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    Palácio Mitelo

    Palácio Mitelo
    XVII,XVIII
    Portugal
    Largo do Mitelo, 1150-228, Lisboa
    38.722163
    -9.138952
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    Constituindo-se uma das mais apuradas propostas de palácio joanino, o Palácio Mitelo está intimamente ligado à figura de D. Alexandre Metelo de Sousa Meneses, que chefiou a embaixada enviada por D. João V, no ano de 1727, à corte de Pequim. O edifício do século XVII é comprado por D. Alexandre de Metelo, que faz profunda reforma, imprimindo ao conjunto uma forte animação.  Sobre o Largo do Mitelo o palácio passa a apresentar uma fachada principal com um tramo central articulado por dois corpos simétricos ligeiramente salientes, sendo um deles capela da casa.  Para além do requintado interior da capela, o palácio guarda uma variada colecção de azulejaria e estuques do século XVIII que se estendem por paredes e tectos.  

     

    Inserido na malha urbana, o palácio Mitelo localiza-se na freguesia da Pena, na margem nascente do Campo dos Mártires da Pátria. Está orientado pela fachada principal a Noroeste, estando esta de frente para o largo do Mitelo, junto ao Paço da Rainha.

    O edifício está confinado ao canto superior esquerdo do quarteirão em que se insere. A fachada principal prolonga-se para Este, pela rua da Bempostinha, e a fachada Sul deita para o largo do Mastro. A fachada tardoz orienta-se a Sudeste, tendo nesta zona um logradouro.

    O lote do terreno com desenho de polígono irregular pentagonal, é ocupado quase na totalidade pelo edifício de planta em “U”.

    A morfologia do terreno é em declive descendente, de Este para Sudeste, pela rua da Bempostinha e largo do Mitelo, continuado de Noroeste para Sudeste no largo do Mastro.

    A morfologia do edifício corresponde à composição de um prisma irregular, disposto em “U”, com pátio interior.

    Num total de seis pisos, respectivamente 1,0,1,2,3 e 4, o edifício tem um programa de distribuição interior complexo, nas zonas de serviços e nas zonas privadas, verificando-se a antítese na zona de aparato; situada no piso 2 (nobre); o acesso é directo pelas escadas de aparato, em comunicação com o vestíbulo no piso 0. As escadas de aparato, em cantaria, correspondem a um volume interior vazado, com quatro lanços de escadas de configuração rectilínea, intercalados por quatro patamares, três quadrados e um rectangular, no topo. O 2º patamar comunica com um piso intermédio, de serviços, e com a 1ª tribuna da capela; no topo, acede-se a duas comunicações, uma com a zona de aparato e outra com a zona privada do piso nobre.

    A par do piso 2 (nobre), a clarificação da organização em planta verifica-se na zona sudoeste do piso 1 e na capela localizada a Norte do edifício, onde a ocupação interior unifica os pisos 0, 1 e 2. Os pisos 3 e 4 correspondem a uma utilização parcial do espaço, numa situação de águas furtadas orientadas a Sul. O piso -1, localizado junto ao largo do Mastro, corresponde a uma cave, com entrada pelo piso térreo.

    A comunicação vertical entre os seis pisos decorre em três tipos de escadas, nobres, particulares e de serviços, sendo estas igualmente usadas pela família no acesso interno ao conjunto do edificado.

    A comunicação horizontal entre divisões realiza-se, de divisão para divisão, de uma forma clara nas zonas nobres, privadas ou de aparato. Nas zonas de serviços, a comunicação faz-se entre divisões de pequena dimensão, por corredor e pequenas escadas. Os desníveis que o conjunto apresenta, essencialmente no piso 0, correspondem à adaptação que o programa de composição e distribuição interior faz à morfologia do terreno.

    A composição decorativa do palácio apresenta-se essencialmente na fachada orientada a Noroeste, no largo do Mitelo e no alçado a Sudoeste no largo do Mastro, rematada por cornija e coroada por pináculos nas extremidades dos volumes da morfologia exterior. O edifício apresenta nas duas frentes de rua um tratamento decorativo sóbrio. A marcação de simetria a eixo é definida pelos vãos e janelas de sacada, com ligeiras diferenças nos remates decorativos da cantaria aplicada, revelando o piso nobre, o quarto baixo e o piso térreo. Esta diferenciação decorativa entre pisos é transposta para as guardas das janelas em ferro forjado e gradeamentos dos vãos.

