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    Fazenda Santa Justa

    Fazenda Santa Justa
    XIX
    1820
    Brasil
    Rio das Flores - RJ
    -22.1222451
    -43.4900419
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    Situada no município de Rio das Flores no Rio de Janeiro, a Fazenda Santa Justa é uma propriedade rural construída no século XIX destinada ao plantio e cultivo do café. A propriedade fazia parte da sesmaria de Santa Justa, que em 1870 foi desmembrada dando origem à "Fazenda Recreio de Santa Justa”. O acesso a edificação é marcado pela aléia de palmeiras imperiais além do muro em pedra com gradis e portões de ferro com as iniciais do Barão de Santa Justa – BSJ. A casa está localizada em um trecho um pouco mais elevado do terreno, próxima a outras edificações de diversas épocas e o local provável do terreiro de café. 

    A Fazenda Santa Justa é implantada sobre porão baixo em alvenaria de pedra, o pavimento principal possui formato de planta em “U”, criando duas alas. A casa conta ainda com um pavimento superior centralizado e em menores dimensões em relação ao térreo. O acesso da casa é feito por escadaria dupla de pedra que leva ao chalé/alpendre, que caracteriza a entrada e a fachada principal. Próximo a casa-sede se destaca a presença da tulha que teve seu uso alterado para abrigar a nova capela da fazenda.

    Marcada pela presença de três módulos, a fachada principal possui feições de chalé por apresentar um pavimento com um sobrado ao centro da fachada, ocupando uma área menor que a do térreo. Cada módulo apresenta quatro vãos de janelas com vergas retas adoçadas. O módulo central possui telhado em quatro águas, assim como as duas alas. O chalé possui janelas com vãos com verga em arco alteado, porta com vão em arco abatido e telhado em duas águas. O beiral é em madeira, com cimalha de curvas suaves. O trecho do chalé possui acabamento em lambrequim. Possui ainda um pequeno muro com gradil que contorna toda a extensão da fachada. A escadaria dupla possui degraus e arranques em pedra, com gradil em ferro trabalhado.

    As fachadas laterais apresentam o mesmo tipo de vãos de janelas com vergas retas adoçadas. É importante destacar a diferença que parte da lateral esquerda apresenta na dimensão e forma dos vãos, indicando uma possível alteração na planta original. Com a planta em forma de “U” se criam mais três fachadas internas, onde existe o acesso à lateral esquerda onde estão localizadas as áreas de serviço. Nestas fachadas internas se destacam os vãos das janelas em verga reta.

    Do portão de acesso a propriedade se destacam as duas estátuas em cada lado e a inscrição no gradil com as iniciais BSJ. Próximo a casa existem vasos que também possuem essas iniciais do Barão de Santa Justa. Na fachada principal se destaca o chalé que possui acabamento no beiral em lambrequim, o beiral dos outros módulos em madeira, com cimalha de curvas suaves. Se destacam também as esquadrias em madeira com duas folhas internas almofadadas, guarnecidas externamente por guilhotinas em caixilhos e bandeiras radiais em vidro. 

    Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Fazenda Santa Justa. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Inepac, Instituto Cidade Viva, 2009.

    Geraldo Carneiro Belenz, nasceu em 1792. A Fazenda Santa Justa foi fundada provavelmente em 1820, após seu falecimento, em 1831, foi herdada pelo filho, Braz Carneiro Bélens.

     

    Braz Carneiro Bélens, nasceu em 1810. Foi responsável por empregar na fazenda, no ano de 1852, uma colônia de imigrantes alemães, para substituir a mão-de-obra escrava por trabalhadores livres. Em número de 185 e distribuídos em 30 famílias, eram todos protestantes. Mas a colônia durou pouco menos de dez anos, pois a maioria dos imigrantes foi para Petrópolis ou para o sul do país. Em 1862, faleceu Brás e, no mesmo ano, sua viúva vendeu a fazenda a Jacintho Alves Barbosa, Barão de Santa Justa.

