Filtrar

    Casa Lea Pentagna

    Casa Lea Pentagna
    Casarão do Alto do Barcellos
    XIX
    1848
    Brasil

    Luigi Merulla (reforma em 1927)

    Valença - RJ
    -22.24303
    -43.69820
    COM_CCK_hhh

    A casa está situada no bairro Benfica, antigo Alto do Barcellos, em uma antiga chácara da rua Boa Vista, atual rua Vito Pentagna, próxima a Praça XV de Novembro, conhecida também como Praça de Baixo. O terreno encontra-se no ponto mais elevado da rua, que possui um leve declive. A casa está implantada na testada do lote e está voltada para sudeste. O lote conta com grande área arborizada. A construção data de 1848 e passou por duas reformas, uma ainda no século XIX dando a espacialidade interna atual e outra no século XX dando as feições ecléticas da fachada principal.

    A Casa está inserida na testada do lote, possui um único pavimento elevado do solo por porão inabitável. A planta é em forma quadrada com um corpo alongado formando um L. O telhado é escondido pela platibanda que percorre todas as fachadas da casa. Possui ainda um pátio externo com lago e chafariz que se estende ao grande jardim da propriedade.

    A fachada principal está voltada para a rua, inserida na testada do lote. O acesso se dá pelo vão central em arco pleno, com  porta de madeira e que se destaca pela presença de revestimento em pedra, marcando o centro da edificação. Existem ainda oito vãos de janelas com verga em arco pleno. A platibanda é vazada com balaústres e com frontão triangular no centro, reforçando o acesso principal. 

    As demais fachadas se voltam para o jardim e possuem acesso direto. O embasamento é revestido em pedra e os vãos são em verga reta.

    Nas laterais do terreno da Casa existem dois portões que dão acesso direto aos jardins. Os vãos da janela da fachada principal são encimados por ornamentação.

    Jardim

    A Casa possui um grande jardim, onde a última proprietária, Lea Pentagna, foi enterrada após seu falecimento em 1983. Com aproximadamente 20000m², o jardim conta com pequeno lago, bancos, estátuas, caramanchões e diferentes espécies vegetais como coités, abiu, amora, gabiroba, canela, urucum, etc.

     

    Fundação Cultural e Filantrópica Lea Pentagna. Disponível em: <http://www.casaleapentagna.org.br/index.html>. Acesso em 15 abr. 2021.

    Portal Turismo Brasil. Casa Léa Pentagna. Disponível em: <http://www.portalturismobrasil.com.br/atracao/3484/Casa-Lea-Pentagna>. Acesso em 15 abr. 2021.

    Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. PENTAGNA, Ruggero. Disponível em: <http://wiki.ihgp.org.br/PENTAGNA,_Ruggero>. Acesso em 15 abr. 2021. 

    SERAPHIM, Ana Maria Bastos; NOVAES, Adilson Adriano dos Reis. Projeto “Ações Estratégicas para Revitalização do Vale do Café”. Relatório 1. 2010. 

    PINHEIRO, Luciana. LUZ, Brasílio da. Disponível em:<http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/LUZ,%20Bras%C3%ADlio%20Ferreira%20da.pdf>. Acesso em 15 abr. 2021.

    MONTEIRO ACHID arquitetas associadas. Paisagismo. Disponível em: <https://www.monteirorachid.com/paisagismo>. Acesso em 23 abr. 2021.

    1836 - A chácara anterior a casa aparece já no primeiro mapa da cidade de Valença.

    1848 - Manuel Machado Barcellos adquiriu a Casa na primeira década do século XIX, demolindo a casa existente e construindo a atual.

    1894 - A Casa, que nesse momento já pertencia a Brasílio Ferreira da Luz, é vendida aos irmãos italianos Caetano e Vito Pentagna. Logo depois, Vito compra a parte do irmão, Caetano, tornando-se o único proprietário, no entanto, Vito, nunca morou nessa casa, mas sim na casa do irmão Nicolau. 

    1914 - Vito Pentagna morre e seu irmão, Ruggero, passa a morar na casa.

    1934 - Ruggero morre e a casa passa a ser propriedade de sua esposa Alzira de Castro.

    1955 - Alzira morre e Lea Pentagna herda a casa.

    1927 - A Casa passa por reforma realizada pelo arquiteto Luigi Merulla.

    1983 - Lea morre e a Residência é transformada na Fundação Cultural e Filantrópica Lea Pentagna. 

    2000- A Casa passou por obras de restauração financiadas por Lúcio Pentagna Guimarães, por meio da Lei Rouanet, sendo reaberta em 22 de abril.  

    2004 - A Residência é tombada pelo INEPAC, junto com outros treze imóveis da cidade. (E-18/001.004/2004)

    Atualmente a Fundação Cultural e Filantrópica Lea Pentagna continua a prestação de serviços à comunidade com diversas atividades culturais e sociais.

     

     

    Manuel Machado Barcellos, açoriano da Ilha de Angra do Heroísmo, estabeleceu-se em Valença nos primeiros decênios do séc. XIX.

