Palacete da Rua Mouzinho da Silveira, n.º 6 / Museu Medeiros e Almeida

    Palacete da Rua Mouzinho da Silveira, n.º 6 / Museu Medeiros e Almeida
    Palacete da Rua Mouzinho da Silveira, n.º 6
    XIX
    Portugal

    Manuel Correia Júnior (Construtor Civil); José Joaquim dos Santos (Construtor Civil); Carlos Rebelo de Andrade (Arquitecto); Carlos Ramos (Arquitecto); Alberto Cruz (Arquitecto); Frederico George (Arquitecto); Gabinete de Arquitectura Arqui III

    Rosa Araújo, 41; Rua Mouzinho da Silveira, 6, 1250-194 Lisboa
    38.721647
    -9.149236
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    Apresentação

    Edifício de gaveto que ocupa o ângulo Sul entre a Rua Mouzinho da Silveira e a Rua Rosa Araújo, é um dos palacetes remanescentes do Bairro Barata Salgueiro. Configura-se exteriormente como um edifício de estilo eclético e historicista do fim de século XIX, tendo a particularidade de apresentar uma torre na fachada voltada a Nascente, que foi acrescentada numa fase posterior. Um dos seus últimos proprietários foi o colecionador António Medeiros e Almeida, convertendo-se o edifício em Museu após a sua morte.

        

    1) © Arquivo Municipal de Lisboa, [Moradia na Rua Mouzinho da Silveira], 1964-10, fotografia de Artur João Goulart, cota A47282 e N44763

    2) © Arquivo Municipal de Lisboa, [Casa Medeiros e Almeida], [entre 1890 e 192-?], cota NEG002727 e PT/AMLSB/NEG/002727

    3) © Casa Museu Medeiros e Almeida

     

    Enquadramento Urbano e Paisagístico

        

    Inserido na malha da cidade, está situado na esquina entre a Rua Mouzinho da Silveira e a Rua Rosa Araújo. Inicialmente, o lote era dividido entre o Palacete, cuja entrada principal se fazia pela Rua Mouzinho da Silveira, e a área ajardinada que se prolongava para Sul, na continuação da fachada principal, protegida por um muro com um portal do lado direito. A entrada para a garagem fazia-se através de um portão voltado para a Rua Rosa Araújo. Na transformação em Museu, foi construído um anexo na área do jardim, aproveitando também o espaço da garagem.

     

    Morfologia e Composição

    No seu formato original, o Palacete apresentava uma planta simples de base retangular, com esquina exterior em curva. As fachadas das ruas Mouzinho da Silveira e Rosa Araújo são simétricas e apresentam quatro pisos, incluindo a cave e o andar de mansarda (-1, 0, 1 e 2). A cave tinha portas para o exterior na fachada de acesso à garagem e para o jardim. Uma escada de serviço, que partia junto dessa fachada, ligava este piso ao Piso 0. O Piso 0 era acessível pela porta principal, voltada para a Rua Mouzinho da Silveira, e por um terraço com escada para o jardim. No Piso 0 existe uma escadaria de aparato que permite aceder ao Piso 1, escada essa que se desenvolve na fachada lateral (Este), interiormente iluminada por três janelas. O acesso à mansarda (sótão) era feito pela escada de serviço, situada no canto Sudeste, que partia do Piso 1, mas com a construção da torre com elevador (1924) esta passou a desempenhar o papel de união vertical entre os vários pisos. Todas as divisões possuem janelas que permitem a entrada de luz natural, existindo um corredor que atravessa a casa no sentido Este/Oeste, dando acesso às divisões que se alinham junto das fachadas Norte e Sul.

