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    Casa Barão de São Luís

    Casa Barão de São Luís
    Casa 6, Casarão 6 - Palacete do Barão de São Luís, Residência de Leopoldo Antunes Maciel
    XIX
    1879
    Brasil

    Autoria do projeto atribuído ao arquiteto italiano José Isella, sem documentação comprobatória

    Pelotas - RS
    -31.77063
    -52.34011
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    A residência do Barão de São Luís, conhecida na cidade como Casarão 6, está localizada no centro histórico da cidade de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. Está implantada em um terreno no meio de um quarteirão fronteiro à Praça Coronel Pedro Osório. Ao Sul, o lote faz divisa com a casa de nº 2, e ao Norte, com a casa de nº 6, formando o conjunto eclético erguido nesta quadra, representante da riqueza da época das charqueadas. Situa-se na ZPPC 2 (Zona de Preservação do Patrimônio Cultural), região do entorno da principal praça de Pelotas, caracterizada desde o século XIX como centro da cidade e correspondente ao segundo loteamento da localidade, projetado em 1835.

    O casarão caracterizado por seu estilo arquitetônico eclético e situado no centro do quarteirão, possui formato H, sendo simétrico tanto em planta, quanto no que se refere às aberturas e ornamentação da sua fachada principal. Esta, ocupa o alinhamento frontal do lote voltado para a Praça Coronel Pedro Osório, sendo composta por três módulos. O central, reentrante em relação às laterais, é coroado por um frontão triangular, coincidente com a porta principal da edificação e com o eixo de simetria. Neste módulo, a partir da varanda, tem-se o acesso aos ambientes internos, divididos entre área social, íntima e de serviço, sendo esta última no entorno do jardim interno. Após a última parte deste bloco edificado, tem-se um pátio e posteriormente outra edificação no limite do terreno. Esta, utilizada como cocheira no final do século XIX, corresponde à entrada secundária do casarão e tem sua fachada, sem ornamentação, voltada para a rua Gonçalves Chaves.

    A antiga residência do Barão de São Luís apresenta uma fachada com composição tripartida no seu eixo horizontal (base representada pelo porão alto, corpo e coroamento com platibanda vazada), tendo cornijas reforçando estas subdivisões do frontispício. Com composição simétrica, em seu módulo central reentrante em relação às laterais, tem-se no frontão triangular a inscrição “1879”, ano de sua construção.

    Os módulos da fachada, que se encontram no alinhamento, possuem em sua base demarcações e gateiras com vergas em arcos abatidos e gradis de ferro. O corpo possui em suas extremidades meia-colunas adossadas, com capitéis de ordem compósita e fustes ornamentados com frisos verticais. As portas-sacada com amplas vidraças possuem bandeiras com vergas retas. As sobrevergas são encimadas por frontões greco-romano abertos, constituídos de frisos sobrepostos e ornamentados com motivo floral e volutas. Nas laterais, simulando a sustentação destes frontões, tem-se torsos de putti e folhas de acanto, sendo o interior das almofadas, formadas pelos consolos, ornamentado com rosetas e motivos florais. As portas se abrem para varandins individuais, com guarda-corpos curvos em ferro. Abaixo destes, simulando contribuir com o escoamento das águas pluviais, observam-se mascarões.

    O acesso ao interior é feito através de um portão trabalhado em ferro fundido e a entrada possui um jardim ornamentado com uma fonte moldada em massa de cimento. Esta área de ajardinamento possui seus elementos estruturais dispostos de forma simétrica com organização no estilo francês, tendo pequenos canteiros laterais e um círculo central, sendo estes contornados com caminhos pavimentados com ladrilhos hidráulicos em relevo. O acesso à parte reentrante da edificação é feito por uma escadaria dupla de mármore, com corrimão em ferro trabalhado com elementos decorativos. Arrematando as laterais da escadaria tem-se vasos clássicos moldados em cimento. Um conjunto de arcos plenos com frisos e colunas compósitas, com fuste revestido em escaiola, forma um pequeno hall que abriga cinco portas de entrada.

