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    Casa do Capitão-Mor

    Casa do Capitão-Mor
    Solar Imperial, Hotel Sant' Ana
    XVIII
    1798
    Brasil
    Areias - SP
    -22.5804314
    -44.6975009
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    A Casa do Capitão-Mor, atualmente conhecida como Hotel Sant’Ana, localiza-se em Areias, cidade do Vale do Paraíba Paulista que teve seu povoamento iniciado em 1765, se erigindo entre os Rios Itagaçaba e Vermelho. Em 1784 se torna Freguesia, recebendo o nome de Sant’ Ana das Areias. Em 1816 é elevada à categoria de Vila, passando então a ser denominada de São Miguel das Areias.  A intensificação do povoamento desse território ocorreu devido a finalização da construção do Caminho Novo da Piedade, em 1778.  

    Nesta época, a produção aurífera se encontrava em declínio em Minas Gerais, atraindo muitas famílias para a região do Caminho Novo em busca de novas oportunidades nas terras virgens existentes naquelas paragens. Atrelado a isso, o governo promovia diversos incentivos para a migração, entre eles a doação de terras. Nesse cenário, Areias se torna uma das primeiras cidades a desenvolver o plantio do café, vivenciando seu auge por volta da metade do oitocentos e experimentando um rápido crescimento urbano e econômico que possibilita o surgimento de opulentas construções na região. Com o declínio da produção do café no final do século XIX, a cidade entra em estagnação.  

    A edificação foi construída em 1798, se destacando no contexto histórico por ter sido uma das residências onde D. Pedro I se hospedou durante sua viagem à província de São Paulo em 1822, que culminou na Independência do Brasil. A fachada principal do sobrado é voltada para a Rodovia dos Tropeiros, em frente a Praça Nove de Julho e ao lado da Igreja Matriz de Sant’Ana.

    A edificação é um sobrado situado na testada do lote, sendo estruturado por dois pavimentos inteiros e por uma camarinha na parte mais elevada. O telhado do primeiro pavimento é ligado ao telhado do sobrado vizinho e é composto por diversas águas. Apesar disso, segundo o IPHAN, há indícios na cobertura que evidenciam que a Casa do Capitão-Mor já foi uma construção independente, unida posteriormente ao outro sobrado. A camarinha possui cobertura em quatro águas. As telhas são de barro, do tipo capa, sendo arrematadas na fachada frontal por cornijas que escondem os caibros e nos fundos, há cachorros sustentando os beirais.

    A construção é em taipa de pilão e em pau a pique, tendo sido incorporadas internamente algumas divisórias de alvenaria para subdividir os salões em quartos e banheiros, modificações necessárias para a adaptação da edificação em Hotel. Externamente, a construção preserva sua total integridade.

    A fachada frontal é marcada pela presença de sete vãos no pavimento térreo, sendo seis janelas e uma porta, por onde se acessa a casa.  Um corpo lateral direito se une à edificação no térreo, porém não tem continuidade no próximo nível. No primeiro pavimento destacam-se cinco janelas de rasgo que se abrem para balcões isolados, com guarda-corpos de ferro, vazados. Todas as esquadrias são compostas por folhas de abrir de vidro e bandeiras, tendo vergas e sobrevergas alteadas.  No térreo e na camarinha as janelas são duplas, possuindo internamente folhas de madeira na cor verde.

    As fachadas dos fundos da edificação mantêm as esquadrias com vergas alteadas, porém não possuem sobrevergas, tendo um menor apelo estético. O primeiro pavimento é marcado pela presença de janelas de rasgo com balcão entalado. Os beirais são sustentados por cachorros com entalhamento em madeira, afastando os planos verticais das águas da chuva.

    LEMOS, Carlos. Casa Paulista. São Paulo: EDUSP, 1999.

    TOLEDO, Francisco Sodero. Estrada Real: Caminho Novo da Piedade. Campinas, SP: Editora Alínea, 2009.

    1765 - A atual cidade de Areias tem seu povoamento iniciado, sob o nome de Santana do Parnaíba Nova.

    1778 - A construção do Caminho Novo da Piedade é finalizada.

    1784 - Areias se torna Freguesia, recebendo o nome de Sant’ Ana das Areias.

    1798 - A Casa do Capitão Mor é construída.

    1816 - Areias é elevada à categoria de Vila, passando então a ser denominada de São Miguel das Areias.

    1822 - D. Pedro I pernoita na Casa do Capitão Mor, dias antes de declarar a Independência do Brasil.

    1888 - A residência é palco de uma das últimas festas da monarquia, recebendo a princesa Isabel e seu marido, o Conde d' Eu. 