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    A fachada principal, virada a Noroeste para o largo do Mitelo, apresenta dois volumes ligeiramente avançados, que definem o corpo central da fachada. Esta estende-se para Nordeste pela rua da Bempostinha, com o corpo lateral da capela, mas já sem o tratamento arquitectónico que a volumetria e decoração em cantaria apresentam, no desenho da fachada principal, circunscrita ao largo do Mitelo.

    A par da verticalidade marcada pela cantaria das pilastras e cunhais, com capitel, base e pedestal, de influência da ordem toscana, a fachada apresenta uma definição de horizontalidade, no friso que demarca o piso nobre e no embasamento em cantaria aparelhada regular que demarca o piso térreo. Estas duas demarcações na fachada principal têm continuidade na fachada lateral a Sudoeste. A definição dos volumes colaterais da fachada principal é enfatizada pela cornija que remata o topo do palácio, separando estes do corpo central e da continuidade da fachada do palácio na rua da Bempostinha. O volume que separa a fachada principal da sua continuidade pela rua da Bempostinha apresenta o portal de comunicação da capela com o largo do Mitelo. De configuração rectilínea, o portal em cantaria tem painel escultórico com palmetas e atributos religiosos da Paixão de Cristo, encerrados em frontão com cornija contracurvada. O painel interrompe o friso do piso nobre e sobrepõe-se à janela de peitoril de configuração idêntica às do piso nobre. Esta é ladeada por duas janelas de recorte quadrangular simples, sendo a da esquerda entaipada ou falsa.

    A simetria é determinada pelos volumes laterais e enfatizada no corpo central, com o desenho axial do portal coroado por janela de sacada e simetria nas pilastras e janelas de peito. Os volumes apresentam duplo cunhal em cantaria regular, aparelhada nas extremidades, rematado por pináculo em forma de bolbo.

    O portal é coroado por frontão de desenho arquitectónico, com cornija rectilínea contracurvada, com cartela central, ladeada de elementos arquitectónicos e elementos vegetalistas de folhagens de acanto, fitas e palmetas. Sobre o portal uma janela de sacada, com guarda em ferro forjado de desenho curvilíneo.

    O corpo central tem no piso térreo uma composição de vãos 2 | 3 | 2, repetindo a composição no piso superior. As pilastras que separam a composição dos vãos são rematadas por pináculo em forma de urna.

    Os vãos assumem na fachada um papel crucial no tratamento decorativo da fachada. Enunciam a formulação da organização da distribuição no interior. O piso térreo apresenta em evidência o vestíbulo ao nível da entrada com duas janelas de peito ladeando o portal da entrada principal, com grade em varão de ferro cruzada em oblíquo. O encerramento destes três vãos centrais por pilastras demarca de igual modo os três vãos da sala vaga do piso nobre, tendo estes o mesmo alinhamento e configuração, sendo que aqui a janela de peito tem avental em cantaria.

    Os vãos do piso térreo são rectilíneos, com verga de arco abaulado, em cantaria simples. No piso nobre os vãos de cantaria são mais elaborados, a verga em asa-de-cesto pouco pronunciada tem recorte contracurvado nas extremidades do topo e rosácea de flor com pétalas radiadas ao centro, interrompendo o desenho em asa-de-cesto no interior do vão.

    Fachada sudoeste

    A fachada secundária do palácio situa-se a Sudoeste, frente ao largo do Mastro. A fachada sintetiza a formulação interior do programa distributivo, através da horizontalidade que os vãos e a decoração arquitectónica em cantaria imprimem à fachada, pondo a descoberto o piso -1, o piso térreo, o quarto baixo e o piso nobre.

    O alinhamento dos vãos é também vertical, com a regularidade 2|1|2 de cinco vãos por piso, 0, 1 e 2. A simetria da fachada é enfatizada pela quase ininterrupção de cantaria dos vãos axiais e pelo aumento diferencial do seu desenho e decoração, sendo regular e simples no piso térreo e de elaborado recorte no piso nobre.

    O revestimento em cantaria aparelhada regular identifica o piso -1 e o piso térreo. Os cinco vãos, cujo alinhamento vertical se estende aos planos superiores, são de desenho simples e rectilíneo; a eixo, uma porta com bandeira vazada, ladeada de duas janelas de peito de cada lado; abaixo tem ainda dois óculos elípticos, com malheiro de ferro. Alinhados na extremidade inferior esquerda existe um portão de acesso ao piso -1 onde terão sido as cavalariças do palácio.