          

     

    Fachada Principal

          

    A fachada principal está voltada para a Rua Mouzinho da Silveira. Apresenta cinco pisos à largura de cinco vãos, distribuídos de modo assimétrico, apesar do portal marcar o centro da fachada. Vemos dois vãos geminados sobre a esquina, seguidos de duas pilastras de cantaria de junta fendida e secção recta, que unem os três pisos, terminando num capitel simples – entre as pilastras vemos um tubo de queda, que no topo é decorado com pétalas em forma de flor e uma pequena gárgula. Pilastra idêntica reveste o cunhal do lado direito. Seguem-se os três restantes vãos, com outro tubo entre o quarto e o quinto vão. No registo inferior que corresponde à cave, revestido de cantaria, as janelas são mais baixas, rematadas em arco abatido. As duas que se encontram sobre a esquina são geminadas, sendo também geminadas as janelas dos registos superiores no mesmo eixo. No Piso 0, rasgado pela porta principal (que desce até ao nível da cave), as janelas são de peito e têm moldura em arco abatido, sendo o peitoril sustentado por pequenas consolas. O arco da moldura apresenta no fecho uma cartela rocaille figurando um relevo com um óvulo e uma concha, motivo este que se repete nos restantes vãos dos outros pisos, incluindo a porta. No Piso 1 as janelas geminadas sobre a esquina são de sacada e protegidas por uma balaustrada de cantaria. O balcão curvo, que acompanha o formato da esquina, é saliente, sendo suportado por três consolas decoradas com volutas e flores. Sob o balcão, entre as consolas, apresentam-se dois florões de cantaria em relevo. O conjunto é rematado por um entablamento de clássico, com cornija saliente suportada por consolas intercaladas por caixotões em relevo. Sobre a cornija, em toda a volta da casa, está uma guarda de cantaria com um friso de quadrifólios, que remete para o estilo manuelino. Esta guarda será datada de 1924, quando foi alterada a mansarda com o acrescento de mais um piso. Esta guarda forma uma varanda corrida ao nível do piso de mansarda, rasgado por cinco vãos no alinhamento das janelas dos pisos inferiores. Acima do telhado vê-se um último piso com janelas de trapeira.

     

    Fachada para a Rua Rosa Araújo

          

    A fachada Norte é idêntica à fachada principal, embora mais larga, apresentando do lado esquerdo um portão em ferro forjado, que dava acesso à garagem. Esta fachada, para além dos vãos geminados sobre a esquina, é rasgada por cinco vãos, apresentando uma pilastra de cantaria entre os vãos e a esquina e outra sobre o cunhal, do lado esquerdo. Tem também dois tubos de escoamento, entre o primeiro vão e os três vãos centrais, e entre esses e o quinto vão. A leitura desta fachada foi alterada com o posterior (1924) acrescentamento de uma torre na fachada oriental, que se eleva sobre os restantes pisos.

     

    Fachada lateral Este

          

    Fachada voltada para o acesso à garagem, que originalmente seria apenas uma passagem à zona de serviço e ao jardim. Vemos quatro registos à largura de cinco vãos, sendo o registo inferior rasgado por três portas e duas janelas de peito. O segundo registo apresenta janelas de sacada com moldura em arco abatido e guarda em ferro forjado com motivos vegetalistas Arte Nova. Sobre este piso vemos três grandes janelas em arco de volta perfeita, que iluminam a escadaria principal. A esta fachada foi acrescentada (em 1924) uma torre sobre o canto Nordeste, que se eleva por mais dois pisos, terminando num pequeno telhado em mansarda, servindo de mirante. É iluminada por janelas altas, rematadas por arco de volta perfeita. A secção quadrada da planta da torre, aliada às janelas altas e estreitas que a iluminam, entra já numa linha mais moderna.

