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    Palácio Pombal

    Palácio Pombal
    Palácio Pombal
    XVIII
    Portugal

    João Grossi (estucador); Fábrica do Rato (fabrico e pintura de azulejos)

    Rua de O Século 79, 1200-003, Lisboa
    38.712989
    -9.147679
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    O significado do Palácio dos Carvalhos relaciona-se com a figura do Marquês de Pombal e as inovações que este realizou na segunda metade do século XVIII. O edifício mantém hoje traços visíveis das transformações e ampliações que recebe entre os séculos XVII, XVIII e XIX, ainda que se encontre atualmente separado da totalidade da sua extensão, resultado da ampliação que recebe na segunda metade do século XVIII. São desta ampliação grande parte da azulejaria e estuque, quer nos tetos, quer no oratório. Para além da autenticidade evolutiva do programa interior, edificado no século XVII e transformado nos séculos XVIII e XIX, é digno de nota a manutenção de grande parte do primitivo programa distributivo interior. São exemplos deste período a cozinha e serviços, bem como algumas divisões do andar nobre. O mesmo se verifica no quarto baixo, onde a decoração aplicada de azulejaria do século XVII ainda permanece intacta. É igualmente importante o vestígio de pintura decorativa do século XVII de um dos tetos de masseira do andar nobre, de desenho maneirista. 

     

    Inserido na malha urbana, o palácio Pombal localiza-se na freguesia das Mercês, Bairro Alto, na rua de O Século, n.º 79, onde se encontra a fachada principal do edifício, orientada a Sudoeste.

    O edifício está confinado entre um edifício contínuo a Noroeste e a entrada principal de coches à direita, a Sudeste. Apresenta planta rectangular, com as faces longitudinais voltadas para a rua e para o jardim nas traseiras do edifício.

    O lote do terreno onde está inserido corresponde ao desenho rectangular. O jardim na zona posterior tem dimensão longitudinal igual à extensão do edifício e a sua profundidade corresponde, aproximadamente, à largura de 1 e1/2, do palácio.

    A morfologia do terreno apresenta um declive descendente, de Sudoeste para Nordeste, acompanhando o desnível vencido pela rua da Academia das Ciências com a rua de O Século.

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    A morfologia do edifício corresponde à composição de um prisma irregular, expresso na planta longitudinal rectangular, de desenho oblíquo. Num total de quatro pisos, respectivamente -1, 0, 1 e 2, o palácio apresenta um programa de distribuição com algumas dificuldades de leitura, devido às alterações que sofreu na sua evolução arquitectónica. As divisões são maioritariamente oblíquas, com excepção de algumas divisões ortogonais situadas na zona norte do edifício.

    A comunicação horizontal faz-se por divisões intercomunicantes e corredores de desenho regular e ortogonal, resultantes das transformações de divisões no interior. A comunicação vertical interior faz-se por uma escada de aparato e duas escadas privadas e de serviços.

    A escadaria nobre situa-se no flanco esquerdo do palácio e comunica o vestíbulo e entrada de coches (hoje interrompida) directamente com o piso nobre, acedendo à sala vaga. Esta caracteriza-se por dois lanços paralelos com dois patamares, um no topo do primeiro lanço e outro no topo do segundo lanço, no piso nobre.

    As comunicações verticais privadas, situadas entre o piso -1 e o piso 0, são igualmente de serviços pois comunicam com o jardim e com a cozinha, na zona sudeste do palácio. Ao centro, uma escada privada faz a ligação entre o piso -1 e o piso 0. Em comunicação com a sala vaga existe ainda uma escada de um lanço para aceder à cobertura onde se situariam os últimos mezaninos do palácio, com acesso às tribunas do oratório.

    As comunicações exclusivamente de serviços situam-se no flanco esquerdo, a Oeste. De dimensões reduzidas, com vários lanços, percorrem nesta zona todo o edifício, desde o piso -1 até à cobertura.

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    Voltada a Este, para a rua do Século, com embasamento à face da parede que acompanha o declive suave da rua em altura, elevando-se de Sul para Norte.

    Possui três pisos e dois panos divididos e delimitados por pilastras, sendo maior o da esquerda, onde, no piso térreo, se localizam duas portas entre as quais se abrem seis janelas e mais uma no extremo direito, todas gradeadas e de moldura rectangular.