    As fachadas, que delimitam o jardim que leva à porta principal da residência, possuem platibanda cega e janelas com amplas vidraças, com bandeira e vergas retas. As sobrevergas são emolduradas com frisos em relevo de estuque enfeitadas com os mesmos ornamentos dos consolos das aberturas das portas-janelas da fachada principal.

    No módulo central da fachada, o segundo andar encontra-se recuado, apresentando uma sacada que é também o prolongamento da platibanda, que, alternando com alguns pontos cegos, é preenchida por balaústres de faiança branca. O andar superior possui uma meia-coluna coríntia com fuste liso, em cada extremidade, e três portas-janelas com molduras em estuque e frontões ondulados mais simplificados que nas demais. O frontão triangular na parte superior deste módulo, possui em seu tímpano, ao redor da cártula com a inscrição “1879”, folhas de acanto dispostas de forma sinuosa. Arrematando o frontispício, em pedestais nas laterais da platibanda e do frontão triangular, tem-se seis esculturas em faiança. 

    Em seu interior, as fachadas da edificação não possuem ornamentos decorativos,  sendo o jardim interno o elemento de maior destaque. Na fachada do corpo principal, onde se encontram as áreas privativa e social, tem-se uma varanda com parapeito em ferro fundido e vista para o pátio, tendo abaixo os acessos ao porão,que contorna toda a edificação. As janelas e portas são de abrir, de duas folhas, com bandeira envidraçada e vergas retas.

    Nas fachadas laterais, correspondentes às áreas de serviço, tem-se janelas de guilhotina em vidro simples e vergas retas. Algumas das esquadrias apresentam, na folha de cima, elementos em forma de arcos ogivais. Já na fachada dos fundos, ainda na área de serviço e com vista também para o jardim interno, tem-se uma pequena varanda e uma escadaria simples com corrimão em ferro fundido.

    O pátio, contornado pela edificação, garante a iluminação e a aeração dos corredores de circulação que levam à área de serviços. Os canteiros com formas geométricas apresentam simetria na composição, referindo-se ao estilo francês do jardim de entrada da residência. Suas bordas, realizadas com alvenaria de tijolos, possuem revestimento em massa de cimento imitando texturas de troncos de árvores.

    Após a última construção, referente à área de serviço, tem-se um pátio e, no limite dos fundos do lote, a parte edificada utilizada na época como cocheira. Esta, possui recuo lateral em um dos lados, fechado com gradil simples em ferro e cobertura com duas águas. Sua fachada, voltada para a rua Gonçalves Chaves, não possui elementos decorativos, tendo somente uma ampla porta de abrir com duas folhas em madeira, bandeira envidraçada e verga reta.

    Como pormenores decorativos existentes na edificação, destacam-se, além dos diversos elementos estucados na fachada, as colunas decoradas, a grande escadaria em mármore com formato sinuoso em “U”, guarnecida de corrimão em ferro artisticamente trabalhado, com suas hastes com figuras de leões, carrancas e grandes contas. A fonte executada no jardim de entrada, com seu tanque apresentando a forma de uma concha, possui como elemento principal um putto segurando um peixe pela cauda. E ainda, as seis esculturas portuguesas em faiança (agricultura, comércio, indústria, artes, e dois exemplares representando a gratidão) originárias da Fábrica de Cerâmica e de Fundição das Devesas. 

    ALVES, Fábio Galli. Decorações murais: técnicas pictóricas de interiores. Pelotas/RS (1878-1927). 2015. 186f. Dissertação (Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural) - Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural, Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2015.

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    1879 - Construção da edificação para moradia de Leopoldo Antunes Maciel, 2º Barão de São Luís.