     

    Fachada Sul

        

    1) © Arquivo Municipal de Lisboa, [Casa Medeiros e Almeida], [entre 1890 e 192-?], cota NEG002727 e PT/AMLSB/NEG/002727

    2) © Arquivo Municipal de Lisboa - Obra N.º 330 – Proc. 1278-DAG-PG-1896 - Folha 4

    Esta é a fachada foi a mais alterada após a transformação do Palacete em Museu e com a ocupação do espaço do jardim por um edifício que se eleva até ao Piso 1. Segundo o projecto de 1896, teria uma fachada com a largura de cinco vãos, com duas portas no Piso -1 de acesso ao jardim através de uma escalinata. Ao nível do Piso 0, a janela central, de sacada, com um terraço (que dava acesso ao jardim) seria mais larga, sendo decorada com um frontão de remate circular ornamentado com relevos, que se repete nas janelas que a ladeiam (estas sem ornamentação) – uma simples de sacada e outra dupla. As janelas dos extremos são de sacada, coroadas por um arco angular. Sob duas das janelas previam-se canteiros para flores. O piso superior (que ainda se mantém), com cinco janelas de peito, jogaria com uma decoração idêntica das janelas: as janelas dos extremos com um frontão de remate circular, as intercalares com molduras rectas e com canteiros para flores, e a central de avental com um arco angular. Sobre este piso ficam os dois andares de mansarda, com janelas de trapeira idênticas às das restantes fachadas.

     

    «Álbum Palácio do Conde de Burnay, 1933», in A Casa Senhorial [https://acasasenhorial.org/acs/index.php/pt/fontes-documentais/fotografia/434-album-palacio-do-conde-de-burnay-1933], cons. 20 de Novembro de 2023.

    Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças, Processo N.º 6838, Augusto Vitor dos Santos, 25 de Fevereiro de 1920.

    Arquivo Municipal de Lisboa, Obra N.º 330

    Mayer, Maria de Ornelas Bruges de Lima, Casa-Museu Medeiros e Almeida: o projeto de um homem. De coleção privada a acervo público, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2016 (Tese de Mestrado).

    MOREIRA, Marta Rocha, Da Casa ao Museu, Adaptações Arquitectónicas nas Casas-Museu em Portugal, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, 2006 (Tese de Mestrado).

    Século XIX

    1896 – Data em que foi edificado o palacete com o nº 6 da rua Mouzinho da Silveira. A encomenda foi do advogado Augusto Vítor dos Santos (1855-1920), mas desconhece-se o autor do projeto. A obra ficou a cargo do construtor Manuel Correia Júnior.

    Século XX

    1920, 25 de Fevereiro – Augusto Vítor dos Santos faleceu na sua casa na Rua Mouzinho da Silveira.

    1921 – O palacete foi vendido a Eduardo Guedes de Sousa.

    1922 - Eduardo Guedes obtém licença camarária para efetuar importantes alterações, projetadas pelo arquiteto Carlos Rebelo de Andrade (1887-1971). Este projeta um anexo sobre a garagem (a Este da casa) com acesso pelo jardim, composto por uma casa para o motorista, uma estufa envidraçada e um lavadouro (MOREIRA, 2006, 274; Mayer, 2016, 43-44).

    1923-1924 – Nesse ano foi construída a torre do elevador, fazendo-se também uma reforma e ampliação do andar de mansarda, com a criação de um sótão em esconso, resultando numa nova mansarda de dois pisos que se ergue acima da cornija – projeto do arquiteto Rebelo de Andrade. A cobertura do torreão com remates em ferro forjado e do primeiro andar da mansarda é feita com telhas de ardósia, ao estilo parisiense (MOREIRA, 2006, 274; Mayer, 2016, 44). Fez-se a instalação de aquecimento central.

    1927 – Monsenhor Pedro Ciriaci, Arcebispo de Tarso (1885-1966), adquire o imóvel, como representante do estado do Vaticano, para nele acolher a Nunciatura Apostólica (MOREIRA, 2006, 275).

    1929 – A Nunciatura determina fazer uma remodelação dos interiores para instalação dos seus serviços, a cargo do construtor José Joaquim dos Santos. Destas intervenções não há registo conhecido, porque o proprietário tinha direitos de extraterritorialidade (MOREIRA, 2006, 275).

    1942, Julho – O palacete foi vendido pelo Núncio Apostólico Monsenhor Pedro Ciriaci à Sociedade Agrícola do Cassequel, Angola (Banco Espírito Santo) (1885-1966) (Mayer, 2016, 44-45).

