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    Fazenda Três Saltos

    Fazenda Três Saltos
    XIX
    1818
    Brazil
    Pinheral - RJ
    -22.541793
    -43.959779
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    A casa, localizada no km 15 da estrada de Pinheiral - Piraí, está situada em um platô limitado por uma grande mureta de pedra e envolvida por um entorno imediato de morros baixos de vegetação secundária da Mata Atlântica.

    Com a implantação em meia encosta, a casa, que está assentada sobre embasamento em pedra, possui um pequeno trecho de porão e um pavimento principal. Possui planta retangular e um pátio interno, que interliga os dois pavimentos e por onde se distribuem os cômodos. O acesso é marcado por uma caminho de pedra que leva ao vão central no pavimento térreo por onde se acessa o pátio interno onde existe uma escada de pedra que leva ao pavimento nobre. Os vãos são em arco abatido e no pavimento superior as esquadrias possuem balcão entalados em ferro fundido. Seu telhado é composto por telhas de barro, tipo capa e canal, arrematados por cornija simples que esconde os caibros. 

    A fachada principal é caracterizada pela presença descompassada dos vãos, onde o acesso principal se dá pelo vão central que possui maiores dimensões se comparado aos demais. As esquadrias e cimalhas em madeira são pintadas na cor azul.

    Com a implantação da casa em meia encosta as demais fachadas apresentam apenas um pavimento. Os vãos são em arco abatido com esquadrias e  cimalha em madeira na cor azul. A fachada oposta a principal é marcada pela presença de uma espécie de alpendre alongado em madeira, ultrapassando a delimitação da planta retangular. O pátio interno é marcado pelo grande embasamento em pedra, pelo acabamento do telhado com forro em madeira e pelos óculos para ventilação e iluminação.

    O pavimento térreo é revestido com lastras de pedra.  Na fachada principal se destacam as pilastras dos cunhais, coroadas por um capitel espartano que acompanha a cimalha em madeira. Este elemento se repete parcialmente sobre o eixo da fachada, na figura de um capitel solto, sem fuste ou base de pilastra. As esquadrias na fachada do pavimento superior formam balcões entalados, recebendo gradis em ferro fundido.

    Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Fazenda Três Saltos. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Inepac, Instituto Cidade Viva, 2009.

    DEL PRIORE, Mary; SCHNOOR, Eduardo. Fazenda Três Saltos: quando o Vale conta histórias. Rio de Janeiro, Arte Ensaio, 2014.

    BEILER, Aloysio Clemente M. I. de J. Breves. Breves Café: História do Café no Brasil Imperial. Disponível em :http://brevescafe.net/. Acesso em 09 de set. 2021. 

    Ministério da Educação e Saúde. Anuário do Museu Imperial. Petrópolis: 1954.

    Início séc. XIX - O Padre Joaquim Gonçalves de Moraes funda o engenho nas terras herdadas de seu pai, Antônio Gonçalves de Moraes.

    1818 - José Gonçalves de Moraes, o barão de Piraí, se junta ao irmão padre como sócio na fazenda e constroem a casa sede. 

    1828 - O Padre Joaquim falece e a fazenda passa a pertencer exclusivamente a José. 

    1859 - O barão de Piraí morre e a fazenda fica para sua esposa, Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves. 

    1866 - A baronesa de Piraí falece e o filho, Joaquim José de Moraes, herda a fazenda. 

    1886 - Com a morte de Joaquim a fazenda passou para Cecília Pimenta de Almeida Breves, sua viúva.

    1893 - Cecília falece e a propriedade é herdada por Emiliana Breves de Moraes.

    1906 - A hipoteca no Banco Hipotecário do Brasil é executada e a fazenda é adquirida por Jorge da Rocha Moreira e Carlos Alves da Rocha.

    1914 - Uma carta de arrematação é emitida a favor da firma Vieira & Filhos, cujos sócios eram Manoel Gonçalves Vieira e Olívio Gonçalves Vieira.

    1927 - Manoel faleceu e seu filho Olívio passa a ser o único proprietário.

    1942 - A propriedade é vendida a Umberto Cinelli e sua esposa, que em seguida a vende para Luiz Nolasco Maylaski Pereira da Cunha. 

    1983 - Os jardins do núcleo da fazenda recebem o projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. 