    1955 - Em 13 de outubro, em um carta formal de partilha, o prédio foi herdado por Candida Moreira Maciel à Otília Maciel de Albuquerque Barros, casada com José Júlio de Albuquerque Barros (filho do Barão de Sobral), prefeito de Pelotas no período de 1938 a 1945.

    1980 - O Casarão deixou de ser residência da família Antunes Maciel em meados do século XX e passou a ser utilizado, em 1980, pela Prefeitura Municipal de Pelotas e posteriormente pela Fundapel - Fundação cultural de Pelotas - , criada pela lei municipal 2602/80,abarcando as casas 2 e 6. 

    2005 - 2006 - Foi desapropriado pela Prefeitura, pela lei 5250/06, sendo desocupação do prédio ocorrida no período de 29 de dezembro de 2005 a 17 de Janeiro de 2006.

    2008 - Eram herdeiros da edificação, Maria Martins Antunes Maciel, proprietária de ⅓ do imóvel,Regina Martins Antunes Maciel proprietária de ⅙  do imóvel e Carlos Martins Antunes Maciel proprietário de metade do imóvel. Esse último passou o imóvel a título de permuta ao Município de Pelotas, sendo a escritura lavrada no dia 17/04/2008. Foi solicitado a isenção de IPTU, por ser imóvel do município.

     

    Leopoldo Antunes Maciel (1850 – 1904), junto ao seu irmão Francisco Antunes Maciel, pertencia a uma rica e influente família, participante ativa da vida política da cidade, nas últimas décadas do século XIX. Formou-se na Academia de Direito de São Paulo, em 1870, tendo como companheiros Ruy Barbosa, Rodrigues Alves e Afonso Pena. Foi-lhe concedido o título de Barão de São Luís, em 1886.

    Em Pelotas, atuou como presidente do Centro Abolicionista e prestou valiosos serviços à Biblioteca Pública Pelotense e ao Asilo de Órfãs Nossa Senhora da Conceição. Como vice-presidente da Província, no ano de 1882, ordenou obras de desobstrução do canal São Gonçalo, e em sua gestão à frente da Câmara de Pelotas (de 1878 a 1881), além de outras obras de igual valor, encomendou a construção do prédio da Prefeitura.

    Processo de tombamento nº 925-T-1975.

    Livro Arqueológico, Etnográfico, e Paisagístico, Inscr. nº 70, de 15/12/1977.  

    Segundo o Ofício de 12 de agosto-88/2006, as casas 06 e 08 foram integradas ao convênio nº392/2002, firmado entre a Prefeitura Municipal de Pelotas e o Ministério da Cultura, Programa Monumenta e destacadas como imóveis privados, tombados a nível federal e aptos a receber financiamento para recuperação e preservação.   

    Nesse momento, os proprietários foram notificados pela Procuradoria Geral do Município para as negociações de permuta e posse pública.

    Coordenação: Annelise Costa Montone e Ana Pessoa (FCRB)

    Texto: Annelise Costa Montone; Carina Farias Ferreira; Clarissa Martins Neutzling; Janaína Vergas Rangel ; Letícia Quintana.

    Fotografias: Annelise Costa Montone; Carina Farias Ferreira; Clarissa Martins Neutzling.

    Plantas: Acervo administrativo da Prefeitura Municipal de Pelotas e Clarissa Martins Neutzling.

    Apoio: Sávia Pontes Paz (Faperj, FCRB)

    Programa geral, tipologia e planta 

    O casarão do Barão de São Luiz é uma residência com três pavimentos. O porão e o térreo possuem a mesma disposição composta por uma planta retangular com duas subtrações, sendo estas no acesso principal e no jardim central. Há também uma adição, na direção sudeste, de um anexo também retangular, porém em menor dimensão. O segundo pavimento é composto por uma planta quadrada, com dimensões menores que os outros dois pavimentos. A cobertura é composta por telhas cerâmicas do tipo capa e canal com disposições de três e duas águas e fechamento externo com platibanda e interno com beiral.

