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    Palácio Cabral / Larre

    Palácio Cabral / Larre
    Palácio de Fernando de Larre
    XVIII
    Portugal

    Oficina de João Grossi (estucador); João Carlos Binhetti e João Pedro Binhetti (pintores)

    Largo Drº Antonio de Sousa Macedo 7, 1200-012, Lisboa
    38.711186
    -9.149131
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    O Palácio Larre é um interessante exemplo de palácio urbano dos finais da primeira metade do século XVIII, marcado por um esquema de fachada muito sóbria composta por um andar nobre com onze janelas de sacada divididas com pilastras. O palácio sofreu poucas alterações, apresentando ao nível do andar nobre um programa distributivo de grande coerência. É, porém, ao nível e das artes decorativas que o Palácio Larre se destaca, reunindo uma raríssima e elaborada colecção de azulejaria de inspiração regência, única no seu género. À azulejaria acrescenta-se uma notável colecção de tectos de estuque da autoria da oficina de João Grossi, datáveis da década de quarenta do século XVIII.

     

    A inserção do palácio de Fernando de Larre na malha da cidade de Lisboa confina-o à tipologia urbana. Ocupa hoje um lote de terreno trapezoidal, na freguesia de Santa Catarina, com fachada unida à calçada do Combro, orientada a Sul.

    Está implantado na morfologia do lote de acordo com duas pendentes, a da calçada do Combro, ascendente de Oeste para Este, e a do terreno onde está fixado, de Sul para Norte, ordenado de baixo para cima.

    Encontra-se entre dois edifícios, o convento de São Paulo da Serra da Ossa, a Este, e um edifício de habitação, a Oeste, no alinhamento da rua. Frente à fachada, localiza-se o palácio dos condes de Mesquitela.

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    A totalidade do conjunto arquitectónico apresenta, na fachada de planimetria trapezoidal, 36,50 m de comprimento. Em altura, regista-se, do chão até ao topo da platibanda balaustrada que remata o alçado principal, 12,70 m no lado oeste e 9,60 m no lado oposto.

    A morfologia do edifício corresponde a um prisma rectangular regular, definido num volume maciço em “T” invertido, que corresponde à união de três volumes cúbicos alinhados na planimetria da fachada. As medidas do edifício registam, no volume a Oeste, 13,38 m de largura com 18,13 m de profundidade, ao centro, 14,83 m de largura com 27,93 m de profundidade e a Este 12.96 m de largura por 8,36 m de comprimento. A cobertura é rematada com telhados de duas, três e quatro águas.

    A organização espacial do edifício é composta por quatro pisos interligados por seis zonas de acessos, cujas dimensões, materiais, e localização espacial, identificam na circulação vertical a comunicação entre zonas de aparato, privadas e de serviços. Em síntese, a comunicação vertical consiste num acesso específico de aparato, dois privados e de serviços e três exclusivos a serviços.

    Conforme a descrição apresentada, a zona de comunicação de aparato (escada nobre) corresponde à ligação entre os pisos 0 e 1, com entrada pela cocheira para uma escada de dois lanços, comunicando directamente a uma das salas privadas (gabinete) do piso nobre e à sala vaga deste, abrindo aqui a circulação a todo o piso. As duas zonas de comunicação privadas e de serviços correspondem à ligação entre os pisos -1, 0 e 1 (criando a ligação entre o plano térreo, o quarto baixo ou primeiros mezaninos e o piso nobre) e à ligação entre os pisos 1 e 2 (acessos reservados à família, criados graves e criadas pessoais das senhoras da casa), utilizados por empregados e proprietários.

    As três zonas de comunicação exclusiva de serviços correspondem à ligação entre os pisos 1 e 2, respectivamente: uma, na cozinha, para as acomodações dos empregados, no sótão, outra entre a copa e a sala vaga para o sótão e outra na sacristia da capela para a tribuna.

