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    Casa I da Vila Bolonha

    Casa I da Vila Bolonha
    Casa 78 da Vila Bolonha
    XX
    1905/1915
    Brasil

    Francisco Bolonha nasceu em 1872 em Belém do Pará e aos 18 anos entrou para Escola Politécnica do Rio de Janeiro onde se formou em engenharia, após sua formatura viajou para a Europa, recebendo influencia das inovações no uso do ferro e de tecnologias hidráulicas, ao voltar para o Brasil aplica esse conhecimento em obras públicas e palacetes particulares, o engenheiro faleceu em 1939 aos 67 anos. 

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    O edifício faz parte da Vila Bolonha, localizada no Complexo Bolonha, que se estende por uma passagem situada entre a Avenida Governador José Malcher e a Rua Boaventura da Silva, no bairro Nazaré. Essa é uma área reconhecida pelo contraste entre edifícios modernos e construções ecléticas dos séculos XIX e XX, possui ruas largas e arborizadas com malha urbana regular. A Vila Bolonha é constituída de 10 casas geminadas e justapostas, ao lado do Palacete Bolonha, a construção mais conhecida do engenheiro. 

    As casas que constituem a vila possuem um programa retangular e destaque para a verticalidade, cujas fachadas possuem entrada recuada. A tipologia das plantas se repete em todos os pavimentos, sendo o edifício composto por porão e dois pavimentos.

    A fachada da residência é voltada para a Vila Bolonha, composta por porão semi-habitável mais dois pavimentos. A porta de entrada é recuada, à qual se acede por uma escada. O primeiro pavimento possui uma porta e duas janelas, e o segundo, três janelas.  Os cantos são demarcados por revestimento em relevo com bossagem em massa, com formas regulares, semelhantes aos padrões usados por Claude-Nicolas Ledoux. As janelas altas do tipo rasgadas com peitoril baixo são protegidas com guarda corpo em ferro. Outros elementos importantes que constituem a fachada são a platibanda, as aberturas para ventilação situadas sobre as portas e janelas e a água furtada.

    O monograma com as iniciais do engenheiro Francisco Bolonha, presente nos gradis das janelas e no portão do acesso principal. 

    BASSALO, Célia Coelho. Art nouveau em Belém. Monumenta, IPHAN, Ministério da Cultura, 2008.

    COIMBRA, Adriana Modesto.  A cidade como narrativa:  Francisco Bolonha e o papel da arquitetura e da engenharia no processo de modernização da cidade de Belém - 1897-1938, 2014. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2014.

    COSTA, Felipe Melo da. A Tecnologia estrutural do engenheiro Francisco Bolonha em Belém-PA. 2016. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Belém, 2016.

    LOBATO, C.; ARRUDA, E.; RAMOS, A. Palacete Bolonha: uma promessa de amor. Belém: Ed. da UFPA, 2007.

    1905 - Construção da Vila de propriedade do Engenheiro Francisco Bolonha que projetou as casas para serem ocupadas por seus familiares e operários.

    1939 - A casa 78 passa a pertencer a Elza Campos Soares, sobrinha do Engenheiro.

    1999 -  A casa passa a pertencer ao vereador Henrique Soares – neto de Elza Soares e atual proprietário –  que instala no edifício o Centro de Convivência da Terceira Idade Palácio Bolonha.

    Complexo Bolonha: Planta de locação, Hugo A. Santos (Assin.)H.1939
    Legenda: Terrenos edificados e baldios de Alice Bolonha.
    Acervo particular do Dr. Henrique Soares

    Nota: A planta de locação do Complexo Bolonha é datada de 1939, um ano após a morte do Engenheiro Bolonha, o título e a data mostram que a planta é um documento de levantamento das propriedades herdadas por Alice Bolonha, viúva do engenheiro. Nele se encontram detalhes em relação ao antigo terreno, o nome das ruas e os terrenos não edificados que pertenceram ao engenheiro o que ajuda a compreender a casa 78 da Vila Bolonha, a sua escala e a forma como se estabelece dentro do complexo.

    Textos: Professora Cybelle Miranda, Bolsista de Iniciação Científica Raíssa Araújo e Arquiteta Ailla Raiol

    Elaboração de plantas: Raíssa Araújo 

    Fotografias: Arquiteta Mestre Vithoria Carvalho da Silva; Professora Drª Cybelle Miranda.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    O programa da residência setoriza-se em serviços e área social no primeiro pavimento, setor íntimo no segundo pavimento.

