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    Fazenda Pau D'Alho

    Fazenda Pau D'Alho
    Fazenda do Pau D'Alho
    XIX
    1817/ 1819
    Brazil
    São José do Barreiro
    -22.6411133
    -44.6096976
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    A Fazenda Pau D’Alho está situada no município de São José do Barreiro, na microrregião do Vale do Paraíba. Localiza-se em frente a cidade de Resende, no antigo “Caminho Novo da Piedade”, aberto por Garcia Paes no século XVIII. A abertura dessa estrada possibilitou o início da ocupação das terras do Vale do Paraíba Paulista, através da doação de sesmarias aos que haviam trabalhado em sua construção e principalmente aos senhores de escravos, para que pudessem se instalar nas suas margens, produzindo alimentos e garantindo assim sua conservação.

    A qualidade dessas terras, até então cobertas de matas virgens, somado as demais condições da geografia, do clima e da política local, criaram um cenário ideal para a produção de café. A região tornou-se povoada por imponentes fazendas cafeeiras, vivendo seu apogeu no século XIX. Mais tarde, o desenho do Caminho Novo foi acolhido pela antiga Rodovia Rio - São Paulo, atualmente chamada de Estrada dos Tropeiros.  Ligava a Corte, na época estabelecida no Rio de Janeiro, à São Paulo e foi por onde Dom Pedro I passou em 1822, em sua viagem que culminou na Independência do Brasil. 

    A Fazenda Pau D’Alho foi uma das primeiras propriedades, senão a primeira, voltada para a monocultura de café. Para atender à esse programa, seu conjunto arquitetônico foi disposto em forma de quadra, sendo composto pela casa grande, terreiro, senzala, tulha, selaria, oficinas, marcenaria, casa do administrador, depósitos, roda d’agua e pilões, além de pátios e jardim, obtendo aparência de fortificação, reflexo da profissão de seu fundador, o coronel João Ferreira de Souza.

     A construção se destaca pelo agenciamento dos seus espaços, que foram planejados de maneira racional, tomando partido da topografia, visando o aproveitamento dos recursos do terreno. Luís Saia denominava  o terreiro como  "o centro funcional do projeto da fazenda Pau D’Alho", pois todas as instalações se convergiam para ele, exceto a casa-grande, separada do conjunto por meio de pátio e jardim, promovendo a privacidade necessária a família senhorial.

    A fazenda foi implantada em meia encosta, e por isso, as edificações precisaram ser locadas em diversos níveis. As irregularidades do terreno foram solucionadas através da construção de embasamentos e de muros de arrimo, feitos de pedra. Diferentemente das demais fazendas da região, na fazenda Pau D’Alho a casa sede foi construída no nível mais baixo do terreno, enquanto a senzala foi disposta numa cota mais elevada, onde era mais arejado, preservando assim a saúde dos cativos, que consistiam em altos investimentos para os fazendeiros. 

    A casa grande é assobrada na frente, tornando-se térrea nos fundos. Seguiu influências da arquitetura mineira, utilizando como sistemas construtivos o embasamento de pedra e a parte superior de pau a pique. Possui telhado em quatro águas, composto por telhas de barro do tipo capa e canal, estando equipado também com beirais que protegem as paredes de pau-a-pique das chuvas. Sua volumetria é composta por um prisma retangular maior acrescido de um prisma retangular menor, formando uma planta em L.

    A fachada principal da casa é caracterizada pela presença de porão alto e de um pavimento superior. No porão se encontram atualmente três portas e duas janelas de madeira com vergas retas, pintadas na cor marrom. Porém, através de comparação com registros fotográficos, nota-se que anteriormente havia apenas uma porta central e quatro janelas.  No primeiro pavimento, havia dois alpendres que se ligavam à escada lateral de entrada da casa e à capela, porém foram fechados com doze janelas de guilhotina envidraçada na cor branca, com verga reta e com molduras na cor marrom, formando uma varanda em toda a extensão da fachada. Essa intervenção teve o objetivo de proteger o interior da edificação das constantes chuvas e dos ventos fortes ocorrentes na região.

