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    Fazenda do Secretário

    Fazenda do Secretário
    XIX
    Brasil
    Vassouras – RJ
    -22. 40344
    -43. 55039
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    Construção situada em uma implantação estratégica, projetada sobre as rochas, junto ao despenhadeiro, com o vale se revelando na paisagem. 

    A fazenda originou-se de uma sesmaria concedida, em 1743, a Pedro Saldanha e Albuquerque. Assim que transferida a Bartolomeu Machado Ferreira e Manuel Gomes Leal, estes levantaram a primeira casa de residência, ainda modesta e que daria lugar mais tarde ao palacete. A denominação “Secretário” se deve a um dos seus donos primitivos, que, por longo tempo, foi secretário do governador da capitania.

    O grande senhor da fazenda foi Laureano Correia e Castro, Barão de Campo Belo, que construiu a casa e os jardins e que cobriu uma extensa área de cafezais, fazendo com que se tornasse a fazenda mais importante de Vassouras durante o ciclo do café.

    A edificação possui planta baixa em formato de “U”, composta por dois andares e caracterizada pela horizontalidade, ritmo constante e simetria das esquadrias. Sua base era formada por espessas paredes de pedra seca e o arcabouço estruturado em madeira, com o fechamento das paredes em pau a pique e o emprego de pilares de concreto armado na varanda externa.

    A fachada principal possui uma composição de 24 janelas e 2 acessos, um principal e outro à esquerda em porta de verga reta envernizada para a capela, voltados para um terreiro de café. Em cada extremidade superior há frontões triangulares que sobressaem abaixo do beiral pronunciado em balanço. Seus tímpanos são delimitados por frisos salientes de larguras diversas e dentículos e ornamentados ao centro por uma estrela inscrita em moldura circular em estuque.

    Na fachada lateral esquerda, encontra-se a capela com acesso na porta frontal, além de dois óculos e três janelas de folhas cegas. Atrás, uma escada que leva à sacristia e mais uma janela e dois óculos. Nos fundos, uma faixa pertencente ao porão baixo é revestida por hera com um acesso para a área de serviço, levada por um lance de escada em pedra. A porta é envidraçada de duas folhas, com guarda-corpo de taliscas de madeira, podendo ser compreendida, pela litografia de Victor Frond, o local de uma latrina ou cloaca. Na fachada lateral voltada para o vale, o primeiro pavimento tem acesso por uma varanda descoberta, sobre uma laje com pilotis estruturados nas rochas. Na iconografia (provavelmente da década de 1950), demonstra que a varanda se estendia até a face da fachada frontal.

    Na fachada frontal, o ritmo dos vãos e esquadrias revela que a penúltima janela do lado direito substituiu uma porta, ficando registrado na parede as bases em pedra de seus marcos. A porta central maior e mais detalhada que as outras, apresenta bandeira fixa em caixilho de vidro radial, cercaduras com ombreiras com bases em pedras ressaltadas e capitéis dóricos. Detalhe do frontão triangular embasado por cornijas denticuladas e com faixas de díglifos – uma variação de tríglifos inventados por Vignola. Nos fundos, abaixo das janelas da cozinha, existe um tanque em cantaria revestido com ladrilho de cerâmica, cujas bicas são antigas carrancas de leão.

    FALCI, M. B. e Melo, H. P. de (2012). A Sinhazinha Emancipada. Eufrásia Teixeira Leite (1850­‑1930). A Paixão e os Negócios na Vida de uma Ousada Mulher do Século XIX. Rio de Janeiro: Vieira & Lent Casa Editorial ltda, 168 pp.

    FORTE, José Mattoso Maia. Notícia histórica e descritiva de Vassouras: a Fazenda do Secretário. In: Braga, Greenhalg H. Faria (Org.). Vassouras de Ontem. Rio de Janeiro: Cia Brasileira de Artes Gráficas, 1975, p. 14–52.

    MASCARO, Cristiano. Fazendas do Império. Rio de Janeiro: Edições Fadel, 2010. 

    LOBO, Olivia Dulce.  Laura Congo e a familia escrava do barão do Tinguá: reflexões sobre a familia no Vale do Paraíba Fluminense (1830-1888). (Dissertação PPGH-Unirio. 2017)

    PIRES, Fernando Tasso Fragoso. Fazendas: As grandes casas rurais do Brasil. Rio de Janeiro: Abbville Press, 1995. p.43-6. 

    RIBEYROLLES, Charles. Brazil pittoresco [Livro] t. 1 : Historia, descripções, viagens, instituições, colonisação. Acompanhado por álbum de vistas, panoramas, paisagens, costumes, etc., etc. por Victor Frond. Rio de Janeiro, RJ : Typ. Nacional, 1859. 1º tomo.

