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    Casa Bragança Pereira

    Casa Bragança Pereira
    Palácio Chandor
    XVIII
    Goa
    Culsabhatt, Chandor, Goa 403714, Índia
    15.261721
    74.043417
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    Um dos casos mais interessantes de casa senhorial da segunda metade do século XVIII em Goa. A grandiosidade da escala assinala de forma contundente a importância que as famílias católicas de origem autóctone ocuparam na sociedade e cultura goesa dos últimos séculos de ocupação portuguesa. No seu conjunto o grande palácio resulta da junção de dois membros da mesma família, os Bragança Pereira e os Meneses Bragança, que decidem juntar as suas casas num único edifício, adquirindo no âmbito da arquitectura doméstica goesa, uma grandeza sem paralelo. Com uma entrada principal e uma escadaria abrindo-se em dois lances, a Casa Bragança Pereira apresenta um programa interior de grande autenticidade, mantendo a tradicional a casa de jantar hindu - o vasary. Nas características da casa, salienta-se uma notável colecção de mobiliário e de objectos de artes decorativas que conferem aos seus interiores os atributos de um gabinete de curiosidades.     

     

    O conjunto arquitectónico, que designamos por Palácio de Chandor, localiza-se no largo da Igreja Nossa Senhora de Belém e constitui elemento emblemático do núcleo urbano fundamental da povoação de Chandor. Este espaço de forma irregular, marcado ao centro pela presença de um monumental cruzeiro, é definido a sul pelo palácio e a poente pela Igreja Nossa Senhora de Belém.
    No seu conjunto o Palácio Chandor divide-se, em termos de programa interior, em duas casas; respectivamente, a ala nascente, correspondendo à Casa Bragança Pereira, e a ala poente, correspondendo, hoje, à Casa Meneses Bragança. Uma longa fachada marcada ao centro por núcleo entrada de acesso ás duas casas. Rematado por frontão triangular e dois fogaréus este corpo central salienta-se da fachada conferindo uma clara unidade ao conjunto. Um jardim limitado por um muro de alvenaria corre ao longo da fachada principal acentuando um efeito de unidade ao edifício.

           

    A morfologia do edificado apresenta-se como um prisma irregular ortogonal, definido pela fachada principal longitudinal tripartida e simétrica e um desenvolvimento assimétrico na volumetria tardoz do conjunto.

    O Palácio Chandor resulta da aglutinação de duas casas que têm como eixo estrutural um pátio central e os espaços de circulação e entrada. A Casa Bragança Pereira corresponde à ala nascente do conjunto arquitectónico.

    Comum às duas casas, a entrada define-se no tramo central da composição espacial tripartida pelo avanço de um corpo na extensa fachada principal. Nele abre-se um pórtico com arco de volta perfeita no piso térreo e uma varanda com arco abatido no piso nobre.

    Como remate superior o corpo apresenta cornija saliente e duplo beirado, destacando-se em cima e ao centro, na proporção do tramo que marca a métrica de toda a fachada, um frontão triangular ladeado por dois fogaréus. Em abaixo um alpendre percorre todo o edifício.

    No alinhamento ortogonal do volume central desenvolve-se um patamar limitado por dois baixos muretes em laterite com balaustres lisos que contornam o termo irregular da propriedade. Nos muretes abrem-se simetricamente na frente do largo dois portões secundários enfatizados por dois plintos de secção quadrangular com fogaréus ao cimo.

    A volumetria do corpo da Casa Bragança Pereira desenvolve-se sobre uma planta de forma em “L” para nascente. A composição volumétrica é organizada ortogonalmente pelo prisma rectangular da fachada e outro corpo de base rectangular que assegura a tardoz a ligação entre a área de recepção e a zona de serviços nas traseiras. Adoçado a poente, a três quartos do comprimento deste corpo, um terceiro volume recorta-se sob a forma de prisma de planta quadrangular.

    Os jardins que circundam a casa são pouco individualizados, podendo identificar-se um jardim de aparato que faz o enquadramento à fachada principal e uma área exterior ajardinada a tardoz que sob a forma de pátio articula intimamente interior e exterior do edifício.

       

    A fachada principal do Palácio Chandor é demarcada por um tramo central encimado com um frontão triangular ladeado por fogaréus. Este núcleo central avançando apresenta pilastras adossadas aos cantos, destacando-se no piso térreo um pórtico com arco de volta perfeita e, no piso nobre uma varanda com guarda em madeira.