    Devido a implantação da casa em meia encosta, algumas fachadas contam com apenas um pavimento. O acesso à residência ocorre pela fachada lateral esquerda, marcada pela presença de uma escada simples, sem nenhum refinamento e de apenas um lance, com sete degraus. Desemboca em uma porta, que leva a uma varanda no interior da edificação, por onde se distribuem os cômodos. Nesta fachada estão dispostas três janelas de guilhotina, tendo ambos os vãos em arco abatido, com vergas alteadas. Originalmente a fachada posterior da edificação era alpendrada, porém, posteriormente, foi feito o fechamento com quatro janelas de guilhotina e com uma porta, devido as chuvas da região. Na restauração iniciada em 1969 optou-se por voltar ao padrão original da fachada e por isso, atualmente ela possui alpendre.

    Portal de entrada

    A fazenda possui o acesso principal voltado para a Estrada dos Tropeiros, onde se situa um portal de entrada, com fechamento em portão de duas folhas de madeira, que desemboca em um grande pátio, tendo ao final dele duas entradas, uma comercial e a outra social. A entrada comercial da construção dá acesso a senzala, a tulha, ao terreiro e aos demais espaços de beneficiamento do café, sendo também por onde era escoada a produção e por onde passavam os escravos, comerciantes e insumos. A entrada social possui um portão que dá acesso a um pátio privado, que se liga a casa-grande. É notório a preocupação do construtor em resguardar a intimidade da família.

    FAGUNDES, Joaquim Roberto. O Alferes João Ferreira Guimarães e a Fazenda Pau D’Alho. Vale do Paraiba Arquivos Históricos, 2015. Disponível em: <http://valedoparaibaarquivoshistoricos.blogspot.com/2015/02/o-alferes-joao-ferreira-guimaraes-e.html > Acesso em: 15 out. 2021.

    FERREIRA, Camila Corsi. Interlocuções entre a prática de restauração de Luís Saia e as teorias de restauro. São Paulo, 1937-1975. São Paulo: USP, 2015. Disponível em: <https://app.amanote.com/v3.11.10/note-taking/document/CYuk0nMBKQvf0Bhi6a6Q > Acesso em: 3 nov. 2021.

    GONÇALVES, Cristiane Souza. Restauração Arquitetônica. A experiência do SPHAN em São Paulo, 1937-1975. São Paulo: FAPESP, 2007. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=7aqz4OW8Nl8C&hl=pt-BR&authuser=0 >. Acesso em: 15 out. 2021.

    HOLLANDA, Sérgio Buarque. Vale do Paraíba: velhas fazendas. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

    Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico. Fazenda Pau D’Alho. Processo de tombamento 0577-T-58. Volumes I e II. São Paulo: IPHAN, 1958.

    Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico. Fazenda Pau D’Alho. Obras São José do Barreiro - Cx. 972-P.2644. São Paulo: IPHAN.

    LEMOS, Carlos. Casa Paulista. São Paulo: EDUSP, 1999.

    Rui Viaja. Fazenda de Café Pau D' Alho - São José do Barreiro.

    SAIA, Luis. Notas Preliminares sobre a Fazenda Pau D’Alho. História, restauração e projeto de aproveitamento. São Paulo, 1975.

    São José do Barreiro. Conheça os pontos turísticos de São José do Barreiro.

    TRINDADE, Jaelson Bitran.  “Pau d’Alho” – Quase Roteiro. São Paulo, 1975.

    TOLEDO, Francisco Sodero. Estrada Real: Caminho Novo da Piedade. Campinas: Editora Alínea, 2009.

    Final séc. XVIII – É aberto o antigo “Caminho Novo da Piedade”  e  as sesmarias da região começam a ser cedidas .

    1796 - O Alferes João Ferreira Guimarães obtém uma sesmaria onde posteriormente seria elevada a Vila de São José do Barreiro, através de doação, e a junta a outra, adquirida em 1792, através de compra. Na sesmaria adquirida em 1792, seria instalada a Fazenda Barreiro, e na adquirida em 1796, seria instalada a Fazenda Pau D’Alho.

    1803-1808 – O Alferes João Ferreira Guimarães falece, antes da construção da Fazenda Pau D’Alho. Deixa a sesmaria para seu filho João Ferreira de Souza e a Fazenda Barreiro, já construída, para sua filha Ana Clareta, que era casada com Fortunato Pereira Leite.

    1817-1819 – A fazenda Pau D’Alho é fundada por João Ferreira de Souza. 