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    A fachada principal está inserida no alinhamento da rua, imediatamente antes da calçada do Combro, no largo Dr. António de Sousa Macedo, a Sudeste. Corresponde a um desenho e tratamento formal que cria uma noção de horizontalidade, marcada pela simetria que o piso nobre apresenta, na organização modular dos vãos (1-3-3-3-1) e no ritmo dos 5 panos (I+I+++I+++I+++I+I) inseridos entre pilastras. A importância da simetria da fachada revela-se também nos dois vãos cegos que compõem o desenho do alçado principal.

    Esta horizontalidade é fortalecida pela repetição da janela de sacada com varandim de desenho clássico, em ferro forjado, e pelo remate superior da platibanda vazada com balaústres que define a sobriedade do desenho. A cantaria aplicada na fachada tem desenho simples e marca na fachada todo o piso térreo.

    Os vãos apresentam quase na totalidade um desenho simples, com o saimel em arco abatido rematado por um pequeno friso, sendo excepção os vãos de acesso à cocheira onde a cantaria apresenta um desenho claramente mais elaborado, em que destacamos o saimel em arco de asa-de-cesto, rematado por friso e cornija. O elemento cornija encerra o piso nobre na ligação de todas as sacadas e no remate deste piso com a platibanda. No topo esquerdo surgem duas janelas trapeiras.

    As ligeiras diferenças dos vãos na fachada, porta, portais, janelas de peito, janelas de sacada e janelas trapeiras, encerram em si, juntamente com o tratamento dos panos em alvenaria de pedra aparelhada regular e de reboco e com o subtil desenho das pilastras, a hierarquia do programa interior, composto por plano térreo, primeiros mezaninos, plano nobre e últimos mezaninos.

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    ARAÚJO, Norberto de – Peregrinações em Lisboa, vol. V, 2ª ed. facsimilada, 1992 (1ª ed., 1938), Lisboa, Vega, p. 38.

    CORREIA, Ana Paula Rebelo – “Azulejos de uma casa nobre: temas e modelos”, in Casas Senhoriais Rio-Lisboa e seus interiores (coord. de Marize Malta e Isabel Mendonça), Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Lisboa, Instituto de História da Arte da FCSH da Universidade Nova de Lisboa e Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, pp. 155-174.

    MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – “Estuques e estucadores em palácios setecentistas da região de Lisboa”, in Casas senhoriais Rio-Lisboa e os seus interiores (coord. de Marize Malta e Isabel Mendonça), Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Lisboa, Instituto de História da Arte da FCSH da Universidade Nova de Lisboa e Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, pp. 175-201.

    MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – O palácio de Fernando de Larre na calçada do Combro e os seus estuques, in Estudos de Lisboa. Revista de História da Arte, Lisboa, Instituto de História da Arte da FCSH-Universidade Nova de Lisboa, nº 11, no prelo.

    VALE, Teresa, GOMES, Carlos, CORREIA, Paula – Palácio Cabral / Junta de Freguesia de Santa Catarina, ficha IPA.00003996, IHRU, 1994, 2001. http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3996

    Séc. XVII

    Último quartel – construção de duas casas nobres na calçada do Combro, pelos irmãos Manuel Pedro e Nicolau Pedro, armadores e mercadores, filhos de João Pedro e netos de João de Cramer, este natural de Haarlem, na Holanda.

    Séc. XVIII

    A família Pedro reside nas duas casas, alugando-as a partir de 1729 a diversos inquilinos (ao conde de Vila Flor, Luís Manuel de Sousa e Meneses, copeiro-mor da Casa Real, entre 1730 e 1736, ao conde de S. Vicente, Manuel Carlos de Távora, entre 1737 e 1742).

    1742, 12 de Junho – Fernando de Larre, provedor dos armazéns da Guiné, Índia e Mina, arrematou em hasta pública uma das casas nobres da calçada do Combro, a que ficava contígua ao convento dos Paulistas, no âmbito de um longo e complexo processo judicial que a irmandade de Nossa Senhora da Doutrina, sediada na igreja de S. Roque, e outros credores intentaram contra Manuel Pedro de Melo, então residente na sua Quinta de S. Bartolomeu, em Alenquer. A compra foi realizada pela soma de quatro contos e trinta mil réis.

