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    Alcova

    Alcova

    Alcova ou Alcoba. Derivado do Arábico al-cobba de Uba, (vale o mesmo que cova). Bluteau define como: “He na parte de um aposento mais recolhido; hum lugar abrigado onde está o leito”[i]. Nesta definição parece transparecer dois tipos de espaços; um pequeno compartimento autónomo e recolhido no interior da casa; um espaço igualmente recolhido, mas abrindo-se para uma câmara de dormir. Esta última situação, embora rara, surge em plantas dos finais do século XVII e no século XVIII. Nos finais do século XVIII, Morais, dá uma definição mais genérica deste termo, no seu Dicionário, designando-o apenas como “câmara de dormir”[ii]. De origem árabe, não registamos, porém, o termo na Idade Média. O Dicionário Etimológico de José Pedro Machado dá o termo como do séc. XVII.

    O caso mais frequente tanto em plantas como inventários é o espaço alcova definir-se como um pequeno compartimento situado no interior do programa distributivo, sem janela para o exterior. Podemos confirmar esta situação na legenda de uma planta de Vicenzo Mazzoneschi, para dois prédios a construir na Baixa de Lisboa, onde surge um conjunto de pequenos compartimentos interiores designados, cada um, por alcova[iii]. No século XIX o termo adquire um carácter arcaizante deixando de aparecer referências do seu uso em inventários ou em plantas de projectos de arquitectura doméstica.

     

    Referências documentais

    1673 - “…tem mais huma caza que tem huma alcova con o mesmo azulejo dourado por sima de brutesco con tres janellas que ficão sobre o pateo con portais de pedraria de jaspe negro e azulejos e huma caza de retrete; e hum corredor que tem serventia para a cozinha”. [iv]

    Finais do séc. XVII - “A – Praça -B. - Sala sobre a praça -C. - Galeria q corre de hua antecamera à outra -D. - Duas escadas principaes -E. - Duas antecameras grandes F. Duas salas de audiência. -G. - Duas salas de Estrado. H. - Duas cameras grandes com Oratório e Alcova. I. - Duas alcovas. L. Quatro cazas de passagem pª ir detraz da alcova. M. - 4 retretes ou Cazas pª dormirem Criadas. N. - Caza pequena q olha pª a rua. O. – Escada q dece ao quarto das moças e às cozinhas q fiquão de baixo do quarto das moças”. Legenda da planta de um palácio a construir ao Bairro Alto, em Lisboa. [v]

    1734 -29.º "Fis huma Caza sextavada de vinte e outo palmos, e meio no maior comprimento, e dezasete de laergura, com todas as paredes, e membros nella iguais, e pus lhe o que ha poucos annos inventarão os Francezes chamando lhe nicho, que vem a ser alcova pequena, na qual não pode entrar mais que o leito para huma pessoa. Esta caza com a sua immediata que he ouvada destino para filhas ja mulheres” Carta de João Gomes da Silva a seu filho Fernão Teles da Silva. Viena de Áustria, 14 de Abril de 1734. [vi]

    1760 c. -“duas casas, alcova e cozinha dos contramestres” Planta de Carlos Mardel para uma fabrica de chapéus. [vii]

    1794 -“para os officiais inferiores três cómodos hum sala, alcova e cozinha” Jornadas do Tejo 1794. [viii]

    1802 - “Legenda da planta: Patamar das escadas, 2 – escadas para gente da cozinha, - sala de entrada, 4 dita de Espera, – 5 dita de visitas, 6 – Outra dita, 7 - gabinete, 8 - Guarda roupa, 9 - Alcova, 10 - Toucador, 11- Casa de Engomar, 12 - Dita de jantar, 13 -Cozinha – 14 corredores, 15 – despejos, 16 - quarto de creado, 17 – cloacas, 18 –xaguão, 19 - salla livre para dar-se a um dos andares, 20 - chaminé." Planta do piso nobre. Assinado Mazzoneschi [ix].

    Hélder Carita (2014)

     

    [i] BLUTEAU, Rafael, Vocabulário Portuguez e Latino…, Coimbra, Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1712, vol.I, p.226.

    [ii] MORAES SILVA, António, Diccionário de Língua Portugueza…, Lisboa, Off. Simão Ferreira, Tomo I, 1789, p.53.

    [iii] BN do Rio de Janeiro, Iconografia,

    [iv] In MESQUITA, Marieta Da - História e arquitectura uma proposta de investigação []]: o Palácio dos Marqueses de Fronteira como situação exemplar da arquitectura residencial erudita em Portugal, Lisboa, 1992, 3 vols. Tese de Doutoramento da Faculdade de Arquitectura, (Texto policopiado), Anexos, Documento I. p.40

    [v] Biblioteca Nacional de Lisboa, Iconografia, D. 148 A.

    [vi] BIBLIOTECA PÚBLICA DE ÉVORA, Cód. CX/1-6, n.º 25, fls. 1 a 17 v.º. (Carta de João Gomes da Silva a seu filho Fernão Teles da Silva. Viena de Áustria, 14 de Abril de 1734.Transc. in

    [vii] Planta de Fábrica de chapéus. Assinado Carlos Mardel, AHMEPAT, MR.9

    [viii] Biblioteca da Ajuda, Addittamento ao Livro Intitulado Jornada pelo Tejo… – Ob. Cit, Tomo IV, fol. 76.

    [ix] BN do Rio de Janeiro, Iconografia,

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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