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    Fazenda Vista Alegre

    Fazenda Vista Alegre
    XIX
    Brazil
    Valença – RJ
    -22.296649158638573
    -43.77964153543761
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    A fazenda está localizada à margem da estrada de acesso ao distrito de Conservatória, apresentando dois acessos. Localiza-se na região do Vale do Paraíba do Sul, interior do Rio de Janeiro. O acesso principal liga-se diretamente à casa-sede, passando por uma pequena ponte sobre um ribeirão, denominado Santana. O outro acesso destina-se às novas residências dos funcionários.

    Originalmente dedicada ao plantio do café, aprendia-se na Vista Alegre música, artes teatrais e religião. Instalada em uma de suas benfeitorias, especialmente edificada, nasceu a Escola de Ingênuos, como ficou conhecida, que foi a primeira no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças pobres das redondezas. Lá havia também, a Casa da Música, onde se preparava a banda sinfônica da fazenda, antes de suas prestigiadas apresentações.

    No auge do ciclo do café, a Fazenda Vista Alegre recebeu visitantes ilustres, como o Conde D’Eu e o pianista Gottschalk. Além de membros da família Real e personalidades importantes de nossa história que tiveram sua passagem em seus domínios, registrada para posteridade.

    A Fazenda é sediada por grande sobrado de muitas portas e janelas; o casarão. Devido à sua implantação em terreno em aclive, a casa-sede apresenta-se como um sobrado em sua fachada principal e como uma casa térrea, nas fachadas laterais e fundos, ocupando uma posição de domínio em relação às demais construções existentes. Em cada fachada lateral encontramos um platô ao nível do piso, tendo ao fundo uma mata secundária.

    Na área fronteira e à esquerda da casa-sede existe um extenso gramado que, outrora, teria sido ocupado pelos terreiros de secagem do café. Na extremidade de um desses terreiros, à esquerda da casa-sede, existem duas construções isoladas: a atual residência do proprietário, antiga Escola de Música; e outra, destinada a apoio, no que teria sido a antiga tulha, ambas implantadas em terreno em declive e com porão habitável.

    Afastado da casa-sede, onde hoje encontramos as novas residências dos funcionários, existia o engenho e, à direita desse conjunto, existe uma pequena construção retangular. De acordo com essas observações, percebemos que o tipo de ocupação predominante, em que a casa-sede “fechava um dos lados de um grande espaço quadrangular em torno do qual agrupavam-se também dependências – senzala, a tulha, engenho e as oficinas”, não ocorreu.

    Devido à sua implantação em aclive, a casa-sede apresenta porão habitável em um trecho paralelo à encosta. O acesso a este porão se dá pela fachada frontal.

    Aqui o acerto nas proporções e na relação entre cheios e vazios, bem como a eventual ornamentação, são os únicos recursos para evitar a monotonia que as extensas fachadas com poucos elementos arquitetônicos parecem sugerir. As janelas e tudo o que a elas se refere são primordiais na evolução estética desses sobrados tipicos das fazendas de café.

    Através de iconografia histórica podemos observar, respectivamente, as intervenções que modificaram as fachadas, com a introdução de varanda coberta com telhado de uma água; substituição de janelas por portas e colocação de guilhotina e veneziana nas janelas;

     

    Os beirais da casa-sede apresentam cimalha em massa. Os cunhais em massa observados na casa-sede estão pintados na cor ocre. Os vãos de portas e janelas existentes na casa-sede mantém verga reta, havendo apenas um deles com sobreverga, localizado na fachada dos fundos da casa-sede. As esquadrias que guarnecem as janelas apresentam vedação por venezianas, guilhotinas e folhas cegas, na tulha. Nas portas há aquelas com almofadadas e bandeira; madeira e vidro com bandeira; madeira e vidro; e com folhas cegas, também na tulha.

    A estrutura autônoma de madeira apresenta seção quadrada, com embasamento em pedra e vedações em pau-a-pique. Não foi realizada prospecção que comprove essa técnica construtiva, mas a mesma foi constatada através do afloramento da estrutura de madeira, na alvenaria de embasamento em pedra aparente e pela espessura das alvenarias.