    1943, 22 de Dezembro – O palacete foi adquirido por António Medeiros e Almeida (1895-1986), pela quantia de um milhão seiscentos e setenta mil escudos. Ficava perto da casa dos pais do empresário, situada no n.º 12 da Rua Mouzinho da Silveira (Mayer, 2016, 45).

    1944-1945 - Medeiros e Almeida contrata o arquiteto Carlos Ramos (1897-1969) para efetuar as remodelações e melhoramentos necessários à instalação definitiva no Palacete. Nessa altura foram substituídos os revestimentos de paredes e tetos, procedendo-se à abertura de quatro salas em enfilade criando um grande salão no andar nobre (Piso 0) que era servido por três janelas/portas de acesso à varanda e jardim; remodelação da escadaria nobre que se construiu com três lanços e balaustrada em madeira de sicupira (substituindo os dois lanços antigos e o gradeamento em ferro) e a instalação de três casas de banho no primeiro andar de serviço aos dois quartos de dormir (Mayer, 2016, 45).

    1946 – Medeiros e Almeida e sua mulher, Margarida Pinto Basto (1898-1971), mudam-se para o Palacete da Rua Mouzinho da Silveira.

    1946, Junho – O novo oratório (Piso 1) foi consagrado «pelo Cardeal Cerejeira, numa cerimónia que foi registada pelo fotógrafo Mário Novais» (Mayer, 2016, 46).

    1951 - António de Medeiros e Almeida adquire o terreno anexo à sua moradia, no gaveto das ruas Mouzinho da Silveira e Barata Salgueiro.

    1952 - O casal foi fotografado em casa para a revista inglesa Town & Country (Mayer, 2016, 20).

    1968 - António de Medeiros e Almeida começa a implementar o projeto de criação de uma instituição museológica, contratando o arquiteto Alberto Cruz (1920-1990) para transformar a sua residência em museu no sentido de expor toda a coleção no mesmo espaço. A questão foi resolvida com a construção de uma nova ala ocupando o jardim da casa. A garagem foi mantida, embora tenha sido eliminado o piso superior (Mayer, 2016, 47-48).

    1970 - António de Medeiros e Almeida muda-se com a esposa para uma moradia vizinha, na rua Rosa Araújo (nºs 37-39), desenhada pelo arquiteto Ventura Terra (1866-1919) (1899), cujas obras de remodelação ficaram também a cargo de Alberto Cruz (Mayer, 2016, 48).

    1971, 21 de Junho - O arquiteto Frederico George (1915-1994) é contratado para finalizar a obra da Museu. No local do antigo jardim foi montada a chamada “sala do lago”.

    1971 - Morre Margarida Medeiros e Almeida.

    1986 – Morre António Medeiros e Almeida. Uma nova remodelação foi encomendada aos arquitetos João de Almeida (n.1927), sobrinho Medeiros e Almeida, Pedro Ferreira Pinto (n.1935) e António da Costa Cabral (n.1950) do gabinete de arquitetura ARQUI III.

    1992-2001 - Foi submetido à Câmara Municipal de Lisboa um projeto de alterações: criação de uma zona de receção e vendas e de uma nova entrada do Museu (MAYER, 2016, 52). As obras arrancaram em 1999, concluindo-se em 2001, ano da abertura oficial da Museu ao público.

    © Arquivo Municipal de Lisboa - Obra N.º 330 – Proc. 1278-DAG-PG-1896 - Folha 4

    Projeto original do Palacete (1896), transformado pelos seguintes proprietários. Neste projeto nota-se que estavam planeados apenas quatro pisos, incluindo o sótão. A este edifício primitivo acrescentou-se um segundo piso de águas-furtadas sobre o sótão, a torre com elevador (1924) e, finalmente, um edifício anexo, no espaço do antigo jardim, onde foi instalada parte da coleção da Museu (1968-2001).

