Filtrar

    Fazenda Flores do Paraizo

    Fazenda Flores do Paraizo
    Fazenda do Paraizo
    XIX
    Brasil
    Rio das Flores, RJ
    -22.09599
    -43.56133
    COM_CCK_hhh

    A Fazenda Flores do Paraizo (atual Fazenda do Paraizo) localiza-se em área rural do município fluminense de Rio das Flores, com acesso pela rodovia RJ-145. A propriedade situa-se no distrito denominado Manuel Duarte que, às margens do Rio Preto, que faz divisa com o estado de Minas Gerais.

    A paisagem é marcada pelos morros erodidos devido ao cultivo cafeeiro, permeados por pequenos trechos de mata. Um córrego percorre a propriedade, que conta também com aqueduto junto ao engenho remanescente. Restam ainda do período cafeeiro a enfermaria de escravos, tulha, depósitos e vestígios de dois terreiros, cercamento em pedra com gradil em ferro, bem como antiga estação da estrada de ferro no acesso à propriedade. As demais construções foram erguidas no século XX para atendimento da atividade pecuária. 

    O acesso à casa-sede é marcado pela aleia de palmeiras imperiais, que parte do portão e conduz ao eixo central onde localiza-se a porta de entrada, enfatizando simetria da construção e oferecendo um tom majestoso ao conjunto.

    O grande sobrado que abriga a casa-sede, com cerca de dois mil metros quadrados, apresenta formato em “U”. O corpo principal, voltado para a frente, possui maiores dimensões em largura e profundidade. Os corpos laterais que formam o “U” voltam-se para os fundos e são mais estreitos. A construção é encimada por telhado de telha cerâmica com beirais aparentes.

    Tanto sua volumetria quanto sua planta e fachada guardam semelhanças com os solares urbanos do período (LUZ, 2004).

    A fachada principal, voltada a nordeste, é marcada por três módulos. O módulo central, composto por três vãos de esquadrias, possui no pavimento inferior uma porta central, mais alargada e com verga em arco abatido, que é ladeada por outras duas portas com vergas em arco pleno. No pavimento superior três portas com verga em arco pleno abrem-se para balcões com gradil metálico. Os módulos laterais, tanto no pavimento inferior como no sobrado, são compostos por seis vãos de janelas com vergas retas encimadas por ornatos.

    “Essa fachada simétrica possui rica ornamentação com obras de cantaria, serralheria e marcenaria, com referências ao barroco português (Palácio dos Duques de Aveiro, em Setubal e Casa da Fidalga, em Carregal do Sal), o que traz para esse edifício um gosto que mais se aproxima do ecletismo.” (LUZ, 2004).

    Nas fachadas laterais e de fundos, as esquadrias são em verga reta, sendo as janelas com caixilharia em guilhotina envidraçada e sem ornamentos. Um extenso corredor com marquise em ferro nas extremidades liga as fachadas laterais direita e esquerda no pavimento térreo, através do qual também é possível acessar a parte interna da edificação. 

    Jardins

    O ajardinamento do entorno da casa-sede é composto por gramado, arbustos e diversas árvores de grande porte. Junto à fachada frontal, abre-se um largo que possui um pequeno lago com escultura. O largo fecha-se então para o duplo renque de palmeiras que ladeiam a estrada de chão batido, conduzindo ao portão de entrada da fazenda.

     

    CARVALHO, Fábio. Azulejos antigos no Rio de Janeiro: Fazenda do Paraizo. Disponivel em: <http://azulejosantigosrj.blogspot.com/2016/11/rio-das-flores-rj-i-fazenda-do-paraizo.html>.

    INEPAC. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Instituto Cidade Viva, 2008-2010.

    LUZ, Maria de Lourdes de Oliveira. As fazendas de café do vale do Paraíba fluminense - século XIX: testemunhos arquitetônicos construtores da história. Tese (Doutorado em História e Teoria da Arte). Rio de Janeiro: UFRJ, 2004.

    MARQUESE, Rafael de Bivar. Revisitando casas-grandes e senzalas: a arquitetura das plantations escravistas americanas no século XIX. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, v. 14, n. 1, p. 11–57, 2006.

    TELLES, Augusto C. da Silva. O Vale do Paraíba e a arquitetura do café. Rio de Janeiro: Capivara, 2006. 

    1843 - Domingos Custódio Guimarães (futuro barão e visconde do Rio Preto) adquire a Sesmaria das Flores onde constrói a sede da fazenda, concluída dez anos depois, em 1853;

    1868 - com a morte do visconde, a fazenda fica para a viúva, viscondessa do Rio Preto;

    1873 - Domingos Custódio Guimarães Filho (2º barão do Rio Preto) herda a propriedade;

    1876 - morre o 2º barão do Rio Preto. A fazenda fica com os herdeiros até 1895, quando é vendida para outra família, com a qual permanece até os dias atuais.

