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    Palacete Barões de Paraná

    Palacete Barões de Paraná
    Brazil
    XIX

    Palacete de Henrique Hermeto Carneiro Leão (1847 −1916)  e Zeferina Marcondes Machado (1859 −1936), barões do Paraná, situado na rua Marques de Abrantes, Rio de Janeiro, RJ.

     

     

     

    O palacete fora construída em lote desmembrado do terreno dos marqueses de Paraná, pais do barão, com um pequeno jardim na frente, onde uma palmeira sobressaía entre estátuas. Esta palmeira era uma rara corypha umbraculifera, conhecida como talipot ou palmeira do amor, originária do sul da Índia e Sri Lanka. Esta espécie floresce apenas uma vez na vida, morrendo logo em seguida. A palmeira floresceu em 1923, com suas inúmeras flores atraindo atenção durante mais de seis meses.

    A casa era um sobrado de platibanda com estátuas, construído em centro de terreno, recuado 40 metros do alinhamento da rua. Ao centro da fachada principal havia um alpendre projetado, sustentado por colunas, ao qual se tinha acesso por escada de cantaria. O terreno alcançava a atual rua Senador Vergueiro, para a qual tinha saída, comportando ainda casa para empregados, depósitos e uma estufa com armação de ferro e vidro. O prédio tinha um porão com cozinha ladrilhada e instalações complementares.

    O primeiro andar estava dividido em salão, três salas com decorações, e capela privada. O segundo pavimento dividia-se em sete quartos inclusive o de banho. Sobre o alpendre havia um terraço ladrilhado.

    Em 1926, já viúva, Zeferina abriu seu palacete e mostrou suas obras a repórter da Gazeta de Notícias, que comentou os interiores da casa, descrevendo a decoração como de gênero historicista, então em voga na Europa, ressaltando a divulgação do gênero em livros e revistas. Através das descrições contidas no artigo é possível identificar os ambientes que aparecem em fotos do arquivo Cornélio Pena/ AMLB-FCRB.

    A sala de entrada era em estilo mourisco  A foto mostra uma das paredes com um painel que retratava o pátio de um palácio árabe, evocando o Pátio do Leões do Alhambra, sendo a parte inferior da parede pintada em padrão geométrico. Um biombo decorado com dançarinas dividia a sala, tapando a vista de uma porta que possivelmente levava ao interior da casa. Compõem a decoração um conjunto de mesa e cadeiras de estilo mourisco, um tapete, duas estátuas e uma escarradeira. No piso havia uma almofada com motivo floral pintado, provavelmente obra da dona da casa, que apresentou trabalhos similares em exposição.

    A sala seguinte, onde a Baronesa recebeu a reportagem, é descrita como um verdadeiro museu, com paredes pintadas a óleo, com pequenos camafeus entre arabescos, e os dois retratos dos marqueses de Paraná pintados por Bauch. Um grande espelho veneziano estava colocado entre duas janelas (Fig. 12). O teto era dividido em quadrados com círculos inscritos, tendo ao centro pequenas figuras pintadas. Por toda a sala havia esculturas e vasos de porcelana colocados sobre pequenas colunas.

    Havia um salão japonês, onde se davam bailes, e que também servia como fumoir . À época da visita da Gazeta, o cômodo era denominado living room, e nele ainda estava uma cadeira japonesa feita em uma só peça de madeira onde o barão saboreava seus Havanas após o jantar.

    A sala de jantar era decorada em estilo gótico. Nela se serviu saboroso café  proveniente da fazenda Lordelo, então administrada pela Baronesa. Ao centro da sala ficava uma mesa elástica coberta por tapeçaria, encimada pelo candelabro. As paredes entre os vãos exibiam enormes quadros pintados pela própria Baronesa. Entre eles estavam Índio a espera, Caçador francês, Festim de Lucullus, e Natureza morta, “telas enormes, de 2, 3 ou mais metros, que consagrariam qualquer mestre, de escola francesa, antiga ou moderna. Como também uma infinita de outros trabalhos menores, quer quadros, quer pintura sobre almofadas, quer decorações. É um crime o Brasil não conhecer a obra de pintura da sra. baronesa de Paraná. 

     

     

    Bibliografia

    Arquivo Cornélio Penna. AMLB, Fundaçao Casa de Rui Barbosa.

    GAZETA DE NOTÍCIAS. Rio de Janeiro, 1926, 4 jul.

    SANTOS, Ana Lucia, PESSOA, Ana, FASOLATO, Douglas. Entre dois mundos: casas rurais e urbanas da família Carneiro Leão. In
    PESSOA, Ana e NUNES, Marcia. Casas senhoriais e seus interiores em debate [recurso eletrônico]: estudos luso-brasileiros. Rio de Janeiro : Fundação Casa de Rui Barbosa, 2021.p.73-89

     Edição de texto e imagem: Ana Pessoa (FCRB) e Ana Lucia Vieira dos Santos (EAU/UFF), 2020;

     

     

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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