    As janelas de sacada do quarto baixo, situado no piso 1, são rectilíneas, com verga de arco abaulado em cantaria simples, e têm varandim com varão ritmado verticalmente.

    O piso nobre, enfatizado pelo friso alinhado com a fachada principal, apresenta um vão a eixo com grande recorte em cantaria, no interior e exterior, e quatro vãos também em cantaria, de verga em asa-de-cesto pouco pronunciada, com recorte contracurvado e rosácea de flor com pétalas radiadas ao centro, interrompendo o desenho em asa-de-cesto no interior do vão.

    A fachada é ladeada por dupla pilastra/cunhal, com capitel, base e pedestal, de influência da ordem toscana. A base configura-se à dimensão do piso térreo. O topo é rematado por dois pináculos em forma de bolbo que assentam sobre os capitéis das pilastras/cunhais, unidos por cornija com recorte igual.

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    AAVV – Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987.

    ALMEIDA, D. Fernando de, (dir. de). Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa: Lisboa. Tomo II. Lisboa: 1975.

    ARAÚJO, Norberto de – Peregrinações em Lisboa, vol. I, livro IV, Lisboa, s.d.

    ARAÚJO, Norberto de – Inventário de Lisboa, fasc. 7, Lisboa, 1950.

    ficha IPA.0007819, IHRU, 1999, 2002. http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=7819.

    JORGE, Maria Júlia – “Palácio do Mitelo”, in Dicionário da História de Lisboa (dir. de Francisco Santana e Eduardo Sucena), Lisboa, Carlos Quintas e Associados, 1994, pp. 582, 583.

    MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – Estuques Decorativos - a viagem das formas (séculos XVI a XIX), Lisboa, Patriarcado de Lisboa, 2009.

    Séc. XVII

    1ª metade – notícia da existência de casas nobres no então denominado Campo do Curral.

    1672 – as casas nobres foram compradas por Manuel Francisco Mendes, que procedeu a obras de ampliação.

    Séc. XVIII

    1737 – o palácio foi adquirido pelo desembargador e diplomata na China e em Madrid, Alexandre Metelo de Sousa e Meneses que efectuou grandes obras de transformação e ampliação do edifício.

    1752 – o Dr. Alexandre Metelo cedeu o terreno para a construção de uma capela, com sacristia e casa do despacho, anexa ao seu palácio, com porta para a rua e acesso directo do piso nobre através de uma tribuna. Na capela instalou-se a irmandade do Senhor Jesus dos Perdões.

    1766 – após a morte do proprietário, o palácio passou para a posse da viúva, D. Luísa Leonor de Matos e Vasconcelos.

    1771 – D. Luísa Leonor vendeu o palácio a Lourenço Gonçalves da Câmara Coutinho, almotacé-mor do Reino, do qual passou, posteriormente, para D. Luís da Câmara, principal da Sé de Lisboa.

    1789 – o edifício foi adquirido por José de Vasconcelos Soares de Albergaria, 1º visconde da Lapa e 1º barão de Moçâmedes, permanecendo durante todo o século seguinte na posse da sua família.

    Séc. XX

    1900 – o edifício foi comprado por D. Maria Manuela de Brito Castro de Figueiredo e Melo da Costa, marquesa de Pomares.

    1936 – a proprietária do edifício era D. Maria Vitória Carvalho Daun e Lorena, casada com D. João Pacheco de Bourbon e Lindoso.

    1941 – o palácio foi adquirido por Lídia Maia Cabeça que o cedeu ao Patriarcado de Lisboa. No andar nobre instalou-se o Instituto Superior de Serviço Social, reservando-se a ala poente para residência de D. Manuel Salgueiro, arcebispo de Mitilene.

    1977 – eram proprietárias do edifício Maria de Castro Norton e Ana Maria de Carvalho Roque de Pinho Oliveira Simões.

