Filtrar

    Fazenda das Palmas

    Fazenda das Palmas
    XIX
    Brasil
    Engenheiro Paulo de Frontin - RJ
    -22.479240
    -43.644895
    COM_CCK_hhh

    A Fazenda das Palmas está situada na localidade de Barão do Amparo, próximo ao distrito de Sacra Família, parte do município de Engenheiro Paulo de Frontin. A localidade era importante devido ao entroncamento das estradas da Polícia (1817) e do Caminho Novo de Sacra Família do Tinguá (1750), aproveitada em parte pela Estrada do Rodeio. 

    A casa sede está instalada no trecho mais regular do terreno, que é caracterizado pela presença dos morros em forma de meia laranja ao fundo com abundante vegetação. No acesso principal se destaca a aléia de palmeiras imperiais que conduzem a residência. Ao lado direito da casa encontra-se um lago artificial construído na década de 1970. 

    A construção dessa fazenda data da primeira metade do século XIX, quando Bento Luiz Oliveira Braga fundou em terras de sesmaria de meia-légua em quadra.

    A casa está elevada do solo por porão habitável, o qual se acessa pela fachada posterior. Possui apenas um pavimento com a planta predominantemente quadrangular, acrescida de um pequeno trecho dando a forma de “L”. O telhado é em telhas cerâmicas tipo canal, com beiral com cornija simples, apenas o trecho do alpendre possui o beiral em cachorrada e forra em saia e camisa. Possui um pátio interno e outro pátio externo que configura o quadrilátero da casa. 

    A fachada principal é caracterizada pela simetria dos onze vãos. O acesso é realizado pela escadaria de pedra com dez degraus e guarda-corpo metálico, onde se cria uma varanda coberta pelo alpendre. A porta de entrada está centralizada e são dez janelas. Os vãos são em arco pleno, com moldura em massa com vergas ressaltadas por discretas sobrevergas. As janelas contam com esquadrias de madeira e vidro no sistema de guilhotina. O porão possui dois óculos para ventilação.

    As demais fachadas se caracterizam pela presença dos vãos em verga reta com folhas venezianas pelo lado externo e guilhotinas internas. Na fachada lateral esquerda se destaca a presença do alpendre com escadaria dupla de pedra e guarda-corpo metálico. O mesmo se encontra na fachada lateral direita, que está voltada para o pátio externo.

    O pátio externo é cercado por muros que são ornamentados com elementos em forma de compoteira com pináculos em louça e vasos em massa. Esse pátio está nivelado com a casa e para acessá-lo pelo lado externo existe uma escadaria dupla de pedra com guarda-corpo metálico. As janelas são em guilhotina, possuem externamente esquadrias de madeira pintadas de branco com caixilhos de vidro e bandeira fixa com vidros coloridos. E internamente conta com duas folhas de abrir almofadadas pintadas de branco.

    DALE, Joana. Em nome do Pai: mulheres de tradicional família carioca comandam produção de cachaça orgânica em fazenda no interior do rio. Revista ELA, coluna FRONT. 2021. 

    Diário do Rio de Janeiro, edição de 11 de outubro de 1870. p.2. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/26442>.

    Estações Ferroviárias do Brasil. Barão do Amparo. Disponível em: <http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcb_rj_auxiliar_ramais/baraoamparo.htm>. Acesso em 24 jan. 2022.

    FERRARO, Marcelo Rosanova. A arquitetura da escravidão nas cidades do café. Vassouras, século XIX. Dissertação de Mestrado. USP. São Paulo, 2017.

    Genealogia Oliveiras. O primeiro Oliveira Braga. Disponível em: <http://genealogiaoliveiras.blogspot.com/2015/08/os-oliveira-braga.html>. Acesso em 24 jan. 2022.

    Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Fazenda das Palmas. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Inepac, Instituto Cidade Viva, 2009.

    Jornal O Município, Edição de 13 de julho de 1911, p.3. Disponível em:<http://memoria.bn.br/DocReader/755133/1237>. 