    C. 1745 – obras de adaptação e decoração promovidas por Fernando de Larre, com colocação de silhares de azulejos e estuques relevados em algumas das salas do piso nobre e no oratório. Os estuques terão sido realizados pelo estucador ítalo-suíço João Grossi e por outros estucadores seus conterrâneos.

    Após o terramoto de 1 de Novembro de 1755 – a família Larre deixou o palácio, mudando-se para a sua quinta em S. Sebastião da Pedreira.

    Entre 1757 e 1808 – o palácio foi arrendado a vários negociantes estrangeiros.

    Século XIX

    Em 1811 – a Secretaria e Pagadoria dos Transportes ocupou o palácio.

    De 1812 a 1816 – o mesmo foi sede do Comissariado inglês.

    Em 1817 – habitavam o palácio os descendentes do último provedor dos armazéns, Fernando de Larre Garcez Lobo Palha e Almeida.

    Em 1833 – o palácio estava de novo arrendado, desta feita ao visconde de Magé, Joaquim José de Sousa Lobato.

    1899 – o palácio pertencia ao Dr. Baltazar Freire Cortês Cabral Metelo e sua mulher, D. Maria Luísa de Almeida e Vasconcelos. Neste ano são pintados os escudos de armas das famílias do casal no tecto da sala de jantar e da sala vaga.

    Séc. XX

    1910 – realização de algumas obras no edifício.

    1963 – o palácio foi vendido à Câmara Municipal de Lisboa que nele instalou um anexo da Escola D. Maria I, que então funcionava no fronteiro palácio Mesquitela.

    1990 – obras de reabilitação a cargo do arquitecto Homero Gonçalves, descobrindo-se o pavimento original das cavalariças, em tijoleira.

    1997 – instalação da Junta de Freguesia de Santa Catarina, após extinção da Escola D. Maria I.

    CML, Arquivo de Obras Processo n.º 5.347

    ANTT, Feitos Findos, Inventários, Letra F, maço 186, nº 9. Testamento e inventário de D. Filipa Leonor da Fonseca Azeredo, a viúva de Fernando de Larre.

    ANTT, Feitos Findos, Juízo das Causas da Misericórdia de Lisboa, maço 23, doc. 8, fls. 83-88.

    Coordenação: Isabel Mendonça / Helder Carita

    Julho de 2014

     

    Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

    Alexandre Lousada – Arquitectura (Cronologia, Bibliografia) / Azulejaria / Pintura Decorativa / Decoração diversa

    Isabel Mendonça – Estuques

    Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição, Fachada Principal) / Programa Interior

    Piso -1

    Este situa-se abaixo do piso (0) da entrada e é simultaneamente térreo na comunicação com a rua, pelo Largo Dr. António de Sousa Macedo. Tem ainda comunicação com o quintal situado a Oeste do palácio.

    As divisões são intercomunicantes e ortogonais. As funções deste piso destinar-se-iam a serviços da casa e lojas. Em planta demonstra indícios da sua comunicação com o piso 0, na zona das cavalariças.

     

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    Piso 0

    O piso térreo comunica directamente com o largo Dr. António de Sousa Macedo. As divisões são ortogonais e intercomunicantes, sendo excepção a loja situada no topo direito que só comunica com a rua.

    A organização espacial divide-se em três espaços: a cocheira por onde se acede ao palácio, a caixa de escadas de aparato, de acesso ao piso nobre e a zona de serviços demarcada longitudinalmente pelas cavalariças e restantes serviços perpendiculares a esta. No início do alinhamento destas divisões de serviços, o palácio mantém ainda hoje o saguão primitivo.

    A cocheira tem ainda outro acesso às escadas particulares do palácio, que comunicam com o piso nobre e com o quarto baixo, situado neste piso em mezanino.

