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    Fazenda Alliança

    Fazenda Alliança
    Fazenda Boa Esperança
    XIX
    Brazil
    Barra do Piarí - RJ
    -22.405206
    -43.808802
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    A fazenda fica situada aproximadamente 1 km da Rodovia RJ-145, no município de Barra do Piraí. A casa está implantada sob um platô envolvido por pequenos morros e o acesso é marcado por uma aléia de palmeiras. Não se tem registro da data de sua construção, apenas da reforma realizada em 1863 por José Pereira de Faro, o 3º barão do Rio Bonito, que deu feições neoclássicas à mesma.

    A casa é composta por pavimento único, com planta retangular e um pequeno jardim de inverno que separa o anexo de serviços do corpo principal da casa, localizado à esquerda. O acesso é realizado pelo pórtico na fachada principal e se destaca ainda a fachada lateral direita voltada para o pátio de secagem do café. Além dos terreiros de café, existem ainda outras edificações de serviço como o antigo engenho e ruínas de outras como a senzala. A casa sede e as demais construções compõem o denominado quadrilátero funcional, adotado de forma recorrente no desenho de fazendas de café da região do Vale do Paraíba Fluminense.

    A fachada principal é composta por um pórtico de gosto neoclássico que possui à frente três arcos plenos e um arco pleno em cada lateral. Esse pórtico é encimado por frontão triangular com estátuas de figuras femininas nas extremidades.

    A fachada lateral direita fica voltada para o terreiro de secagem do café e é marcada pela presença de uma extensa varanda coberta com telhado acentuado que cria uma espécie de grande alpendre.

    O acesso principal da casa se dá pelo pórtico de gosto neoclássico composto por arcos plenos e encimado por frontão triangular com estátuas de figuras femininas. No frontão principal possui um detalhe marcando a data da reforma em 1863, já o  frontão lateral a direita, possui uma cruz da ordem de cristo e o frontão na lateral oposta existe um óculo. A varanda lateral é protegida por guarda corpo em madeira e possui escada com guarda corpo metálico, que dá acesso ao terreiro de secagem do café.

    CAVALCANTI, J. Cruvelo. Nova numeração dos prédios da cidade do Rio de Janeiro, tomo 2. Rio de Janeiro: Prefeitura da cidade do Rio de janeiro, [1878?]. (Coleção Memória do Rio, v.6).

    CEZAR, Paulo Bastos. Capela de Nossa Senhora da Cabeça: pequena jóia do patrimônio cultural do Rio de Janeiro . Rio de Janeiro: Prefeitura, Coleção Estudos da Cidade, nº 20040802, agosto 2004.

    Fazenda Alliança. Disponível em: <https://fazendaallianca.com.br/>.

    Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Fazenda Aliança. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Inepac, Instituto Cidade Viva, 2009.

    IÓRIO, José Leoni; IÓRIO, Jorge L. Dutra - Terceiro Barão do Rio Bonito: Subsídios para a História de Barra do Piraí. Barra do Piraí: Di Gráfica e Editora Ltda, 2007.

    Lamego, Alberto Ribeiro. O Homem e a Serra. Rio de Janeiro : s.n., 1950.

     

    Séc. XIX - Luiz Pereira Ferreira de Faro, filho do 1º barão do Rio Bonito, funda a Fazenda Boa Esperança na sesmaria sobre-quadra da Fazenda Sant’Anna, fundada por seu pai. 

    1861 - Luiz vende a Fazenda para o sobrinho José Pereira de Faro, o futuro 3º barão do Rio Bonito, que muda o nome desta fazenda para Alliança.

    1863 - Após a compra José promove uma grande reforma na fazenda, quando o pórtico de gosto neoclássico é construído.

    1893 -  Após o 3º barão do Rio Bonito hipotecar todos os seus bens ao Banco do Brasil, a fazenda é adquirida pelo Comendador José Joaquim de França Júnior, que também arremata a fazenda Santana.

    1897 - A firma Ferreira, Borges & Cia adquire a fazenda. 