    No 2º piso existem nove janelas de sacada de moldura rectangular com varandim estreito de ferro, alinhadas sobre um friso estreito perfilado.

    No 3º piso nove janelas quadradas no eixo das inferiores, havendo duas com parapeitos de ferro-forjado e duas com gradeamentos parciais, e as três da direita cegas.

    No pano da direita, mais estreito, o piso térreo é marcado por uma janela e uma porta rectangulares; no 2º piso, duas janelas de sacada; no 3º piso, duas janelas de moldura quadrangular.

    Remate em cornija sob beiral.

    Fachadas laterais adossadas a edifícios da mesma rua.

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    Fachada posterior

    Voltada a Oeste, para o jardim, com quatro pisos, divide-se em três panos de larguras dissemelhantes por meio de pilastras que também delimitam a fachada, sendo o pano central mais largo.

    O 1º piso é inferiormente percorrido por um embasamento de silhares lisos, à face da parede, abrindo-se no pano central, à direita, duas portas envidraçadas e à esquerda uma, de molduras rectangulares, sendo as extremas encimadas por molduras rectangulares; entre as portas localizam-se três janelas de moldura rectangular. No pano da esquerda alternam-se duas janelas e duas portas, todas encimadas por molduras rectangulares, vazadas e envidraças. No pano da direita alinham-se duas portas, uma janela e uma porta, sendo as portas extremas encimadas por molduras rectangulares cegas.

    No 2º e 3º pisos, sobre um friso saliente, assentam 14 janelas de sacada: seis no pano central e quatro em cada pano lateral, com moldura rectangular e varandins de ferro, estando a terceira do pano esquerdo cega.

    No 4º piso existem seis janelas quadrangulares no pano central e quatro no esquerdo, sendo 2duas cegas, à direita de cada pano.

    Remate em cornija sob beiral.

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    ALMADA, Carmen Olazabal e FIGUEIRA, Luís Tovar – “Palácio Pombal da rua do Século, em Lisboa”. In Monumentos, n.º 8, Lisboa, DGEMN, 1998, pp. 126-129.

    ALMEIDA, D. Fernando de (coord. de) - Monumentos e edifícios notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, tomo II, 1975.

    ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa, vol. 5, Lisboa, 1939.

    ARAÚJO, Norberto de - Inventário de Lisboa. Fasc. 8, Lisboa, 1950.

    CARITA, Hélder, Bairro Alto - Tipologias e modos arquitectónicos, Lisboa, 1990.

    CRUZ, João – “Palácio dos Carvalhos”, in Dicionário da História de Lisboa (dir. de Francisco Santana e Eduardo Sucena), Lisboa, 1994, pp. 218-222.

    GALVÃO-TELLES, João Bernardo – “Da rua Formosa à rua do Alecrim: um passeio pelas residências lisboetas dos marqueses de Pombal (1699-1999)”, in Olisipo, Lisboa, 1999, pp. 54-65.

    GALVÃO-TELLES, João Bernardo e SEIXAS, Miguel Metelo – Sebastião José de Carvalho e Melo, 1º conde de Oeiras, 1º marquês de Pombal: memória genealógica e heráldica nos trezentos anos do seu nascimento (13 de Maio de 1699 – 13 de Maio de 1999), Oeiras, Universidade Lusíada / Câmara Municipal de Lisboa, 1999.

    MACHADO, Cirilo Volkmar – Collecção de Memórias relativas às vidas dos pintores, e escultores, architectos, e gravadores portuguezes, e dos estrangeiros, que estiverão em Portugal (...), Lisboa, Imprensa de Victorino Rodrigues da Silva, 1823.

    MECO, José – O azulejo em Portugal, Lisboa, Alfa, 1989.

    MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – “Estuques e estucadores em palácios setecentistas da região de Lisboa”, in Casas senhoriais Rio-Lisboa e os seus interiores (coord. de Marize Malta e Isabel Mendonça), Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Lisboa, Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa e Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, pp. 175-201.

    MIRANDA, António e JANEIRO, Helena Pinto – “O Palácio dos Carvalhos da rua Formosa”, in Camões. Revista de Letras e Culturas Lusófonas, nºs 15/16, Lisboa, Instituto Camões, 2003, pp. 143-149.

    MIRANDA, António e JANEIRO, Helena Pinto – “O Palácio Pombal e o morgado da rua Formosa: a propósito de uma campanha de obras”, in Monumentos, n.º 21, Lisboa, Setembro 2004, pp. 256-263.