    ROCHA, Isabel. Implantação e distribuição espacial e funcional da agro-indústria fluminense, Arquitetura do café – 1840/1860, in p. 60/2007

    ZALUAR. Emilio. A Fazenda Secretario. A Reforma: Orgão Democrático, n. 18,  24 janeiro 1873.

    Os Correa e Castro – A família tem origem na união, em 1874, do mineiro Pedro Correa e Castro (1846 – 1813), e Mariana das Neves Correa (1752 – 1836), viúva de comerciante, com quem tivera três filhos.  Pedro e Mariana tiveram seis filhos, quatro homens e duas mulheres, e foram proprietários da Fazenda Santo Antônio, na freguesia de Sacra Família do Tinguá. Em 1835, os irmãos Pedro, Laureano e Antônio adquiriram a fazenda de “Secretário Grande”, sendo que Pedro cedeu sua parte aos outros dois sócios, que a dividiram, dando origem a Fazenda Secretário, de Laureano e a Fazenda Cachoeira, de Antônio. 

    Laureano Corrêa e Castro — Barão de Campo Belo com titudo  concedido em 2 de dezembro de 1854 pelo imperador Pedro II, Laureano nasceu em 1790 na vila de Paraíba do Sul. Casou-se aos 30 anos com sua sobrinha, Eufrásia Joaquina do Sacramento Andrade, filha de sua meia-irmã Ana Esméria de Pontes França, casada com o capitão Cristovão Rodrigues de Andrade. No mesmo ano, foi o primeiro presidente encarregado da Câmara Municipal da vila de Paty do Alferes, em 1820, até que logo depois se mudou para Vassouras e comprou as fazendas do Secretário e São Francisco do Tinguá. Em 1833, a sede da Câmara Municipal foi transferida para Vassouras em que também também acabou sendo eleito. Se tornou coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Vassouras e Iguaçú, cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador da Ordem da Rosa. Teve importante participação na luta contra os escravos fugitivos na revolta de Manuel Congo em 1839. 

    Eufrásia Joaquina do Sacramento Pontes de Andrade – Baronesa  de Campo Belo, Eufrásia nasceu em 14 de agosto de 1799 na Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro e faleceu em 13 de março de 1873 em Vassouras. Era filha de Anna Esméria de Pontes França (meia irmã de Laureano Corrêa e Castro) e de Cristovão Rodrigues de Andrade. Casou-se em 1820 com seu meio tio Laureano Corrêa e Castro, fazendeiro em Pati do Alferes.

    Cristóvão Correia e Castro, filho de Laureano e Eufrásia, herdou a propriedade, e foi sucedido por Julio Correia e Castro, seu filho com Maria Candida Correa e Castro, que perderia a fazenda.

     

     

    1835 –  Os  irmãos Pedro, Laureano e Antônio adquiriram a fazenda de “Secretário Grande” em 1835 do antigo proprietário Capitão João Alves de Souza Guimarães. Após a cessão de Pedro de sua parte aos outros dois sócios, estes dividiram a propriedade em duas partes iguais, a Fazenda Secretário  para Laureano e a Fazenda Cachoeira para Antônio,

    1844 - Laureano Correa e Castro compra a Fazenda Secretário

    1854 – Laureano recebe o título de Barão de Campo Belo.

    1858 – A fazenda recebe a visita do fotógrafo Victor Frond e de Charles Ribeyrolles que escreveria sobre a visita no livro Brasil Pitoresco  com descrições da fazenda e seu proprietário, com ilustrações do fotógrafo.

    1861 – Falece o Barão de Campo Belo em Vassouras, deixando a fazenda como herança para sua esposa, Eufrásia Joaquina do Sacramento Andrade,  Baronesa de Campo Belo,  e seu filho Cristóvão Correia e Castro

    1873 – Falece a Baronesa do Campo Belo, a 13  de março, em Vassouras.

    1877 − Cristóvão Correa e Castro hipoteca a fazenda  ao Banco do Brasil para realizar melhoramentos, com pagamento previsto em 14 anos.

    1878 – Por ocasião da festa da padroeira da fazenda, Santana Mestra, Cristóvão recebe o conde d'Eu e princesa Isabel que, após sua partida, oferece um retrato seu com significativa dedicatória.