    Brasílio Ferreira da Luz, foi deputado federal e senador. Nasceu em 1857 em Curitiba, onde permaneceu até 1874, quando se mudou para São Paulo para estudar o curso de humanidades. Dois anos depois se mudou para o Rio de Janeiro onde estudou Farmácia e, posteriormente, Medicina. Se formou em 1885, exerceu a clínica médica, porém logo iniciou a carreira política, sendo eleito como deputado provincial nos anos de 1888 a 1889. Em 1894, ano em que vendeu a Casa em Valença, foi eleito deputado federal. Se tornou senador em 1900 pelo Paraná, para onde voltou e permaneceu até sua morte em 1940.

    Caetano Pentagna, nasceu na cidade de Scario, Salerno, Itália. Imigrou para o Brasil em 1863 junto com mais dois irmãos, Nicolau e Vito, com ajuda de seu tio, Padre Paschoal, que estabelecido em Minas Gerais os trouxe em busca de novas oportunidades e os uniu à família Ribeiro de Castro. Caetano casou-se em 1875 com Marianna Philomena de Castro com quem teve muitos filhos. Foi proprietário da Fazenda Paraíso, sócio dos irmãos na companhia “Nicolao Pentagna & Irmão”, porém empobreceu e se desfez de suas propriedades, inclusive da Itália, permanecendo apenas com uma chácara em Valença, onde faleceu. 

    Vito Pentagna, nasceu na cidade de Scario, Salerno, Itália. Chegou ao Brasil em 1863, foi mascate  entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Logo se juntou ao irmão Nicolau, na cidade de Valença, que havia fundado a empresa “Nicolao Pentagna & Irmão” e era sócio da casa de comércio “Casa Sampaio”. Casou-se com Urbana Paschoalina de Castro em 1879, com quem teve nove filhos, entre eles Savério Vito Pentagna, advogado, Humberto de Castro Pentagna, médico e prefeito de Valença e Alzira Adelaide de Castro Pentagna. Em 1894 se declarou proprietário de diversos bens de seu tio Padre Paschoal, que promoveu a vinda dele e dos irmãos para o Brasil. Teve grande participação no processo de industrialização de Valença, sendo responsável pela fundação da Fábrica Santa Rosa em 1913. No ano seguinte faleceu repentinamente deixando sua esposa, Urbana, responsável pelos negócios da família.

    Ruggero Pentagna, nasceu em 1871, na cidade de Scario, Salerno, Itália. Se formou em medicina na Universidade de Nápoles em 1895. Imigrou para o Brasil em 1900, se juntando aos quatro irmãos que já moravam no país. Estabeleceu-se inicialmente na cidade de Piracicaba. Em 1906 voltou à Itália, onde permaneceu até 1907. Retornando ao Brasil, ainda em 1907, foi nomeado agente consular da Itália ainda em Piracicaba e depois, em 1921, foi nomeado vice-consul. Se casou em 1907 com Alzira Adelaide de Castro Pentagna, sua sobrinha, com quem teve os filhos Lea, Vito e Léo. Faleceu em 1934. 

    Lea Josephina Pentagna, nasceu em 1909, na cidade de Piracicaba em São Paulo e faleceu em Valença, em 1983. Lea tinha apreço pela arte e conhecia artistas famosos e financiava eventos culturais, também deixava a Residência sempre disponível para a Academia Valenciana de Letras realizar reuniões e festas. Em 1971 permitiu que as filmagens de "A Casa Assassinada" fossem gravadas na Casa. Teve um relacionamento de 35 anos com o pintor espanhol Timoteo Perez Rubio.

    Imagem da sala de jantar.

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Pesquisa: Ana Pessoa (FCRB), Ana Lúcia V. dos Santos (EAU/UFF), Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Fotografias: Ana Lúcia V. dos Santos (EAU/UFF); Fundação Cultural e Filantrópica Lea Pentagna.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A Casa possui planta quadrada com um corpo alongado do lado esquerdo dando a forma de L. Conta com um pavimento e jardim externo com chafariz. A distribuição dos setores une o social com o íntimo e separa o serviço, se concentrando no corpo alongado formando o L.  

     

    Piso 1, Área Social

    Corresponde aos ambientes nobres da casa onde eram recebidas as visitas e onde se realizam eventos sociais. É composta pela Sala de Estar (1), onde está presente a entrada principal da casa e onde dá acesso a Salão Dourado (2) e a Sala de Jantar (5).

     

    Piso 1, Área Íntima

    A Sala de Estar ainda dá acesso à Biblioteca (3), um quarto (4) e a Sala íntima (6), que dá acesso a uma circulação em direção a mais dois quartos (9 e 10) e um hall com mais dois quartos (7 e 8).

     

    Piso 1,  Área de Serviço

    A área de serviço ocupa o corpo alongado que forma o L. O acesso é feito pela circulação e é composta por Despensa (17), Copa (16), Cozinha (19) e mais dois quartos (18 e 20). Nesta área existe um quarto de banho (22).

     

    Piso 1, divisão 1, Sala de Estar

    Pintura parietal em estêncil com motivos florais.

     

    Piso 1, divisão 2, Salão Dourado

    Pintura parietal em estêncil representando folhagens.

     

    ttt
    COM_CCK_Validar
    COM_CCK_Validar
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

    Please publish modules in offcanvas position.