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    Solar Luciano José de Almeida

    Solar Luciano José de Almeida
    Brazil

     

    Fotografias

      

    Vista frontal do Solar, a partir da Praça Pedro Ramos, antigo Largo da Matriz.

      

    Vistas posteriores do Solar, a partir do terreno.

    Detalhes da fachada frontal do Solar.

      

    Interior da casa.

     

     

    Notas

    O município de Bananal se destacou durante o ciclo do café, chegando a ser considerado o mais rico do Vale do Paraíba durante o oitocentos. Neste periodo, surgiram na região sobrados imponentes, que foram descritos por inúmeros viajantes, como Thomas- Ender, Saint- Hilaire, Debret e Zaluar. Atualmente, o núcleo urbano da cidade é tombado pelo CONDEPHATT, através do processo 17256/70.

    O Solar Luciano José de Almeida se localiza no antigo Largo da Matriz, atual Praça Pedro Ramos, sendo vizinho do Solar Aguiar Vallim. Consiste em um sobrado construído em 1847, para funcionar como residência urbana do Comendador Luciano José de Almeida (1795-1854), proprietário da Fazenda Boa Vista e detentor de uma das maiores fortunas do Brasil naquele período. No apogeu da produção cafeeira, era comum que ricos fazendeiros possuíssem moradias nos centros urbanos próximos de suas fazendas, sendo estas construções destinadas essencialmente à vida social da família. O Solar era uma casa para receber convidados  e ostentar o poder da família Almeida. Após a morte do comendador, a posse da casa foi transferida para sua esposa, Maria Joaquina de Almeida (1803-1882), conhecida como a "Matriarca de Bananal”, devido as ações de caridade que prestava aos necessitados e ao povo em geral. Ela também contribuiu com grandes quantias para a reconstrução das igrejas locais e para as festas anuais da cidade, além de ajudar a manter a Santa Casa de Misericórdia. Era considerada uma grande dama da sociedade, oferecendo diversas festas nos salões de sua residência urbana. Com seu falecimento, o solar foi transmitido por herança ao Barão de Joatinga, seu genro. Entretanto, em 1885, devido ao desaparecimento deste, o imóvel foi passado para seu filho, Pedro Ramos Nogueira, assassinado em 1888. Com isso, a propriedade foi legada à sua viúva, permanecendo na família até 1925, quando foi vendida para Robert Passing, que ali implantou o Hotel Brasil. Para possibilitar a transformação de uso, a parte interna do edifício sofreu uma grande reforma, ocasião em que as pinturas murais foram retiradas e os grandes salões de baile foram segmentados, para comportar os quartos do Hotel. Apesar disso, a parte externa manteve suas feições originais.

    O Solar é descrito no inventário de Luciano José de Almeida, realizado em 1854, como "Huma caza de sobrado com treze janelas, varanda de ferro, dez portas e hum portão com fundos athé o Rio, e com frente para a praça da Matriz... 30:000$000."  No inventário de Maria Joaquina de Almeida, realizado em 1882, são mencionados os seguintes ambientes: "sala nobre", "sala de espera" ,"sala de jantar" , "cozinha" e "aposentos do Padre", este localizado no pavimento térreo. A leitura  do documento demonstra que o interior da casa era bastante refinado, contando com lustres dourados e de cristal, espelho grande de guarnição dourada, cadeiras de xarão com assento de palhinha e encosto esmaltado em madrepérola, dentre outros móveis.

    A edificação é composta por dois pavimentos.  O pavimento térreo possui uma porta central, constituída por duas folhas de madeira com detalhes almofadados, cercaduras de madeira  e verga de arco abatido, com coroamento em massa.  Ela conduz a um grande vão localizado no interior do edifício, por onde passavam as carruagens. Adjacente a porta de entrada, estão presentes cinco vãos de cada lado, contendo cercaduras de madeira, verga reta e coroamento também em massa.

    No primeiro pavimento, estão dispostas treze janelas equidistantes, contendo duas folhas de madeira, encimadas por bandeiras fixas com desenhos em formato de leque, vergas retas e coroamento em massa. Externamente, as esquadrias são constituídas por vidraças de vidro, contendo detalhe almofadado na parte inferior. Internamente, possuem folhas de madeira cega. As janelas se abrem para cinco sacadas com gradis de ferro trabalhado, de onde saem suportes fixos para as luminárias. Dentre elas, se destaca a sacada central, por possuir ao centro as iniciais de Luciano José de Almeida (LJA). No coroamento do edifício, acima do vão central, há um brasão de massa, contendo a data de construção da edificação (1847). Ele é finalizado com ramos de folhas e uma flor central, disposta na parte inferior do brasão.

     

     

    Bibliografia

    Arquivo Central do IPHAN/RJ. Série Inventário. Hotel Brasil.  Bananal, s/data.

    RAMOS, Agostinho. Pequena História do Bananal. Cachoeira Paulista: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia, 1976.

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2023.

    Pesquisa, texto e edição: Clara Albani Rezende (PCTCC/FCRB), 2023.

    Fotos: IBGE, 1958 e  IPHAN, s/data.

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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