    1882 – Fernando Aldenhover publica anuncio oferecendo serviços de jardineiro, citando como referencia de sua longa pratica de profissao, onze anos de serviços na Fazenda Secretario (O Vassourense, 7 maio1882, p.4)

    1891 – Falecimento do seu filho Cristóvão Correa e Castro, deixando a fazenda para sua esposa D. Maria Cândida, e seu único filho, Julio Correia e Castro

    1905 – Renovação da hipoteca da Secretário ao Banco do Brasil

    1908 – O filho de Cristóvão Correia e Castro, Júlio Correia e Castro, perde a fazenda 

    1912 – É transferida pelo credor a Georges Payen, e sucessivamente pertenceria a Damphna Josephine Berthe Boogaests, Geraldo Rocha, Rural Colonização S/A.

    1952-86 – Pertenceu a Mario Kroeff que promoveu a divisão das terras pelos filhos, mantendo a casa, as benfeitorias e 15 alqueires geométricos de área.

    1986  – A fazenda é adquirida por Martha Brito, que se dedica à sua conservação.

    Descrição fazenda Secretário. FORTE, José Mattoso Maia. Notícia histórica e descritiva de Vassouras: a Fazenda do Secretário. In: Braga, Greenhalg H. Faria (Org.). Vassouras de Ontem. Rio de Janeiro: Cia Brasileira de Artes Gráficas, 1975, p. 14–52 

     

    Descrição da fazenda em artigo de Emilio Zaluar em  A Reforma.

    A Reforma, Orgão Democratico. Fundação Biblioteca Nacional: Hemeroteca Digital Brasileira. Cód.: TRB00043.0170, Label: 226440, Edição 00018, Sexta-feira, 24 de janeiro de 1873; Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/di%C3%A1rio-do-rio-de- janeiro/094170> , Folha 1 verso.

    "A casa de morada está em relação com a grandeza da lavoura. Os aposentos estão em harmonia com o tratamento dos donos, a ponto de fazer lembrar o confortavel aristocratico dos lavradores senhoreaes da Inglaterra.
    O engenho, os terreiros, as senzallas e os curraes estão dispostos em semi-circulo em torno da habitação principal, e são ainda hoje, com pouca differença, os mesmo que existiam, quando ha 14 annos visitamos, pela primeira vez, esssa propriedade e conhecemos o Sr. barão de Campo-Bello, cuja solicita amisade tão desvelado acolhimento nos fez.
    O que, porém, é novo, é o explendido jardim rematado pelos pomares e pela horta. Ahi se revelam uma direcção elevada e um gosto apurado. O actual proprietario trocando os codigos do direito e as formulas aridas da jurisprudencia pela enchada e pelas machinas agricolas, não esqueceu as idéas do bello bebidas nos estudos litterarios de sua juventude. Aquelle jardim é um templo de floricultura, é um sanctuario vegetal. Arvores, arbustos, trepadeiras, plantas, naturaes e exoticas, grammineas, caramachões, alêas e bosques de bambús, onde os viandantes, como os pastores de Florian, costumam encrustar as firmas nos rijos troncos, ruas areadas, cascatas, pontes rusticas, todo esse conjuncto deleita a vista e falla eloquentemente ao espirito. O util e o agradavel se acham aqui consorciados sem profusão na abundancia e sem mesquinhez na harmonia."

     

    No livro Brasil pitoresco, publicado em 1860, o escritor e político francês Charles Ribeyrolles descreveu detalhes da fazenda junto com as ilustrações de Victor Frond no ano de 1858.

    JACOTTET, Louis-Julien.Fazenda duSecrétario: Municipe de Vassouras (1).Paris [França]: Lemercier, Imprimeur-Lithographe, 1861. 1 grav., litografia, pb. Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br/sophia/index.asp?codigo_sophia=6790>. Acesso em: 17 jun. 2021

    JACOTTET, Louis-Julien. Fazenda du Secrétario : Municipe de Vassouras (2). Paris [França]: Lemercier, Imprimeur-Lithographe, 1861. 1 grav, litografia, pb. Disponível em: <http://acervo.bndigital.bn.br/sophia/index.asp?codigo_sophia=6791>. Acesso em: 17 jun. 2021.

     

    Ambas litogravuras da Fazenda do Secretário feitas a partir da fotografia de Victor Frond medindo 36 x 50 cm em perfeito estado de conservamento. As obras representam os fundos da casa sede, vacas leiteiras, cavalos e peões e, na outra, a imagem do cotidiano com carroças carregando o café, liteira puxada por cavalos, crianças e as lavadeiras no riacho.

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Pesquisa e edição: Sávia Pontes Paz (Pibic/FCRB) e Ana Claudia de Paula Torem (2021)

    Edição imagem: Sávia Pontes Paz (Pibic/FCRB).

