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    Fazenda dos Coqueiros

    Fazenda dos Coqueiros
    XIX
    1855
    Brazil
    Bananal - SP
    -22.6844742
    -22.6844742
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    A Fazenda dos Coqueiros está situada no km 309 da Rodovia dos Tropeiros, na cidade de Bananal. A propriedade dista 6 km do centro da cidade e 12 km de Arapeí e está implantada em um sítio de planície, envolto por acentuada quantidade de vegetação e por amplas áreas gramadas, tendo morros no entorno imediato.

    A casa é térrea, porém se ergue sobre um porão elevado, que inicialmente era destinado à acomodação dos escravizados domésticos, e de um pavimento principal, que era destinado à habitação da família do Barão. Possui planta em L, obtida pela adição de um prisma retangular maior a um prisma retangular menor, onde estão situados, respectivamente, os ambientes nobres e a área de serviço do imóvel. Na entrada principal existe um pequeno trecho em pedra que antecede a escada de entrada, se ligando à um alpendre coberto de telhas, que por sua vez, dá acesso a um vestíbulo localizado no vão central, por onde se distribuem os cômodos. A cobertura do alpendre não é original, pois conforme observa Vladimir Benincasa, há um corte na linha das cimalhas e seu telhado possui telhas francesas que se diferem das utilizadas no restante do conjunto. O restante das telhas é em capa e canal, arrematadas por cornija simples que esconde os caibros. A casa possui embasamento de pedra, paredes externas em taipa de pilão e paredes internas de pau a pique.

    A fachada principal é simétrica, composta por nove vãos com verga reta, sendo oito janelas duplas, com guilhotina envidraçada na parte externa e com duas folhas de madeira inteiriça na parte interna, além de uma porta localizada no vão central, por onde se dá o acesso ao interior da casa. As molduras e o embasamento são pintados na cor verde. No eixo central da fachada existe um alpendre coberto, que se prolonga para além dos limites do corpo da edificação.

     

    As fachadas secundárias possuem vãos com verga reta. As janelas são duplas, com duas folhas inteiriças, sem vidros. As esquadrias, molduras e o embasamento são pintados na cor verde. O bloco de serviço possui menor preocupação estética, contando com beiral em cachorrada simples, que difere do acabamento recebido no  telhado do restante das fachadas.

    BENINCASA, Vladimir. Fazendas Paulistas. Arquitetura Rural no Ciclo do Café. São Paulo: São Carlos, 2017.  Disponível em : <https://teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18142/tde-14032008-151048/pt-br.php>

    Lugares da nossa região.Fazenda dos Coqueiros - Bananal. 

    Ruy Viaja. Fazenda dos Coqueiros - Bananal.

    1785- A cidade de Bananal é fundada através de escritura.

    1855- A Fazenda dos Coqueiros é construída pelo Major Cândido Ribeiro Barbosa.

    1875- O Major Cândido Ribeiro Barbosa falece e deixa a propriedade para seu filho, o Barão de Ribeiro Barbosa.

    Após  1889 - O Barão de Ribeiro Barbosa vende a Fazenda dos Coqueiros para Luiz Dias, o Comerciante de Itajubá.

    2022-  Atualmente a propriedade ainda se encontra na família do Barão de Itajubá e pertence aos irmãos Tatiana G. Gomes, Renato G. Gomes e Gustavo G. Gomes, que permitem a visitação à Fazenda e a mantém preservada.

    Major Cândido Ribeiro Barbosa

    O Major Cândido Ribeiro Barbosa foi um abastado Cafeicultor  e Comandante do Esquadrão de Cavalaria n° 6 da Guarda Nacional da Comarca de Guaratinguetá, tendo solicitado em 1857 que fosse transferido, no mesmo posto, para o serviço da reserva da referida guarda, sendo tal pedido acatado pelo Imperador. Era casado com Maria Joaquina de Jesus e era pai de Cândido Ribeiro Barbosa ( Barão de Ribeiro Barbosa) e de Maria Cândida Ribeiro Barbosa. Foi o primeiro proprietário da Fazenda dos Coqueiros, construída em 1855. Faleceu em 1775, deixando a Fazenda dos Coqueiros para seu filho, o Barão de Ribeiro Barbosa.

