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    Casa do Barão de Itambé

    Casa do Barão de Itambé
    XIX
    Brazil
    Vassouras, RJ
    -22.4102398
    -43.6613902
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    Construção com feição neoclássica, situada na parte elevada do Largo da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, atual Praça Barão do Campo Belo. A igreja foi edificada em terreno cedido, em 1823,  por Francisco José Teixeira Leite, o futuro Barão de Vassouras, à Irmandade da igreja. O largo e a casa podem constam da Carta Corográfica da Província do Rio de Janeiro produzida em 1857

    O Largo deu origem à vila de Vassouras, e está situado às margens da Estrada da Polícia, um dos caminhos aberto em 1817-1820 que ligava a Corte às margens do rio Paraíba do Sul e compunha a paisagem urbana da cidade, como visto nas gravuras expostas abaixo : "Vila de Vassouras" de Ludwigg & Briggs (1845-1846) e "Vassouras", de Ciceri Eugene, de fotografia de Victor Frond, de 1858,  e pormenor identificando o posicionamento do solar na imagem.

    O sobrado está localizado em logradouro, hoje denominado rua Barão de Tinguá, à direita da matriz como visto na imagem satélite da implantação da casa atualmente. O edifício situa-se na testada do lote, com cinco janelas no térreo e entrada marcada por pórtico, que leva à entrada lateral do edifício e à passagem para o quintal da área posterior.

    A casa é uma construção de grandes dimensões, assobradada parcialmente, coberta de telha canal, forrada e assoalhada, possui pé direito elevado. Nota-se a repetição de programa entre os pavimentos, porém apresenta o último pavimento mais estreito que o pavimento térreo, centrado pela fachada. O andar térreo se prolonga em direção ao fundo do terreno, onde estariam a cozinha e os quartos nos fundos. A edificação possui fachada marcada  pela sua horizontalidade, com destaque para os adornos e a adaptação da fachada à simbologia neoclássica.

    Além disso, por causa da irregularidade do terreno onde está implantada, contem nos  fundos um pavimento localizado em porão, provavelmente utilizado para senzalas ou para dependências.

    A fachada principal se volta à rua e à vista de todos, com dois andares,  e a marcada por colunas, segundo estética neoclássica. Possui uma marcada horizontalidade, determinada pelos beirais com cimalhas, que funcionam como elementos de união para uma sequência de janelas idênticas, igualmente espaçadas.

    Exibe um balcão corrido em toda a largura da fachada – gradil de ferro com delicado rendilhado –- que arremata superiormente o pavimento térreo. A fachada térrea apresenta cinco vãos de janelas em vergas em arco pleno enquanto a fachada do sobrado é limitada por duas pilastras coríntias, estas que suportam rico entablamento em estuque, –- com frisa decorada com alto-relevo florais, e cornija com dentículos –- que reveste o beiral do telhado. Duas pinhas de louça arrematam os cunhais, posicionados sobre o beiral do telhado da casa.

    Há um pórtico localizado no extremo esquerdo da fachada, com vão revestido de granito lavrado, e fechando em arco apontado. Este é coroado por um frontão que se abre ao meio revelando a forte peanha de apoio ao grifo de louça. Fechando este pórtico, existe um detalhado portão de ferro forjado.

    As fachadas laterais são de composição mais simples, porém também possuem uma forte e marcada horizontalidade, determinada pelos beirais com cimalhas. Estes, funcionam como elemento de união para uma sequência de janelas idênticas, igualmente espaçadas vãos revestidos de madeira com vergas retas, que distribuem-se intercalando panos de alvenaria iguais entre si. São compostas de janelas na fachada térrea e vãos em arco na fachada crescente do porão. A fachada posterior é simples e retangular, exibe duas janelas em vãos arrematados de madeira com vergas retas do piso térreo, alinhados com dois pórticos abertos para o porão.

    Os vãos de portas e de janelas possuem grandes cimalhas em vergas em arco pleno. Como elementos de decoração, desenhos arqueados nas vidraças em guilhotinas e nas bandeiras das portas.

    As janelas são muito recortadas e com diversas molduras e planos. Quanto às folhas das esquadrias: as portas e postigos internos das janelas são em calha; e as folhas externas das janelas, em guilhotinas com vidros de pequenas dimensões. As vidraças em guilhotina, são divididas por cordões de madeira, formando um reticulado.

    No primeiro pavimento as folhas das janelas em guilhotina, são compostas por duas folhas distintas,  uma dividida por cordões de madeira, formando um reticulado e apresenta na outra, desenhos complicados, formando entrelaçados, composições com curvas e linhas radiais. No segundo pavimento os vãos são compostos de três portas em vergas retas. Nota-se as bandeiras das vidraças das portas com desenhos em arco pleno.

