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    Descrição do Palácio de Vila Viçosa,1603

    Descrição do Palácio de Vila Viçosa,1603
    Portugal
    XVII

     

    BN, Reservados, Memórias da Casa de Bragança, Cod. 1544, (fls. 195v – 250v)

    Dom Teodósio II, Duque de Bragança

     

     

    Relação das festas que se fizeram no casamento do Duque de Bragança Dom Teodósio segundo com a senhora Dona Ana de Velasco filha do Condestável de Castela.

    Escrita por Sebastião Lobo Vogado, moço de câmara do Senhor Dom Alexandre.

    1603

     

    (Transcrição paleográfica realizada por Lina Maria Marrafa de Oliveira, no âmbito do Projecto: “A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro, Séculos XVII, XVIII e XIX)

     

     

    (fl. 195v)

    Do sitio dos Paços do Duque, e forma em que estão edificados

    Capitulo 1º

    Os paços do Duque tem dous lanços de cazas em cada lanço tem dois quartos; estão edificados junto a vila, quasi contiguos a ela pela parte do Sul, e a maneira em que eles estão se pode ver nas linhas seguintes.

    O primeiro lanço hé o que corre do Sul ao Norte, e o segundo corre de Poente a Levante. O 1º lanço comesa em A. e acaba em B. O segundo quarto do dito segundo lanço comesa em C. e acaba em D. O (fl. 196) primeiro quarto do 1º lanço comesa em E. e acaba em F. O 2º quarto do 2º(sic.) lanço comesa em G. e acaba em H. A serventia principal destes quartos esta em J. e por ela se podem servir para todos os quartos para huma, e outra parte. Outra serventia tem os dois quartos de Levante a Poente por detras deles na letra L. e por ela vem a antecamara da Senhora Dona Catherina, e esta em M. da qual antecamara se podem servir para todos os quartos. A abertura N. he outra serventia que está por baixo do primeiro lanço, e por ela vão aos jardins que correm ao longo dele, e vão tambem á serventia L.

    Estes Pasos tem diante de sim hum terreiro que de comprido tem cento e noventa paços, e de largo cento, e sincoenta. Tem suas janelas distantes igualmente, e em comrespondencia as das sóteas, que tambem as tem com as do primeiro, e segundo sobrado, e terceiro na parte onde há terceiro sobrado. As portas delas estavão todas pintadas de verde. Tem o primeiro lanço hum jardim, que corre ao longo dos dois quartos dele; e os dois quartos do segundo lanço tem cada hum seu jardim; e cada quarto de ambos os lanços tem seu (fl. 196v) oratorio; afora a capela que está em O.; e isto basta para o entendimento do que ao diante se diser; pelo que não digo mais particularidades.

    Entrou a Senhora Duquesa em o Terreiro do Paço por huma rua, que se faz de duas cercas, huma do Mosteiro de Santo Agostinho; outra do jardim das damas, e no meio desta rua para a parte dos Paços está a porta, que chamao do Nó por onde entrão aos Paços pela serventia L.

    Da armação das cazas

    Capitulo 2º

    Os quartos destas cazas estavao armados de goademecins, excepto o 2º quarto do primeiro lanço, que estava armado de telas, como adiante se dira; e a causa de estarem de goardamecins nesta boda tão celebre; foi por ser costume nesta caza usar de goadamecins pelo Verão.

    Como tambem Sua Magestade os uza nos seus quartos; tirando o da Rainha nossa senhora, que se arma de telas; como tambem se armou o segundo quarto do primeiro lanço em que a senhora Duquesa havia de pousar.

    (fl. 197)

    De como estava armado o primeiro quarto do primeiro lanço

    Capitulo 3º

    O quarto novo, que hé o que corre do Sul pera o Norte, e se acaba na escada da serventia principal destes Paços estava prestes pera o Conde de Haro irmão da senhora Duquesa, e herdeiro da caza do Condestabre de Castela seu pae e pera os mais fidalgos que nesta jornada acompanharão a senhora Duquesa; tratarei dele primeiro; porque posto que foi ultimamente edificado, e ainda agora está imperfeito nos sobrados superiores, e tem alguns dos tectos por pintar; porque o tempo não deo lugar para isso com a concurrencia de outras muitas couzas, que se fizerao; comtudo á vista dos olhos parece este quarto o primeiro, e assim primeiramente tratarei delle e do modo que estava armado.