      

    © Casa Museu Medeiros e Almeida – Capela antiga (1.º andar) e Jardim – escadaria

    Nestas duas fotografias antigas, vemos partes da casa antes da sua musealização. Na primeira está a capela quando se situava no 1.º andar, com um retábulo de talha dourada no local do altar, guardado por uma balaustrada de madeira. Este altar, com talha do século XVIII, é proveniente do Palácio dos Condes de Burnay (na Junqueira) (cf. Álbum Palácio do Conde de Burnay, 1933), sendo o que hoje se encontra na capela do rés-do-chão. Na outra fotografia vemos a escada que ligava o piso nobre ao jardim, formada de um lanço de sete degraus, com guarda de balaustrada de cantaria.

    Autoria do texto: Margarida Elias, Novembro, 2023

    Piso – 1

          

    A cave era dedicada ao serviço doméstico. A entrada de serviço fazia-se pela porta da fachada voltada a oriente, dando acesso a um corredor que atravessa a casa, com portas para todas as divisões. Aqui ficavam quartos dos criados e uma sala para o pessoal, bem como um quarto para engomados e a cozinha, no canto SE – atualmente convertida em cafetaria. Desde a edificação da torre, no canto NE, esta passou a unir todos os pisos através de uma escada e de um elevador. Neste piso ainda subsiste a cozinha com o seu mobiliário, incluindo armários, uma mesa de pedra e um fogão da Fábrica Tomás Cardoso (Porto).

     

    Piso 0

         

    1 e 2) © Casa Museu Medeiros e Almeida, 2010, fotografias de Pedro Mora.

    A distribuição das divisões é semelhante em todos os pisos. O acesso principal da casa fazia-se pela porta voltada à Rua Mouzinho da Silveira, que dava para um pequeno vestíbulo, a partir do qual, subindo um curto lanço de escadas, se chegava ao corredor que atravessa toda a casa (sentido Oeste/Este), desembocando na escadaria nobre, que leva ao piso superior. As divisões, intercomunicantes, tinham acesso pelo corredor, ficando quatro de cada lado.  Do lado direito (Sul) ficava uma sequência de salas que tinham ligação ao jardim, através de um terraço. Essa salas foram intervencionadas por Carlos Ramos que concebeu uma sucessão de salões abertos. No lugar do jardim foi construída a Sala do Lago, mantendo, de algum modo, a memória da ligação à natureza. Na fachada voltada à Rua Rosa Araújo (Norte) situavam-se (pelo menos desde meados do século XX) a copa (atual Sala das Pratas), a sala de jantar e o escritório – este, na esquina entre as ruas Mouzinho da Silveira e a Rosa Araújo, teria uma janela voltada para a rua que, no tempo de Medeiros e Almeida, foi tapada com uma estante.

     

    Piso 1

        

    1 e 2) © Casa Museu Medeiros e Almeida, 2007-2010, fotografias de Pedro Mora.

    Subindo a escadaria nobre, acede-se ao Piso 1, que é o que se mantém mais de acordo com a organização e decoração inicial. Era o piso votado aos apartamentos privados, seguindo o mesmo tipo de distribuição axial e simétrica relativamente ao corredor. Sobre o topo da escadaria (fachada oriental), ficavam, do lado Norte, uma capela com sacristia, uma rouparia e um quarto de hóspedes (na esquina da casa). Do lado Sul, duas casas de banho, um quarto, um quarto de vestir e uma sala íntima (esta sobre a Rua Mouzinho da Silveira) (cf. MAYER, 2016, 46).

     

    Piso 2

        

    Os dois andares de mansarda (hoje acessíveis pelo torreão) eram dedicados ao alojamento do pessoal e à arrumação. O Piso 2 (primeiro de mansarda) foi reformulado no início século XX para ter maior usufruto de habitação, tendo chegado a ter um oratório privado, que, no tempo de Medeiros e Almeida, foi transferido para o primeiro andar (Mayer, 2016, 46). Neste piso, sobre a capela, ficava o atelier de D. Margarida Medeiros e Almeida, que ainda se destaca por ter um janelão de maior largura para melhor iluminação. Ao contrário dos outros andares de matriz moderna clássica, neste piso, os arcos em ogiva e a decoração parietal traduzem uma influência revivalista medieval e manuelina.

