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    Fazenda Santo Antônio do Paiol

    Fazenda Santo Antônio do Paiol
    XIX
    1852
    Brazil
    Valença - RJ
    -22.284668
    -43.742752
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    A Fazenda Santo Antônio do Paiol foi construída em terras da sesmaria de Francisco Martins Pimentel, próximo a cidade de Valença. Localizada na RJ-145, estrada de acesso ao centro de Valença, a propriedade ocupa uma área formada por pequenas colinas. A casa está implantada sobre uma destas elevações que dá a caracterização da planta. Próximo a casa foram construídos o eremitério e a capela com alojamentos. Em uma distância maior se destaca a área de trabalho da fazenda tendo poucos remanescentes das senzalas, tulha, engenho, terreiros e outras construções. Na estrada, próximo a entrada da fazenda, existe ainda a antiga Estação de Esteves, ligada à linha férrea União Valenciana, construída em 1871 por Manoel Antônio Esteves. 

    A casa sede é caracterizada pela elevação do sítio em que está implantada, dando a forma de “U” à planta. O porão é limitado pelo terreno correspondendo a um pequeno trecho, dando a feição de sobrado nas fachadas voltadas para o norte. O pavimento nobre ocupa uma área maior e dá a forma em “U”, com duas alas laterais onde se localizam as áreas íntimas e de serviço, criando um pátio interno, por onde se realiza o acesso principal.

     

    A fachada principal está voltada para um pequeno jardim e é marcada pela presença dos vãos que a compõem. No trecho do porão são duas portas e quatro janelas todas em verga reta. No 1º pavimento a fachada possui sete vãos de verga reta com janela veneziana de abrir em madeira e guilhotina com vidro simples.

    O acesso principal a casa se dá na fachada envolvida pelas alas laterais, onde existe um pequeno pátio interno com jardim. Em todas as fachadas se destacam os vãos em verga reta e as esquadrias venezianas de abrir em madeira e guilhotina com vidro simples.

    Destacam-se poucos elementos decorativos como os cunhais e frisos tintos na cor ocre contrastando com as alvenarias na cor branca e as esquadrias na cor azul. Há poucos trechos com os beirais originais da casa, assim como as cimalhas de madeira.

     

    Jardim

    Localizado a frente da casa se destaca um jardim com plantas ornamentais e um pequeno lago com escultura em metal ao centro.

     

    D’ONOFRE, D. G. Fazenda Santo Antônio do Paiol, Valença/RJ: pioneirismo em serviços de hospitalidade . Revista de Turismo Contemporâneo, v. 8, n. 1, p. 17-40, 30 abr. 2020.

    Fazenda Santo Antônio do Paiol. Disponível em: <http://fazendasantoantoniodopaiol.com.br/>. Acesso em 15 jun. 2021. 

    Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Fazenda Santo Antônio do Paiol. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense. Rio de Janeiro: Inepac, Instituto Cidade Viva, 2009.

    MARIOSA, Rosilene Maria. Tratamento e doenças de escravos na Fazenda Santo Antônio do Paiol (1850-1888). Dissertação (Mestrado em História). Vassouras: Universidade Severino Sombra, 2006. 

    MATTOS, Raimundo César de Oliveira. Café, escravos e negócios: atividades de um capitalista no Vale do Paraíba (1845-1879). Revista Maracanan, v. X, n. 10, p. 140-151, jan. dez. 2014.

    MATTOS, Raimundo César de Oliveira. A cultura política no oitocentos no Vale do Paraíba Fluminense – o caso de Manoel Antônio Esteves em Valença. Revista Interdisciplinar do Direito - Faculdade de Direito de Valença [online]

    1814 - João Soares Pinho recebe as terras da sesmaria de Santa Tereza, onde a fazenda foi fundada.

    1821 - Francisco Martins Pimentel compra as terras.

    1850 - A Fazenda foi passada como dote do casamento de  Manoel Antônio Esteves e Maria Francisca Pimentel.

    1852 - A construção da casa sede foi concluída.

    1879 - Com a morte de Manoel Antônio Esteves a fazenda ficou sob os cuidados do filho mais velho,  Francisco Martins Esteves. 

    1969 - Marcos Zacarias Manoel Esteves, neto de Manoel e filho de Francisco, seguiu morando na fazenda com sua esposa, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves. Foi Francisca quem manteve a preservação da memória da época do café, até que doou a fazenda para a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência São Luis Orione. 

    1990 -  A Fazenda foi arrendada por Rogério Vianna e sua esposa, Maria Alice. Neste período promoveram a reforma da casa e encontraram uma série de documentos relacionados a história da fazenda. 

    Anos depois a fazenda voltou a pertencer a Ordem Dom Orione, que atualmente mantém as atividades relacionadas a agricultura e pecuária, além do turismo e um centro religioso. Em 2003 a instituição construiu o mosteiro Eremitério Frei Ave Maria na fazenda. 

    2008 - A Fazenda é incluída no processo de tombamento E- 18/1.868/2008, pelo INEPAC, Conjunto de doze Fazendas representativas do Ciclo do Café.