     

    Piso Porão - (- 01)

    O porão, não habitado, tem o pé direito alto, tijolos aparentes e faz parte de todo o corpo da casa. Sua função é estrutural e de contenção da umidade ascendente, através da ventilação cruzada que ocorre por meio das gateiras. No mesmo nível do porão também se localiza a edícula, com fachada direcionada para a rua Gonçalves Chaves, e que em sua origem foi usada como cocheira.

     

    Piso térreo – 0

    A disposição da planta térrea do casarão desempenhava funções plurais da família, que mantinha a prática do século XIX em dividir as áreas em social, privada e funcional. A distribuição desses zoneamentos se situa no pátio central, com caminhos e canteiros com vegetação. 

    A área social da família se concentra na ala sudoeste e na ala central, localizada entre o jardim de acesso principal e o jardim central da residência. Os cômodos que compõem essa área são as diversas salas de estar, a sala de jantar e o escritório localizado no ambiente mais próximo do acesso principal, possivelmente para transações comerciais e pagamentos de pessoas, por exemplo. O espaço íntimo da família é concentrado na ala nordeste do casarão, composto por quartos, saletas e banheiros. Alguns ambientes íntimos de refeições, como a sala de almoço da família, se encontram na ala sudeste. A área destinada ao serviço é localizada na ala leste e aos fundos do terreno e os cômodos que integram esse setor são duas cozinhas e dois banheiros.

     

    Piso segundo pavimento - 01

    O segundo pavimento é destinado integralmente para a área íntima. Sua disposição é composta por uma sala, quartos, banheiro e uma sacada orientada para a fachada principal. 

    Pavimento térreo, divisão 02 - Escritório

    O teto estucado deste ambiente, possui traçado orgânico com frisos sinuosos que emolduram todas as seções existentes, como as do centro, das laterais e dos cantos. A decoração central possui finos caules e folhas de acanto, com caules entrelaçados, como se estivessem amarrados. Apresenta simetria em relação aos dois eixos. Nos quatro cantos emoldurados, tem-se ornatos de encher remetendo à flora. Dois possuem ramos de acanto e frisos, enquanto nos outros observam-se putti modelados em meio corpo que surgem de acantos estilizados 

    As laterais maiores apresentam rosetas e molduras orgânicas que encerram elementos de encher que seguem um arranjo rendado. Este padrão pode ser visto também nas laterais menores. Entre essas seções, frisos sinuosos definem outras áreas orgânicas, cujas superfícies são lisas. Já no rodaforro foram utilizados frisos lineares de forma contínua e ornamentos de folhas de acanto.

     

    Pavimento térreo, divisão 03 - Sala de Jantar

    Ao longo do teto em estuque tem-se a união de padrões fitomorfos e antropo-zoomorfo, onde a setorização dos ornamentos é bem definida com seções emolduradas e interligadas por frisos sinuosos, lhe conferindo um traçado orgânico.

    Sua decoração central, onde se projeta a luminária, possui moldura circular dupla, sendo uma delas ornamentada internamente com folhas de acanto entrelaçadas por meio de sobreposições espiraladas. Ao redor, observam-se arranjos vegetais que criam simetria ao se repetir. Dessa forma, partindo do elemento central, tem-se uma moldura composta por um grupo de frisos curvos, finalizados nas quatro pontas com a representação de pratos com frutas, que antecedem um arremate lateral composto por frisos, dentículos, óvulos, folhas de acanto e "cornijas". 

    Nas quatro extremidades do forro, tem-se medalhões de canto com formato irregular e diferentes motivos, sendo arrematados por frisos duplos (sendo um preenchido por folhas de acanto). No centro de cada medalhão tem-se algo que se assemelha a um brasão oval ladeado por folhagens dispostas de forma orgânica e sinuosa, lembrando rocailles. O interior de um dos modelos de brasão oval, indica o uso do cômodo como sala de jantar, com representação de um prato com peras, uvas, figos, nozes e folhas de videira, enquanto o outro se destaca pelas três figuras centrais de caça - coelho, galinha e pato. Ambos estão finalizados em sua parte inferior com uma cabeça de felino coroada por uma grande folha de acanto. 