    Piso 2

     

            

    O corredor é forrado a azulejos polícromos, quatro deles formando painéis figurados de inspiração neoclássica. Do lado Norte, de ambos os lados de uma porta, estão dois painéis, um deles representando um caduceu de Mercúrio e o outro uma trípode, com pés terminados em garras e sobreposta por três esfinges aladas. No extremo oposto do corredor (lado Oeste) estão outros dois painéis. Num está uma representação de um troféu com símbolos de guerra (um capacete e uma aljava) e do outro uma coluna com um capacete e um escudo. As bordas de todos os painéis são decoradas com um padrão geométrico, sendo o remate superior recortado, decorado com pássaros (talvez galos), folhas e frutos estilizados (talvez parras e cachos de uvas). Estes azulejos parecem inspirados pelos hispano-mouriscos do Palácio da Vila, em Sintra. Nas paredes intermédias, os azulejos são imitação da padronagem do século XVII, vulgarmente chamada «de maçaroca».

    Piso 1

    Quarto

        

    Paredes e tecto decorados com motivos florais estilizados, de tipo clássico. No tecto um medalhão, apresenta um círculo com uma cruz inscrita, em torno dos quais se desenvolve um motivo fitomórfico de enrolamentos. A cruz é formada por quatro lírios estilizados e, dentro do círculo, vê-se uma coroa de pequenas rosas. O motivo das rosas surge também nas faixas que decoram as paredes, sendo o lambril das paredes ornamentado com uma pintura a imitar mármore rosa.

     

    Quarto de vestir

        

    No tecto um medalhão de enrolamentos vegetalistas estilizados desenhando espirais, num registo que se prolonga nas faixas que decoram as paredes.

     

    Sala Íntima

          

    No tecto medalhão com enrolamentos vegetalistas e pequenas flores (lembrando margaridas). Flores semelhantes surgem também na decoração das paredes. O lambril é decorado com pintura a simular mármore rosa.

     

    Escadaria

            

    1) © Casa Museu Medeiros e Almeida.

    A escadaria de aparato situa-se no mesmo local onde estava a escadaria original, sendo que essa era de dois lanços e gradeamento de ferro. A actual, desenhada pelo arquitecto Carlos Ramos, desenvolve-se em três lanços, formando um U, começando no Piso 0 e desembocando no Piso 1. O corrimão é de balaústres em madeira de sicupira, dentro de um modelo inspirado pelo barroco joanino, formando uma varanda no topo sobre a escada. Destacam-se os três janelões, igualmente desenhados por Carlos Ramos, que iluminam a escadaria, sobre a fachada oriental. De moldura rectangular de mármore verde de Viana, cada uma das janelas ostenta no fecho do lintel uma mísula com caneluras. Nos extremos das janelas estão duas colunas toscanas, também de mármore, que contribuem para o enobrecimento deste espaço. É ainda de destacar a decoração do vidro com uma grade metálica decorada com flores-de-lis.

     

    Piso 2

    Corredor

        

    No corredor do Piso 2 encontra-se um vitral polícromo, adossado à parede, formando um arco em ogiva. A faixa exterior é decorada com um motivo de folhas de parra e cachos de uvas estilizados. Ao centro apresenta uma rosácea com motivos vegetalistas, tendo uma faixa circular exterior decorada com flores de oito pétalas.

     

    Sala 1

        

    Sala com decoração de madeira pintada de verde e dourado, pilastras estriadas, moldura de óvalo e pequenas folhas de acanto estilizadas sobre a ombreira da porta e na sanca. As paredes são forradas de papel com padrão de rosas. Nessa mesma sala, armários embutidos na parede, cujas portas apresentam um remate em arco trilobado.

     

    Sala 2

      

    Lambril das paredes forrado de madeira. Junto da janela de sacada, de cada lado, armários embutidos, rematados por arco trilobado.

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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