    1819- Falece Isabel de Souza, viúva de João Ferreira Guimarães e mãe de João Ferreira de Souza.

    1822- O viajante e naturalista Saint- Hilaire visita o Vale do Paraíba, registra as plantações de café e constata que a Fazenda Pau D’Alho é a única fazenda em que a casa-grande se desenvolve em formato de sobrado, além de possuir a maior plantação de café da região.

    1822- Dom Pedro I visita a fazenda durante a sua viagem a São Paulo.

    1859- São José do Barreiro é elevado a Vila.

    1860- Zebedeu Antonio Ayrosa, neto de João Ferreira de Souza, resolve refinar os interiores da fazenda, comprando uma série de mobílias no Rio de Janeiro.

    1882- Falece Maria Rosa Ayrosa, esposa de Zebedeu Antonio Ayrosa. Como consequência, os móveis da fazenda são arrolados.

    1884- Falece Maria Ferreira Ayrosa, deixando a propriedade para seu filho Zebedeu Antônio Ayrosa.

    1885- São José do Barreiro é elevado a Município.

    1902- Falece Zebedeu Antonio Ayrosa, deixando a fazenda para seu filho, Zebedeu Antônio Ayrosa Junior.

    1942- É feito o levantamento fotográfico da fazenda por Germano Graeser, registrando o razoável estado de conservação da edificação na época.

    1952- É feito o levantamento planialtimétrico da fazenda pelo arquiteto Armando Rebollo.

    1958- Luis Saia faz o pedido de tombamento federal da fazenda, dando início ao processo de número 0577-T-58.

    1968- A fazenda Pau D’Alho é tombada pelo SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), sendo inscrita no livro histórico, n°. 411, vol. 1, f. 066.

    1969- Inicia-se o projeto de restauração da Fazenda Pau D’Alho, sendo constatada a degradação progressiva da construção após o levantamento fotográfico feito em 1942. Segundo o relato de antigos funcionários da fazenda, a senzala e as dependências de serviço foram destruídas para aproveitamento da madeira como lenha. 

    1969- Começam as negociações entre o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o IBC (Instituto Brasileiro de Café), objetivando a implantação do Museu Nacional do Café na Fazenda Pau D’Alho.

    1971- O IBC adquire a Fazenda.

    1975- As obras de restauração da Pau D'Alho são concluídas. A senzala, a tulha, a roda d'agua e a casa do administrador foram reconstituídas. Segundo  Antônio Luiz Dias de Andrade, que foi um dos responsáveis pela obra após a morte de Luís Saia, as intervenções foram guiadas pelos remanescentes dos embasamentos, apoiados nos levantamentos fotográfico e planialtimétrico realizado pelo Iphan nas décadas anteriores.

    1975- O projeto de abertura do Museu Nacional do Café é abandonado.

    2021- Atualmente, a Fazenda Pau D’Alho é administrada pelo IPHAN, que firmou parceria com a Prefeitura Municipal para sua reabertura, com visitações agendadas.

     

    João Ferreira Guimarães

    João Ferreira Guimarães, Alferes das ordenanças de Minas, nasceu em 1750, na Freguesia de São Martinho de Silvory, no Arcebispado de Braga, em Portugal. Migrou para o Brasil acompanhando seus pais, Thomé Álvares Pinto e Catarina Ferreira, se fixando em Minas Gerais, na região de Aiuruoca, entre 1770 e 1780.  Nesta época, as jazidas de ouro mineiras já começavam a apresentar desgastes e a elite estava insatisfeita com o valor elevado da derrama. Assim, iniciou-se uma imigração para o Vale do Paraíba paulista e fluminense, tendo como fator de atração as novas oportunidades nas terras virgens da região. Em virtude disso, João Ferreira Guimarães, após casar-se com Isabel Maria de Souza, mudou-se para Resende, tendo se transferido posteriormente para a região do Caminho Novo, se estabelecendo na 1° Companhia, onde ficou conhecido como o “Velho da Serra”.