    Jornal O Vassourense, Edição de 28 de agosto de 1887, p.1. Disponível em <http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital>

    ____. Edição de 25 de setembro de 1887, p.1. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/217930/1226>. 

    ____. Edição de 9 de janeiro de 1887, p. 1. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/217930/1084>. 

    SILVA, R. C. R. ; RODRIGUES, A. P. S. Transmissão de patrimônio em freguesias rurais do Rio de Janeiro (século XVIII a primeira metade do século XIX) . In: Encontro Regional de História da Anpuh-Rio, 2012, São Gonçalo. Anais do XV Encontro Regional de História da Anpuh-Rio, 2012

    Início do XIX - A fazenda foi fundada por Bento Luiz de Oliveira Braga em terras de sesmaria de meia-légua em quadra.

    1814 - Bento Luiz de Oliveira Braga faleceu e a fazenda das Palmas ficou de herança para os filhos do primeiro casamento, com Francisca Casemira Xavier de Vera. Consta que a filha Maria Adelaide de Oliveira Braga teria ficado com a principal parte da fazenda. 

    1855 - A propriedade foi arrendada durante anos a diferentes pessoas. Em 1855, a parte norte da fazenda, na Serra do Mata Cães, estava arrendada ao cidadão Tiberino Gomes Sardinha, e outra porção, pouco mais ao sul, a outros, como consta no livro de Registro Paroquial de Terras. 

    1857 - Maria Adelaide de Oliveira Braga faleceu em 1855 e deixou a fazenda de herança para Antônio Félix de Oliveira Braga, que após assumir a administração da fazenda a transformou em uma importante produtora de café. 

    1878 - A fazenda permaneceu com a família Oliveira Braga até ser vendida a Henrique Gaspar Lahmayer. 

    1886 - Se noticiava a formação da Companhia Agrícola e Colonizadora de Vassouras, que foi instalada na Fazenda das Palmas visando a exploração do café e da cana de açúcar substituindo o trabalho escravo pelo livre e a agricultura extensiva pela intensiva. Henrique Lahmayer era o maior acionista da companhia. 

    1887 - Henrique Lahmayer falece e a companhia é dissolvida. Os herdeiros venderam a Fazenda das Palmas à Joaquim Gomes Leite de Carvalho, o 2º Barão do Amparo.

    1911 - O 2º Barão do Amparo cede parte da fazenda onde existia uma queda d’água para os serviços de instalação e fornecimento de força e luz elétrica no município de Vassouras. Onde foi cedido o uso das águas do Rio S. José, no decurso de Simão Antonio a Thomaz José Bento e do córrego provedor, para aproveitamento da força hidráulica e instalação das usinas elétricas; cedidas 50 braças em quadro de terreno no sitio Thomaz José Bento para instalação de usinas e casas de administração e para trabalhadores. Toda a produção de luz elétrica foi destinada para atender às ruas da cidade de Vassouras com o uso de lâmpadas incandescentes de 30 velas, assim como a força motriz destinada somente aos estabelecimentos com sede e funcionamento dentro do perímetro da cidade. 

    1914 - Foi inaugurada a estação ferroviária Palmital que atendia a fazenda. Posteriormente o nome foi alterado para Palmas, permanecendo até 1940 quando é alterado, por último, para Barão do Amparo. Em 1970 o trecho da estrada de ferro foi extinto. A estação permaneceu com sua feição inicial até 2003. Em 2007 foi instalado um posto municipal de saúde denominado "Vereador José Lavinas Eiras”. 

    1923 – O 2º Barão do Amparo faleceu em 1921, deixando a fazenda para seu filho mais velho, Alberto Gomes Leite de Carvalho. Dois anos depois é anunciado o pregão de venda de trechos da fazenda, ficando de fora as terras vendidas ao Benjamin Accioly, Rozendo Francisco de Lima e Saudora Antonio, a casa de morada e seus móveis e, por fim, os engenhos e suas máquinas.

    1929 - É anunciada a venda da Fazenda das Palmas, com cerca de 500 alqueires geométricos, sendo tratada com Benjamim Accioly. 

    1975 - Os proprietários eram Leonel Tavares Miranda e Mercedes Gross. Em outubro de 1981 é anunciada a sessão de fotos que a revista Architectural Digest fez da fazenda.

    2010 - Antônio Carlos de Almeida Braga, conhecido como Braguinha, adquiriu a Fazenda das Palmas e promoveu a reforma das estruturas da fazenda e retomou a plantação de cana de açúcar para produção de cachaça. Antônio faleceu em 2021. Luiza e Joana, sua viúva e filha respectivamente, deram continuidade à produção da cachaça que é vendida na Inglaterra, Espanha e Portugal. Atualmente, a Fazenda das Palmas está aberta a visitação e a hospedagem. Está localizada no município de Engenheiro Paulo de Frontin, emancipado de Vassouras em 1963.