    O rodaforro é composto por frisos lineares e contínuos, intercalados com mísulas adornadas com folhagens, acanto e óvulos.

     

    Pavimento térreo, divisão 05 - Sala

    Neste forro, como elemento principal, tem-se uma grande moldura dupla retangular, com seu interior decorado com ornamentos de encher. Em suas laterais tem-se, em relevo suspenso, rosetas, enquanto no centro observa-se um florão,

    Os quatros cantos do teto possuem ornamentação idêntica composta por folhas de acanto curvas, com hastes entrelaçadas sobrepostas e espiraladas. Já as laterais maiores e menores apresentam molduras sem preenchimento. Por fim, o rodaforro é composto de cimalha linear e contínua, intercalado com folhas de acanto estilizadas.

     

    Pavimento térreo, divisão 01 - Varanda de acesso

    Na varanda de acesso à residência, os fustes das colunas que sustentam os arcos plenos receberam imitações de mármore de fundo rosa com veios brancos. Já as paredes apresentam escaiolas com cores diversas. A parte superior, com fundo branco e veios em azul claro, é emoldurada por um friso em estêncil em azul escuro, estando essa mesma cor nas bordas dos retângulos verticalizados e chanfrados nos cantos. Dividindo os painéis superior e inferior, tem-se um friso em estêncil com motivos fitomórficos em marrom. A parte inferior é decorada com retângulos verticalizados, emoldurados por frisos em forma de corda, que encerram as simulações de mármore com fundo branco e ramificações em tons de vermelho e azul. O rodapé estucado foi pintado na cor laranja.

     

    Pavimento térreo, divisão 03 - Sala de jantar

    Neste cômodo, as escaiolas revestem as superfícies murais, sendo a decoração repetida em todas as paredes. Retângulos verticalizados, de diferentes tamanhos e chanfrados nos cantos, delimitam fingidos de mármore com fundo branco e veios em cinza. Suas bordas são feitas por frisos de estêncil que exploram a cor laranja, ocre e preto. A área externa ao redor dos retângulos imita o mármore branco com veios esverdeados.

     

    Pavimento térreo, divisão 05 - Sala

    Percebe-se o pano superior da escaiola dividido em retângulos verticalizados com chanfrados nos cantos. O primeiro é preenchido com uma faixa imitando mármore de fundo branco com veios em rosa. Enquanto no seu interior, linhas duplicadas na cor marrom delimitam uma outra área preenchida com fundo branco e ramificações em tons azuis.O pano inferior, com fundo branco e veios em azul, rosa e laranja, possui retângulos horizontais, cujos veios são laranja e marrom. Esses possuem cantos chanfrados e frisos imitando corda.Entre os panos superior e inferior, há um friso em estêncil com elementos em corda e fitomórficos.O rodapé em estuque foi pintado com um ocre escuro.

     

    Pavimento térreo, divisão 06 - Corredores sul

    Nesta área, a técnica da escaiola preenche por inteiro as superfícies murais. Na parte superior estão simuladas placas de mármore branco com estrias em tons de laranja e marrom, dispostas de maneira desencontrada e unidas com junta seca. Já na superfície inferior, separada da anterior por uma linha preta, tem-se uma larga faixa com fundo branco e veios pretos, onde, em alguns locais, estão inseridos retângulos horizontais chanfrados nos cantos e preenchidos com fundo branco e nervuras em rosa e marrom. O rodapé, executado em estuque, recebeu pintura na cor marrom.