     

    Jacintho Alves Barbosa, Barão de Santa Justa, nasceu em 1792 em Vassouras. Casou com D. Tomásia Maria Barbosa. Foram seus filhos: Francisco Alves Barbosa (segundo Barão de Santa Justa), Clara Jacinta Barbosa (Baronesa de Ibituruna), Maria Jacinta (Baronesa de Menezes) e Leopoldina Rodrigues (Baronesa de Santa Fé). Foi fazendeiro na região de Valença adquirindo grandes áreas para o plantio do café. Segundo o historiador Pedro Gomes, o Barão de Santa Justa chegou a possuir cerca de 2.000 escravos e a exportar 50.000 arrobas de café. Ao falecer, em 1872, a Fazenda Santa Justa foi passada a um de seus nove filhos, Francisco Alves Barbosa, o segundo Barão de Santa Justa. Na ocasião da morte do Barão, Santa Justa possuía 206 mil pés de café, trabalhados por 167 cativos. Além da Santa Justa, o Barão possuía também as fazendas Ribeirão, São Fidélis, Serra, Monte Cristo e Santana. Está enterrado no Cemitério do arraial de São José do Rio Preto, Três Ilhas, Minas Gerais. Seu inventário correu pelo cartório de Paraíba do Sul.

     

    Francisco Alves Barbosa, segundo Barão de Santa Justa, nasceu em Sacra Família do Tinguá em 26 de junho de 1839. Casou com uma prima, D. Bernardina Alves Barbosa, que marcou presença na história da fazenda como mulher dinâmica e de personalidade forte. O segundo Barão de Santa Justa faleceu em 1883, quando a produção de café já entrava em declínio na região do Vale do Paraíba. 

     

    D. Bernardina Alves Barbosa, Viscondessa de Santa Justa. Em 1889, poucos meses antes da Proclamação da República, a Baronesa foi elevada ao título de Viscondessa de Santa Justa. A Viscondessa, ao falecer em 1915, ainda era proprietária da Fazenda Santa Justa e da Fazenda do Recreio, que eram vizinhas e tinham cerca de 700.000 pés de café distribuídos entre as duas propriedades, além de maquinário para beneficiamento de café, casas para trabalhadores, tulhas, paiol, enfermaria, farmácia e outras plantações. Na partilha dos bens, a Santa Justa coube à filha, Maria Bernardina Alves Barbosa Nunes, que a vendeu em 23 de outubro de 1924 para Domiciano Pereira Machado. Com os Machado a fazenda permaneceu até o ano de 1992, quando os herdeiros a venderam para o Sr. Antônio Candido Cardão.

     

     

    1820 – Geraldo Carneiro Belenz funda a Fazenda Santa Justa.

    1831 – Falece Geraldo Belenz e deixa a fazenda de herança para Braz Carneiro Bélens.

    1852 – Braz funda uma colônia de imigrantes alemães, para substituir a mão-de-obra escrava por trabalhadores livres.

    1862 – Faleceu Braz e, no mesmo ano, sua viúva vendeu a fazenda a Jacintho Alves Barbosa, Barão de Santa Justa.

    1870 - A Fazenda Recreio de Santa Justa foi fundada a partir do desmembramento de 158 alqueires geométricos de terra da sesmaria de Santa Justa. 

    1872 – Faleceu o Barão de Santa Justa e a Fazenda Santa Justa foi passada a Francisco Alves Barbosa, segundo Barão de Santa Justa.

    1880 - O segundo Barão de Santa Justa adquire parte de terras desmembradas da Fazenda da Independência que pertencia a Nicolau Antônio Nogueira Valle da Gama, o Barão de Nogueira da Gama. 

    1883 - O segundo Barão de Santa Justa faleceu e a fazenda passa para D. Bernardina Alves Barbosa, Viscondessa de Santa Justa.

    1915 – Falece a Viscondessa de Santa Justa que deixa a Fazenda Santa Justa para sua filha Maria Bernardina Alves Barbosa Nunes. 

    1924 – Maria Bernardina vende a fazenda para Domiciano Pereira Machado.

    1992 - A fazenda permaneceu com os Machado até 1992 quando os herdeiros a venderam para o Sr. Antônio Candido Cardão.

    2009 – A fazenda é inventariada no âmbito do projeto Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense, promovido pelo Inepac e Instituto Cidade Viva, e patrocínio da Light.

    2021 – Atualmente a casa permanece com a família Cardão.