    MOITA, Irisalva – “O Palácio dos Carvalhos à rua Formosa”, in Revista Municipal, nºs 118-119, Lisboa, 4º trimestre de 1968.

    VALE, Teresa, GOMES, CORREIA, Paula – Palácio Pombal / Palácio dos Carvalhos, ficha IPA.0003163. IHRU, 1994, 2001. http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3163

    Século XVII

    1º quartel – Sebastião de Carvalho, senhor de Sernancelhe, comprou casas e várias propriedades na rua Formosa e suas imediações (a Bartolomeu de Cabedo de Vasconcelos, Bento de Carvalho, Cristóvão de Matos e Joana Barbosa e ainda a Bento Henriques de OIiveira e sua mulher, Catarina Pereira) que vinculou em morgado, em testamento lavrado com sua mulher, Maria de Braga, a 4 de Fevereiro de 1629.

    Meados – os herdeiros do instituidor do morgado, Paulo de Carvalho e seu irmão, Sebastião, adquiriram outras propriedades que integraram no morgado e realizaram várias benfeitorias.

    1663 - testamento de Paulo de Carvalho em que anexou ao morgado o padroado da igreja das Mercês.

    Século XVIII

    1737 – por morte de Paulo de Carvalho e Ataíde, arcipreste da Patriarcal, o palácio da rua Formosa foi herdado pelos sobrinhos, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro conde de Oeiras (1759) e marquês de Pombal (1770), e os seus dois irmãos, Paulo de Carvalho e Mendonça e Francisco José de Mendonça Furtado.

    Meados ­e 2ª metade – novas aquisições de casas nobres e obras de ampliação e decoração do palácio.

    Finais – arrendamento de parte do edifício à firma inglesa Pury, Mellish e Devisme.

    Séculos XIX e XX

    1802 – a zona principal do palácio foi arrendada a Jácome Ratton e a seu filho Diogo.

    1859 – após a morte do 5º Marquês Pombal, Manuel José Carvalho Melo Daun Albuquerque e Lorena, a propriedade foi dividida por diversos herdeiros.

    2ª metade do séc. 19 / 2ª década do séc. XX – no palácio funcionaram, sucessivamente, a Legação da Alemanha, a Embaixada de Espanha e a Confederação Geral do Trabalho.

    1927 – arrendamento do palácio à Casa da Madeira.

    1968 – aquisição de parte do edifício pela Câmara Municipal de Lisboa.

    CML: Arquivo de Obras, Pº Nº 32.494

    IPPAR Pº Nº 81/3 (31)

    Coordenação: Isabel Mendonça / Helder Carita

    Julho de 2014

     

    Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

    Isabel Mendonça – Estuques

    Alexandre Lousada – Azulejaria

    Lina Oliveira – Arquitectura (Fachadas, Cronologia, Bibliografia) / Azulejaria (piso 1 div.7) / Pintura Decorativa / Decoração diversa

    Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição) / Programa Interior

    Piso -1

    O piso -1 é parcialmente soterrado, sem comunicação com a rua de O Século, e térreo na zona posterior do palácio, onde comunica directamente com o jardim, a Nordeste. Comporta uma zona de serviços e uma zona privada, privilegiada pelo acesso directo ao jardim. A existência da cozinha no flanco direito identifica uma zona de serviços, onde, além das lareiras e forno, tinha água canalizada. Ao centro, uma divisão com os cantos chanfrados através de mobiliário fixo, juntamente com uma bica de água corrente, identifica uma sala de refeições com ligação a uma despensa ou garrafeira. As restantes divisões intercomunicantes têm comunicação directa com o jardim.

     

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    Piso 0

    Em comunicação directa com a rua de O Século, a Sudoeste, o piso 0 situa-se na zona posterior, um piso acima do térreo. É por este piso que se acede ao vestíbulo, e, daqui à caixa de escadas de aparato e, por continuidade, à entrada dos coches, hoje interrompida, no flanco direito. As transformações que sofreu criaram um corredor central e subdividiram a maior divisão, a Oeste do palácio. Este piso pertenceu aos aposentos particulares da família. Todas as divisões sobre o jardim têm janelas de sacada. As divisões são intercomunicantes e de forma geral rectangulares. As que situam na zona sudeste têm desenho oblíquo.