     

    Domingos Custódio Guimarães (visconde do Rio Preto)

    Nasce em São João del Rei em 1802. Sua fortuna tem origem na década de 1820 com o tráfico de escravizados e com o abastecimento de carne para a Corte, através da Companhia Mesquita e Guimarães. Após desfazer a sociedade, investe o lucro na compra de terras e no plantio de café no vale do Rio Preto, adquirindo a Sesmaria das Flores em 1843, onde construiria sua principal fazenda, a Flores do Paraizo. Possuía casas urbanas em Rio das Flores e um palacete em Valença. Recebeu o título de barão do Rio Preto em 1854 e visconde do mesmo nome em 1867.

    Criou o ramal da Estrada da União e Indústria denominado Paraibuna/Porto das Flores, também conhecido como “Estrada das Flores”. Inaugurado em 1868, o ramal ligava a Flores do Paraizo à estação de mudas de Paraibuna. O visconde do Rio Preto falece na cerimônia de inauguracão deste ramal, no vestíbulo da fazenda.

    Partilha Amigável de bens do visconde do Rio Preto, 1869. [Trecho relativo à Fazenda Flôres do Paraizo]. Fonte: Museu da Justiça – Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Processos da Nobreza Brasileira, Acervo Textual. Cx. 1695/16097, fl. 11-26. Mídia AP_016097.

    Partilha amigável de bens da viscondessa do Rio Preto, 1873Fonte: Museu da Justiça - Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Processos da Nobreza Brasileira, Acervo Textual. Cx. 2800/16989. Mídia AP_016989.

    Inventário do 2º Barão do Rio Preto, 1876Fonte: Museu da Justiça - Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Processos da Nobreza Brasileira, Acervo Textual. Cx. 2828/Rg. 015637. Mídia AP_015637.

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB);

    Texto e edição: Francesca Martinelli (PCTCC/FCRB);

    Fotografias: Lourdes Luz, Ana Lucia V. Santos, blog Fazendas Antigas e Inepac.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    Os dois pavimentos do sobrado possuem os cômodos distribuídos em formato de "U". A entrada principal se dá pela fachada noroeste, através do hall onde situa-se a escadaria que leva ao pavimento superior. Tanto no pavimento inferior quanto no superior, o cômodo onde situa-se a escadaria se interliga a salões que dão acesso aos cômodos das extremidades posteriores da edificação.

     

    Piso 0

    O hall de entrada, de onde parte a escadaria para o pavimento superior, é ladeado por salões com alcovas, conformando parte principal da área social da casa. A partir dos salões das extremidades, é possível acessar os corredores que levam para as duas alas perpendiculares da casa. A ala esquerda abriga uma sequência de quartos arrematados pela capela de pé-direito duplo. A ala direita abriga os cômodos de serviço e a cozinha. Entre uma lateral e outra do pavimento térreo, há um grande corredor que dá acesso a uma sequência de alcovas e outros pequenos cômodos com janelas.

    Piso 1

    O pavimento superior, acessado pela escadaria que inicia no hall, direciona a um dos cinco salões que situam-se na parte frontal do sobrado. A partir deste cômodo, é possível acessar diretamente a grande sala de jantar voltada para os fundos, que também interliga-se à área íntima através de portas laterais que levam aos corredores de cada uma das alas perpendiculares.

     

     

    Piso 0, divisão 1, Hall de entrada

    Ladrilhos sextavados de cimento com motivos azuis e vermelhos, em desenho largamente utilizado na Bélgica e na França no século XIX.

    Piso 0, divisão 45, Cozinha

    Paredes revestidas a meia-altura com azulejos com padronagem holandesa conhecida como "Estrela de Hamburgo", arrematados com cercadura também de padronagem holandesa em estilo de "laço".

     

     

     

    Piso 0, divisão 1, Hall de entrada

    Pintura parietal em quadros com borda frisada e marmoreio com motivo arabesco no centro. Na transição para o segundo pavimento, os quadros são encimados por barra em motivo arabesco.

    Piso 0, divisão 6, Circulação

    Pintura parietal composta por marmoreio verde e branco, dividido a meia-altura por barramento com frisos e motivos florais em azul e branco.

     

    Piso 1, divisão 7, Circulação

    Pintura parietal composta por marmoreio verde e branco, dividido a meia-altura por barramento com frisos e motivos florais em azul e branco.

    Piso 1, divisão 16, Sala de Jantar

    Sala de jantar com pintura mural decorativa da segunda metade do século XIX de autoria do pintor decorador catalão José Maria Villaronga. A composição pictórica que se estende do rodapé até o teto, reúne temáticas variadas como o trompe l’oeil de objetos, gêneros alimentícios, cenas e uma grande paisagem da baía de Guanabara. Todos os painéis são arrematados na parte inferior por barramento filetado e elementos em marmoreio.

     

     

     

     

    Piso 0, divisão 2, Salão

    Papel de parede policromado em tom claro com motivos geométricos e florais, encimado por barramento em guirlanda com medalhões e motivos florais.

     

     

    Piso 0, divisão 3, Salão

    Paredes revestidas com papel de parede policromado acima do silhar amadeirado. O papel, em tons escuros, possui barramento de arremate nas bordas superior e inferior.

     

    Piso 1, divisão 1, Salão

    Paredes revestidas com papel de parede policromado em tons claros e motivo floral.

     

    ttt
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

    Please publish modules in offcanvas position.