    Fronteira à essa antiga Escola de Música, encontramos uma construção, também formatada por um único bloco retangular coberto por um telhado de quatro águas, que é, provavelmente, a antiga tulha, hoje utilizada como apoio da fazenda, com várias intervenções como inserção de varanda e prolongamento do telhado de quatro águas; adaptação dos espaços internos de acordo com o uso atual; e fechamento do porão, provavelmente com alvenaria de tijolo maciço. Essa edificação encontra-se em péssimo estado de conservação

    Jardim

    Na fazenda Vista Alegre, despontam suas formas arquitetônicas em harmonia com seus belíssimos jardins. Com destaque ao lago, chafariz, estátuas, palmeiras imperiais e árvores frondosas, palmeiras com em torno de 80 anos, paineira centenaria, mangueira e figueira gigantesca.

     

     

     

    Varanda

    Varanda de acesso principal ao sobrado, composto de 4 pilares alinhados sustentando um telhado de uma água. Não constava na construção original do casarão.

     

    Fazenda Vista Alegre - Portal Vale do Café. Disponível em: <https://www.portalvaledocafe.com.br/fazendavistaalegre/>. Acesso em: 21 maio 2021.

    Imagem e auto imagem do Segundo Reinado. 181-231 Historia da vida privada no Brasil 2 Império: a corte e a modernidade nacional

    INEPAC. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Instituto Cidade Viva, 2010.

    PIRES, Fernando Tasso Fragoso. Fazendas: As grandes casas rurais do Brasil. Rio de Janeiro: Abbville Press, 1995. p.43-6. 

    1809- A Fazenda Vista Alegre teve origem em terras de sesmaria concedidas a Inácio Paz Sardinha.

    1817- Os limites da sesmaria foram julgados, com uma área que correspondia à meia légua em quadra, ou seja, 225 alqueires geométricos.

    Francisco Martins, açoriano da Ilha de São Miguel dos Açores, casou-se com Ana Maria da Conceição, filha de seu vizinho, Hipólito Pimentel. Um fato curioso sobre esta união é que Francisco, depois de casado, adotou o sobrenome do sogro, passando a ser conhecido com Francisco Martins Pimentel. Além do sobrenome, herdou do sogro uma grande quantidade de terras ao sul de sua fazenda, conhecidas como “Conceição”. Pimentel ficou viúvo cedo e casou-se novamente, com Clara Maria Dutra e desta união nasceram quatro filhos.

    1854- faleceu Francisco Martins Pimentel, deixando para cada filho muitas terras. A porção norte da sesmaria foi herdada pelo filho Joaquim Gomes Pimentel,

    1858 a 1860- Nessa porção da sesmaria foi fundada a Fazenda Vista Alegre, cuja construção da unidade de produção de café da fazenda,

    1863- 24 de outubro, Joaquim Gomes Pimentel alcançou a posição de Alferes da Guarda Nacional da Legião de Valença

    1864- 28 de fevereiro, Joaquim Gomes Pimentel concebeu o título de Visconde Pimentel, por D. Luís “El Rey” de Portugal.

    1869- Em 16 de junho, tornou-se Capitão da mesma Guarda Nacional, já então consagrado pelo dinamismo e pela inovação de métodos e tecnologia rural e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Célebre em sua época pelo convívio com as artes, o Visconde de Pimentel freqüentemente promovia saraus na fazenda, para os quais trazia memoráveis apresentações de artistas e músicos famosos, como a do pianista Gotshalk, feita em 21 de agosto do mesmo ano,

    O Visconde criou também sua própria banda de música, constituída por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões festivas de Valença. Aprendia-se na fazenda, além de música, as artes teatrais e a religião. A “Escola de Ingênuos” como ficou conhecida, foi a primeira do país a alfabetizar filhos de escravos nascidos da Lei do Ventre Livre. A Casa da Música ainda existe, próxima à sede.

    1876- As inovações implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica visita do Conde d’Eu à Valença, acontecida de 16 a 18 de setembro, na qual o Conde teve a oportunidade de participar de animados saraus, visitar as instalações das propriedades de Pimentel, realizar cavalgadas e passeios no lago que existia aonde é hoje o Parque de Exposições de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.

