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    Casa da Fazenda Cachoeira, 1851 - Extrato Inventário

    Casa da Fazenda Cachoeira, 1851 - Extrato Inventário
    Brazil
    XIX

    Extrato do Inventário de  Maria Esmeria Teixeira Leite-Fallecida   Comendador Francisco Jose Teixeira Leite-Inventariante, de 7 de abril de 1851, 

    Extrato do inventário de Maria Esmeria Teixeira Leite relativo à avaliação do mobiliário e objetos da casa sede da Fazenda Cachoeira, Vassouras, RJ, segundo transcrição parcial em TAUNAY, Afonso. História do Café no Brasil - no Brasil Imperial no Brasil  1822 –-1872. Rio de Janeiro,  Departamento Nacional do Café, 1950, vol. 5, pp. 206 a 207.

    "(...) Nos autos, que estão truncados, não encontramos por exemplo a resenha dos arreios nem a descrição de oficinas da fazenda, embora pequenas de deviam ser. Em compensação vem minuciosamente descrito o aparelhamento da casa grande quanto ao mobiliário, trem de mesa e de cozinha e vasilhame.

    Possuía o fazendeiro boa prataria, quase um conto e quinhentos mil réis a 260 e 300 réis a oitava. Representaria isto talvez hoje uns 25 contos de réis.

    As peças de maior vulto eram as duas salvas grandes e duas pequenas (130$00) um serviço composto de cafeteiro leiteiro e chaleiro (sic) açucareiro e tigela de lavar 366$000 além de oito grandes castiçais, pois pesavam 1.00* oitavas (mais de três e meio quilogramas). Dispunha a copa da Cachoeira ainda em prata de dois colheiros (sic) grandes para sopa e mais dois para arroz de 96 e 90 oitavas num total de 48$000 rs. Quarenta as colheres de sopa, e quarenta e duas as facas; 37 os garfos, 34 as colherinhas de chá, duas as conhas para açúcar, dois oscoadores. Um paliteiro de 32 oitavas e sobretudo um grande tinteiro pesando bem mais de um kilo (376 oitavas) e valendo 112$800 completavam a prata da fazenda.

    Na cozinha havia muito cobre, nada menos de treze tachos, maiores e menores, alguns com mais de arroba avaliados a peso a razão de quinhentos réis por libra de metal.

    Quatro bacias grandes, das quais uma com quasi duas arrobas de cobre, deviam servir provavelmente para a refinação do açúcar, acompanhadas de mais de duas outras, também grandes de arame (?) no valor de quinze mil réis cada uma.

    Trazia o fazendeiro a sua casa bem provida de moveis. Assim na sala de visita figuravam um sofá, seis cadeiras de braços, e dezoito singelas, uma mesa redonda e quatro consolos, todos de mogno sendo que aos cinco últimos recobriam pedras de mármore.

    Avaliaram-se os sofás por 50$, as poltronas por 10$ e as cadeiras simples por 8$. A mesa redonda declarou-se que valia 60$ e os consolos 24$. Havia ainda três cadeiras de balanço a 15$ cada uma.

    Das paredes do salão pendiam quatro espelhos com quadros dourados a 40$ cada um, e do texto um lustre de bronze dourado (250$) com nove mangas de vidro (45$) provavelmente de cristal francês.

    Sobre os consolos havia diversos vasos de porcelana para flores a 8$.

    Na alcova contígua ficava um oratório que com os respectivos parâmetros se avaliou em 500 mil réis e na sala, ao lado do salão, um bilhar (200$), 2 sofás de jacarandá (25$), uma mesa de jogar (10$), além de dez cadeiras de jacarandá e couro a 4$, além de quatro consolos e uma mesa de jacarandá em meio couro valendo esta dez mil réis e aqueles 15$.

    No escritório do fazendeiro havia um secretário (sic) ou escrivaninha (80$), uma mesa de escrever, provavelmente do guarda-livros (40$), além de três mesas pequenas (6$).

    Na sala de jantar dominava o vinhático, na grande mesa central das refeições (40$), os dois guarda-louças a (60$ cada) e quatro aparadores (8$). Não se mencionam as cadeiras do cômodo que deviam ser numerosas pois o Comendador Francisco José Teixeira Leite hospedava sempre, muita gente, amigos e parentes, em transito de Minas Gerais para a Corte e vice-versa.

    E’ o que se deduz do rol do mobiliário dos quartos de dormir da casa grande, onde existiam nada menos de duas camas francesas com cortinado (a 80$ cada uma), dezoito marquesas (a 5$), dois catres grandes com armação (a 15$) e mais seis catres simples (a 5$).

    Dois lavatórios de estado (15$) e três outros de vinhático (3$) aparecem no rol deste mobiliário ao lado de dois armários (16$ e 12) e de um guarda roupa (50$) e quatro cômodas de jacarandá (40$).

    Ainda era costume no tempo, guardar-se roupa em malas e arcas. Além deste item há outro que se reporta a mais 47 cadeiras de jacarandá (a cinco mil réis por peça) espalhadas pelas salas e quartos da família.

    Refere-se também ao inventário a uma mesa grande e engomar (60$) outra menor (2$). Ha omissões relativas à louça e trem de cozinha."

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2020

    Edição texto: Francesca Martinelli (PCTCC/FCRB),

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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