    IHRU: DGEMN/DSID

    CML: Arquivo de Obras, Procº nº 8.908

    DGARQ/TT, Orfanológicos, Letra A, Maço 121, Nº 1, Cx. 206, Inventário dos bens que ficaram por morte de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses, 1766 - 1768

    Coordenação: Isabel Mendonça / Helder Carita

    Julho de 2014

     

    Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

    Alexandre Lousada – Azulejaria

    Isabel Mendonça – Estuques

    Lina Oliveira – Arquitectura (Cronologia, Bibliografia) / Decoração diversa

    Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição, Fachadas) / Programa Interior

    Piso -1

    O piso -1 corresponde às fundações do volume paralelepipédico localizado na extremidade do conjunto, a sudoeste. Com acesso pelo largo do Mastro, o seu interior apresenta um conjunto de comunicações entre divisões de grande dimensão e pé direito coincidente. Actualmente apresenta um lanco de escadas para aceder ao pavimento largamente afundado no terreno, tem dois óculos de respiração e terá sido lugar das cavalariças do palácio.

     

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    Piso 0

    O piso térreo apresenta a entrada de aparato do palácio no largo do Mitelo. A organização interior faz-se pelo vestíbulo e daqui a distribuição da circulação interior: à capela, às zonas de serviços, como a cozinha (a Nordeste) ou as cocheiras (a Sudeste), às cavalariças no piso -1 e aos pisos superiores: quarto baixo (piso 1) e piso nobre (piso 2). A capela, com acesso pela caixa de escadas nobres, tem também entrada directa da rua e comunicação (hoje interrompida) com um apartamento do capelão, com acesso pela rua da Bempostinha, a Norte do palácio. As comunicações realizam-se de divisão em divisão, com a excepção de um corredor que liga a cozinha à zona de serviços do piso térreo e consequente comunicação com a copa no piso nobre.

    No interior do vestíbulo existem quatro vãos de comunicação com escadas. Dois correspondem a portais colaterais de dimensão e configuração decorativa nobre. O portal esquerdo comunica com uma caixa de escada nobre, de configuração quadrangular, com quatro lanços. Pelo 2º patamar acede-se à 1ª tribuna da capela e a um piso intermédio de serviços e circulações interiores. Pelo portal direito acede-se a uma escada particular de configuração nobre, com um lanço de escada (de dimensão e tratamento decorativo igual à escada de aparato) que comunica directamente com o quarto baixo (piso 1).

    As duas portas colaterais comunicam directamente com escadas de serviços, sendo que, pela comunicação que realizam, serão também de uso particular. A porta da esquerda corresponde a um acesso ao exterior numa zona rebaixada no interior do quintal, com lanço de escada para vencer a morfologia do terreno e a uma escada interior de acesso ao piso intermédio da zona de serviços no piso 1, junto ao acesso de serviços pela escada nobre. A porta da direita corresponde a um acesso vertical, a céu aberto (saguão interior), que interliga o piso térreo, entre as zonas nordeste e sudoeste, o quarto baixo (piso 1) e o piso intermédio, de serviços.

    A totalidade do piso térreo acompanha o desnível do terreno, de Noroeste, no largo do Mitelo (fachada principal) a Sudoeste no largo do Mastro. O desnível é vencido por dois lanços de escadas, bifurcados a partir do acesso da rua, no largo do Mastro. Um dos acessos (hoje encerrado) comunica com uma caixa de escadas a céu aberto (saguão interior), com ligação ao vestíbulo no piso térreo (piso 0), com o quarto baixo (piso 1) e com um piso intermédio, afecto a serviços e circulações, na zona noroeste junto ao largo do Mitelo. O outro comunica directamente com o quarto baixo (piso 1).

     

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    Piso 1

    O quarto baixo, situado no piso 1 do palácio, é praticamente um apartamento independente. O seu acesso pelo vestíbulo no piso térreo é directo e intercomunicante com o apartamento e uma zona de distribuição num saguão a céu aberto. Este interliga o piso térreo e o piso intermédio de serviços, onde as dimensões são reduzidas e, por vezes, aparentemente labirínticas.

    A ocupação espacial divide-se entre o apartamento, a Sudoeste do conjunto, a zona de serviços e comunicações interiores, ao centro, e a continuidade do apartamento do capelão e da capela, na zona noroeste.

    O apartamento a Sudoeste apresenta duas frentes, uma, a Nordeste, com acesso ao quintal interior (por passadiço sobre zona do quintal desnivelada) e outra, a Sudoeste, com janelas de sacada com varandim saliente para o largo do Mastro. Entre estas duas frentes localizam-se um lanço de escada (que vence o desnível entre a distribuição interior do edifício e a morfologia do terreno), uma copa e algumas divisões de serviços. As divisões habitadas pela família são intercomunicantes e de dimensão generosa.