    Barão de Ribeiro Barbosa

    Cândido Ribeiro Barbosa (1854 - 1922) foi o primeiro e único Barão de Ribeiro Barbosa, tendo sido assim nomeado em 1883 pelo Imperador D. Pedro II. Era também conhecido como Candóca ou Menino de Ouro, pois na época de seu nascimento, sua mãe Maria Joaquina de Jesus, temerosa por sua idade já avançada para uma gravidez, prometeu doar em ouro à Santa Casa de Misericórdia o valor referente ao peso de nascimento de Cândido, caso ele nascesse saudável. 

    O Barão de Ribeiro Barbosa era proprietário das fazendas Rialto, Cachoeirinha e Coqueiros, em Bananal. Na Fazenda Rialto, foram executadas diversas pinturas murais pelo pintor José Maria Villaronga, o que demonstra seu poder econômico. Possuía também um sobrado na cidade de Bananal, localizado na esquina da Praça da Matriz com a Rua Manuel de Aguiar Vallim. Apesar de ser descendente de uma família cafeicultora influente na região, viveu o período da decadência do ciclo do café no Vale do Paraíba Paulista e com a abolição da escravatura, vendeu a Fazenda dos Coqueiros a Luiz Dias, o comerciante de Itajubá. Cândido Ribeiro Barbosa foi Fazendeiro, Presidente do diretório do Partido Conservador, da Companhia de Estrada de Ferro Bananalense, Juiz de Paz, Vereador pela Câmara Municipal de São Paulo, Provedor da Santa Casa de Misericórdia e Tabelião. Faleceu em 1922, em Cajuru, SP.

    Pintura de Cândido Ribeiro Barbosa, o Barão de Ribeiro Barbosa. Ano desconhecido. Fonte: geni.com

    Notícia sobre a nomeação de Candido Ribeiro Barbosa a Barão de Ribeiro Barbosa. Fonte: Jornal do Comércio (RJ) - 1880 a 1889.

    Reconstituição da implantação da fazenda dos Coqueiros durante o ciclo do café. Fonte: BENINCASA, Vladimir. Fazendas Paulistas. Arquitetura Rural no Ciclo do Café. São Paulo: São Carlos, 2017.

    Observações 

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2022.

    Pesquisa, texto e edição: Clara Albani (PCTCC/FCRB), 2022.

    Fotos: Canal "Ruy Viaja", Canal "Lugares da Nossa Região", Ken Shu Expressão Studio.

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A planta é em formato de L e a distribuição interna é marcada pela disposição do setor social à frente, voltado para a fachada principal, o setor íntimo implantado na parte da frente e na parte central da edificação e o setor de serviço localizado nos fundos.

     

    Piso 1, área social

    O setor social pode ser acessado por meio de uma escada que leva ao alpendre (1), se ligando ao vestíbulo (2), por onde se distribuem os demais cômodos. Ao final do vestíbulo há uma alcova (3) e à sua esquerda, se encontra o salão de visitas (7), que dá acesso a mais uma alcova (4) e a um quarto (6).

     

    Piso 1, área íntima

    A área íntima pode ser acessada através do vestíbulo (2), que à direita, conduz a um quarto (10) e seguindo reto leva ao salão de jantar (9), sendo por onde se disseminam os quatro quartos (8, 10, 11 e 12) do imóvel e uma alcova (5).

     

    Piso 1, área de serviço

    A área de serviço se concentra nos fundos da edificação, podendo ser acessada através da sala de jantar (9) ou diretamente através do quintal da propriedade. Ela é composta pela cozinha e seu anexo (15 e 17), despensa (18  e 19) e latrina (20).

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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