    A parte da fachada correspondente à Casa Bragança Pereira desenvolve-se na ala nascente do conjunto. Esta apresenta-se sobre um conjunto de grandes pilastras toscanas que alternam ritmicamente com as doze janelas de sacada com arcos trilobados no piso nobre e, no piso térreo com vãos de arcos tribulados.

    Para além da extensão do volume edificado, a horizontalidade da fachada é reforçada pela pouca visibilidade do piso térreo, uma vez que este é coberto pela vegetação do jardim de aparato, pelo duplo beirado e telheiro que envolvem todo o edificado, e pelo baixo murete com balaustres lisos que contorna o limite da propriedade.

     Corpo Central de Entrada

    Ao centro da fachada, um corpo central saliente faz a união entre o programa interior das duas casas. Este para alem de fazer a comunicação com o exterior através de um terreiro ladeado pelos muretes a propriedade, destaca-se do conjunto pelo pórtico em arco de volta perfeita, a varanda de tribuna no piso nobre e frontão triangular e dois fogaréus que o rematam ao cimo. 

       

       

       

    Orientada a poente, a fachada lateral da Casa Bragança Pereira desenvolve-se com organização assimétrica na zona de serviços situada nas traseiras. No conjunto, estes corpos definem entre si um pátio semi-aberto.

    O corpo nobre na sua fachada virada a nascente apresenta três janelas de arcos trilobados com varanda comum no piso nobre e sem janelas no piso térreo. Esta fachada é emoldurada nos seus extremos com largas pilastras, os seus capitéis unem-se com a cornija saliente. Este corpo é rematado por telheiro que corre toda a fachada principal, apresentando um duplo beirado saliente.

    A fachada tardoz do corpo nobre apresenta uma varanda alpendrada com grandes arcos de volta perfeita.

       

    As janelas de sacada decoradas com arcos trilobados manifestam uma liberdade estética própria da segunda metade de XIX.

    As suas molduras curvas e salientes terminam sob um apontamento curvo junto da guarda da varanda. Em madeira esta guarda apresenta padrões geométricos e florais sobrepostos feitos em talha. Esta opção pela madeira, em oposição ao ferro forjado, manifesta uma clara filiação com as tradições de arquitectura e construção autóctones.

    Salientes palmo e meio para o exterior da casa, os suportes das varandas das janelas de sacada apresentam-se sobre três pequenas mísulas que vemos divulgadas na arquitectura portuguesa a partir do barroco.  

       

    Jardins

    Ao longo da fachada principal e em articulação com o espaço do largo, a Casa Bragança Pereira apresenta o jardim de aparato, ou da entrada, ornamentado com mesa e bancos decorados com embrechados de grande qualidade estética.

    Em articulação com o jardim de aparato estende-se um conjunto de jardins pouco individualizados que envolve toda a casa.

     

     

    CARITA, Helder, Palácios de Goa, Lisboa, Ed. Quetzal, 1996, pp.136 – 159

    HPIP - http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=1452

    1878 – Emitidas em Lisboa pelo Concelho de Nobreza, cartas de títulos de moço fidalgo com exercício na Casa Real e brasão de armas são entregues a Francisco Xavier de Bragança.

    1882 – Os mesmos títulos são recebidos por António Elzário Sant’ Anna Pereira.

    Século XIX – Progressiva importância e autonomia da Família Bragança Pereira e da Menezes Bragança faz com que cada casa cresça assimetricamente de forma independente.  

    Helder Carita, Desenho da fachada principal do Palácio Chandor

    Piso 0

     

    O programa de interiores do piso 0 do conjunto arquitectónico organiza-se segundo entradas para três espaços distintos.

    Duas laterais que correspondem aos dois portões secundários localizados simetricamente no murete exterior e que dão acesso às zonas de serviços agrários localizados do piso térreo. E, outra que, correspondendo à porta principal sequente ao terreiro no centro da fachada, organiza um conjunto de espaços que se apresenta como eixo estrutural e dá acesso ao piso nobre.

    Este conjunto de espaços, que precede a porta principal, é constituído por uma sala de entrada, uma galeria alpendrada que cobre quase a totalidade área central e um pátio a céu aberto a tardoz. A zona central da galeria apresenta um conjunto de escadarias formadas por um lance que se desdobra em dois. Para nascente, esta área fornece acesso à casa Bragança Pereira.