    2010 - O atual proprietário promove o Plano de Gestão Ambiental da Fazenda Três Saltos, documento que apoia a escolha e direcionamento de atividades que promovam o desenvolvimento da propriedade, condicionado ao uso responsável dos recursos naturais da região e à preservação do patrimônio cultural da fazenda.

     

    José Gonçalves de Moraes, barão de Piraí, nasceu a 12 de fevereiro de 1776 em São João Marcos, Estado do Rio de Janeiro. Irmão do Padre Joaquim Gonçalves de Moraes e filho de Antônio Gonçalves de Moraes, nascido em 1750, português de Miranda d'Oiro, e de Rita Clara de Souza, filha de Antônio Paula de Souza, fazendeiro paulista de Itu. Recebeu o título de Barão de Piraí em 18 de julho de 1841.  

    Foi casado com Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves, com quem teve nove filhos, sendo eles, Antônio Gonçalves de Moraes, Joaquina Clara Moraes (baronesa de Vargem Alegre), Maria Isabel de Moraes Breves (casada com Joaquim José de Souza Breves), Rita Clara de Moraes Breves (casada com José de Souza Breves), Joaquim José de Moraes, Emiliana de Moraes (casada com o futuro conde de Tocantins), José Gonçalves de Moraes, Cecília de Moraes e Ana Clara de Moraes.

    Era proprietário de diversas fazendas, além da Três Saltos, entre elas Fortaleza, Santa Rita do Bracuhy, Passa Três, Confiança, e Poço de Espuma. Tinha ainda dois vapores de nomes Pirahy e Cecília. Ficou conhecido como um dos maiores benfeitores da Freguesia de Santana de Piraí, tendo se empenhado na emancipação da freguesia, junto com outros fazendeiros da região, organizando reuniões na Fazenda dos Três Saltos, onde arrecadou verbas para a construção da matriz de Sant'ana de Piraí e dos prédios da Câmara, da Cadeia e do Júri.

    Através dos dotes concedidos às suas filhas, surgiram diversas e importantes fazendas de café na região, como é o caso da Fazenda Bella Aliança, doada à sua filha Anna Clara ao casar-se com o comendador Silvino José da Costa, ou o da Fazenda Três Poços, passada para Cecília, que casou-se com o comendador Lucas Antônio Monteiro de Barros, ou ainda das terras da Fazenda da Vargem Alegre, recebida pela filha Joaquina Clara, que se casou com Mathias Gonçalves de Oliveira Roxo, o primeiro barão, com grandeza, da Vargem Alegre.

    José Gonçalves de Moraes veio a falecer em 11 de outubro de 1859, aos 83 anos, deixando uma grande fortuna que contava com dez fazendas e 1.343 escravos. 

     

    Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves, baronesa de Piraí, nasceu em 1782 em São João Marcos. Era filha do sargento-mor José de Souza Breves e de d. Maria Pimenta de Almeida, irmã de Joaquim José de Souza Breves e José de Souza Breves, uma das famílias mais importantes e influentes no comércio e produção de café durante o Império. 

    Foi casada com José Gonçalves de Moraes, o Barão de Pirahy, com quem teve nove filhos Antônio Gonçalves de Moraes, Joaquina Clara Moraes (baronesa de Vargem Alegre), Maria Isabel de Moraes Breves (casada com Joaquim José de Souza Breves), Rita Clara de Moraes Breves (casada com José de Souza Breves), Joaquim José de Moraes, Emiliana de Moraes (casada com o futuro conde de Tocantins), José Gonçalves de Moraes, Cecília de Moraes e Ana Clara de Moraes.

    Cecília faleceu em 06 de julho de 1866 na Fazenda dos Três Saltos com 84 anos.

     

    Emiliana Breves de Moraes,  nasceu em Piraí, era filha de José Gonçalves de Moraes e Cecília de Souza Breves, os barões de Piraí. Casou-se em 1836 com Joaquim José de Lima e Silva Sobrinho, mais tarde conde de Tocantins, com quem teve o filho Luís César de Lima e Silva.