    A sala, que he a primeira caza que esta a mão direita dos que sobem a ela, estava armada de goadamecins de ouro e verde, com docel de ouro de tela de ouro frizada com alcachofras de prata e com sanefas bordadas da mesma tela sobre veludo verde, (fl. 197v) e goteiras do mesmo com suas franjas, e debaixo huma cadeira de borcado.

    A camara em que o conde de Haro tomava as visitas, estava armada com goadamecins de ouro e de azul, e dossel de tela roxa frizada com alcachofras de oiro e sanefas de veludo roxo e goteiras conforme o pano do docel com suas franjas de ouro, e retros roxo, e debaxo huma cadeira de brocado, e seis cadeiras mais viradas pera a parede, que erão de veludo carmesim com ferragem, e pregos dourados com as armas do Duque nas cabeças, como todas as mais, e com franjas de ouro, e retros carmesim; era o pano do bofete de damasco roxo com franjão de ouro e retros roxo, e guarnecido com hum alguerge de veludo roxo.

    A caza guarda-ropa estava armada de goadamecins de ouro, e verde; docel de brocado com sanefas de veludo carmesim e goteiras de brocado com franjas de ouro e retros carmesim, [1] e a guarda-ropa da roupa cuberta de hum pano de veludo carmesim com dois passamanes de ouro largos.

    (fl. 198)

    Assim mais estava a camara em que dormio o Conde de Haro armada com goadamecins brutescos de arcos de prata, e figuras douradas e docel de tela branca frizada com alcachofras de pratas, e sanefas de veludo roxo, com rendas de ouro e goteiras da mesma tela, com franjas de ouro e retros roxo. Era a cadeira de borcado, e o pano do bofete de veludo roxo guarnecido de tela cham. O leito de estrado com varandas por baixo e por sima todo dourado; o ceo de tela branca frizada com alcachofras de prata e de veludo roxo hum pano de cada hum os entremeios guarnecidos com rendas largas de ouro; as quortinas da cabeceira e, ilharga da parede do mesmo, e as dos pes e ilharga de fora de damasco branco, e roxo, com rendas de ouro pelos entremeios, e o cobertor do mesmo, que o docel.

    A camara de D. Blasco de Aragão, que estava alem desta, se tinha armada de retratos dos Reis, e Rainhas de Portugal, e era o pano do bofete de damasco carmesim guarnecido de veludo carmesim Tinha duas cadeiras de brocado. Os braços do leito estavão com mangas de veludo carmesim, o ceo, e quortinas da cabeceira (fl. 198v) e ilharga da parede erão de seda da Índia lavrada de prata e ouro, e as outras dos pes, e ilharga de fora de damasco branco, e amarelo. A colcha de seda da Índia amarela acolchoada, e as caidas da colcha de veludo carmesim.

    A caza da guarda-ropa de Dom Pedro Girão Inquisidor de Toledo se armou de goadamecins de ouro e carmesim; o pano da guarda-ropa de damasco azul com franjas de ouro, e retros.

    Estava tambem a camara do dito Dom Pedro Girão armada com goadamecins de ouro e azul. A cama era de tela de prata frizada e veludo azul, hum pano de cada hum. As quortinhas dos pes e ilharga de fora de damasco azul com franjao de ouro e retros e tinha o pano do bofete de tela e veludo; como o da cama, e assim duas cadeiras de brocado.

    Estava tambem outra camara pera Dom Alonso de Velasco, armada de goadamecins de ouro e carmesim era a cama toda de damasco branco; e assim o pano do (fl. 199) bufete. Tinha duas cadeiras de veludo da mesma cor com franjas de ouro.

    Outra camara se tinha armado pera Dom Felipe de Navarra com goadamecins de ouro, e preto com meas figuras semeadas por eles. A cama de tela de ouro e as bordaduras de veludo roxo; e assim o pano do bofete conforme a cama, e duas cadeiras de veludo roxo.