     

     

    Saguão (logea de entrada)

    Com uma planta de base quadrangular, o saguão liga o palácio com o exterior através de duas fenestrações, a porta exterior e uma abertura para o primeiro lance de escadas no enfiamento desta.

       

     

     

    Piso 1-Piso nobre

    O programa interior da Casa Bragança Pereira desenvolve-se a nascente de um eixo estruturante central constituído pelos espaços de entrada e circulação ao piso nobre do palácio.

    A planta em forma de “L” da casa distingue funcionalmente dois espaços, as zonas de recepção ao longo do volume da fachada principal e a zona de circulação interior e de serviços ao longo da estrutura rectangular perpendicular ao corpo da fachada principal.

    Os primeiros espaços, situados no corpo da fachada principal, organizam sequencialmente a sala de espera, o salão e o quarto de aparato.

    O segundo, a nascente do eixo de circulação central e perpendicular à zona de recepção, organiza linearmente um conjunto de quartos intercomunicantes e o estreito vasary que, para além de assegurar a comunicação a todo edifício, permite uma estrita e intima ligação com o pátio exterior. Na contiguidade deste corpo uma pequena sala liga a tardoz as áreas de serviços e abre o acesso a uma capela existente num corpo adjacente a nascente. 

     

     

    Alpendre

    Suportado por grandes pilares, o alpendre cria uma vasta zona coberta, mas com livre circulação de ar claramente apropriada a um clima tropical quente e húmido. Sob a sua cobertura apresentam-se umas escadarias divididas em dois lances opostos que evidenciam claras afinidades tipológicas com as do palácio dos Santa da Silva em Margão ou da Casa dos Mirandas na mesma localidade.

       

     

    Sala de visitas

    Localizada junto da fachada principal, a sala de visitas organiza-se como núcleo de distribuição das salas de aparato e do corpo de quartos.

    Na sua forma rectangular abrem-se três janelas de sacadas a sul, duas portas para a sala de jantar (antigo vasary) a nascente e outras duas para as escadarias e quarto situadas a norte.

    O tecto de masseira em bisel da sala de visitas apresenta uma asna ao centro da sala e quatro asnas de travamento nos cantos.

           

     

    Salão

    Ocupando toda a fachada poente, a “sala” constitui, pelas suas proporções e localização privilegiada, o espaço nobre da casa. Nela abrem-se um conjunto de cinco janelas de sacada sobre o jardim de aparato, quatro portas para a galeria alpendrada a norte e ainda duas portas para o quarto de aparato. Ao longo das paredes distribuem-se conjuntos de canapés de desenho romântico. O salão é ainda iluminado por uma sequência de grandes lustres de cristal.

             

     

    Quarto de Aparato

    Ocupando o extremo a nascente do corpo principal, o quarto de aparato comunica directamente com o salão de baile através de duas portas abertas no alinhamento das janelas sacada da face nascente. Existem também no quarto duas janelas de sacada sobre o jardim de aparato a norte e uma porta virada para a galeria a sul.

    A interdependência entre quarto de aparato e salão é explicada pela função de representação que este exerce aquando se celebram cerimoniais especiais, como nascimento de um novo membro da família ou na velação dos mortos nas celebrações fúnebres.  

       

     

    Varanda alpendrada

    A estreita e longa varanda da residência desenvolve-se paralelamente às zonas de recepção, funcionando através das suas fenestrações como espaço de articulação entre quartos e estas salas. A estreita articulação entre pátio nascente e os arcos de alvenaria a sul na varanda criam uma vasta zona de sombra que além de circulação funciona como um sistema de arejamento dos interiores claramente adequado ao clima quente e húmido Goa que se faz sentir sobretudo no período das monções.

         

     

    Vasary – Sala de jantar

    A sala de jantar desenvolve-se num longo compartimento ao centro da casa, que devido à sua dimensão e localização, articula através das suas fenestrações diferentes zonas da casa. A sul as janelas de sacada abrem-se sobre o jardim de aparato, a poente ligam sala de visitas e quartos, a nascente a sala comunica com o salão e a norte através de um pequeno estreitamento rectangular em madeira abre-se a casa de jantar.

    As suas proporções estreitas e compridas são explicadas na sua função de sala de refeições – vasary- uma vez que é característica da tradição hindu comer em linha, ou seja, colocado lado a lado.