    Em 1785 adquiriu uma sesmaria próxima das terras da futura Vila de São José do Barreiro, comprando-a de Antônio João de Araújo, anexando-a a outra, adquirida em 1792, também através de compra, de Antônio da Silva Siqueira e sua esposa, Maria Moreira.  Em 1796, após solicitar doação ao governador da Capitania de São Paulo, o Capitão-General Bernardo José de Lorena, obteve outra sesmaria na mesma região, onde fixou residência.  Nas terras compradas em 1785 e 1792, desenvolveu um engenho de açúcar, fazenda de criar, rancho de tropas e posteriormente a fazenda Barreiro. O objetivo era que na sesmaria adquirida em 1796 fosse instalada a Fazenda Pau D’Alho, porém o alferes faleceu antes de sua construção, deixando o terreno para seu filho mais velho, João Ferreira de Souza. Enquanto isso, a fazenda Barreiro, já construída, ficou para sua filha Anaclareta Ferreira de Souza.

    Faleceu por volta de 1803, em São José do Barreiro, deixando doze filhos: Capitão João Ferreira de Souza, Alferes Francisco Ferreira de Souza, Mariana Ferreira de Souza, Isabel Maria de Souza, Tereza Maria do Nascimento, Ana Joaquina Ferreira de Souza, Margarida Ferreira de Souza, Catarina Ferreira de Souza, Inês de Santa Leocádia, Anaclareta Joaquina Ferreira, José Ferreira de Souza e Maria Ferreira de Souza. Como seus testamenteiros foram nomeados primeiramente, sua esposa Isabel Maria de Souza, em seguida seu filho João Ferreira de Souza e após, seu filho Francisco Ferreira.

    João Ferreira de Souza

    O Coronel João Ferreira de Souza nasceu por volta de 1772, na região onde posteriormente seria erguida a Vila de São José do Barreiro. Era filho do Alferes João Ferreira Guimarães e de Isabel Maria de Souza. Foi o responsável pela construção da sede da Fazenda Pau D’ Alho, a partir de sesmarias herdadas de seu pai. Casou-se com Maria Rosa de Jesus, com quem teve uma filha, Maria Ferreira Ayrosa. Fundou  São José do Barreiro e construiu a Igreja Matriz de São José, onde estão situados seus restos mortais e de sua esposa. Faleceu em 1858, deixando a Fazenda Pau D’Alho para sua filha Maria Ferreira Ayrosa.

    Maria Ferreira Ayrosa

    Maria Ferreira Ayrosa era filha do Alferes João Ferreira Guimarães e de Isabel Maria de Souza. Foi casada com José Marques da Silva Ayrosa, com quem teve um filho, Zebedeu Antonio Ayrosa.  Após seu falecimento, em 1884, deixa a Fazenda Pau D’ Alho para seu filho Zebedeu.

    Zebedeu Antonio Ayrosa

    O Comendador Zebedeu Antonio Ayrosa nasceu em 1815, na futura São José do Barreiro. Era filho de Maria Ferreira Ayrosa e de José Marques da Silva Ayrosa. Foi casado com Maria Rosa de Souza, com quem teve três filhos, Zebedeu Antônio Ayrosa Junior, João Antônio Ayrosa e Luisa Ayrosa. Com seu falecimento, em 1902, a fazenda passa a ser administrada por seu filho Zebedeu Antônio Ayrosa Junior.

    Zebedeu Antônio Ayrosa Junior

    O Coronel Zebedeu Antônio Ayrosa Junior nasceu em 1858, nas terras de São José do Barreiro. Era filho de Zebedeu Antonio Ayrosa e de Maria Ferreira Ayrosa. Foi casado com Alice Dayrell Pinto Ayrosa e com Maria Belarmina de Mattos Ayrosa. Teve três filhos, Alice Pinto Ayrosa, Conceição Aparecida Ayrosa Verza e Manoel Antônio Ayrosa.

    Fotografia de Zebedeu Antônio Ayrosa Junior e de sua esposa Alice Dayrell Ayrosa. Zebedeu foi o quarto proprietário da fazenda Pau D’Alho e bisneto de seu fundador, João Ferreira de Souza. Ano 1905.

     

     

    Fotografias da Fazenda Pau D’Alho, tiradas antes da restauração feita em 1969. Arquivo Central do IPHAN (Seção Rio de Janeiro), disponíveis na Série Inventário. Ano 1942. Fotógrafo Germano Graeser.

     

    Situação da Fazenda Pau D’ Alho em 1967, anteriormente a restauração realizada em 1969 e situação atual. Imagens do Arquivo do Iphan de São Paulo. Desenhos do Arquiteto Antonio Luiz Dias de Andrade.