    Estava mais outra pera Dom Antonio de Velasco armada de goadamecins de ouro e azul. A cama de tela de ouro frizada. As cortinas dos pes e ilharga de fora de telinha de prata, e veludo verde, e tinha os entremeios guarnecidos com passamanes de ouro. Era o pano do bofete conforme a cama e tinha tres cadeiras de bocado verde.

    Outra camara se tinha armado para o secretario do Conde de Haro, e outro companheiro com goadamecins de ouro e prata. Tinha dois pavilhoes de damasco roxo, e o mais era tudo conforme. Tinha quatro cadeiras de veludo carmesim com cravação dourada, e suas franjas.

    (fl. 199v)

    Tambem estava outra pera o camareiro do Conde, com goadamecins de ouro e carmesim. Tinha hum pavilhão de damasco prateado e tudo o mais do mesmo damasco e assim mais duas cadeiras de veludo carmesim, como as outras atrás ditas.

    Tinha-se tambem pera outro criado do Conde armada huma camara de goadamecins, e ouro verde com hum pavilhão de damasco verde com franjao de ouro, e o catre da India. O cobertor, e pano do bufete conforme o pavilhão, e duas cadeiras de brocado verde com suas franjas de ouro, e retros do mesmo.

    Estavão todas estas camaras armadas, e postas no dito primeiro quarto; a saber as do Conde, e do Inquisidor, e Dom Blasco no 1º sobrado; e as mais no 2º, e com tudo isto ficavão ainda muitas cazas despejadas. Os mais criados do Conde, e fidalgos que vierão acompanhando a senhora Duquesa forão aposentados na vila pelas cazas do criados do Duque, e moradores (fl. 200) dela; cada hum conforme a qualidade de sua pessoa.

    De como estava armado o 2º quarto

    Capitulo 4º

    O segundo quarto, que da escada principal corre pera o Norte no mesmo lanco, que o primeiro de que ate agora tratei: tinha a sala de goadamecins de ouro com as armas do Duque nos cantos; e entrando nela á mão esquerda estava huma copa com hum docel de veludo carmesim, e cuberta com hum pano de damasco carmesim, e nela postas por ordem cento, e sincoenta e tres peças de prata douradas e qui todas mui grandes, e de custoso feitio; entrava nestas pesas huma abada, quatro tenores muito grandes, picheis de diversas formas, muitos saleiros, pratos de agoa-as-mãos, gomis, e outros vasos de diferentes formas.

    Logo adiante na parede contigua a esta da mesma parte esquerda estava outra copa com hum docel de veludo carmesim, e cuberta com (fl. 200v) hum pano de cetim, em que estavão quarenta e sinco pesas de prata; algumas das quais todas douradas, e outras parte delas; e assim mais estavão noventa, e huma pesas de prata branca; e ao pé da dita copa, duas bacias muito grandes huma maior que outra, e huma caldeira com sua aza, dois caldeirois hum escalfador, e duas tocheiras. A qual prata destas copas ambas, não era de serviço; nem se servem nunca dela; mais que pera ornato, e assim fica de fora toda a mais de que se serve a caza do Duque assim na sua meza como na guarda-roupa, copa, capela, e hospedes, pera as quais tambem a caza tem serviços de prata.

    Na parede fronteira a porta da sala, estava hum docel requissimo, todo bordado de ouro e prata sobre veludo carmesim, com as sanefas, e goteiras bordadas de diferente maneira, e com as armas da caza de tal modo lavradas, que quasi ocupavão todo o campo do docel.

    (fl. 201)

    Por baixo estava hum estrado mui grande alcatifado, e nele a meza de que ao diante farei mais expressa menção, quando tratar dos banquetes, que nele se derao. Esta caza, que he a sala principal estava alumiada á noite com duas tochas, em duas tocheiras grandes de prata.