    1912 - O casal Otto Frederico e Dra. Fernanda Delboug Raulino adquire a propriedade, que permanece durante mais de 70 anos em posse dessa família. Os herdeiros de Fernanda vendem a Alliança à Sra. Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi adquirida pelos Rabello.

     

    Luiz Pereira Ferreira de Faro, nascido em 1806, formou-se em medicina. Era filho de Joaquim José Pereira de Faro e Anna Rita do Amor Divino Darrigue, os primeiros barões do Rio Bonito. Foi casado com sua sobrinha Maria Magdalena de Matos e faleceu em 1869. Foi dono de diversas propriedades tanto no Vale do Paraíba quanto na Corte, no Rio de Janeiro, destacando a chácara 7A, desmembrada da Chácara da Cabeça e casas na rua São Clemente. 

    José Pereira de Faro, 3º barão do Rio Bonito, nasceu em 1832. Filho de Joaquim José Pereira de Faro Filho e Angélica Joaquina Vergueiro. Casou-se com sua prima Francisca Romana Darrigue de Faro, filha do 2º barão e visconde do Rio Bonito. Teve seis filhos, dentre eles Georgina Pereira de Faro, 2º baronesa de São Clemente. Estudou na Europa, mas se dedicou à administração de fazendas e ao desenvolvimento da localidade de São Benedito de Barra do Piraí, financiando a construção da Igreja Matriz de Sant’Anna (1881). Recebeu como dote de casamento a Fazenda Sant’Anna, como herança a Fazenda Floresta e adquiriu a Fazenda Alliança. Era progressista e defendia a imigração dos estrangeiros e a instalação de um engenho central, o qual apoiou a construção que guarda ainda hoje uma chaminé. Faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo. 

    Imagem retirada do livro “O Homem e a Serra”, de Alberto Lamego (1950, p. 353).

     

    Imagens sem autoria e data, disponíveis no Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense (2009).

     

    Imagens sem autoria, disponíveis no site da Fazenda Alliança.

     

    Retratos de José Pereira de Faro e Francisca Romana, os 3º barões do Rio Bonito. Fotos de  Georgina Klein e Regina Pizarro, respectivamente, sem data, disponíveis no livro de Iório (2007); Broche de ouro e madrepérola com retrato de José P. de Faro. Dim.: 3cm x 3,5cm. Medalhão de ouro e porcelana com retrato de Francisca Romana. DIm.: 3cm x 2cm.  Acervo do Museu Imperial, fotografia de Iório (2007); Pintura de Vitor Meirelles do José Pereira de Faro, 3º barão do Rio Bonito, disponível no livro de Iório (2007); Autorização de D. Pedro II para uso de Armas e brasão da família por José Pereira de Faro, o 3º barão do Rio Bonito.

     

    Louças do serviço de José Pereira de Faro, o 3º barão do Rio Bonito.

     

    Documento de venda da Fazenda Alliança em 1897 tendo como comprador a firma Ferreira, Borges & Cia, localizado no Cartório do Segundo Ofício de Barra do Piraí, transcrito por Iório (2007, p. 115):