     

    Plano de intervenção na Fazenda Pau D’Alho, executado entre 1969-1975. Desenho em CAD a partir de levantamento realizado pelo IPHAN, na década de 80, e pelas infomações obtidas em entrevista com o arquiteto José Saia Neto (IPHAN 9° SR/SP). Figura extraída do livro “Restauração Arquitetônica. A experiência do SPHAN em São Paulo, 1937-1975.”, de Cristiane Gonçalves.

     

    Relação dos móveis da fazenda Pau D’Alho, arrolados no inventário de João Ferreira de Souza, em 1958. Trecho transcrito do livro: “Notas preliminares sobre a Fazenda Pau D’Alho. História, restauração e projeto de aproveitamento.”, de Luis Saia (1975, p.616-617).

    "Móveis na Fazenda:

    Uma mesa/ Uma mesa baixinha/ Três catres de taboletes no quarto de dentro/ Uma mesa quadrada/ Uma mesa pequena velha/ Quatro catres velhos/ Dois estrados/ Um estrado pequeno velho/Um estrado pequeno velho/ Um catre no quarto do Padre/ Uma marquesa de Cabiuna no quarto do Padre/ Uma mesa com duas gavetas no quarto do Padre/ O Oratório com todos os seus pertences/ Um oratório pequeno, com três imagens/ Uma cômoda/ Uma escrivaninha/ Um armário pequeno/ Uma mesa com três gavetas/ Uma canastra velha/ Quatro caixas de pinho/ Uma cadeira de balanço/ Uma cama de Armação, forrada de taboas/ Um relógio de parede/ Um catre velho/ Uma marquesa nova forrada de taboas/ Uma marquesa nova forrada de taboas/ Um catre de Armação/ Três catres/ Um sofá de palhinha/ Uma mesa redonda/ Um Aparador/ Vinte e quatro cadeiras de palinha/ Uma cômoda velha/ Uma mesinha com duas gavetas/ Um catre de Armação/ Uma marquesa forrada de sola/ Uma mesa de Jantar/ Uma mesa pequena com duas gavetas/ Um armário de Botica/ Nove cadeiras de sola/ Um banco comprido/ Um armário de louça/ Duas caixas grandes/Dois tamboretes de palhinha."

     

    Relação dos móveis adquiridos em 1860, por Zebedeu Antônio Ayrosa. Trecho transcrito do livro: “Notas preliminares sobre a Fazenda Pau D’Alho. História, restauração e projeto de aproveitamento.”, de Luis Saia (1975, p.618).

    "Em 1860, Zebedeu Antônio Ayrosa remaneja o arranjo doméstico e manda comprar, no Rio de Janeiro, na firma: "Barbosa Castro & Cia / Armazens de Móveis Nacionais e Estrangeiros, mobílias de mogno, cadeiras americanas de todas as qualidades, rotins de colchões", na rua da Alfândega nº  80 ,82 e  85:

    um guarda vestido de vínhático/ duas dúzias de cadeiras francesas e  caixões/ um cabide branco/ uma cadeira de Retrete com caixão e  Manta/ um bidê/ uma mesa elástica de 24 palmos/ uma mesa de cabeceira de mogno/ duas meias cômodas de mogno/ dois aparadores de sala de jantar com armários e mármore/ caixões e mantas"

     

    Móveis arrolados no inventário de Maria Ferreira Airosa (2° proprietária da fazenda), em 1884. Trecho transcrito do livro: “Notas preliminares sobre a Fazenda Pau D’Alho. História, restauração e projeto de aproveitamento.”, de Luis Saia (1975, p.618-619).

    "Com a morte de Maria Rosa Ayrosa em 16 de julho de 1882, seu marido e  inventariante Zebedeu Antônio Ayrosa, arrola os móveis da fazenda:

    Inventário de Airosa, Maria Ferreira (1884, 71 anos, mãe de Zebedeu)

    (...) Um piano/ Cômodas pequenas, lavatório com espelho da cômoda grande/ Um oratório com banquetas e suas pinturas e paramentos para Missa/ Vinte e quatro cadeiras de pau/ Uma mobília de sala/ Uma mobília completa para sala de jantar com guarda-louças e  etager/ Cinco marquezas/ Uma mobília completa de quarto de homem/ Um lavatório/ Três mesas pequenas/ Dois relógios americanos, para parede/ Um armário/ Uma cômoda velha/ Uma caixa grande de madeira/ Três pares de canastras de sola/Três bacias de cobre/ Um taxo de ferro/ Duas taxas de ferro/ Duas panellas de ferro"