    A antecamara da senhora Duquesa, que se segue a esta sala se tinha armado com panos de tela de ouro, e de tela frizada com alcachofras de prata, e seu franjão em roda, com franjas de ouro, e retros carmesim. Nela estava armado hum docel de tela de ouro avelutada de carmesim com alcachofras de ouro e prata, e com sanefas e goteiras bordadas de tela sobre tela de ouro. Estavão tambem nesta antecamara todas as cadeiras, que nela cabião, viradas pra a parede; as quais erão de veludo carmesim com ferragem, e cravasão dourada, e suas franjas de ouro, e retros. Para se alumiar esta antecamara, se punha nela huma tocha em huma tocheira de prata.

    (fl. 201v)

    A caza da guarda-roupa do Duque, que fica á mão esquerda, dos que entrão na antecamara pera a parte dos jardins, e tem a janela sobre eles, estava armada de panos de seda de ouro, e veludo carmesim hum pano de cada hum (porque ficava no no quarto da senhora Duquesa) tinha hum docel de cetim encarnado com tela de ouro guarnecido, e a guarda-roupa cuberta com hum pano conforme ao docel.

    A camara da senhora Duquesa estava de panos de tela carmesim, e de tela de ouro frizada com alcachofras de ouro, e prata. Tinha hum docel de tela de ouro com as armas no meio bordadas, e todo o mais campo de ouro, e preta de relevo mui alto e com sanefas tambem bordadas e retocadas.

    Nesta camara estavão somente duas cadeiras debaixo do docel, todas bordadas do mesmo feitio dele; e ao longo do docel, corria hum estrado mui grande, ricamente alcatifado; no qual do docel para alem, estava armado hum leito que tinha os braços com mangas bordadas, e retocadas conforme (fl. 202) ás sanefas do docel, e da mesma maneira era o rodope do leito; tinha as macanetas tecidas de fio de ouro e prata; e o céo do leito, cobertor e quortinas da cabeceira e ilharga da parede, conforme tudo ao docel; as dos pes, e ilharga de fora erão de tela ligeira amarela com flores de prata de verde, e encarnado, forradas de cetim emcarnado lavrado de ouro, e prata. Os lamares das quortinhas tinha de fio de ouro, e prata; e o pano do bofete da tela do docel com as bordaduras da mesma maneira. No resto do estrado, que ficava despejado da cama, estavão quatro almofadas, todas bordadas da maneira, que o erão as mais peças desta camara. Estava mais nela huma cadeira raza de veludo carmesim com hum castiçal grande de prata, e nele hum brandão de cera branca, que he o que ordinariamente se asende cada noite.

    A caza da guarda-roupa da senhora Duquesa que está adiante da sua camara, se armou de panos de tela de ouro, e damasco carmesim, e a goarda-roupa com hum docel de cetim carmesim, guarnecido com faxas de tela e cuberta com hum pano irmão do docel.

    (fl. 202v)

    A camara em que a senhora Duquesa se recolhe pera se toucar, que está a mão esquerda da sua guarda-roupa, e tem a janela sobre os jardins, estava com panos de tela de ouro e damasco carmesim, conformes ao da sua goarda-roupa, e desta camara entrão em o oratorio deste quarto, muito devoto e bem ornado.

    Desta guarda-roupa da senhora Duquesa se segue em ordem á antecamara de Sua Alteza, e vão a ela, querendo ir por este quarto; e porque pertence já a outro, tratarei dela no capitulo seguinte.

    Do terceiro quarto, que he o que fica pera Levante, e de como estava armado

    Capitulo 5º

    A sala, antecamara, e camara de Sua Alteza, estavão todas armadas com goadamecins azuis, e na antecamara estavão des cadeiras viradas para a parede, todas de couro negro, com ferragem e cravasão envernizada.

    Tambem estavão na camara quatro almofadas de couro azul, sobre huma esteira ao longo da cama, a qual estava cuberta com hum lançol branco.

    (fl. 203)

    Do ultimo quarto, que he o que fica ao Poente

    Capitulo 6º

    A sala dos senhores Dom Duarte, Alexandre e Felipe, que serve a todos os tres e esta no quarto que se começa na entecamara de Sua Alteza, que corre pera o Poente; estava armada com panos de veludo roxo, e tela branca hum pano de cada hum com sanefas de tela amarela retozada.