     

    Portal de entrada

    O acesso ao terreno se dá na lateral, por um grande portão de ferro, que leva à entrada lateral do edifício e à passagem para o quintal da área posterior. O vão é revestido de granito lavrado, e fechando em arco apontado. Este é coroado por um frontão que se abre ao meio revelando a peanha de apoio ao grifo de louça. Vedando a portada, existe um adornado portão de ferro forjado.

     

    CORREIO MERCANTIL, 17 de julho de 1858, RJ

    Francisco José Teixeira. Projeto Compartilhar. Disponível em <http://www.projetocompartilhar.org/Familia/cap04FranciscoJoseTeixeira.htm>

    FERRARO, Marcelo Rosanova. Arquitetura da escravidão nas cidades do café. Vassouras, século XIX. Dissertação apresentada  PPG Historia Social/FFLCH, USP, 2017.

    IPHAN. Serie Inventário, Vassouras, RJ, Casa à Rua Barão do Tinguá n3. I.RJ-0357.01

    MUNIZ, Celia Maria Loureiro. Os Teixeira Leite: trajetórias e estratégias familiares, em Vassouras, no século XIX. Disponível em <http://www.abphe.org.br/arquivos/celia-maria-loureiro-muniz-in-memorian.pdf>

    REIS, Thiago de Souza dos. A implantação da lavoura de café em Vassouras: os Teixeira Leite e o crédito em uma região de fronteira aberta (século XIX). Estudios históricos – CDHRPyB, Año IX, Julio-Diciembre 2017, nº 18, Uruguay. Disponível em <http://www.estudioshistoricos.org/18/eh1806.pdf>

    SENTINELA DA MONACHIA  21 outubro de 1842

    SOUSA, José Antonio Soares de. Vassouras e suas residências urbanas. RIHGB, Rio de Janeiro: IHGB. V. 290, p. 22-65, jan./mar. 1971.

    TEIXEIRA LEITE, Joaquim José. Relatório da administração municipal. Sessão ordinária e de posse de 7 de janeiro de 1849. In: BRAGA, Greenhalgh H. Faria. Vassouras de Ontem. Rio de Janeiro, Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1975. p. 119 – 126

    TELLES, Augusto C. da Silva. Vassouras (estudo da construção residencial urbana). Revista do Patrimonio Histórico e Artístico Nacional v. 16, 1968.

    1828 – Construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição, em cujo entorno serão estabelecidos o casario e a praça

    184.. – A casa foi construída por Jose Joaquim Botelho, em data não conhecida e, pouco depois, vendida a Francisco José Teixeira, em 1859.

    1845-46 – Publicação da gravura "Vila de Vassouras" de Ludwigg & Briggs, que tem a casa retratada em meio ao casario da vila, no Ostensor.Brazileiro.

    1858 – Mudança dos Barões de Itambé de São João del Rey  para Vassouras

             O fotógrafo Victor Frond viaja para Vassouras para começar os trabalhos do Brasil Pitoresco, em julho.

    1859 – Aquisição do sobrado pelos barões de Itambé, vizinho ao do genro  Francisco José Teixeira de Souza e de sua filha Maria Gabriela Teixeira Leite.

    1864 – Morte da Baronesa de Itambé, Francisca Bernardina, a 6 setembro.

    1866 – Morte do Barão de Itambé, Francisco José Teixeira, a 22 de março.

    1866 – Abertura do inventário do barão e da baronesa, cujo patrimônio foi avaliado em 2:787:384$266, quase integralmente referente a dívidas ativas. O casal possuía apenas seis cativos e nenhuma fazenda. O solar urbano foi avaliado em 10:000$000, e a casa dos escravos, localizada nos fundos, em 7:000$000.

    1958 – Tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico de Vassouras pelo Iphan, que incluiu a proteção da casa do Barão de Itambé

    1975 – Compra da casa por Geraldo Mattos Maia

    1968 – Aquisição da casa para instalação do Centro Cultural da  Fundação Severino Sombra

     

    Jose Joaquim Botelho era dono das fazendas Mato Dentro e da Paraiba, capitão da cavalaria de Vassouras (1836), e foi é um dos doze eleitores da freguesia de Vassouras em 1840. Em 1842, foi designado Cavaleiro da Ordem da Rosa, dentre os agraciados com títulos pelos serviços prestados pela “pacificação das províncias de São Paulo e Minas Gerais”.

