Casa Alfredo Gonçalves Moreira

    Casa Alfredo Gonçalves Moreira
    Casarão 2, Casa 2, Centro Cultural Adail Bento Costa, SECULT
    XIX
    aprox. 1830
    Brasil
    Praça Coronel Pedro Osório, Pelotas, Rio Grande do Sul
    -31.770527
    -52.340203
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    A casa é a mais antiga que compõe o conjunto eclético e está localizada na cidade de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, no bairro Centro. O terreno, situado na esquina da rua Lobo da Costa com a rua Félix Xavier da Cunha, faz parte do quarteirão fronteiro à Praça Coronel Pedro Osório. Este zoneamento está classificado como ZPPC2 - área de preservação do centro histórico da cidade e faz parte do chamado “segundo loteamento” com projeto de 1832, período em que a cidade se chamava São Francisco de Paula e era classificada como vila. 

    O casarão, erguido em estilo colonial, passou por reforma em 1880, que agregou, às suas fachadas, características da linguagem eclética. O aspecto atual da antiga residência apresenta terreno retangular, com planta em formato de U acrescida de um jardim interno. O acesso principal e acesso secundário são localizados no frontispício de menor dimensão, no alinhamento predial da rua Félix da Cunha, e voltados para a Praça Coronel Pedro Osório. O acesso de veículos e mais quatro acessos secundários são identificados na fachada de maior dimensão, no alinhamento predial da rua Lobo da Costa. Não há recuos na construção, característica das edificações coloniais. 

    A elevação principal é dividida, no eixo horizontal, em base, corpo e coroamento. A base é identificada pela demarcação do soco, que se sobressai à parede, com acabamento em argamassa de cimento liso. 

    O corpo é lido como os dois pavimentos depois do soco. O pavimento térreo apresenta cinco janelas, todas iguais, de abrir, com postigo interno e arquitrave externa lisa, com verga e contra verga reta. As pilastras desse pavimento são rusticadas e a altura dos pedestais corresponde à altura dos peitoris das janelas. A arquitrave do acesso principal é em arco abatido e, no topo, há uma cártula com rolos. A porta é com folha almofadada dupla de abrir e possui bandeira com vitrais também em arco abatido e vidros fixos nas cores verde e vermelha. 

    No segundo pavimento, as pilastras são coríntias, com fuste ornamentado por frisos verticais. As aberturas são compostas por seis portas-janelas com duas folhas de abrir externas e duas folhas de postigos internas. As duas portas-janelas centrais possuem consolos laterais que sustentam uma cornija, sobre a qual há um frontão triangular interrompido, com tímpano ornamentado no seu interior por elementos florais com volutas. O interior dos consolos é ornamentado com uma concha central, arabescos de folhagens com volutas e flor-de-lis nas extremidades. As portas-janelas centrais apresentam um único balcão em forma de curva e contracurva, apoiado em cimalha com consolos ornamentados. O guarda-corpo do balcão é em ferro com adornos que formam volutas. 

    Nas quatro portas-janelas, localizadas nas extremidades, é possível observar que o frontão cimbrado não possui decoração no tímpano. Os balcões das portas-janelas externas são retos e apoiados em cimalhas. Os guarda-corpos, também em ferro, são ornamentados por volutas e a base é reta. 

    No coroamento da edificação, há uma platibanda mista com balaústres na parte vazada. O centro é marcado por um frontão de arco pleno e no seu cume há uma decoração com volutas e ramagens. No tímpano, observa-se um medalhão com rolos e ornatos florais com volutas. Nas extremidades da platibanda, identifica-se uma ânfora de cada lado. 

    No terceiro pavimento, uma camarinha marca o coroamento da edificação. Sua estilística é bastante próxima da composição das fachadas do alinhamento predial e sua composição em planta é na forma de um quadrado. Uma platibanda vazada com balaústres é sustentada por uma cimalha. Os chanfros retos das paredes são ornamentados, em todos os lados, por pilastras de ordem coríntia e fuste com frisos. Há seis portas-janelas com demarcação de arquitrave (duas de cada, no eixo leste/oeste, e uma de cada, no eixo norte/sul) e no cume, ao centro, há uma madressilva. As folhas das esquadrias são duplas, de abrir, com postigos de madeira na parte interna e vidro e almofadas na parte externa. 