     

    Francisco Martins Pimentel, português oriundo do arquipélago dos Açores, na ilha de São Miguel. Estabelecido em Valença, se dedicou à produção de grãos e gêneros de primeira necessidade para o abastecimento dos tropeiros e viajantes que iam e vinham das Minas Gerais. Era casado com Clara Maria Dutra, com quem teve os filhos, Maria Francisca e Joaquim Gomes Pimentel, o Visconde de Pimentel.

     

    Manoel Antônio Esteves, nasceu em 27 de setembro de 1813, Freguesia do Merufe, região do Rio Minho, ao norte de Portugal. Era filho de Lourenço José Esteves e Domingas Gonçalves. Casou-se em 1850 com Maria Francisca das Dores, filha de Francisco Martins Pimentel e Clara Maria Dutra, recebendo a fazenda Santo Antônio do Paiol como dote de casamento. Foi pai de 10 filhos, entre eles o Francisco Martins Esteves, que foi casado com a filha do Conselheiro Zacarias Góes e Vasconcellos, advogado da Casa Comissária de Manuel Soares da Rocha.

    No Brasil, Manoel estabeleceu-se em Vassouras, inicialmente, onde possuía uma casa comercial e fazia negócios com fazendeiros de café da região, como o barão de Campo Belo e barão do Tinguá. Após o casamento fixou-se em Valença, onde teve boas relações com os membros da elite local prestando serviços, destacando-se a Marquesa de Valença. Seu maior feito na cidade foi o financiamento para a construção da linha férrea União Valenciana, que ligava Valença à Estação de Desengano, atual Distrito de Barão de Juparanã e, consequentemente, ao ramal da Estrada de Ferro D. Pedro II, que levava à capital. Pelo feito recebeu em 1871 a comenda da Ordem da Rosa. Construiu, próxima a fazenda Santo Antônio do Paiol, a Estação de Esteves ligada a linha férrea União Valenciana. 

    Foi proprietário das fazendas Ribeirão, Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa Vista. Na fazenda Santo Antônio do Paiol foi onde teve a maior produção de café. Fundou a Casa Comercial de Manoel Antônio Esteves e Filho, responsável pela venda do café, e que mais tarde se chamaria Esteves, Irmãos e Cia. Na côrte possuía um palacete na rua São Clemente, n. 132 onde, em 1879, veio a falecer no auge da fortuna. Foi sepultado no mausoléu da Família Esteves no Cemitério São João Batista.

     

    Congregação da Pequena Obra da Divina Providência São Luis Orione, também conhecida como Filhos da Divina Providência, Pequena Obra da Providência Divina ou, simplesmente, Orionitas. É uma congregação religiosa da Igreja Católica, fundada por São Luís Orione, um padre italiano que foi canonizado em 2004. Em 21 de janeiro de 2003 a congregação inaugurou o Eremitério Frei Ave Maria, um mosteiro onde os padres vivem a vida contemplativa no silêncio, na oração e no trabalho. A congregação mantém ainda na fazenda a agricultura e pecuária, e também as atividades de turismo cultural e um centro de Espiritualidade Dom Orione que acolhe grupos para retiros espirituais.

     

    Inventário do comendador Manoel Antônio Esteves (1813-1879). Fonte: Museu da Justiça - Centro Cultural do Poder Judiciário. Acervo textual, Coleção Textual. Cx. 1546/ Reg. 014617.

     

    Iconografia de Marc Ferrez, coleção Gilberto Ferrez. (Acervo Instituto Moreira Salles)

    Pintura de Manoel Antônio Esteves, sem autoria e sem data. 

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2021

    Texto: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Fotografias: Congregação da Pequena Obra da Divina Providência São Luis Orione

    Agradecimento: Frei Jerônimo

     

    Programa geral, tipologia e planta

    A casa possui aspecto de sobrado com planta em forma de “U”, criando um pátio interno, por onde se realiza o acesso principal. O porão é limitado pelo terreno correspondendo a um pequeno trecho, dando a feição de sobrado nas fachadas voltadas para o norte. O pavimento nobre ocupa uma área maior e dá a forma em “U”, com duas alas laterais onde se localizam as áreas íntimas e de serviço. Ao centro do 1º pavimento localiza-se a área social com as salas de visita, estar e jantar.

     

    Piso 0, Porão

    O porão abriga alguns objetos remanescentes do período áureo da fazenda, onde se destaca o armário com medicamentos. A estrutura de barrotes que sustenta o 1º piso se destaca pelas grandes dimensões das peças em madeira. Destaca-se ainda a escada em madeira que dá acesso à circulação no pavimento nobre.

     

    Piso 1, Área Social

    Localizada na área central do 1º piso, a área social é composta pelos ambientes nobres da casa como a sala de jantar (1), sala de visita (5) e sala de estar (7). Nesses ambientes destacam-se as portas com duas folhas de abrir em madeira com bandeira em madeira e vidro. 

    Piso 1, Área Íntima

    A ala do lado direito abriga a área íntima com quartos, salas e banheiros.

    Piso 1,  Área de Serviço

    A ala do lado esquerdo abriga a área de serviço com cozinha e depósitos.

     

     

     

     

     

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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