     

    Móveis arrolados no inventário de  Maria Rosa Ayrosa (esposa de Zebedeu Antonio Ayrosa), em 1882.  Trecho transcrito do livro: “Notas preliminares sobre a Fazenda Pau D’Alho. História, restauração e projeto de aproveitamento.”, de Luis Saia (1975, p.619).

    "Inventário de Maria Rosa Ayrosa (morreu em 16-6-1882)

    Um piano/ Cômodas pequenas, lavatório com espelho, cômoda grande/Uma cama grande/ Marqueza de palhinha/ Guarda vestidos, uma/Um bidê para cama/ Canastras, mesa de cabiuna, cabide, cadeira de balanço, bens/ de folhas de flandres, uma escrivaninha/ Huma mezinha de custura/ Espingarda de cano, cesta de vime, um par de castiçais de metal"

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021.

    Pesquisa, texto e edição: Clara Albani Rezende (PCTCC/FCRB), 2021.

    Colaboração: Alexandre Henrique do Prado.

    Fotografias: IPHAN, DUOLIVEIRA, Canal Ruy Viaja, Ipatrimônio, Histórias da Dutra, Alexandre Henrique do Prado, João Camillo, Marcelo Guimarães, Bruno Moreira, Marco André Briones, Rodrigo Ferreira Leite, Martha Alcântara, Sergio Zeiger.

     

     

    Programa geral, tipologia e planta

    O acesso ao interior da residência ocorre através de um pátio privado (15), que leva a uma escada simples com seis degraus, que se liga a uma extensa varanda fechada (1), por onde se distribuem os cômodos. A edificação é composta por área social, comercial, íntima e de serviço. A planta tem formato de L, sendo formada por dois blocos retangulares, um bloco maior situado à frente, onde foi disposto primeiramente o setor social, e aos fundos o setor íntimo e parte do setor de serviço e do setor comercial. No bloco retangular menor foi implantado o restante do setor de serviço. A planta é envolta por um pátio privado (15) e por um jardim geométrico (16), conferindo privacidade a família. Todos os seus compartimentos são ventilados e iluminados, não possuindo alcovas.

     

    Piso 0, porão

    O porão comportava a Casa da Guarda. O pavimento foi projetado visando estratégias de proteção à fazenda em caso de ataques de invasores, por isso foram incorporados elementos da arquitetura militar. É voltado para a Estrada dos Tropeiros e seus vãos possibilitam uma ampla visão externa para o observador que se situa do lado interno do porão e uma visão limitada da parte interna para quem se situa do lado de fora da construção.

     

    Piso 1, área social

    A área social compreende varanda fechada por janelas de guilhotina (1), capela dedicada a São Roque (2), sala de estar (4), sala de jantar (5) e alpendre (6), localizados na parte frontal da casa. A capela encontra-se ao final da varanda e ambas estão voltadas para a fachada principal da edificação. O acesso aos quartos e à sala de jantar se dá através da sala de estar, sendo distribuidora da maioria do fluxo interno da casa. 

     

    Piso 1, área íntima

    Os quartos se distribuem no entorno da sala de estar (4) e são acessados a partir dela. O programa compreende três quartos de uso familiar, sendo eles: quarto das filhas (12), quarto dos filhos (10) e quarto do casal (11). Foi criado um banheiro (13) no interior de um dos quartos, sendo uma adaptação feita posteriormente.

     

    Piso 1, área de serviço

    O bloco de serviço se concentra na parte posterior da edificação e abriga a cozinha (8) e a copa (7) . O acesso a esses ambientes ocorre por meio da sala de jantar (5). Tanto a copa quanto a cozinha possuem piso de pedra em toda sua extensão. A copa possui armário de madeira embutido, original.

     

    Piso 1, área comercial

    A casa  possui um quarto de hóspedes ocasionais (3), que era destinado a caixeiros-viajantes e a desconhecidos que porventura visitassem a fazenda. Nos fundos, ao lado do alpendre (9), se situa a administração (14).

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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