    1982 - A Casa do Capitão Mor é tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico)

    Plantas baixas com as intervenções arquitetônicas realizadas para adaptação da Casa do Capitão Mor em Hotel.

    Processo nº 21699/81 : "Estudo de Tombamento da Casa do Capitão Mor, situada à Rua Comendador Sampaio n° 4 e da casa n° 5 da mesma rua citada - Areias". (CONDEPHAAT)

     

    Cortes, Fachadas e Perspectivas da Casa do Capitão Mor e da edificação vizinha.

    Processo nº 21699/81 : "Estudo de Tombamento da Casa do Capitão Mor, situada à Rua Comendador Sampaio n° 4 e da casa n° 5 da mesma rua citada- Areias" . (CONDEPHAAT)

     

    Fachada principal da Casa do Capitão Mor e do sobrado vizinho. Imagem extraída do livro "Casa Paulista", de Carlos Lemos.

     

    Casa do Capitão Mor, século XX. Autor e ano desconhecidos.

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2022.

    Pesquisa, texto e edição: Clara Albani Rezende (PCTCC/FCRB), 2022.

    Fotos: Guilherme Macedo, Cristiane Mayumi, Zé Ferreira Tour,  Guia do Vale do Paraíba, Trip Adviser, Google Maps.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A Casa do Capitão-Mor é um sobrado constituído de pavimento térreo, pavimento superior e camarinha, apresentando uma planta em “L”. A configuração atual dos ambientes internos não corresponde à disposição original dos cômodos, a planta sofreu alterações devido a transformação da residência em um Hotel. As intervenções ocorridas se limitam a inserção de paredes internas de alvenaria, compartimentando os grandes salões existentes em quartos para hóspedes. Entretanto, a partir da análise do forro do imóvel (que se encontra preservado) e do levantamento feito pelo Condephaat, foi possível recompor sua planta original. A reconstituição dos espaços foi feita por Carlos Lemos em seu livro “Casa Paulista".

     

    Piso 0, área comercial

    A edificação é acessada pelo térreo, através da única porta de entrada existente, voltada para a Estrada dos Tropeiros. Os ambientes virados para rua eram destinados ao comércio e os demais, integravam a residência. Adentrando o imóvel, vislumbrava-se originalmente um salão de entrada (1), que funcionava como loja e que atualmente dá lugar a um estreito corredor, tendo sido tal espaço subdividido em quartos. Em confluência com a extinta loja, encontra-se uma escada de madeira entalada, que conduz ao pavimento superior.  

     

    Piso 0, área íntima

    A parte dos fundos do pavimento térreo é ocupada por um grande salão (10), vizinho a uma pequena saleta, onde se situa uma capela com oratório de madeira (9).

     

    Piso 0, área de serviços

    Um corpo lateral, destinado ao setor de serviços, se liga ao salão e dá acesso ao quintal da propriedade, além de também guiar ao pavimento superior, através da escada existente nesta ala.

     

    Piso 1, área social

    O segundo pavimento pode ser acessado através de duas escadas existentes no térreo, uma localizada na parte frontal da edificação e outra situada na ala retangular lateral.  A primeira escada leva a um estreito corredor, que à direita conduz ao antigo salão da frente (14) e à esquerda conduz ao salão dos fundos (18). O salão de visitas, localizado na parte da frente da edificação, era um ambiente nobre, destinado à recepção de pessoas. Atualmente se encontra subdividido em diversos quartos.

     

    Piso 1, área íntima

    O setor íntimo se distribui a partir da sala dos fundos (18), ambiente mais reservado, que era destinada ao convívio da família. Através dele é possível acessar as três alcovas (15,16 e 19) e o quarto (20).

     

    Piso 2, área íntima

    No segundo piso está situada a camarinha, sendo tal pavimento composto apenas por um quarto, que segundo relatos, foi onde D. Pedro I dormiu durante sua estadia na casa.

     

     

    Piso 0, capela

    Piso 0, capela

    Piso de tabuado de madeira, com paginação em chevron. Forro em lambri de madeira com encaixe “saia e blusa” e com molduras no perímetro. Pequeno oratório de madeira instalado na parede, com pintura decorativa, sendo arrematado com um ornamento em formato côncavo disposto sobre ele.

     

    Piso 0, Salão dos fundos

    Piso de tabuado de madeira, com paginação em chevron. Forro em lambri de madeira com encaixe “saia e blusa” e com molduras no perímetro. Envasadura de volta inteira.

     

    Piso 0, Corredor de Entrada

    Piso de tábuas de madeira corridas. Forro em lambri de madeira com encaixe “saia e blusa” e com molduras no perímetro. Envasaduras de volta inteira ao final do corredor e no acesso à escada.

     

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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