    Nessa fachada também é possível observar, do lado esquerdo, uma porta-janela dupla com duas folhas de abrir com vidro e almofadas externas e internamente duas folhas de postigo de abrir, também com demarcação de arquitrave. Ao lado da porta-janela há uma janela com duas folhas de vidro de abrir, na parte externa, e duas folhas de postigo de abrir, na parte interna.  

    Esta fachada, situada na rua Lobo da Costa, apresenta no eixo horizontal base, corpo e coroamento. Na base, se observa o soco, sobressalente à parede, com acabamento em argamassa de cimento liso e pintura na cor azul claro. 

    No corpo da fachada, identificam-se as esquadrias do pavimento térreo que se baseiam em três portas com folhas duplas, de abrir, de madeira, um portão também de abrir com folha dupla de madeira e uma porta de abrir com folha dupla de madeira e bandeira de vidro fixo. As janelas desse eixo contabilizam em sete, todas iguais, com duas folhas externas, de abrir, com vidro fixo e duas folhas de postigos de madeira na parte interna. Há, em todas as esquadrias, a demarcação de  arquitrave na cor amarela. 

    Ainda no corpo da fachada, porém no segundo pavimento, encontram-se doze janelas, sendo quatro dessas esquadrias com coroamento em frontão triangular interrompido com tímpanos ornamentados por elementos florais com volutas, sustentado por uma cimalha, com consolos ornamentados no centro por uma concha com arabescos de folhagens com volutas e flor-de-lis nas extremidades. As oito janelas restantes apresentam frontão cimbrado com tímpano sem ornamentos, sustentado por uma cimalha, com consolos ornamentados com a mesma concha envolvida em arabescos de folhagens, com volutas e flor-de-lis nas extremidades. 

    O coroamento da fachada secundária é feito por uma platibanda mista com balaústres na parte vazada. 

    Analisando a fachada secundária, em seu eixo vertical, é possível observar uma divisão mais ornamentada e marcada pelo frontão e uma parte com menos adornos delimitada por uma pilastra de ordem coríntia, com frisos verticais e uma pilastra da mesma classe, porém com marcações horizontais. Na elevação, identificada pelo frontão, é possível analisar uma simetria que segue a regra do trimorfismo. As pilastras identificadas no lado mais ornamentado são de ordem coríntia e com fuste ornamentado. O frontão, no eixo central do trimorfismo, é cego e com inspiração barroca, trazendo a curva e a contracurva; no centro, há uma cártula com arabescos de ramagens, com volutas em volta, e um medalhão central arremata seu cume.

    Localizada no interior da edificação, a cúpula tinha como função original a iluminação zenital da escada. No século XIX, a residência passou por uma reforma que incluiu uma camarinha sobre a cúpula, que obteve uma função somente decorativa. 

    O banco faz parte do jardim interno existente no Casarão de Alfredo Gonçalves Moreira.

    ALVES, Fábio Galli. Decorações murais: técnicas pictóricas de interiores. Pelotas/RS (1878-1927). 2015. 186f. Dissertação (Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural) - Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural, Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2015.

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    CHEVALLIER, Ceres. Vida e obra de José Isella: Arquitetura em Pelotas na segunda metade do século XIX. Pelotas: Ed. Livraria Mundial, 2002.

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    C. 1830 - O casarão foi construído em estilo colonial, aproximadamente em 1830, tendo sua primeira menção escrita em 1854, datação do inventário do charqueador José Vieira Viana. Posteriormente foi comprada por José Antônio Moreira, Barão de Butuí, como presente de casamento para seu filho Alfredo Gonçalves Moreira e a esposa.

    1880 - O casarão passou por uma reforma nas fachadas, mesmo período em que os casarões n°6 e n°8 foram construídos, passando a ser moradia de Alfredo Gonçalves Moreira e sua esposa, Flora Mercedes Maciel Moreira.
    Assim que o casarão deixou de ser dos descendentes do Barão de Butuí, passou por vários proprietários, sendo inclusive um anexo do Grande Hotel. A partir daqui temos uma lacuna de informações de quase cem anos, pouco se sabe dos donos e usos além de alguns poucos nomes como o de Célia Botelho Moreira e Pedro Irigon Zabaleta, como alguns dos proprietários que antecederam a compra por Inah Bordagorry de Assumpção Mello.