     

    Pavimento térreo, divisão 06 - Corredores norte

    O pano superior apresenta um retângulo horizontal chanfrado nos cantos, em que o fingido de mármore possui fundo branco com veios em laranja bem diluído e em alguns pontos tom ocre. Nessa parte, há uma moldura com friso  em estêncil de cor marrom, com motivos fitomórficos com o entorno em fundo branco e tons de bege; simulação de placas de mármore dispostas de maneira desencontrada e unidas com junta seca; e diversos retângulos em sentidos e tamanhos variados, centralizados na área que ocupam entre as portas e janelas, com o efeito marmorizado dado pelo fundo branco com veios em cinza, emoldurados por frisos geométricos chanfrados nos cantos.

    A divisão para o pano inferior é realizado por friso horizontal com motivos florais, reforçados por linhas horizontais em tons claros e escuros do ocre; por uma larga faixa simulando o mármore branco com veios pretos, que emoldura um quadro de fundo branco e nervuras em tons de ocre; e por frisos em tom azul escuro, nos quais se insere uma sequência de pérolas que divide os dois panos.

    Já no pano inferior, tem-se um retângulo que explora motivos geométricos,com interior preenchido com fundo branco e veios em bege e azul e ao redor um fingido de mármore branco apresenta ramificações em laranja; losangos duplicados e decorados com simulações de mármore de fundo branco e ramificações em preto, inseridas em fingidos de mármore de fundo branco com estrias em tons de ocre mais escuro; e fingido de mármore com fundo branco e veios em ocre, com retângulos horizontais dispostos em branco e azul, com  borda da figura geométrica feita por uma linha traçada com estêncil em azul escuro.

    Pavimento térreo, divisão 09 - Cozinha

    A técnica da escaiola foi utilizada somente na área acima do revestimento de azulejos. Repetindo-se em todas as paredes, simulam placas desencontradas unidas por uma junta seca, em mármore branco com sulcos em cinza.

     

    Pavimento segundo, divisão 04 - Banheiro

    Neste cômodo, a técnica da escaiola se encontra em todas as paredes. No pano superior foram realizados fingidos de mármore de fundo branco com veios em cinza. Demarcando a seção superior e inferior, existe uma faixa realizada em estêncil com ornamentos geométricos, cujos limites são demarcados por uma sequência de pérolas. Já o pano inferior é seccionado em retângulos que fingem azulejos. Junto ao rodaforro, uma faixa decorada em estêncil utiliza motivos fitomórficos e arremata o conjunto decorativo.

     

    Pavimento térreo, divisão 09 Cozinha

    Os azulejos franceses revestem meia parede da antiga cozinha, sendo estampados com uma composição de molduras com quatro lados retos e os demais chanfrados com leve curvatura, de tonalidade azul, destacando o centro vazio na cor branca. Nas laterais possuem detalhes, que em um conjunto de quatro azulejos formam um elemento decorativo floral central.

     

    Pavimento térreo, divisão 01, loggia de acesso

    O tapete é composto por oito desenhos diferentes nas cores branco, bordô, preto, areia, amarelo, azul-celeste, cinza e marrom divididos em duas molduras, um padrão floral em toda a extensão destacando três padrões ornamentais formado por uma tríade de tapetes menores. Ambos são emoldurados por dois frisos.

    O primeiro friso é composto por um peça com um desenho geometrizado de  losango azul com fundo quadrado na cor branca. Em seguida, há o segundo friso composto por duas peças. Uma delas tem o desenho de linhas a 45º graus intercalando nas cores branca e areia. O fechamento desse segmento é feito pela outra peça cujo o desenho de cruz com dois tons de marrom é sobreposto na junção de dois triângulos de tom areia. A borda desse ladrilho é feita por linhas escuras com pontos também na cor areia. 