    O quarto baixo apresenta três acessos verticais ao piso nobre, sendo que nenhum dos acessos é directo, sendo esta comunicação distribuída a partir do piso intermédio, acedido pelo saguão e zona de serviço. Um acesso, hoje interrompido, faz-se por uma escada de serviço que interliga, por corredor e pequenos lanços de escada, o piso térreo com o piso nobre. Os outros dois acessos realizam-se por interligação entre o piso intermédio e a escada nobre.

     

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    Piso 2

    O andar nobre situa-se no 2º piso do palácio. A sua organização interior compreende uma zona de aparato, voltada a Noroeste, para o largo do Mitelo, e a Sudoeste, para o largo do Mastro, uma zona de aposentos privados voltados para o quintal, a Sudeste e a Nordeste, e um núcleo de serviços entre estas duas zonas, no volume sudeste.

    O espaço de aparato corresponde a um conjunto de divisões intercomunicantes, de grande dimensão. Apresenta um conjunto de vãos de peito e de sacada.

    O espaço privado do piso nobre volta-se para o interior do quintal, tendo ainda uma pequena zona de comunicação com corredor, voltada para o saguão a céu aberto, junto ao núcleo de serviços.

    A zona de serviços situa-se no interior do volume a Sudoeste do palácio, entre a zona de aparato, a Noroeste e Sudoeste, e a zona privada, a Nordeste. Na copa localiza-se a comunicação com os serviços dos pisos inferiores e o acesso ao piso 3, na mansarda do palácio.

    Os acessos verticais a este piso são dois, o da escada nobre com ligação directa ao piso 0 (vestíbulo), e o da escada de serviço/particular, em comunicação com a copa. A escada nobre permite um acesso às divisões de aparato e às divisões privadas.

    O acesso às divisões privadas indicia uma zona de escritório e gabinete, pela forma como se localiza no espaço, permitindo o seu acesso directamente pela escada nobre ou após a entrada nas divisões de aparato.

    O acesso e comunicação com o piso 3 faz-se por três escadas de serviço/particulares, com dimensões reduzidas. Duas no núcleo sudoeste do conjunto, e uma a Nordeste, junto à parede de suporte e divisão da capela com o interior do palácio. Esta, junto ao gabinete, permite, em continuidade, o acesso ao piso 4 do palácio.

     

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    Piso 3

    O piso 3, situado na mansarda, voltado totalmente a Sudeste, tem uma única escada de acesso ao piso 4, localizada no núcleo nordeste do palácio, criando continuidade de acesso vertical, do piso 2 para o piso 4. As divisões são intercomunicantes.

     

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    Piso 4

    O piso 4, com uma única divisão (hoje repartida em duas) de tecto em masseira, tem uma vista ampla e privilegiada para o rio Tejo.

     

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    Piso 0, divisão 1

    Lambril de azulejos em azul e branco de padrão de “tapete”, da 2ª metade do século XVII, delimitado por uma cercadura ornamental com elementos fusiformes e óvulos.

     

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    Piso 0, divisão 2

    Lambril de azulejos em azul e branco do século XVIII. Painéis ornamentados com flores estilizadas numa quadrícula, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contra-curva e rodapé com esponjados.

     

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    Piso 0, divisão 3

    Lambril de azulejos em azul e branco do século XVIII. Painéis ornamentados com flores estilizadas numa quadrícula, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contra-curva e rodapé com esponjados.

     

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    Piso 0, divisão 5

    Nave da capela com um lambril de azulejos figurativos em azul e branco da década de 1750. Painéis com cenas religiosas sobre a “Paixão”, delimitados por um enquadramento ornamental com concheados. Barra com azulejos policromados, ornamentados com estrelas e esponjados. Capela-mor com um lambril de azulejos em azul e branco com um painel com uma cena religiosa, delimitado por um enquadramento arquitectónico recortado.

     

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    Piso 0, divisão 6

    Nicho revestido a azulejos em azul e branco de “figura avulsa”, do século XVIII, delimitado por uma cercadura ornamentada com flores e pérolas.

     

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    Piso 2, divisão 1

    Secções de um lambril de azulejos figurativos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis com uma cena de caça ao veado em paisagem campestre e cena em paisagem marinha, delimitados por uma cercadura com elementos arquitectónicos, folhas de palma, conchas e anjos.