     

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    Piso 1 (Nobre)

    O andar nobre ocupa todo o 1º andar, sendo este piso exclusivamente zona de aparato. As divisões são de grande dimensão e intercomunicantes. Distribuem-se para a frente de rua e para o jardim, em ambos os lados com janelas de sacada. O desenho interior das divisões é ortogonal, unicamente nas duas divisões a Norte, voltadas para o jardim, sendo as restantes de configuração oblíqua. A escada de aparato situa-se no flanco direito, ocupando toda a largura do palácio. As transformações que o edifício sofreu neste piso são visíveis na alteração espacial, criada em duas divisões contíguas, junto à fachada da rua de O Século, a Sudoeste, criando aqui um corredor. O oratório situa-se ao centro do piso, imediatamente após a sala vaga, em comunicação com a escada de aparato.

     

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    Piso 2

    Em comunicação directa com uma escada privada junto à sala vaga no piso 1, o piso 2 encontra-se actualmente com o espaço totalmente aberto sendo visíveis as armações dos tectos de estuque do piso inferior e um tecto em masseira de madeira pintada, pertencente a uma sala primitiva do palácio dos Carvalhos da rua Formosa.

     

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    Piso -1, divisão 1

    Paredes revestidas a azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis monocromáticos delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas. Secções de painéis de azulejos de “figura avulsa”, de padrão “pombalino”, e de azulejos policromados de padrão de “tapete” da 2ª metade do século XVII.

     

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    Piso -1, divisão 2

    Lambril de azulejos em azul e branco do século XVIII. Painéis ornamentados com florões e elementos vegetalistas estilizados, delimitados por uma cercadura com elementos geométricos.

     

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    Piso -1, divisão 4

    Lambril de azulejos em azul e branco da 2ª metade do século XVIII. Painéis monocromáticos delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva e flores quadrilobadas. Cantoneiras com marmoreados.

     

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    Piso 0, divisão 3

    Lambril de azulejos policromados do século XVIII. Painéis em azul e branco com balaustradas em trompe l’oeil e marmoreados. Rodapé com marmoreados.

     

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    Piso 1, divisão 1

    Lambril de azulejos policromados do século XVIII. Painéis com panóplias sobre um fundo de gradinhas, delimitados por um enquadramento arquitectónico com elementos vegetalistas e marmoreados.

     

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    Piso 1, divisão 7

    Sala revestida de silhares de azulejos pombalinos, brancos, verdes, amarelos e manganês, de temática figurativa, com cenários de paisagens urbanas, rurais e marinhas onde se desenrolam cenas do quotidiano, agrupados dois a dois, individualmente envolvidos por cartelas vegetalistas onde pontuam elementos concheados auriculares, cornucópias e aves de longos pescoços, e centrados por albarrada com flores estilizadas suportada por elementos metálicos; cada conjunto é inferior e lateralmente enquadrado por uma cercadura de motivos concheados de formas auriculares, perfiladas por troncos e folhagens estilizadas e flores, cingidas ao centro por um atado de três flores fechadas.

     

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    Piso -1, Divisão 3

    Tecto de um plano rectilíneo, de planta octogonal, rodeado por sanca moldurada; o fundo e os relevos são da mesma cor: camurça e bege. Uma moldura de perfil mistilíneo rodeia uma ampla reserva central com concheados e pássaros debicando frutos.  Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 0, Divisão 1

    A entrada corresponde ao espaço debaixo da escadaria nobre. Sobre uma das portas laterais a pedra de armas da família Pombal. O tecto,  em abóbada de aresta, é centrado por florão emoldurado. Fundo azul, salmão e branco, relevos em branco.  Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 1, divisão 1

    As paredes da casa da escada são compartimentadas por pilastras com bases de mármore, fustes decorados por motivos encadeados e capitéis  com as armas coroadas da família Pombal; entre as pilastras, grandes painéis com pintura de marmoreados em tons de rosa, azul e salmão. Tecto de um plano rectilíneo, de planta rectangular, enquadrado por sanca moldurada; fundo salmão e azul, relevos em branco. Duas molduras concêntricas dispostas segundo o eixo longitudinal do tecto definem três espaços: um painel central com uma composição figurativa que representa o “Tempo desvelando a Verdade” e dois laterais em que se conjugam concheados em turbilhão, pássaros de longos pescoços, fitas entrelaçadas e motivos vegetalistas. Em redor dos três painéis, cartelas com bustos de guerreiros e heróis clássicos alternam, nos quatro cantos do tecto, com cartelas centradas por motivos vegetalistas.  Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 1, divisão 2