    1970 - O casarão, até então pertencente à família Assumpção Mello, foi vendido para a Associação dos Profissionais Liberais Universitários do Brasil – APLUB. Durante esse processo de compra e venda, possivelmente, ocorreu a remoção das esculturas e dos vasos em faiança da platibanda.

    1977 - Após mobilização popular para impedir que o casarão fosse demolido pela APLUB, para ser construído um prédio comercial no local, a casa 2 e os casarões 8 e 6 foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. No mesmo ano foi sancionada a Lei Municipal 2.365, que instalava no local a Fundação Museu de Pelotas.

    1987 - Foram feitas melhorias nas esquadrias e no piso do pavimento superior, com verbas provenientes do IPHAN.

    1995 - Um incêndio comprometeu a estabilidade das paredes de estuque do segundo piso e a estrutura do telhado.

    1996 - A comunidade se mobilizou e foram realizadas algumas intervenções.

    1999 - Ocorreu a queda da cobertura devido ao abandono da casa, acarretando uma intervenção do IPHAN, com obras de restauro da cobertura, pisos, esquadrias e paredes.

    2003 - Realizada licitação para restauro do casarão com recursos do Programa Federal Monumenta.

    2004 - Início da Restauração com recursos do Programa Monumenta.

    2005 - Finalização da obra de restauração; a partir de então o casarão passou a abrigar a Secretaria Municipal de Cultura e o Centro Cultural Adail Bento Costa.

     

    Alfredo Gonçalves Moreira

    Alfredo Gonçalves Moreira, nascido em 1855, foi o primogênito do casal José Antônio Moreira, Barão de Butuí, com sua segunda esposa, a Baronesa Leonídia Angélica Braga Gonçalves. Aos 23 anos se casou com Flora Mercedes Maciel Moreira, poeta e musicista.

    Sobre a profissão de Alfredo não há dados cronológicos, mas se sabe que ele administrava os negócios da família Gonçalves Moreira e atuou na política, sendo deputado provincial nos anos de 1881 e 1882. Em 1917, nas eleições estaduais para a oitava legislatura da Assembleia dos Representantes, Alfredo fez parte da chapa vencedora, a federalista.

    Entre benfeitorias sociais, esteve à frente do Asilo de Mendigos como presidente entre 1886 e 1887. Em seguida, assumiu a presidência da Bibliotheca Pública Pelotense. No início do século XX, foi presidente do Instituto Nossa Senhora da Conceição e em seu mandato construiu uma enfermaria projetada na parte norte do Instituto, a qual foi batizada de D. Mercedinhas em homenagem à sua esposa. Através da sua ligação com o Instituto, teve um retrato a óleo feito pelo pintor Frederico Trebbi. Em 1910, foi nomeado como um dos mesários para participar da comissão que promoveu o patrimônio do Bispado de Pelotas, em decorrência da criação da província eclesiástica do Rio Grande do Sul, elevando Porto Alegre a Arcebispado.

    Processo de tombamento nº 925-T-1975.

    Livro Arqueológico, Etnográfico, e Paisagístico, Inscr. nº 70, de 15/12/1977.

    Coordenação referente à Casa de Alfredo Gonçalves Moreira: Annelise Costa Montone e Ana Pessoa (FCRB)

    Texto: Annelise Costa Montone; Clarissa Martins Neutzling; Carina Farias Ferreira; Letícia Quintana Lopes e Janaina Vergas Rangel

    Fotografias: Annelise Costa Montone; Clarissa Martins Neutzling, Carina Farias Ferreira

    Plantas: Acervo administrativo da Prefeitura Municipal de Pelotas, Clarissa Martins Neutzling e Sávia Pontes Paz.

    Programa geral, tipologia e planta 

    O Casarão n° 02 foi uma residência construída com um pavimento térreo somado com um segundo e um terceiro pavimento. O térreo possui o formato de U em relação à rua Lobo da Costa, com um pátio interno. O segundo pavimento também segue a mesma disposição do térreo, mas possui dois terraços, um localizado na ala sudeste e o outro na ala noroeste do casarão. O terceiro pavimento, conhecido como mirante, tem uma forma quadrada e menor dimensão do restante dos pavimentos citados. A cobertura é composta por telhas cerâmicas do tipo capa canal com disposições de quatro e três águas e fechamento em platibanda em todas as fachadas. 