    Embora tenha atingido fama e prestígio em vida, o Visconde de Pimentel faleceu com seus bens inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca, viúva do comendador Manoel Antônio Esteves.

    1897- Falecimento de Maria Francisca, seus filhos executaram a dívida, deixando a tia, Viscondessa Pimentel, apenas com alguns bens em Valença (o Visconde já havia falecido nesta ocasião).

    Os Esteves deram a Fazenda Vista Alegre em pagamento de suas próprias dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada da economia cafeeira.

    1901- A Fazenda foi adquirida em leilão pelos irmãos e sócios Álvaro e Horácio Mendes de Oliveira Castro,  juntamente com as vizinhas, Chacrinha, Santa Tereza e Campo Alegre.

    1912- "Trazidos a convite de Álvaro de Oliveira Castro, chegam à Vista Alegre os primeiros imigrantes dinamarqueses no Vale, que vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de queijos de tecnologia européia do Estado, os famosos Laticínios Dana. A família Nielssen residiu na Vista Alegre por cerca de 30 anos, tendo desenvolvido e aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferir-se para Aiuruoca, no sul de Minas, onde vieram a multiplicar indústrias e marcas de laticínios diversos." INEPAC

    1956- Álvaro resolveu dividir seus bens entre seus herdeiros, cabendo Vista Alegre à filha Maria Eugênia, casada com Eduardo Soares Sampaio. 

    1980- Desde então Fazenda Vista Alegre pertence a Délio e Clair de Mattos Santos, que a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio. O Dr. Délio Mattos é advogado e empresário, Cônsul Honorário da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto Preservale, que faleceu no passado.

    Após haver desenvolvido, também, a produção de laticínios, hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se atualmente à criação de gado Canchim e às atividades de Turismo Cultural, participando do programa de Visitação Orientada do Instituto Preservale.

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Pesquisa e edição: Ornella Schmals Savini (Pibic/FCRB).

    Edição imagem: Louhana Oliveira (Pibic/FCRB) Ornella Schmals Savini (Pibic/FCRB).

    Fotografia: INEPAC.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A edificação, de forma em “U", devido às sucessivas alterações, não é possível uma leitura correta da configuração inicial da casa-sede. Possui de sala de jantar aos fundos, abrindo-se para um pátio interno definido pelas alas laterais, que formam, com o frontal, um desenho de “U”, com cobertura de telha capa e canal formando vários telhados de quatro águas.

    Na ala da esquerda encontramos os quartos e, na da direita, os compartimentos de serviço. A sala de jantar sofreu intervenção, sendo unificada a uma circulação de acesso aos quartos localizados ao longo da fachada frontal. Essa circulação possibilita o acesso às várias salas existentes. Podemos observar a existência de paredes revestidas com papel de parede decorado, que atualmente não existe mais.

     

     

    Piso 0

     

     

    Piso 0, Divisão 2, Sala de Estar

    Sala de estar no piso térreo. Composta por grande salão com acesso a todos os quartos da edificação. Nota-se a presença de papel de parede de época e grande piano de cauda.

     

    Piso 1

     

     

    Piso 1, Divisão 9, Sala de Jantar

    Grande salão de Jantar da fazenda no andar superior, acesso pela escada. Relação com o exterior por meio de uma parede de 6 janelas e uma porta de vidro, que dá acesso ao pátio interno do sobrado. A parede das janelas é ornamentada com azulejos.

    Originalmente uma capela e uma alcova. Esses cômodos foram derrubados para fazer um grande salão. Por isso aparecem 2 vigas de concreto no teto para sustentar o telhado,  tornando possível o vão livre em toda a sala de jantar.

     

     

    Piso 0, Divisões, Quartos

     

    Piso 0, Divisão 6, Escada

    Escada em Madeira com detalhes em azul que liga ambos os pavimentos do sobrado internamente. O quadro pendurado em cima da escada é do Visconde Pimentel, fundador da Fazenda.

    Piso 1, Divisão 13, Pátio interno

    Patrio interno com acesso pelo segundo pavimento pela notável sala de jantar. Possio portão estilizado que foi adcionado posterior à construção original do sobrado.

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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