    O tapete principal, repetido três vezes, é considerado um selo composto por seis peças. O arremate é a mesma descrição da peça com linhas a 45º graus delimitadas nas pontas com a peça em cruz. Já o interior desse selo é composto por uma grande mandala, com fundo na cor bordô, com três faixas circulares composta de trevos, pequenas flores e pequenos losangos e contendo as cores amarelo, marrom e branco. No núcleo do tapete é identificada uma figura floral branca. Fora da mandala, localizada nas pontas se observauma flor de lis com um trevo no seu miolo, as duas formas estão na cor amarela e o fundo da peça é preto. 

    O tapete secundário, base para o tapete principal, é composto por uma peça que forma uma flor amarela com pequenas flores na cor cinza entre as pétalas. Esse desenho é delimitado por uma faixa circular na cor azul ornamentada por pontos na cor branca. Nas extremidades há uma flor de lis amarela com fundo bordô. 

     

    Pavimento térreo, divisão 6. patamar da escada

    Esse tapete é composto por duas peças com motivo de bordado em ponto cruz em forma de hexágonos. O desenho é composto por uma flor amarela centralizada com seis representações de folhas na cor cinza. No friso há uma delimitação horizontal superior e inferior de duas linhas na cor vermelha. 

    Nesta região é possível identificar um ladrilho de uma única peça, localizado no parapeito e na escada, seu desenho é geométrico criado por círculos intercalados por quadrados de forma dinâmica e contínua. As cores são em azul com fundo branco.

     

    Pavimento subsolo

    Na entrada do porão, após a escada, há um único desenho de uma flor com miolo vermelho, pétalas na cor azul sobre um fundo amarelo emoldurado por um tipo de “bastidor para bordado”. As delimitações do bastidor são trapézios na cor azul e quadrados na cor vermelha, nas pontas. 

     

    Pavimento térreo, divisão 6, fim do corredor

    Formado pelo desenho de uma peça, esse ladrilho tem um motivo geométrico que remete a um caleidoscópio, sendo a forma proposta por seis peças nas cores azul, rosa, bordô, branco, amarelo, azul celeste e vermelho. No final da barra na cor bordô há uma espécie de bandeira branca com as extremidades, superior e inferior, na cor azul, sendo o seu fundo um quadrado também na cor bordô. No centro da barra há uma representação de uma hélice com losango vermelho e amarelo com as pontas da extremidade em azul e um fundo, de toda essa forma, em losango branco. O fundo da peça é na cor rosa.

     

    Pavimento térreo, divisão 8, varanda

    O motivo do ladrilho é geométrico com sobreposição de quadrados nas cores branco, vermelho, amarelo e azul.

     

    Pavimento térreo, divisão 9, cozinha

    Esse ambiente é composto por um piso com dois desenhos de ladrilho que se complementam. Uma peça, mais simples, tem um quadrado sem as pontas na cor amarela e triângulos nas extremidades na cor bordô. O outro ladrilho é feito por uma sucessão de triângulos na cor azul marinho, vermelho, bordô, branco e azul celeste centralizando um quadrado na cor bordô. 

    Há nesse ambiente um rodapé de ladrilho e o mesmo motivo em um friso delimitando o desenho anteriormente descrito. O desenho ilustra uma estrela azul celeste envolvida por um quadrado vermelho e este emoldura uma forma de seis pontas na cor amarela. A conexão dos ladrilhos é feita por linhas curvas. O fundo da peça é na cor verde com linhas superiores e inferiores em um tom mais escuro do verde.

     

    Pavimento térreo, divisão 9, cozinha

    No segundo ambiente da cozinha há dois ladrilhos com motivos de bordados em ponto cruz. O tapete é feito somente pelos hexágonos na cor branca, já a delimitação é feita por uma peça com uma flor vermelha, de miolo branco centralizada e linhas delimitantes também na cor vermelha.

     

    Pavimento térreo, divisão 10, banheiro

    O tapete é criado por um ladrilho na cor verde oliva com uma flor de pétalas em forma de coração, na cor branca, centralizada na peça. A margem do ladrilho é ornamentada por um quadrilátero com arestas quadradas na cor branca. 