    Fotografia: Isabelle Cury, 2020

    Programa geral, tipologia e planta

    A edificação, de forma em “U”, conta com dois pavimentos e um extenso jardim de inspirações inglesas e francesas, possuindo estatuetas e plantas podadas em formas ornamentais em variadas tonalidades. Na fachada sudeste, a porta de acesso principal é centralizada e ladeada por quatro janelas, dando acesso ao hall onde se encontra a escadaria de madeira.

     

    Piso 0

     
     
     

     

    Piso 1

     

    Piso 0, divisão 12 Sala

    Sala com pintura mural decorativa de temática romântica, datada aproximadamente de 1856/1857. Na zona nobre da parede principal, paisagem cênica tendo ao fundo o contorno da serra dos órgãos, e em primeiro plano, um grupo de cavalheiros em meio a rochedos naturais. Nas demais paredes, a composição se completa com a representação de vistas campestres, pontes, casarios, templos e uma cena típica do inverno europeu. Murais de autoria do pintor-decorador catalão, José Maria de Panella y Villaronga.

     

    Piso 1 , divisão 2 Sala de estar

    Salão de bailes com pintura mural decorativa datada aproximadamente de 1856/1857, com esquema de divisão parietal em duas seções, onde o silhar baixo é composto por sequência de painéis com delicada pintura marmorizada. A zona nobre superior é igualmente dividida em grandes painéis verticais, sendo onze deles guarnecidos de medalhões, cuja fina moldura mesclando enrolamentos em “C”, motivos florais, curvas e contracurvas semelhantes a motivos de nielle, é trabalhada com efeitos de sombra e luz. Cada medalhão contém, por sua vez, a representação pictórica de cenas clássicas da literatura e da ópera, como “Romeu e Julieta”, “Tristão e Isolda”, “O Vermelho e o Negro”, “O Guarani”, “Orgulho e Preconceito”, entre outros. Murais de autoria do pintor-decorador catalão, José Maria de Panella y Villaronga.

     

    Piso 1, divisão 8 Sala de música

    Pequena saleta contígua ao salão de bailes, cujas paredes receberam acabamento pictórico decorativo com painéis guarnecidos de motivos de diferentes emblemas, sendo estes, de instrumentos musicais, de cornucópias e instrumentos científicos, de fruteiros, guirlandas e instrumentos agrários. Murais de autoria do pintor-decorador catalão José Maria de Panella y Villaronga, datados aproximadamente de 1856/1857.

     

    Piso 1, divisão 15 Sala de jantar

    Sala de jantar com pintura mural decorativa de temática de gêneros alimentícios, datada aproximadamente de 1856/1857. A composição prioriza sequência de grandes painéis verticais, cujo interior é guarnecido de pintura em trompe l’oeil, representando uma espécie de mísula, coroada com cariátides que sustentam uma grande travessa repleta de alimentos. Cada painel apresenta um conjunto distinto, contendo frutas, carnes, peixes, bebidas, doces, compotas, além de objetos de uso cotidiano como bules, copos, garrafas, travessas, bandejas, sopeiras, e um floreiro. Todos os painéis são rematados com motivos de laçaria. Murais de autoria do pintor-decorador catalão, José Maria de Panella y Villaronga.

     

    Piso 0, divisão 1 Hall

    O acesso para o hall é feito através de uma escada em pedra lavrada com 3 degraus, emoldurada por duas estátuas em ferro fundido que portam luminárias circulares. Uma escadaria com dois lances simétricos, envernizada com corrimão em balaustrada torneada e acabamento com finas pinhas de cristal de Murano levam ao pavimento superior.

     

    Piso 0, divisões 2, 5, 6 e 7 Sala e alcovas

     

    Piso 0, divisão 3 Capela

    Localizada no lado esquerdo da planta do térreo, a capela possui acesso pela fachada frontal por uma porta de verga reta envernizada. Em seu interior, é possível notar altura dupla e um mezanino. Dois óculos em cada uma das laterais também fazem parte da composição e cumprem o papel de ventilação do ambiente.

     

    Piso 0, divisão 12 Sala 

     

    Piso 0, divisão 13 Sala verde

     

    Piso 1, divisão 1 Hall

     

    Piso 1, divisão 2 Sala de estar

     

    Piso 1, divisão 9 Quarto

     

    Piso 1, divisão 15 Sala de jantar

    Segundo José Mattoso Maia Forte, "A sala de jantar nobre era outra grande peça do palacete. Uma grande mesa estendia-se no sentido do comprimento. Rodeando-a e compondo os vãos de portas e janelas, viam-se 48 cadeiras, 4 aparadores e o relógio-armário, de dar corda por manivela, descendo os pesos à medida que a corda se desenrolava; grande pendula, tímpanos soando as horas e aos quartos."

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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