    Piso 0 (mezanino)

    Este piso de comunicação directa com a cocheira pelas escadas particulares, hoje interrompida, apresenta um conjunto de divisões ortogonais intercomunicantes. As de maior dimensão, voltadas para a fachada principal apresentam num conjunto de janelas de peito. No interior, um corredor em “L” interliga as divisões na comunicação com as escadas particulares e o quintal. Todo este mezanino corresponde a uma zona privada do palácio.

     

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    Piso 1

    O piso nobre é ocupado por zonas de aparato, privadas e de serviços.

    O acesso pelas escadas de aparato desemboca na sala vaga, comunicando com a capela à direita, o acesso à copa (em comunicação com as escadas particulares, piso 0), o corredor longitudinal que comunica com as divisões de aparato e privadas, tendo no topo o lanço de escada que comunica com o piso 2 numa zona privada e de serviços.

    A zona de aparato distribui-se junto à fachada principal, com três amplas divisões intercomunicantes de desenho ortogonal.

    A zona privada entrecruza-se com o aparato, sendo exemplo o conjunto de três divisões, situadas no topo direito junto à fachada. De acesso directo pela escada de aparato, estas divisões têm um cariz privado, com funções de gabinete, distribuído por antecâmara, câmara e despejos. No topo esquerdo situa-se uma zona igualmente privada.

    A Noroeste do corredor existem ainda duas divisões de aparato, ainda que com forte cariz privado, tendo estas janelas de sacada única voltadas para o quintal, a Oeste.

    A zona de serviços, a Noroeste da capela, é evidenciada pela cozinha e despensas e comunicação para aposentos de empregados, em mezanino. A cozinha apresenta dois tanques.

     

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    Piso 2

    Este último piso, também designado por últimos mezaninos, é ocupado por um conjunto de divisões situadas em águas-furtadas e comporta ainda a tribuna da capela.

    O piso distribui-se em três zonas. Uma divisão isolada, a Noroeste, corresponde a acomodações de criados com acesso pela cozinha, uma outra zona de divisões, ao centro, e em comunicação com a capela e com uma escada de serviço, junto ao saguão. No topo esquerdo, com comunicação em corredor, hoje interrompida, situa-se a zona que cruza serviços com o privado, onde viveriam as crianças com as empregadas de casa.

     

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    Piso 0, divisão 3

    Lambril de azulejos em azul e branco de padrão “tapete” da 2ª metade do século XVII, delimitado por uma cercadura ornamental com elementos vegetalistas. Rodapé com azulejos esponjados.

     

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    Piso 0, divisão 4 / Piso 1, divisão 1

    Lambril de azulejos em azul e branco de meados do século XVIII. Painéis com uma composição de  ferroneries, pássaros, frutos, folhagens e flores, delimitados por uma cercadura com concheados e folhagens. Barra com azulejos policromados com marmoreados.

     

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    Piso 1, divisão 4

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas.

     

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    Piso 1, divisão 5

    Lambril de azulejos figurativos em azul e branco de meados do século XVIII. Painéis com cenas religiosas, enquadrados por uma cercadura ornamentada com elementos arquitectónicos, geométricos, vegetalistas, cabeças de anjo e conchas.

     

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    Piso 1, divisão 6

    Lambril de azulejos em azul e branco de “figura avulsa”, da 1ª metade do século XVIII, delimitados por um friso com folhagens e flores. Painéis com azulejos figurativos em azul e branco com cenas rurais, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas e cabeças de anjo.

     

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    Piso 1, divisão 2

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas.

     

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    Piso 1, divisão 3

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas e mascarões. Rodapé com um friso ornamentado com florões.

     

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    Piso 1, divisão 7

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas.

     

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    Piso 1, divisão 8

    Lambril de azulejos figurativos em azul e branco de meados do século XVIII. Painéis com cenas mitológicas, delimitados por uma cercadura com elementos geométricos, vegetalistas e pérolas.