    A borda desse ambiente é composta por um ladrilho com desenhos de cubos a 90 graus que sugerem uma tridimensionalidade. A paleta de cores é verde oliva, branco e marrom. 

     

    Pavimento térreo, divisão 10, banheiro

    No segundo banheiro há um tapete composto por um motivo geométrico de fundo branco com extremidades em pequenos triângulos na cor verde que junto com outra peça forma um quadrado rotacionado há 45 graus. A borda é delimitada por um ladrilho com meandros e duas barras (superior e inferior) na cor verde e fundo na cor branca.

     

    Pavimento térreo, divisão 12, jardim

    As peças são em corte hexagonal com padrão único de cubos com alusão tridimensional nas cores vermelho, amarelo e preto. A técnica é conhecida como opus sectile. 

     

    Pavimento térreo, divisão 6, corredor

    As peças nesse ambiente formam dois desenhos compostos de quatro peças cada um. O primeiro é um motivo decorativo de um escudo com interior na forma de um quadrado com lados abaulados e no seu eixo central saem mastros, em vermelho bordô, formando uma cruz, e nos eixos saem formas de flor de lis geometrizada, formando um ângulo de 45°, também na cor bordô. Essa forma é destacada por um fundo em forma de cruz com pontas em forma de lanças na cor azul celeste e amarela. No outro desenho há a alusão a um trevo de quatro folhas em que cada pétala tem a forma de uma "árvore" em dois tons de azul. No centro da peça se forma uma flor branca com miolo preto e fundo bordô delimitado por formas circulares na cor azul celeste e amarelo.

     

    Pavimento térreo, divisão 6, banheiro

    O tapete é criado por um ladrilho na cor verde oliva com uma flor de pétalas em forma de coração, na cor branca, centralizada na peça. A faixa que delimita o desenho principal é formada por três losangos na cor creme e fundo bordô com linhas superiores e inferiores na cor amarela, bordô e preta.

     

    Pavimento térreo, divisão 6, depósito

    O tapete é criado por um ladrilho na cor bordô com uma flor de pétalas em forma de coração, na cor bege, centralizada na peça. A faixa que delimita o desenho principal é formada por três losangos na cor creme e fundo bordô com linhas superiores e inferiores na cor amarela e vermelho bordô.

     

    Pavimento térreo, divisão 8, clarabóia

    O desenho se trata de uma mandala circular com linhas nas cores marrom, rosa e branco, centro é composto por folhas de acanto na cor amarelo queimado. As folhas formam em seu centro uma forma circular na cor rosa. O tapete é delimitado por uma faixa horizontal com o desenho inferior de uma espécie de brasão criado a partir de uma flor de lis, com as pétalas laterais bem abertas, na cor vermelho bordô, e, na parte superior, há linhas semicirculares, na cor amarelo queimado, dando continuidade a uma moldura nas laterais, que centraliza uma outra flor de lis, mais simples, também na cor vermelho bordô e com fundo na cor rosa. 

     

    Pavimento térreo, divisão 8, balcão

    Esse ambiente é composto por ladrilhos com a técnica opus sectile e as formas presentes no desenho são quadriláteros a 90 graus em duas cores, vermelho e branco com fundo cinza. A peça é delimitada por linhas nessas três cores.

     

    Segundo Pavimento, divisão 04, banheiro

    No banheiro  do segundo pavimento, há um tapete composto por um motivo geométrico de fundo branco com extremidades em pequenos triângulos na cor verde que, junto com outra peça, forma um quadrado rotacionado a 45 graus. A borda é delimitada por um ladrilho com meandros e duas barras (superior e inferior) na cor verde e fundo na cor branca.

     

    Segundo Pavimento, divisão 05, balcão

    O tapete é criado por um ladrilho na cor bordô com uma flor de pétalas em forma de coração, na cor branca, e emoldurada por linhas duplas que se cruzam nos eixos diagonais.

     

    ttt
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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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