     

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    Piso 2, divisão 2

    Secções de um lambril de azulejos figurativos em azul e branco de meados do século XVIII. Painéis com cenas de caça ao javali em paisagens campestres, delimitados por uma cercadura ornamentada com linhas geométricas, elementos vegetalistas, pérolas e “asas de morcego”. Rodapé com marmoreados.

     

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    Piso 2, divisão 4

    Lambril de azulejos figurativos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis com cenas de caça e pesca, colheita de fruta, pega de touro e acção narrativa em paisagens campestres e marinhas, delimitados por uma cercadura ornamentada com linhas geométricas, elementos vegetalistas e pérolas.

     

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    Piso 2, divisão 5

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com elementos vegetalistas.

     

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    Piso 2, divisão 6

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva e elementos vegetalistas.

     

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    Piso 2, divisão 8

    Lambril de azulejos em azul e branco de “figura avulsa”, da 1ª metade do século XVIII, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva.

     

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    Piso 2, divisão 9

    Lambril de azulejos figurativos em azul e branco, da 1ª metade do século XVIII. Painéis com cenas de touradas e cenas galantes, delimitados por uma cercadura ornamentada com linhas geométricas, elementos vegetalistas e pérolas.

     

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    Piso 2, divisão 10

    Conversadeira com azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com grinaldas, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva e elementos vegetalistas. Remate com azulejos esponjados e cantoneiras ornamentadas com elementos vegetalistas.

     

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    Piso 2, divisão 11

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva e flores quadrilobadas.

     

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    Piso 2, divisão 12

    Lambril de azulejos em azul e branco de “figura avulsa”, da 1ª metade do século XVIII, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva e flores quadrilobadas.

     

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    Piso 0, divisão 2

    A casa da escada é coberta por tecto em forma de masseira, de planta quadrada, com sanca moldurada envolvente. No pano central figura uma cartela com enrolamentos e bandas furadas de gosto maneirista, conjugada com motivos florais.

     

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    Piso 0, divisão 5

    Na capela do Senhor Jesus dos Perdões, terminada em 1752, o estuque em relevo reveste as abóbadas de berço da nave e da capela-mor e o tecto de um plano, rectilíneo, do coro alto. Os tectos da capela-mor e da nave mostram uma bem elaborada quadratura em estuque relevado, figurando rasgamentos centrais a que se associam uma balaustrada perspectivada, na nave, e colunatas antecedidas de parapeitos de perfil ondulante, que percorrem longitudinalmente os lados da nave e da capela-mor. Nos dois lados menores do tecto da nave são representados plintos preenchidos por gradinhas, enquadrados por volutas contracurvadas. Estão igualmente presentes outros elementos decorativos da Regência francesa: plumas, fitas e ornatos em ‘C’ e em ‘S’. Toda esta composição enquadra os bustos dos quatro Evangelistas, dentro de medalhões ovais, a meio dos parapeitos, na nave e na capela-mor. Nos rasgamentos centrais é figurada a pomba do Espírito Santo, na capela-mor, e “putti” ostentando cruzes e objectos eucarísticos, na nave. A meio do tecto do coro alto, dentro de um medalhão circular envolvido por concheados, figuram as iniciais marianas coroadas. Século XVIII (meados).

     

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    Piso 2, divisão 3

    A sala de maiores dimensões do palácio, onde terá funcionado a biblioteca do desembargador Alexandre Metelo, é coberta por um tecto em masseira de cantos arredondados, com sanca envolvente moldurada, com mascarões nos cantos. Nos panos laterais, sobre plintos ladeados de balaustradas, figuram aves de longos pescoços e grupos de meninos segurando cestos floridos; sobre os plintos dos cantos do tecto apoiam-se bustos femininos com atributos que os identificam com os quatro continentes. No pano central, outras duas alegorias alusivas à Astronomia e à Geografia representadas por “putti” empunhando um telescópio, um mapa, um quadrante e um compasso. Os reticulados de gradinhas, as finas grinaldas e ligeiras hastes floridas, elementos decorativos da Regência francesa, também presentes nos estuques da capela, permitem apontar para uma mesma campanha de obras, em meados do século XVIII.

     

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    Piso 2, divisão 6

    Tecto em masseira com apontamentos decorativos em baixo relevo figurando arcos quebrados entrelaçados, caneluras, rosetas e semicírculos. Séculos XIX / XX.