     

    Bento Luiz de Oliveira Braga, nasceu em 4 de setembro de 1753 no Rio de Janeiro. Foi filho de Bento Oliveira Braga e Francisca Luiza Bernarda Ribeiro, teve três irmãos: Luisa Bernarda Ribeiro, Jacinta Lourença e Francisco Caetano de Oliveira Braga.

    Casou-se em 1769 com Francisca Casemira Xavier de Vera, filha do Capitão Francisco de Veras Nascentes e Brites Xavier de Aguirre, com quem teve oito filhos: Francisco de Veras Nascente (1773-xxxx), Felix de Oliveira Braga (1779-xxxx), Mariana Casemira de Oliveira Braga (1783-xxxx), Francisco Oliveira Braga (1785-xxxx), Padre Felix Nascentes de Oliveira Braga (1786-xxxx), Joaquim Oliveira Braga (1787-xxxx), Maria Adelaide de Oliveira Braga (1790-1855) e Luisa Bernarda de Oliveira Braga (1795-xxxx). Francisca Casemira nasceu em 3 de março de 1757 em Vila Boa - GO, faleceu em 1797 no Rio de Janeiro. 

    Em 1799, Bento casou-se novamente com Francisca Mariana de Oliveira Coutinho, filha do Brigadeiro Ambrósio de Oliveira Coutinho e Joana Teresa de Oliveira, com quem teve cinco filhos: Rita Augusta de Oliveira (1800-xxxx), Maria Luiza de Oliveira Coutinho, Francisca de Paula Oliveira Coutinho (1802-1872), Joana Benedita Oliveira Braga e Bento Luis Oliveira Braga Coutinho (1804-1857). Francisca Mariana nasceu em 1779 em São João de Meriti - RJ, após a morte de Bento, casou-se novamente em 1818 com José Clemente Pereira (1787-1854). 

    Foi proprietário de importantes engenhos de plantação de cana de açúcar, entre eles o Engenho da Posse, em Nossa Senhora da Apresentação do Irajá, Engenhos de Nazaré, Caioaba e Desterro em Santo Antônio do Jacotinga e o Engenho Sapopemba. Também possuía fazendas que produziam café como a Fazenda das Palmas e a Fazenda das Cruzes, que ocupavam cada uma mais de sesmaria de meia-légua em quadra (900 alqueires geométricos de terra). Possuía ainda diversas casas urbanas e escravos. Foi também vereador do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, de 1798 a 1812, e de 1830 a 1833. 

    Bento Luiz de Oliveira Braga faleceu em 14 de janeiro de 1814 deixando um vasto patrimônio entre engenhos, fazendas e propriedades urbanas. 

     

    Antônio Felix de Oliveira Braga, capitão da guarda nacional na cidade de Vassouras. Casou-se com Cândida Luiza Barreto Pedroso (xxxx-1887) com quem teve os filhos: Candida Nina, Maria Adelaide, Carmela Noemia, Maria Emília, Antonina, Elvira e Felix. Em 24 de setembro de 1870 promoveu a reforma da Igreja Matriz da Freguesia da Sacra Família do Tinguá, em Vassouras. Era fazendeiro produtor de açúcar e aguardente. 

     

    Henrique Gaspar Lahmayer, nasceu em 9 de maio de 1831 no Rio de Janeiro. Era filho do portugues Frederico Rodolfo Lahmeyer. Casou-se com Eulalia Furquim de Almeida (1844-1914), filha de Caetano José Furquim de Almeida e Ambrosina Augusta Teixeira Leite e neta do Barão de Vassouras. Tiveram doze filhos: Lúcia (1864-1954), Rodolfo (xxxx-1938), Flora (1865-1955), Noemi (1866-xxxx), Palmyra (1867-1932), Evelina (1872-1959), Marieta (1875-1957), Clarisse (1879-1989), Valentina (1879-1970, Georgeta (1881-1961), Henrique (xxxx-1937) e Paulo (1888-1975). 

    Em 1886 participou da criação da Companhia Agrícola e Colonizadora de Vassouras que possuía capital social de 400:000$, sendo 300:000$ representados pela fazenda das Palmas, sendo então Henrique Lahmayer o maior acionista. A companhia visava a exploração do café e da cana de açúcar substituindo o trabalho escravo pelo livre e a agricultura extensiva pela intensiva. Além de formar e vender lotes de terras e construir casas para os colonos.  