    Francisco José Teixeira, futuro Barão de Itambé, nasceu em 6 de setembro de 1780 no Arraial de Nossa Senhora da Conceição da Barra, São João Del Rei, Minas Gerais. Casou em 13 de setembro de 1802 em São João del Rei com Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro (1781—1864), filha do Sargento Mor José Leite Ribeiro e de Escolástica Maria de Jesus, com quem teve 11 filhos. Dentre eles, se destacam-se Francisco Jose Teixeira Leite, futuro barão de Vassouras, Joaquim José Teixeira Leite e Carlos Teixeira Leite. Era cunhado de Custódio Ferreira Leite, o futuro Barão de Aiuruoca

    Tornou-se um abastado fazendeiro de cana, mantimentos e criador de gado e dedicava-se, também à atividade usurária, emprestando dinheiro aos fazendeiros de sua terra. Era procurador e tutor das viúvas e órfãos da família, bem como o responsável pela maioria dos casamentos de seus tutelados, sempre dentro da família. Recebeu o título de barão por decreto de 15 de novembro de 1846 de D. Pedro II.

    Mudou-se em 1858 para Vassouras onde muitos de seus filhos já residiam. Faleceu a 22 de março de 1866, em Vassouras, dois anos após a sua esposa, tendo sido enterrado no Cemitério da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, em monumental cripta subterrânea.

    Carta Corográfica da Província do Rio de Janeiro. Segundo os reconhecimentos feitos pelos coronel Conrado Jacob de Niemeyer [e outros] Diretoria de Obras Públicas. 1839. Fonte Fundação Biblioteca Nacional. Disponível em <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart164664/ cart164664.jpg.>

    Carta Corográfica da Província do Rio de Janeiro mandada organizar pelo decreto da Assembleia Provincial de 30 de outubro de 1857. Encarregada aos engenheiros Pedro de Alcantara Bellegarde e Conrado Jacob de Niemeyer 1858-1861.Disponível em <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart173951/ cart173951.jpg>

    Vassouras. Gravura Ciceri Eugene, de uma fotografia de Victor Frond de 1858, Disponível em 

    Villa de Vassouras. Ostensor Brazileiro. Ludwig e Briggs. [1845-1846] Descrição:18,2 x 26,8 cm. Disponível em <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1424741/icon1424741.jpg>

    Quadros dos barões de Itambé: Francisco José e Francisca Bernardina, enquanto jovens e o casal já idoso, sem informação de data ou autoria. Louça (sopeira e prato) do serviço do barão, com verde  em"vermiculated ground" rematado em ouro, com inscrição "B. de Itambé." Croquis da fachada por Augusto da Silva Telles

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2020

    Texto: Ana Claudia de Paula Torem [pintura decorativa], Ana Pessoa (FCRB) e Ornella Savini (Pibic/FCRB).

    Edição de imagens: Ornella Savini (Pibic/FCRB) e Sávia Pontes Paz (Pibic/FCRB)

    Fotografias: Ana Claudia de Paula Torem, Francesca Martinelli (PCTCC/FCRB), Ornella Savini (Pibic/FCRB), Sávia Pontes Paz (Pibic/FCRB) e Thais Sousa.

    Programa geral, tipologia e planta

    Possui tipologia de planta em L e apresenta cômodos amplos. Nota-se a repetição em ambos os pavimentos do mesmo programa. Constitui de uma divisão entre espaços de receber à frente, vestíbulo com escada, e grande salão; alcovas e quartos intermediários e nos fundos, conectada às dependências de serviço, a sala de jantar ou sala íntima.

    Piso 0

    O piso térreo é composto por comodo que leva a uma escadaria curvilínea que  leva à sala de visitas superior, e por salão frontal ao qual se abriam alcovas, e um corredor que levava à sala de jantar e aos quartos aos fundos, que se abriam para a cozinha, assim distribuidos, segundo TELLES, 1968: vestíbulo (1), sala nobre de visitas (2), 2 quartos (7, 9 ) três alcovas (4,5,6 ) sala íntima (8), sala de jantar (12), cozinha (18) a despensa. 

    Piso 1

    O piso superior não cobria integralmente a planta inferior, mas apenas o quadro frontal. É composto por um salão que assemelha-se ao inferior, alcovas e quartos. Contudo, segundo TELLES, 1968, o relativo descompasso da planta sugere que o edifício tenha sido reformado tanto em sua fachada quanto em seus interiores, de modo a se adaptar à valorização de cômodos sociais e à estética neoclássica.