     

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    Piso 0, divisão 1

    Paredes vazadas por arcos de pedra; os laterais de perfil trilobado com os lanços laterais contracurvados, apoiados em pilastras com almofada inferiormente recortada em ângulo, com medalhão circular relevado, que se repete nos capitéis; o arco central, da porta de entrada, é em asa-de-cesto, ladeado por duas janelas de ombreiras profundas, em arco rebaixado.

    Do lado oposto, grande arco em asa-de-cesto sobreposto por pano de parede vazado por duas janelas de moldura quadrangular, de pé-direito baixo, tendo adossados à base das pilastras em que se apoia dois elementos pétreos salientes, de protecção, em forma de cabaça.

    Pavimento calcetado com pequenas pedras negras e brancas, formando desenho geométrico.

     

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    Piso 0, divisão 2

    Escadaria de pedra calcária vermelha com corrimão e apoios do mesmo material e guardas revestidas de azulejos monocromáticos azuis de padrão florão estilizado.

    Banco corrido de pedra sobre bases contracurvadas.

    Porta de moldura em arco recto encimada por pequeno frontão de lanços, superiormente contracurvado e rematado em volutas e centrado por medalhão circular em relevo.

    Porta de moldura em arco recto encimada por pequeno frontão interrompido de cornija em cortina e tímpano apainelado centrado por cartela pendente de elemento vegetalista.

     

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    Piso 0, divisão 3

    Porta de moldura de pedra em forma de arco trilobado de lanços laterais contracurvados, apoiados em pilastras com almofada e elemento circular inferior em relevo, que se repete no capitel.

    Corrimão de calcário vermelho encaixado na parede e no pé-direito do arco.

     

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    Piso 0, divisão 4

    Coluna de capitel campaniforme liso e ábaco saliente onde se apoiam dois arcos.

     

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    Piso 0, divisão 5

    Porta de madeira com portadas almofadadas e bandeira envidraçada flanqueada por ombreiras em forma de pilastra esquinada rematada por consola, apoiando uma cornija.

    Arco pleno com pedra-de-armas no fecho, encimada por coronel de nobreza e envolta por cartela de volutas, folhagem e elementos florais.

     

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    Piso 2, divisão 1

    Tecto de maceira apainelado, pintado de branco, verde e rosa, com almofadas cantonais triangulares, escalonadas.

     

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    Piso 2, divisão 2

    Tecto de masseira apainelado, pintado de branco com filetes dourados, com almofadas cantonais triangulares, escalonadas.

    Lareira de pedra calcária amarelo-avermelhada, superiormente contracurvada, centrada por grande florão em relevo composto por duas cornucópias floridas com os pés passados em aspa, suportadas e ladeadas por volutas, sobre pés-direitos em forma de pilastra ladeada por colunelos e rematada em forma de consola, com voluta vegetalista, lateralmente almofadada.

     

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    Piso 2, divisão 3

    Porta de madeira com apainelado curvo com óculo circular no cimo, tendo no tardoz moldura contracurvada rebaixada, centrada por pequena mísula.

     

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    Piso 2, divisão 4

    Tecto de masseira apainelado, com duplos painéis almofadados na esteira e almofadas cantonais triangulares, escalonadas, pintado de rosa e azul.

    Porta de aduelas de madeira pintada a imitar calcário amarelo.

     

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    Piso 2, divisão 5

    Portas de aduelas de madeira pintada de amarelo.

    Silhar de azulejos monocromáticos azuis de albarradas.

    Pavimento de madeira com marcação central.

     

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    Piso 2, divisão 6

    Lareira de pedra calcária vermelha, superiormente contracurvada, decorada com óvulos, formando ao centro duas volutas vegetalistas que cingem elemento decorativo esculturado, em forma de leque sobre ramalhete, apoiada em estípites curvas, decoradas com pequenas volutas e óvulos.

    Armário com tampa de pedra calcária vermelha e portadas de madeira, centradas por pequena pilastra estriada rematada por cabeça de leão.

     

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    Piso 2, divisão 7

    Pedra de lareira perfilada por molduras rectilíneas sobre consolas.

     

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    Piso 3, divisão 1

    Porta de madeira com ferragens.

    Tecto de masseira apainelado, de cantos triangulares, pintado de branco.

    Travejamento de telhado.

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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