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Texto: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Fotografias: Paulo Victor Figueiredo Alves responsável pela página “Fazendas Antigas”.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A Fazenda Santa Justa possui feições de chalé, apresentando um pavimento com um sobrado ao centro da fachada, ocupando uma área menor que a do térreo. A tipologia da planta em “U” apresenta três blocos, um principal com os ambientes nobres na parte frontal da edificação e outros dois laterais assimétricos. A distribuição do programa interior é clara na separação dos espaços de serviço e social.

     

     

    Piso 0

    O piso térreo é onde acontece o acesso principal da residência pelo alpendre/chalé que dá acesso ao hall por onde se distribuem espaços de circulação que dão para a sala de jantar, quartos, salas de estar e para outro hall onde a escada de acesso ao pavimento superior se encontra. Ao fundo deste bloco principal existe a circulação que à esquerda dá acesso ao bloco mais alongado, onde se encontram a sala de almoço, cozinha e outras áreas de serviço. Enquanto a direita dá acesso a outro bloco com três quartos.

     

     

    Piso 1

    O piso superior abriga apenas quartos e uma sala de tv, sendo um espaço somente íntimo.

     

    Piso 0, Divisão 1, Alpendre/chalé

    O piso é em assoalho; as parede apresentam pintura em estêncil com formas abstratas na cor rosa claro.

     

     

    Piso 0, Divisão 4, Hall principal

    As paredes apresentam pintura em estêncil com formas de flor de lis na cor verde claro e pintura na cor rosa claro em meia parede e friso ladeando todas paredes acima da verga das portas.

     

     

     

    Piso 0, Divisão 1, Alpendre/chalé

    O piso é em assoalho, as paredes apresentam pintura decorativa e forro em madeira com encaixe em “saia e blusa” pintado de branco. Se destaca o lustre. As janelas são em madeira com fechamento em guilhotina.

     

     

    Piso 0, Divisão 2, Quarto

    O piso é em assoalho; as paredes apresentam pintura branca; forro em madeira com encaixe em “saia e blusa” na cor azul claro. As portas são em madeira na cor azul claro e os vãos são em verga reta pintadas de vermelho. As janelas são em madeira com duas folhas internas almofadadas, pintadas de azul claro, guarnecidas externamente por guilhotinas em caixilhos e bandeiras radiais em vidro colorido.

     

     

    Piso 0, Divisão 4, Hall principal

    O piso é em assoalho; as paredes apresentam pintura decorativa e forro em madeira com encaixe em “saia e blusa”. As portas são em madeira na cor azul claro e os vãos são em verga reta pintadas de vermelho. As janelas são em madeira com duas folhas internas almofadadas, pintadas de azul claro, guarnecidas externamente por guilhotinas em caixilhos e bandeiras radiais em vidro colorido.

     

     

    Piso 0, Divisão 5, Sala de Estar

    O piso é em assoalho; as paredes apresentam pintura branca; forro em madeira com encaixe em “saia e blusa” pintado de azul claro. As portas são em madeira na cor azul claro e os vãos são em verga reta pintadas de vermelho. As janelas são em madeira com duas folhas internas almofadadas, pintadas de azul claro, guarnecidas externamente por guilhotinas em caixilhos e bandeiras radiais em vidro colorido. Nesta sala se destacam dois quadros sem identificação.

     

     

    Piso 0, Divisão 6, Quarto

    O piso é em assoalho; as paredes apresentam pintura branca; forro em madeira com encaixe em “saia e blusa” na cor azul claro. As portas são em madeira na cor azul claro e os vãos são em verga reta pintadas de vermelho. As janelas são em madeira com duas folhas internas almofadadas, pintadas de azul claro, guarnecidas externamente por guilhotinas em caixilhos e bandeiras radiais em vidro colorido. As janelas da fachada lateral possuem vidro translucido na bandeira.

     

     

    Piso 0, Divisão 9, Hall da escada

    Escada em madeira de lance único com degraus, com corrimão de madeira decorado com pinha amarela e guarda-corpo com gradil em ferro fundido.

     

     

    Piso 0, Divisão 12, Sala de Jantar

    O piso é em assoalho; as paredes apresentam pintura branca; forro em madeira com encaixe em “saia e blusa” sem pintura. As portas são em madeira na cor azul claro e os vãos são em verga reta pintadas de vermelho. As janelas são em madeira com duas folhas internas almofadadas, pintadas de azul claro, guarnecidas externamente por guilhotinas em caixilhos e bandeiras radiais em vidro translucido.

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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