    Piso -1

    O porão segue a tipologia dos outros pavimentos e tem altura suficiente para circulação, assim como aberturas protegidas por grades que dão acesso a passagem e é usado como depósito.

     

    Piso 0

    No primeiro pavimento, ao subir a escada do acesso principal e atravessar a porta alta de folhas duplas, encontra-se a sala de estar. O compartimento possui pé direito de aproximadamente 5 metros e acessos para a escada helicoidal, a cozinha e mais duas salas. A sala de visitas é o ambiente com relação mais próxima com a rua, com uma porta lateral para o acesso principal e duas janelas, sendo uma delas voltadas para a passagem. Ela também possui uma conexão direta com a sala de jantar. A cozinha possui todas as paredes revestidas por azulejos com desenhos geométricos em tons de azul e branco, além de um recuo sutil sinalizando o fechamento de uma das aberturas do cômodo, em cuja vedação foi instalado um gradil em formato de meia lua, feito em ferro fundido, e piso de ladrilho hidráulico simples, sem desenhos.

    Piso 1

    O segundo pavimento é composto pelo setor privado da casa com três quartos e uma área de circulação vertical. Além da abertura no piso para própria escada, existe um vão retangular protegido por um guarda corpo de ferro e madeira, por onde podem ser vistas, parcialmente, as salas do pavimento inferior. O quarto principal possui três janelas e está conectado à área de aceso da escada e a outro dormitório. O segundo quarto possui uma janela voltada para a passagem e um acesso direto ao terceiro quarto. O ultimo quarto só pode ser acessado através dos outros ambientes privados, possui três janelas e dois acessos. Todos os ambientes do segundo pavimento possuem piso de acapu e pau amarelo, e forro de madeira, em um dos quartos o forro é de ripas vazadas que formam uma repetição de losangos, os espaços entre a madeira permitem a troca de ar no ambiente, o que contribui para o conforto térmico. Sobre as portas e janelas existe uma abertura retangular com venezianas de madeira que possibilitam a saída do ar quente. Há ainda aberturas acima do nível do forro e água furtada que só podem ser vistas pela parte externa da casa. 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Piso 0, divisão 1

     Patamar de entrada: Ladrilho hidráulico com desenhos geométricos em vermelho, amarelo e preto, formando losangos com elementos centrais de estrela de oito pontas. Nas extremidades as linhas se sobressaem como em um trançado com fundo preto. Janelas do tipo rasgada com duas folhas, venezianas de madeira e painel de vidro que ficam na parte externa e esquadrias de madeira de quatro folhas que se abrem para a parte interna.

     

    Piso 0, divisão 2

    Sala de estar: Piso cerâmico com desenhos em verde, azul e vermelho com motivos geométricos formando múltiplos quadrados ligados por linhas paralelas e transversais. O piso possui cercadura em tons de verde, com desenhos de inspiração vegetal, nas linhas do art nouveau.

     

     

    Piso 0, divisão 3

     Sala de visitas: Piso de madeira corrida intercalado entre acapu e pau amarelo, emoldurando formas em diagonal, formando uma série de losangos no centro.

     

     

    Piso 0, divisão 4

     Área de Circulação: Escada helicoidal de ferro fundido com degraus balaustres com elementos vazados de motivo fitomórfico. Lavatório em cerâmica com formas curvas e de concha e painel com azulejos brancos com as iniciais FB em dourado. Piso cerâmico com desenhos em vermelho e preto com formas geométricas de losangos e triângulos que proporcionam um efeito volumétrico. O piso é arrematado por ladrilhos simples brancos com linhas vermelhas nas laterais. 

     

     

    Piso 0, divisão 5

    Sala de jantar: Luminária com bulbo central, afixado por círculo de ferro adornado por formas curvas e elemento central cônico. Azulejos quadrados brancos com desenhos de motivos geométricos azuis que abrangem toda a superfície parietal da cozinha, com forma de losangos centralizados por cruzes, seguindo a linha das extremidades das paredes de desenho igual com fitas azuis contínuas que formam uma moldura.

     

    Piso 1, divisão 2

     Quarto: Luminária de ferro e vidro com seis lâmpadas, e alças curvas adornadas com linhas orgânicas. 

     

     

    Piso 1, divisão 3

     Quarto: Luminária de metal com três alças de sustentação curvas com desenhos de formas circulares.

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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