     

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    Piso 1, divisão 9

    Lambril de azulejos figurativos em azul e branco de meados do século XVIII. Painéis com cenas mitológicas do poema “Metamorfoses” de Ovídio, delimitados por uma cercadura com elementos geométricos, vegetalistas, pérolas, flechas e bustos.

     

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    Piso 1, divisão 10

    Lambril de azulejos figurativos em azul e branco de meados do século XVIII. Painéis com cenas mitológicas, delimitados por uma cercadura com elementos geométricos, vegetalistas e gradinhas. Rodapé com azulejos policromados com um friso de marmoreados.

     

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    Piso 1, divisão 12

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas.

     

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    Piso 1, divisão 11

    Lambril de azulejos em azul e branco da 1ª metade do século XVIII. Painéis ornamentados com albarradas, delimitados por uma cercadura com enrolamentos vegetalistas e mascarões.

     

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    Piso 1, divisão 13

    Lambril de azulejos em azul e branco de “figura avulsa” da 1ª metade do século XVIII, delimitados por uma cercadura com elementos em curva e contracurva e flores quadrilobadas.

     

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    Piso 1, divisão 14

    Paredes revestidas a azulejos em azul e branco de “figura avulsa” da 1ª metade do século XVIII, delimitados por uma barra com enrolamentos vegetalistas.

     

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    Piso 1, divisão 1

    As paredes da caixa da escada de aparato são compartimentadas em painéis por molduras; sobre as portas do patamar do piso 2, cartelas ovais rodeadas por motivos vegetalistas. Tecto em forma de masseira de planta rectangular, com sanca moldurada; fundo bege, azul e amarelo, em tons pastel, relevos em branco; paralelo à sanca corre um friso de folhagem. Nos cantos vêem-se cartelas com mascarões; no pano central, três reservas enquadradas por molduras contracurvadas, decoradas com ramagens, fitas e gordos concheados que identificam o barocchetto de matriz italiana; nos quatro panos laterais, medalhões ovais suspensos de fitas, centrados por bustos masculinos com coroas de louros. Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 4

    Uma moldura de perfil contracurvado rodeia uma pintura com as armas do casal  proprietário, em finais do século XIX: o Dr. Baltazar Cabral Metelo e D. Maria Luísa de Almeida e Vasconcelos.

     

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    Piso 1, divisão 5

    As paredes do oratório são revestidas de estuques de meio relevo, acima de um silhar de azulejos, e enquadram telas com cenas da vida de Cristo (cópias dos originais atribuídos a João Pedro e a José Carlos Binhetti, guardados no Museu da Cidade). Fundo bege,  azul e rosa pastel, relevos em branco. Destacam-se os bustos em meio relevo dos apóstolos dentro de cartelas ovais enquadradas por gordos concheados e flores, associados a uma malha de fitas enlaçadas e de ornatos em “C” e em “S”, linguagem ornamental característica da Regência francesa.  No tecto, de planta rectangular, de perfil sanqueado e sanca moldurada, encontramos os mesmos motivos associados a palmetas. Meados do século XVIII.

     

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    Piso 1, divisão 2

    Tecto em forma de masseira de planta rectangular e sanca moldurada; fundo cinza e azul em tons pastel com relevos em branco. No pano central, assinalado por uma moldura de perfil mistilíneo, ornatos vegetalistas característicos da Regência francesa, dois ramos floridos e grandes mascarões com toucados de gordos concheados (um negro e um árabe). Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 3

    Sala de pequenas dimensões, provavelmente com a função inicial de escritório ou gabinete, com tecto em forma de masseira de planta rectangular e sanca moldurada; fundo bege, amarelo, azul e rosa, de tons pastel, com relevos em branco. Dentro da reserva central, enquadrada por moldura de perfil mistilíneo, estão figurados meninos segurando instrumentos de escrita e uma âncora; em redor da moldura central uma grinalda com ramos floridos pendentes; nos quatro cantos cartelas duplas com gordos concheados e fundos crespos, unidas à reserva central. Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 7