    Tecto em forma de masseira com as arestas arredondadas, de planta rectangular,  enquadrado por sanca moldurada; fundo rosa e azul, relevos em branco. No pano central, uma moldura contracurvada enquadra um painel decorado com ornatos em forma de fitas contracurvadas e elementos vegetalistas; no eixo longitudinal, nos dois topos deste painel, um busto feminino e um masculino dentro de molduras circulares. Nos panos laterais, quatro grandes molduras circulares centradas por rosetas.  Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 1, divisão 3

    Os estuques revestem as paredes do pequeno oratório, de planta quadrada,  encimado por uma claraboia, e comunicando com as divisões do piso superior por tribunas. Fundo rosa e azul de tons pastel, relevos em branco. As paredes são densamente preenchidas por cartelas de grandes dimensões, compostas por concheados vazados, de perfil flamífero, servindo de moldura a composições figurativas:  a Sagrada Família, a Virgem com S. Joaquim e Santa Ana e o martírio de S. Sebastião, por baixo das tribunas; a tiara papal e dois apóstolos (S. Pedro e S. Paulo?) apoiados em plintos com gradinhas, sobre as tribunas;  em redor da claraboia figura uma balaustrada em estuque; o retábulo do altar, também em estuque, com duas colunas coríntias ladeando o espaço para a tela já desaparecida, é rematado por painel com a representação de Santo António com o Menino. Sobre o retábulo, o “agnus dei” centra uma roseta de grandes dimensões.  Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 1, divisão 4

    Tecto de um plano rectilíneo, de planta rectangular; fundo rosa e azul, relevos em branco. Uma moldura de perfil mistilíneo, rodeia um painel central figurando dois meninos com um arco e um carcás com setas, tendo a seus pés dois pássaros debicando-se, uma alusão ao amor. Em redor do painel central, dentro de reservas circundadas por concheados e ornatos flamíferos, estão representadas aves de longos pescoços e dragões gesticulantes. Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 1, divisão 5

    Tecto em forma de masseira com as arestas arredondadas, de planta rectangular,  enquadrado por sanca moldurada; fundo rosa, roxo e bege, relevos em branco. No pano central, uma dupla moldura concêntrica de perfil mistilíneo enquadra fitas contracurvadas entrelaçadas e elementos vegetalistas; nos panos laterais, plintos perspectivados, com o fundo preenchido por gradinhas, em que se apoiam bustos femininos dentro de molduras circulares, ladeadas de cornucópias com flores e frutos, nos lados maiores, e vasos floridos, nos lados menores. Os cantos do tecto são preenchidos por grandes cartelas de concheados, enquadradas por plumas enlaçadas.  Século XVIII, 2ª metade.

     

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    Piso 1, divisão 6

    O tecto da maior sala do palácio, de planta rectangular, mostra uma invulgar configuração de duplo sanqueado, com sanca moldurada de forte ressalto. Fundo amarelo, rosa e cinza, em tons pastel, relevos em branco. O tecto é compartimentado por molduras de acentuada volumetria. No pano central, um painel delimitado por dupla moldura concêntrica representa a fertilidade da Natureza, figurada por Cibele, a deusa‑mãe primordial, geradora de todos os deuses do panteão clássico; a meio dos panos laterais, dentro de cartelas de concheados, alegorias das quatro estações do ano figuradas por meninos entretidos em diversas actividades; nos quatro cantos, cartelas idênticas, sobrepostas, enquadram divindades do panteão clássico e panóplias de instrumentos com os respectivos atributos: Diana caçadora e seu irmão Apolo; Apolo, deus do sol e da música; Himeneu, filho de Apolo, rodeado pelos seus atributos, a tocha e a flauta; a deusa Atena, com a lança e o caduceu. Os fundos do tecto são densamente preenchidos por ornatos vários associados com grande sentido ornamental: fitas enlaçadas, motivos fitomórficos, grinaldas, cestos de frutos e flores, gradinhas e pássaros de longos pescoços. Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 7

    Tecto em forma de masseira, de planta rectangular, rodeado por sanca moldurada; fundo verde, azul e rosa de tons pastel, relevos em branco. No painel central a representação da Aurora inspirada na “Iconologia” de Ripa; nos panos laterais uma quadratura organiza a composição: quatro bustos femininos nos cantos da moldura central, alinhados com alegorias dos quatro elementos, figuradas por meninos, nos cantos do tecto; no eixo dos panos laterais estão representadas brincadeiras de meninos. Concheados vazados, vasos floridos, grinaldas e outros motivos fitomórficos preenchem os fundos dos panos laterais da masseira. Século XVIII, meados.