    “Confrontações e características do imóvel - A fazenda contém casa de morada coberta de telha, forrada, envidraçada e assoalhada, com casas para tulhas, ditas para residências de empregados, uma capella e pertences, casa de engenho para café com todos os mechanismos existentes, enfermaria, cocheira, ceva para porcos, galinheiro, terreiros de pedra, açude, casas e ranchos dispersos pelas lavouras, inclusive o sítio S. Luis com suas casas e benfeitorias, contendo a dita fazenda e sítio, cerca de duzentos mil pés de café de diversas idades e uma área de terrenos, cultos e incultos, de 829h24, que correspondem a 180 alqueires geodésicos, mais ou menos, com os limites seguintes: partindo do ângulo formado pelos ribeirões des. Carlos e Espírito Santo do ponto de Leste, onde está cravado um marco com a letra A, sobe pelo ribeirão São Carlos, através de caminho onde existe uma pequena ponte e segue o mesmo ribeirão até encontrar uma cerca de bambus; subindo por esta, atravessa outro caminho e acompanha a mesma cerca, sempre com a Fazenda de Sant’Anna, dos vendedores, até encontrar a estrada que vai até a Fazenda da União, dos Herdeiros de Baptista Caetano Pereira de Almeida e segue esta estrada, em divisa com o sítio São Carlos, também dos vendedores, até o marco B; d’ahi segue fazendo rumo com a dita fazenda União até encontrar a marca C; d’este ponto segue divisa com a fazenda da Boa Vista e outras propriedades de Herdeiros de Manoel Antonio Esteves até o rumo da Fazenda ou Situação de Santo Antônio, passando pelo marco E; d’esse ponto, isto é, de onde começa o rumo da Faenda de Santo Antônio, desce a fazer limite com a Fazenda de Monte Alegre, também dos vendedores, e d’ahi até o marco A, partindo tudo como melhor consta da planta dos ditos terrenos, levantados pelo agrimensor Joaquim Rebelo de Almeida e assignada pelo mesmo em 8 de junho do corrente ano, a qual é designada no acto da escritura por ambas as partes contratantes e fica entregue aos compradores como parte integrante da mesma escriptura, para todos os effeitos, tendo os vendedores obtidos os ditos imóveis por adjudicação na execução por hypotheca que, como cessionario do Banco do Brasil, moveu à Companhia Lavoura, Industria e Colonização, sucessora do Barão e da Baronesa do Rio Bonito, conforme a respectiva carta de adjudicação assignada pelo Dr. João Gualberto Pereira e Souza, em 6 de fevereiro de 1893, na qualidade de Juiz de Direito da Comarca de Barra do Piraí, ficando incluídos na venda os utensílios e ferramentas de lavoura da mesma Fazenda, gado, animaes, mantimentos nas tulhas e moveis de casa, como consta detalhadamento do título.”

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Texto e edição: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB), 2021

    Fotografia: Fazenda Alliança

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A casa possui planta retangular com dois blocos transversais em cada extremidade, entre esses blocos se destaca a varanda lateral coberta com telhado acentuado que cria uma espécie de grande  alpendre. Aos fundos possui um pequeno pátio que divide com a edificação anexa, também de forma retangular. A entrada principal é marcada pelo pórtico de gosto neoclássico, construído em 1863. A organização e distribuição do interior possui clara setorização e distinção entre as áreas social, íntima, na edificação principal, e a área de serviço, no edifício anexo.

     

     

    Piso 1, Área Social

    A área social é composta pelo pórtico (1) neoclássico que antecede a primeira sala de estar (2), esta sala dá acesso a capela (4), em seguida está localizada a sala de jantar (5) que possui aberturas para a varanda lateral, assim como a segunda sala de estar (8). Existem ainda circulações que levam ao prédio anexo de serviço (3 e 6).

     

     

    Piso 1, Área Íntima

    A área íntima é acessada por corredores (9, 12, 15, 22 e 25) que levam aos quartos (11, 14, 17, 19, 21, 24, 28), onde cada um é equipado com um banheiro. Cada quarto também possui acesso à varanda lateral, voltada para o pátio de secagem do café. Após os quartos localiza-se o escritório (29) que possui acesso independente ao lado externo.

     

     

    Piso 1, Área de serviço

    A área de serviço está localizada no prédio anexo à edificação principal, separada por um pequeno pátio com pavimento em pé-de-moleque . O acesso é feito por circulações cobertas com telheiro de duas águas. A área é composta por cozinha (32), depósitos (33 e 35), área de serviço (36), quartos para empregados (38, 40 e 43) e oficina (44).

     

     

     

     

     

     

     

     

    Piso 1, divisão 4, Capela

    A capela possui um altar em talha de madeira pintado e um pequeno oratório embutido na parede, com pintura decorativa, a óleo sobre madeira.

     

     

    Piso 1, divisão 7, Varanda

    A varanda, voltada para o pátio de secagem do café, possui guarda corpo em madeira e no teto se destaca o forro de forma concova em madeira trabalhada.

     

     

     

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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