    Tecto em forma de masseira de planta rectangular e sanca moldurada; fundo bege e azul, de tons pastel, com relevos em branco. O pano central é preenchido por reserva enquadrada por moldura de perfil mistilíneo de onde pende uma fina grinalda; sobrepostas à moldura, nas arestas da masseira, duplas cartelas de ornatos contracurvados e gordos concheados. Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 8

    O tecto da maior sala do palácio (o salão nobre), de planta rectangular, tem uma invulgar configuração em duplo sanqueado de faces arredondadas e sanca moldurada de forte ressalto. Fundo azul acinzentado de tons pastel, relevos em branco. Ressaltam os meninos gesticulantes, segurando flores e frutos, modelados em vulto redondo, enquadrando bustos de heróis clássicos laureados, nas quatro cantos do tecto.  A meio dos lados maiores, dentro de cartelas, as iniciais entrelaçadas do proprietário (“FL”, de Fernando Larre). A composição, essencialmente decorativa, revela um apurado sentido ornamental na forma como se conjugam os meninos aos pares, em alto relevo, as aves de pescoços contorcidos, as fitas enlaçadas, os motivos vegetalistas, as palmetas e os plintos preenchidos por gradinhas. No pano central, preenchido por dupla moldura concêntrica, figuras de meninos alados esvoaçam sobre nuvens, segurando um cesto florido.  Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 9

    Tecto em forma de masseira de planta rectangular e sanca moldurada de forte ressalto; fundo bege, azul e amarelo, de tons pastel, com relevos em branco. No pano central uma tela de grandes dimensões, em mau estado de conservação, representa a figura da Aurora, seguindo uma descrição de César Ripa (“Iconologia”). Nos quatro cantos da masseira, dentro de cartelas, alegorias igualmente inspiradas em Ripa: o Entardecer, a Vigilância, o Sono e a Esperança. A meio dos lados maiores meninos alados sentados em plintos brincando com cães ou colhendo frutos; nos lados menores os bustos de um casal representados dentro de medalhões ovais. Dominam os elementos decorativos característicos da Regência francesa (fitas enlaçadas, palmetas, gradinhas, leves motivos fitomórficos). Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 10

    Tecto em forma de masseira de planta rectangular e sanca moldurada de forte ressalto; fundo bege, azul e amarelo, de tons pastel, com relevos em branco. Salinha de pequenas dimensões, criada provavelmente como quarto de toucador ou “sala de pentear”, tem tecto de um pano rectilíneo, de planta rectangular, estrutura de fasquiado e sanca moldurada envolvida por motivo franjado; fundo bege, com relevos em branco e dourado. Nos cantos do tecto, dentro de medalhões circulares, cenas mitológicas de difícil interpretação, sobrepõem-se a pares de cabeças de meninos e mascarões. Uma delicada moldura rodeia a composição central e serve de apoio a vários plintos preenchidos por gradinhas onde se sentam meninos alados segurando objectos ligados à toilette: um jarro, um espelho, um colar, etc. Finos ornatos unem os motivos figurativos, com apurado sentido decorativo: fitas enlaçadas, grinaldas e palmetas, mais uma vez atestando a marcada influência da Regência francesa. Século XVIII, meados.

     

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    Piso 1, divisão 12

    O tecto da casa de jantar do palácio, em forma de masseira de planta rectangular, é rodeado por sanca moldurada de forte ressalto; o fundo e os relevos têm cor bege. O pano central e os panos laterais da masseira são rodeados por moldura franjada percorrida por fina grinalda, intercalada por fitas enlaçadas, conchas e palmetas; nas arestas, fitas enlaçadas conjugadas com palmetas, num espírito revivalista da Regência francesa da primeira metade de Setecentos.  No tecto estiveram outrora aplicadas telas dentro de cartelas de gosto neo-barroco (guardadas no Museu da Cidade), figurando os quatro costados dos então proprietários: o Dr. Baltazar Freire Cortês Cabral Metelo (1867-1924) e sua mulher,  D. Maria Luísa José de Jesus Luís Gonzaga Rafael de Sales de Santa Cruz de Almeida e Vasconcelos (1877-1963). Século XIX, finais.

