilhão aberto." (Processo de tombamento, 1982)

     

    Piso 1, Divisão 4, Sala dos mármores

    Paredes decoradas em pinturas verticais formando painéis emoldurados. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe saia e blusa.

     

    Piso 1, Divisão 5, Sala de jantar

    "Apresenta grande e variada quantidade de pinturas: feixes pendentes de frutas tropicais ou peixes e quatro painéis nos cantos dos tetos que representam o éter. Neste mesmo registro há três paisagens com pássaros e uma mais rara onde se vê um vulcão em erupção e castelo. E o painel central do teto com uma representação do céu diurno." (Processo de Tombamento, 1982)

     

     

    Piso 1, Divisão 6, Sala ao lado da escada

    Originalmente, a sala possuía decoração nas paredesl, mas atualmente encontra-se coberta com pinturas lisas. "O teto ainda traz a decoração original com estamparia de dragões adossados e florões." (Processo de Tombamento, 1982)

    Piso 1, Divisão 1, Sala de visitas

    "Os batentes se embutem perfeitamente no portal da sala, sendo todo o conjunto na mesma madeira de lei; dignas de nota são as delicadas maçanetas de porcelana branca." Apresentam-se "quatros elegantes cortinas de tecido adamascado arrematada de berloques e suas sanefas" (Processo de Tombamento, 1982) com braçadeira lateral. Modinatura em estuque dourado.O forro possui um único emodulramento em forma de retângulo arredondado.

     

    Piso 1, Divisão 2, Varanda

    A varanda circunda três fachadas do casarão, incluindo as laterais e a principal, começando e terminando com escadas que também proporcionam acesso ao pátio dos fundos. A varanda foi construída com uma estrutura metálica fabricada na Europa e argamassa armada, enquanto os forros são finalizados com rendilhados e lambrequins e cobertura em placas de cobre. As colunatas e os guarda-corpos são ornamentados em ferro. Os pisos são revestidos com ladrilhos hidráulicos de desenhos elaborados e finalizados com tabeiras de mármore branco.

     

    Piso 1, Divisão 5, Sala de Jantar

    Sala de jantar com pintura mural decorativa de temática de gêneros alimentícios. Entre os vãos da parede, há molduras em tons de dourado que formam painéis verticais interligados por uma linha horizontal abaixo das cornijas. Acima dos vãos das portas, também há pinturas em frontão seguindo as mesmas características com a adição de uma pintura em azul que assemelha-se a um ladrilho. O forro se destaca pela pintura nas cores do céu, emoldurados em pinturas decorativas como a de estreitas paisagens bucólicas e ornamentos em estuques.

     

    Piso 1, Divisão 7, Vestíbulo

    O vestíbulo de serviço é caracterizado pela presença de trabalhos em madeira e da escada, além de outros elementos decorativos como luminárias, pisos e vidros jateados originais.

     

    Piso 1, Divisão 11 e 13, Copa e cozinha

    Neste pavimento, estão localizadas as áreas da Copa/Cozinha e da Despensa, com piso hidráulico, forro em muxarabi e enchalços almofadados revestidos em madeira, em harmonia com as esquadrias e as ferragens robustas.

    "Nas paredes, azulejos estampados com motivos delicados em colorido suave, de produção industrial, provavelmente oriundos de ‘’La Louvière’’ (Bélgica). As quatro pias de mármore, o habitual teto de treliça na cozinha, as duas caixas d’água que serviam de caldeiras (uma para própria cozinha e outro para o banheiro de cima) com suas tubulações que atravessavam o fogão da lenha, as armações metálicas dos escorredores de louça e uma estranha pia baixa que servia para limpeza contribuem eficazmente para a unidade deste conjunto que ainda engloba um banheiro e um refeitório." (Processo de Tombado, 1982)

     

    ttt
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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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