     

     

    Piso 0, Divisão 12, Sala de Jantar

    Sala de jantar com pintura mural decorativa da segunda metade do século XIX de autoria do pintor decorador catalão José Maria Villaronga. A composição pictórica que se estende do rodapé até o teto, reúne arquiteturas fingidas simulando vistas exteriores, além de oito grandes painéis verticais distribuídos aos pares pelas quatro paredes. As temáticas são variadas como o trompe l’oeil de objetos, gêneros alimentícios, motivos de chinoiserie e medalhões guarnecidos de retratos e cenas. Todos os painéis são enquadrados com rica moldura filetada, cantoneiras com motivo de roseta e coquille, e moldura externa de rosário.

     

    Parede Lateral Direita

    Flanqueando o balcão fictício, dois grandes painéis, cujo realismo pictórico do trompe l’oeil está presente nos louceiros repletos de bodegones e objetos como garrafas de bebida, taças, pilhas de pratos, galheteiro, sopeiras e um objeto esférico embrulhado com uma folha do Jornal do Comércio. No louceiro da esquerda, a primeira prateleira abriga um arranjo com pilha de cartas de baralho, castiçal com vela, jarra de porcelana, uma nota de dinheiro e um recibo com o nome “Villaronga” sob um copo contendo um ramalhete de rosas. As duas paredes laterais são decoradas com quatro painéis contendo ao centro medalhões, cuja moldura fina e sem relevo é composta de enrolamentos em “C”, curvas e contracurvas semelhantes a motivos de nielle.

    Dois medalhões são guarnecidos de retratos femininos, de um lado uma dama, e do outro uma madona. Ao centro, outra arquitetura ilusionista simula um grande nicho em arco pleno, cujo fundo gradeado deixa vislumbrar um denso jardim com rosas. Posicionado no interior do nicho destaca-se um pedestal sobre o qual pousa um grande vaso com flores. No alto, um tucano-toco parece descansar sobre um poleiro pendente.

     

    Parede Frontal

    A parede do fundo revela ao centro, o gosto pela pintura cenográfica na representação de um balcão que se abre para uma paisagem pastoril, coroado por um toldo do qual pende uma gaiola. O elemento principal do conjunto é a grande estátua da deusa da Fortuna e da Abundância, que tem ao seu lado, pousada sobre o balcão, uma arara-canga, ave típica da mata atlântica fluminense.

     

    Parede da Entrada

    Na parede da entrada, a pintura decorativa já bastante deteriorada, apresenta mais dois painéis ornados com motivos de chinoiserie ao estilo de Jean Pillement.

     

    Parede Lateral Esquerda

    Os outros dois medalhões que decoram a parede oposta representam cenas do interior de uma igreja e do interior de um castelo.

     

    Piso 0, Divisão 1, Hall de Entrada

    Hall de entrada de acesso pela lateral da casa, com cinco portas e pé-direito elevado. Faz-se notável a escadaria curvilínea de madeira escura, que atravessa para o pavimento superior formando um átrio de pé-direito duplo que é iluminado pelo vitral que se encontra no pavimento superior.

     

    Piso 0, Divsão 2, Sala de Receber

    Teto em madeira, pinto de branco com frisos dourados, sem o antigo forro de estuque (TELLES, 1968),  janelas com bandeiras em arco com motivo radial que se repete na bandeiras das portas internas.

    Possuía, originalmente, forros de estuque com florões, molduras e figuras de alto relevo nos salões de receber e nas peças principais.

     

    Piso 1, Divisão 1, Escada

    O Hall de entrada permite à esquerda o acesso a uma escadaria curvilínea de madeira escura que leva à um hall de pé direito elevado. O caracterizam um vitral de formato oval colorido, o guarda-corpo de madeira da escada e forro em esquife.

     

    Piso 1, Divisão 2, Sala Principal

    A sala principal do andar superior tem acesso por uma das três portas simetricamente opostas às três portas que dão acesso à varanda da fachada principal. A sala é ampla e de pé-direito elevado. As portas são decoradas por vitrais coloridos em arco, emoldurados pela porta retangular de madeira pintada de azul. Estas têm vista para a Igreja Matriz e a praça Barão de Campo Belo.

     

     

     

    Piso 1, Divisão 4, Quarto Interno

    Portas de acesso com folhas e bandeiras em vidro com desenhos em curva

     

    Piso 1, Divisão 8, Varanda

    A varanda do sobrado tem guarda corpo de ferro percorre toda a extensão da fachada. Descatam-se figuras aladas como elementos decorativos nas laterais da fachada.

     

    Piso 1, Divisão 8, Varanda, Gárgula

    Gárgula metálica, em forma de dragão, para escoamento das águas da varanda.

     

    ttt
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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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