     

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    Piso 2, divisão 1

    Pintura heráldica, com a seguinte composição: escudo esquartelado: I, de verde, uma banda de vermelho perfilada de ouro e abocada por duas cabeças de serpe do mesmo (armas de Freire de Andrade); II, de prata, duas cabras de púrpura, uma sobre a outra (armas de Cabral); III, de prata, uma faixa de vermelho, chefe endentado de três pontas do segundo carregadas de três moletas de ouro (armas de Metelo); IV, de ouro, duas caldeiras de negro, uma sobre a outra, carregadas de três faixas veiradas de vermelho e de prata, com asas serpentiformes, e por diferença uma flor-de-lis de vermelho no cantão dextro do chefe (armas de Pacheco, diferençadas). O escudo assenta sobre uma cartela de volutas e concheados ao gosto neo-barroco, com um ramo de loureiro e outro de carvalho, ambos de ouro e passados em aspa, encimada por um elmo fechado de prata, com plumão branco, e por timbre o dos Freires de Andrade: duas serpes de ouro afrontadas. Esta pintura representa as armas usadas por Baltazar Freire Cortês Cabral Metelo (1867-1924).

     

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    Piso 1, divisão 5

    Conjunto de pinturas do século XVIII, com cenas da vida de Cristo, em óleo sobre tela.  O conjunto é atribuído a João Pedro Binhetti, com duas excepções, a Aparição de Cristo aos Apóstolos e a de São Jerónimo, atribuídas a João Carlos Binhetti. Descrição do conjunto: (1) Cristo no Horto, (2) Calvário, (3) Anunciação, (4) Baptismo, (5) Aparição de Cristo aos Apóstolos, (6) São Jerónimo, (7) Adoração dos Reis Magos, (8) Adoração dos Pastores (9) Visitação, (10) Apresentação de Jesus no templo. Os originais encontram-se actualmente no Museu da Cidade.

     

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    Piso 1, divisão 9

    Tecto com pintura decorativa do século XVIII inserida numa reserva com um enquadramento em estuque. Pintura com uma alegoria à Aurora, inspirada na “Iconologia” de César Ripa.

     

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    Piso 1, divisão 10

    Paredes com pintura decorativa do século XIX. Composição constituída por frisos de palmetas e arabescos, enrolamentos de folhas de acanto em trompe l’oeil com um remate perolado e, no enquadramento lateral das portas, putti segurando folhagens.

     

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    Piso 0, divisão 1

    Ferragem de porta com elemento decorativos em voluta.

     

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    Piso 0, divisão 4

    Pedras de fecho com intradorso em losango inscrito em moldura quadrangular e frentes em volutas.

     

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    Piso 1, divisão 6

    Arcaz embutido, com três gavetas e porta quadrangular encimado por nicho em arco de asa de cesto

     

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    Piso 1, divisão 9

    Ferragem de portada, pormenor do remate inferior em pinha.

     

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    Piso 2, divisão 12

    Fogão de sala em pedra calcária, flanqueado por duas pilastras com decoração geométrica e estriada e encimado por arco deprimido com segmento contracurvado, centrado por pedra de fecho com óvulo e motivo concheado entre pequenas volutas. A estrutura interna da lareira é de ferro maciço, decorada com motivos vegetalistas, óvulos e rosetas.

    Aduela de porta superiormente recortada, com cantos circulares envolvendo rosetas e rematada por florão de ramagens.

     

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    Piso 1, divisão 11

    Aduela de desenho recortado superiormente, ladeada por pequenas volutas e rematada em cortina com aplicações de medalhões em relevo, nos cantos chanfrados em curva. Pequena voluta emergindo de uma cauda de andorinha.

     

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