    Foi também vereador na Câmara Municipal de Vassouras no ano de 1887, poucos meses antes de falecer em 30 de outubro do mesmo ano. Após a morte repentina, foi sepultado no cemitério de São Francisco Xavier.

     

    Joaquim Gomes Leite de Carvalho, o segundo barão do Amparo, nasceu em 17 de abril de 1830 em Amparo de Barra Mansa. Foi o filho mais velho de Manuel Gomes de Carvalho (1º barão do Amparo) e Francisca Bernardina Leite. Casou-se, em 7 de janeiro de 1851, com sua sobrinha Amélia Eugênia Teixeira Leite (1834-1924), filha mais velha de sua irmã Ana Bernardina e João Evangelista Teixeira Leite. 

    Do casamento tiveram sete filhos: Amélia Gomes Leite de Carvalho (1858-1919), casou-se com Henri Gielen, de Bruxelas; Alberto Gomes Leite de Carvalho (1860-1940), casou-se com Carmen Diaz Garcia (1876-1928), da Espanha; Joaquim Gomes Leite de Carvalho (1862-1905); Afonso Gomes Leite de Carvalho (1865-1910); Ana Gomes Leite de Carvalho (XXXX-1917); Paulina Leite de Carvalho (1875-1962), nascida  na Suíça; e Horácio Gomes Leite de Carvalho (1879-1958), nascido em Bruxelas. Foi também irmão de João Gomes de Carvalho, que foi feito barão e depois visconde de Barra Mansa, e Manuel Gomes de Carvalho Filho, feito barão do Rio Negro.

    Foi fazendeiro capitalista, membro do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e provedor na Santa Casa de Misericórdia. Recebeu o título de segundo barão do Amparo por decreto imperial em 30 de janeiro de 1867, mesmo título de seu pai. Recebeu herança de seu pai, ampliando-a através de investimentos financeiros. 

    Em 1886, adquiriu a Fazenda das Palmas e, em 1887, inaugurou seu imponente palacete sobre uma colina, onde se destaca na cidade de Vassouras e cujas referências e inspiração, na arquitetura e decoração, teve devido sua estadia na Europa. O terreno do palacete antes era propriedade de Pedro Corrêa e Castro, o barão do Tinguá, cujo sobrado foi demolido para realizar a construção da nova residência do barão do Amparo.

    Possuía residência em Botafogo e também na cidade de Vassouras, onde faleceu aos 91 anos, no dia 30 de abril de 1921. Foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

    Inventário do 2º barão do Amparo, 1921. Fonte: Acervo do Centro de Documentação Histórica de Vassouras, sob tutela do IPHAN.

     

    Planta de uma parte da província do Rio de Janeiro na qual se inclui a Imperial Fazenda de Santa Cruz, 1848. Acervo Arquivo Nacional.

     

    Fotografias da antiga estação de trem Palmas/ Barão do Amparo. Acervo Carlos Cornejo, disponível em Estações Ferroviárias do Brasil

     

    Representação da fachada principal e jardim da fazenda, fotografia de Luiza Lobo. 

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2022

    Texto: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB), 2022

    Colaboração: Louhana Oliveira (PIBIC/FCRB)

    Fotografias: Luiza Lobo; Divulgação/ Instagram Fazenda das Palmas.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A casa conta com uma planta predominantemente quadrada, que acredita-se ser a primeira forma alterada posteriormente com o acréscimo de um pequeno trecho que configura por fim uma planta em forma de “L”. Conta com apenas um pavimento, porão habitável, pátio interno e pátio externo. A entrada principal se dá pela fachada oeste, através da escadaria de pedra. Possui ainda outros acessos demarcados com alpendre e escadaria dupla de pedra nas fachadas norte e sul. A distribuição interior agrupa as áreas social e íntima no trecho quadrado da planta e no acréscimo a área de serviço. 

     

    Piso 1, Área Social

    A área social é composta pelas Sala de Estar (1), Capela (2), Sala de Jantar (3), Sala de Jogos (33), Sala de Almoço (8) e Sala de Estar (23). Todas as salas, com exceção da de Jogos, possuem acesso ao exterior da casa.

     

    ttt
    COM_CCK_Validar
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

    Please publish modules in offcanvas position.