    Trecho do inventário de Manoel Gonçalves Vieira de 1927 (DEL PRIORE; SCHNNOR, 2014, p. 159):

    “Confrontações e características: metade do imóvel rural sob aquela denominação, o qual é constituído de casa de residência assobradada, forrada e assoalhada, tendo de um lado três portas no pavimento inferior e onze sacadas no superior, de outro lado duas portas e cinco janelas, de outro lado sete janelas e uma porta e do último lado finalmente nove janelas e duas portas, prédio esse em bom estado de conservação e guarnecido de mobília, três ranchos cobertos de telhas, servindo de paiol; cocheira e ceva para porcos; uma casa coberta de telhas, contendo um compartimento para negócio e com maquinismos completos para fabricação de aguardente, moinho para fubá, uma casa coberta de telhas, mais doze pequenas casas cobertas de telhas esparsas para colonos, tudo construído em trezentos alqueires de terras, mais ou menos em pastos, capoeirões e carrascais, que divisam por um lado com o rio Paraíba e pelos demais com as fazendas denominadas Confiança, Pau D’Alho, Santa Angélica, Bela Aliança e Botafogo, compreendidos na transmissão metade dos semoventes, móveis e utensílios existentes na propriedade.”

     

    Inventário do Barão de Piraí, 1860. Fonte: DEL PRIORE, Mary e SCHNOOR, Eduardo. Fazenda Três Saltos: quando o Vale conta histórias. Rio de Janeiro, Arte Ensaio, 2014.

     

    “Mapa topográfico da medição e demarcação das terras de sesmaria concedidas ao capitão Antônio Gonçalves de Morais, e hoje pertencente aos herdeiros, o reverendo padre Joaquim José Gonçalves de Morais, feita pelo capitão José Rodrigues Neves, juiz do tombo da Vila de São João do Príncipe e seu termo”. Acervo Biblioteca Nacional.

     

    Pinturas de José Gonçalves de Moraes, o barão de Piraí, e Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves, a baronesa de Piraí. Autoria de Claude Joseph Barandier. Pertence ao acervo da Prefeitura Municipal de Piraí, RJ.

     

    Pinturas de José Gonçalves de Moraes, o barão de Piraí, e Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves, a baronesa de Piraí. Autoria de Claude Joseph Barandier. Pertence ao acervo do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro - IHGB, no Rio de Janeiro.

     

    Pintura de Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves, a baronesa de Piraí. Autoria de Lopez Roiz. Pertence ao acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, RJ.

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Pesquisa e texto: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB), 2021

     

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A organização da casa se distribui ao redor de um pátio interno configurando um retângulo. O acesso é feito através do pátio interno que leva do porão ao setor social da casa.  A distribuição é marcada principalmente pelo setor social à frente, voltado para a fachada principal, o setor íntimo ao meio e o setor de serviço aos fundos. 

     

     

    Piso 0, porão

    O porão leva ao pátio interno que dá acesso ao pavimento nobre e é marcado pelo embasamento e revestimento do piso em lastras de pedra. 

     

     

    Piso 1, área social

    O setor social pode ser acessado do porão por meio de uma escada (5) em madeira que leva a uma sala de estar (4), outra sala (3) leva a sala de estar principal (1). Um hall (24) leva a capela (22) dedicada a São pedro. Do pátio interno se tem acesso a circulações (7 e 10) que levam aos já mencionados ambientes e também a sala de jantar (14), por onde se pode acessar a varanda (13)  que permite o acesso ao jardim dos fundos, delimitado a partir da mureta de contenção da encosta, contando com cachoeira artificial.

     

     

    Piso 1, área íntima

    A área íntima se distribui logo em seguida da área social e pode ser acessada diretamente pelos cômodos e circulações. O piso é em tábuas de madeira e forro com encaixe macho e fêmea.

     

     

    Piso 1, área de serviço

    A área de serviço se concentra na parte posterior da construção com copa (8), cozinha (11), depósito (9) e banheiro (12), todos revestidos com ladrilho hidráulico.

     

     

     

     

     

     

     

    Piso 1, divisão 22, Capela

    A capela está voltada para a fachada lateral esquerda e possui acesso interno e externo. O altar apresenta um retábulo em madeira com pilastras e a imagem de São Pedro. O espaço é decorado com detalhes em alto relevo com pintura dourada nas paredes e forro. Existe ainda o confessionário original da casa, que junto às cadeiras antigas compõem o ambiente.

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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