    A sala apresenta pavimentos em embrechados de grande qualidade estética, assim como restos de decoração de pinturas murais que nos ajudam a visualizar a concepção espacial dos interiores do século XVIII.

       

     

    Casa de jantar

    A casa de jantar desenvolve-se na sequência da sala de jantar como um tronco comum que seria em tempos o antigo vasary. A articulação com esta sala faz-se através de uma abertura rectangular com moldura em madeira que abrange quase na totalidade a secção transversal da largura da casa.

    O seu programa distributivo desenvolve-se sobre fenestrações que ligam os restantes compartimentos da casa. A norte comunica com uma pequena sala que faz a transição com a área de serviços, e a nascente grandes janelas de forma rectangular abrem-se para o jardim interior.

       

     

    Capela

    A capela apresenta-se num corpo a nascente do antigo vasary com acesso a partir de uma galeria que se prolonga perpendicular ao espaço da casa de jantar. A sua organização apresenta os espaços da nave, sacristia e pequeno compartimento de arrumos no interior.

    De planta rectangular com pouca profundidade, este espaço apresenta ao fundo um nicho central enquadrado por um retábulo com arco de volta perfeita em madeira entalhada que tem embasamento em alvenaria revestido de mosaico hidráulico.

    Ao centro do nicho apresenta-se uma mesa de altar em forma de paralelepípedo em madeira sobre a qual estão organizadas um cruxifico ao centro e vários castiçais. 

    No seu interior apresenta-se um sobre o qual se organiza um nicho emoldurado por pilastras e grinaldas em talha dourada que enquadra uma imagem de Nossa Senhora. A mesa do altar apresenta forma simples de sarcófago com banqueta que recebe crucifixos.

         

     

    Piso 1, Divisão 1

    A sala de visitas apresenta um friso de gosto romântico com rosas e folhagens numa repetição linear do mesmo motivo floral sobre as paredes pintadas de azul acinzentado.

       

     

    Piso 1, Divisão 1

    Correndo a zona inferior das paredes da sala desenvolve-se uma pintura imitando lambril de madeira com um padrão de azulejos.

       

     

    Piso 1, Divisão 4

    Sobre as portas da sala de jantar e nos rodapés existentes entre elas estendem-se pinturas com delicados motivos florais sobre o desenho de folhagens.

         

     

    Piso 1, Divisão 5

    A casa de jantar apresenta um friso superior rosa pálido sobre o qual aparecem em branco delicados arabescos de pintura em stencil.

       

     

    Piso 1, Divisão 1

    O pavimento da sala de entrada tem um padrão geometrico constituido de mosaico hidraulico.

       

     

    Piso 1, Divisão 9

    O pavimento da capela é coberto por mosaicos que dividem o espaço segundo três molduras que se desenvolve a partir do centro com diferentes padrões geométricos.

       

     

    Piso 1, Divisão 4

    A sala de jantar apresenta pavimento em embrechado de grande qualidade estética com um tom cinza sobre o qual se estende padrão com pequenos apontamentos florais verde seco. O limite da sala é marcado no pavimento por uma moldura, que enquadrada por duas linhas apresenta no interior uma sequência de cornucópias floridas. Os cantos da sala são enfatizados por um quadrado que se desdobra para o interior da moldura e é ornamentado com apontamento floral.

         

     

    Piso 1, Divisão 1

    Na sala de visitas sobressaem conjuntos de móveis de assento de várias épocas, deles são exemplo as cadeiras e canapé que remontam ao Século XIX, ou a cadeira de secretária que no centro da tabela de encosto sobressai um símbolo chinês, ruyi, denota a profunda influência chinesa do século XVIII.

         

     

    Piso 1, Divisão 4

    Na sala de jantar destacam-se as cadeiras de dobrar que, pelo seu carácter único, aparecem sistematicamente em salas de vários palácios enquanto modelo do século XVIII.

       

     

    Piso 1, Divisão 6

    Colocadas no centro da parede do salão de baile, as duas poltronas de decoração rococó polarizam as atenções de um espaço onde ao longo das paredes sucedem-se conjuntos de canapés de desenho romântico. Ao conjunto de mobiliário existente sobressai também um piano colocado numa diagonal ao canto da sala.

         

     

    Piso 1, Divisão 7

    A cama de dossel do século XIX destaca-se como elemento de mobiliário principal no quarto de aparato.

         

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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