     

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    Piso -1, divisão 3

    Paredes com pintura decorativa do século XIX, composta por enrolamentos vegetalistas em trompe l’oeil, nas sobreportas, e cenas com paisagens marítimas.

     

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    Piso -1, divisão 6

    Paredes com pintura decorativa do século XIX, com uma composição em trompe l’oeil, com elementos arquitectónicos representando um jardim.

     

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    Piso 0, divisão 1

    Paredes com pintura decorativa composta por frisos e painéis de marmoreados.

     

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    Piso 0, divisão 2

    Paredes com pintura decorativa da 1ª metade do século XIX. Barras decoradas com arabescos, elementos vegetalistas estilizados e rosetas, sobreporta com drapeados, passamanaria e flores e remate inferior com um friso com “grega”.

     

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    Piso 1, divisão 1

    Paredes com pintura decorativa composta por frisos e painéis de marmoreados.

     

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    Piso 1, divisão 2

    Paredes com pintura decorativa do século XIX com um padrão em trompe l’oeil imitando tecido adamascado.

     

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    Piso 1, divisão 5

    Paredes com duas camadas sobrepostas de pintura decorativa do século XIX. A camada inferior, da 1ª metade do século XIX, mostra um enquadramento de arabescos e folhagens e ao centro uma reserva com drapeados com um conjunto alegórico. Friso em trompe l’oeil decorado com círculos enlaçados, flores e rosetas e pedestal com um medalhão com a representação de um cão, enquadrado por grinaldas; em cima um conjunto de figuras aladas sobre um fundo estriado. Barra inferior com linhas entrelaçadas em trompe l’oeil. Segunda camada de pintura decorativa com um padrão em trompe l’oeil imitando tecido adamascado.

     

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    Piso 2, divisão 1

    Tecto de masseira apainelado, com molduras pintadas com arabescos brancos sobre fundo vermelho, perfiladas por friso espinhado, e faixas com grutescos em amarelo sobre fundo azul. Na esteira e numa das saias, fragmentos de dois painéis com composições de grutescos conjugando elementos de ferronerie, folhagens, figuras de anjos e medalhão. Século XVII, meados.

     

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    Piso -1, divisão 1

    Carranca semi-antropomórfica esculpida em relevo no espaldar curvo de uma bica com soco elíptico, em calcário.

     

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    Piso -1, divisão 3

    Pequena bica de estrutura arquitectónica, com espaldar curvo estriado centrado por medalhão metálico, encimada por pequena abóbada em concha moldurada em arco pleno, cujas enjuntas ostentam cornucópias de metal, enquadrada por pilastras inferiormente decoradas com volutas. Estas suportam entablamento com frontão de lanços preenchido por ornamentação metálica concheada entre folhagens. Taça elíptica sobre mísula curvilínea.

     

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    Piso 0, divisão 2

    Pedra de lareira em calcário vermelho, centrada por urna clássica em relevo, guarnecida por panejamento, suspenso nas asas em volutas à grega.

     

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    Piso 0, divisão 3

    Guarda de escada privada, com balaústres de madeira talhada com motivos vegetalistas formando grandes corolas em simetria, cintadas por anel a eixo, de onde emergem caneluras torcidas, rematadas por corolas menores. De notar a semelhança com os balaústres pintados no revestimento azulejar desta mesma escada.

     

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    Piso 1, divisão 1

    Dois candelabros figurativos em bronze, situados nos extremos do corrimão central da escadaria monumental, representando um putto, semi-coberto por panejamento, apoiado no pé esquerdo e segurando um vaso com o candeeiro sobre a cabeça. A base é composta por um vaso de calcário vermelho, decorado com palmetas, encimado por um supedâneo em bronze, com nó saliente decorado com cabeças de cão e motivos decorativos de ferronerie.

     

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