     

    Piso térreo – 0 

    A disposição da planta térrea da antiga residência demonstra que esse pavimento pode ter desempenhado, inicialmente, as funções de armazenamento de alimentos, ocupação de animais e de trabalhadores escravizados, em decorrência de sua linguagem luso-brasileira. As cavalariças estavam localizadas ao fundo da edificação com acesso pela rua lateral, atual Lobo da Costa. Contudo, em 1880, após a compra da residência e da reforma realizada, a disposição interna provavelmente se assemelhou aos casarões ecléticos da época. No pavimento térreo a divisão possivelmente foi feita entre social e de serviço.

     

    Piso segundo pavimento - 01  

    O segundo pavimento é acessado por uma escadaria principal, localizada no hall de entrada, pela Praça Coronel Pedro Osório. Há uma outra escada, em formato de U, localizada em um cômodo com acesso secundário pela rua Lobo da Costa. Nesse pavimento se pressupõe que, no primeiro momento da construção, tivesse função social, íntima e de serviço. Com a reforma e a mudança de estilo é provável que este pavimento tenha adquirido a função de somente íntimo. Também se observa que este pavimento possui dois terraços. 

     

    Piso terceiro pavimento - 2

    Em torno de 1880, o casarão recebeu uma reforma na qual foi adicionado o terceiro pavimento para uso dos moradores, essa ação resultou na ocultação da iluminação zenital da escadaria principal. A função dessa adição era de mirante, para observar o porto da cidade de Pelotas. O acesso é feito por uma escada com o primeiro segmento em caracol e final linear, de madeira, localizada no corredor central do segundo pavimento. 

     

    Piso 0, Divisão 1 – Hall de entrada

    A técnica de escaiola está presente nas quatro paredes do hall de entrada e nos fustes das colunas laterais do arco que enquadra o acesso à escada. A intenção do processo é a imitação da pedra mármore. Também são identificados frisos na cor preta na técnica de estêncil, que formam retângulos (triângulos nas laterais do arco) com vértices marcados por flores de lis na cor dourada (possivelmente com  a aplicação de folhas de ouro). Os rodapés são de mármore na cor cinza escuro. 

     

    Piso 0, Divisão 7 e 8 – Salas

    Neste ambiente identificam-se duas janelas de prospecção, localizadas nos fustes das colunas, indicando que, possivelmente, no passado, as paredes das salas eram revestidas de escaiola que fingia o mármore. Essas janelas mostram veios nas cores amarelo, vermelho e azul, com fundo na cor branca.

     

    Piso 0, Divisão 2 – Sala

    Há resquícios de escaiola com fundo branco e veios azul, amarelo e vermelho, percebidos através das janelas de prospecção encontradas nos fustes das colunas.

     

    Piso 0 e 1, Divisão 1 – Escada

    No primeiro lance da escada, a simulação do mármore tem fundo branco com veios azul e moldura branca com ramificações em laranja, azul e preto. Também é possível perceber os frisos escuros e geometrizados que dividem as duas áreas.

    No patamar e no segundo pavimento, as escaiolas possuem uma base em fundo branco com estrias em azul claro, uma faixa na cor cinza escuro e, na parte superior, nota-se um fundo rosado com moldura marrom e incrustações de pedras e, acima disso, molduras com veios vermelhos e amarelos. Este local sofreu restauração em data não definida.

     

    Piso 2, Divisão 5 – Escada

    As escaiolas se repetem em todas as paredes do hall de circulação vertical. Percebe-se uma faixa logo abaixo do rodaforro com desenhos em stencil de ramagens verdes e flores de pétalas vermelhas e miolo amarelo. Logo abaixo, há uma imitação de pedras retangulares desencontradas em tonalidade cinza e imitação de rejunte azul.

     

    Piso 0, Divisão 1 – Hall

    A estucagem do teto desse ambiente é simétrica em relação aos dois eixos, e apresenta seções bem definidas através de formas orgânicas emolduradas por frisos e cornijas corridas (em sua maioria curvas), por meio de gabaritos.

    No ornamento central, tem-se frisos com pequenos rendilhados na função de amparo, destacados pelo fundo azul. Os ornatos fitomórficos apresentam uma série de entrelaçados, enroscados e sombras produzidas pelos vazios. A área está rodeada por seções adornadas e delimitadas por cornijas corridas, tendo em suas laterais mais externas, elementos de encher destacados pela tonalidade azul do fundo.

    Nos quatros cantos do forro decorado, observam-se cornijas curvas com frisos ornamentados com pequenas folhas de acanto estilizadas. Como elemento central existe um putti com motivo floral, rodeado por folhagens sinuosas e contorcidas – com alguns pontos vazios.

    O rodaforro explora cornijas contínuas corridas, intercaladas por frisos ornados com acantos estilizados, e elementos com fins de enchimento. O fundo pintado de cores fortes – o azul e o vermelho – contrasta com os elementos pré- moldados e pintados de branco.

     

    Piso 0, Divisão 1 – Hall de entrada

    O piso é revestido por ladrilho hidráulico com motivos florais. A flor maior foi elaborada com oito pétalas delimitadas por borda em tom de azul e círculo da mesma cor, em seu interior há uma estrela de oito pontas com formas circulares entre cada ponta, com dois tons de marrom. No centro da forma é possível observar uma cruz trifólia na cor bege. A flor maior ainda é delimitada por um círculo marrom, cor que também está presente no fundo do ladrilho, com extremidade na cor branca e interior composto por pequenos círculos também na cor branca. 

    Nas extremidades da flor maior é possível observar quatro rosetas, também com oito pétalas, em tom cinza e delimitadas por um círculo ornamentado por uma volta nos quatro pontos cardeais, essa forma possui duas cores: bege e marrom. 

     

    Piso 0, Divisão 1 – Sala 1

    Esse ambiente em sua maior parte não é composto por piso de ladrilho hidráulico, contudo, há uma marcação no meio da sala, em ladrilho, marcando a divisão dos espaços. Essas duas faixas com figura geométrica de meandro utilizam as cores preta, branca e cinza. Também é possível observar que nas extremidades do ambiente há ladrilhos, possivelmente para a criação de uma janela de prospecção. A composição é feita por uma ou três faixas de ladrilho em formato geométrico composto por doze quadrados e delimitados pela faixa em meandro já citada.

     

    Piso 0, Divisões 3, 16 e 18 – Salas 2 e 3 e Quarto 

    O ladrilho desses ambientes é composto por motivos geométricos que geram uma estrela de quatro pontas, ou cruz grega. A seleção das cores é em cinza, branco e preto. 

     

    Piso 0, Divisão 19, Loggia

    A loggia é revestida por ladrilho externo, na tonalidade cinza e possui motivos florais, em que há folhagens nos quatro eixos. Nas diagonais percebe-se uma cruz em trilóbulo. Toda a ornamentação é envolvida por um círculo formado por quatro meandros ondulados. Nas extremidades da diagonal do ladrilho é observado uma losango em arco com quatro folhas e setas em seu interior. 

     

    Piso 0, Divisão 20 – Pátio

    O mobiliário externo do pátio é identificado por um banco localizado ao fundo do jardim lateral. O banco possui duas características estilísticas do século XIX: o rocaille e o embrechado. A estrutura do banco é em tijolo com massa de cimento armado que remete à pedra, revestida com conchas incrustadas. O banco acomoda duas pessoas e serve para contemplação do jardim e das fachadas internas. 

     

    Piso 1, Divisão 1 – Hall 

    A iluminação zenital é fornecida por uma claraboia estruturada em ferro e preenchida com vidros transparentes e coloridos. O trabalho de estuque do forro se adapta ao espaço cônico que ilumina o ambiente e é emoldurado por uma série de cornijas circulares. O embasamento da claraboia é formado por diversos frisos ornamentados, compostos por arabescos e folhas de acanto estilizadas. As cores vermelho e azul de fundo realçam os detalhes em branco. Esse padrão repete-se no forro ao redor, que apresenta seus quatro cantos circundados por cornijas corridas resultando em molduras triangulares preenchidas com pequenos ornatos. Essas são intercaladas por medalhões decorados.

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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