    Tinha o docel de tela frizada de ouro com alcachofras de ouro, e sanefas e goteiras bordadas de ouro, e retocadas sobre veludo carmesim, e debaixo huma cadeira de brocado.

    Alem desta estavão mais tres; a saber huma de tela amarela, e duas de tela carmesim. Estavão assim mais nesta sala, quinse de veludo carmesim, com cravação, e ferragem dourada, viradas para a parede; e o pano do bofete era conforme ao docel.

    A antecamara, guarda-roupa, e camara destes senhores, que tambem são comuns a todos tres (porque sempre costumarão dormir todos na mesma camara) tinhão seus doceis, e estavão armadas ricamente, como era bem estivesem estes senhores, que por não me alargar não especifico o modo com que estavão (fl. 203v) adornadas; e asim concluo com a armação das cazas; advertindo, que todas as armações delas, asim de tela, como as de goadamecins, tinhão suas sobrejanelas onde as avia, e estavão as armações feitas á medida da caza em que cada huma delas havia avia de servir.

    Dos arcos, e terreiro do Paço

    Capitulo 7º

    Todas as paredes do terreiro do Paço estavão renovadas, e mui alvas, e por toda a parede do Jardim das Damas, que corre por huma ilharga do dito terreiro estavão muitas velas acezas á noite que chegou a senhora Duquesa, e no campanário do Mosteiro de Santo Agostinho, que cae sobre o terreiro havia assim muitas luminárias afora as que estavão no castelo, e nos edifícios altos da vila, que erão infinitas; e na boca da rua que no capitilo 1º disse, se fazia da cerca do Mosteiro de Santo Agostinho, e da cerca do Jardim se fes hum arco triunfal, o qual por ser feito em nome da vila, que se chama Viçosa se armou da maneira seguinte.

    (…)

    [Descrição das armações efémeras erguidas no exterior do Palácio: arcos triunfais e frontispícios com heráldica, panejamentos, luminárias, ramos floridos e figuras com dísticos]

    (fl. 205 – fl. 213v: Cap. 8º – Cap. 12)

    [Librés e vestidos que D. Catarina, o Duque e seus irmãos deram às damas, moças e moços de câmara e de guarda-roupa, porteiros, reposteiros, fidalgos e moços fidalgos, músicos, arautos passavantes, charameleiros, estribeiros, cocheiros, moços dos coches, homens da guarda, cozinheiros, moços de cozinha, liteireiros, moço e negro da liteira, besteiros, caçadores de cavalo, chocarreiro, moço das chaves da guarda-roupa, capelães, moços da capela, porteiros da cana, trombetas, negros dos atabales, moços da estribeira, armeiro, vedor, camareiro, mestre-sala, escrivão da cozinha, pajens da sala e da câmara, moços do retrete, lacaios, “varredeiros”]

    (fl. 213v: Cap. 13)

    [Librés e vestidos que o Bispo de Viseu e D. Constantino deram aos capelães, criados e pajens]

    (fl. 213v – fl. 214: Cap. 14)

    [Vestidos dos fidalgos e criados do Duque e librés dos pajens e homens de esporas]

    (fl. 214)

    Da partida do Duque de Vila Viçosa para Beja

    Capitulo 15º

    Domingo quinze do mes de Junho do dito ano (fl. 214v) de mil e seiscentos e tres, ás quatro da tarde, estando já o Duque certificado por correos, que alcansavão huns áos outros, que a senhora Duquesa vinha dormir ó mesmo dia á cidade de Badajos, se partio de Vila Viçoza, e a senhora Dona Catherina veio com ele de sua camara ate á porta da camara do Duque que vai pera a antecamara, e ahi lhe beijou o Duque a mão, e acompanhado dos senhores Duarte, Alexandre e Felipe seus irmãos, e do senhor Dom Constantino seu tio, se foi meter no coche, que estava prestes ao pé da escada e, com ele os ditos senhores.

    (…)

    [relato da viajem]

    (fl. 215v - fl. 219: Cap. 16)

    [Encontro do Duque com a Duquesa junto da ponte do rio Caia e ratificação do matrimónio e banquete na Quinta de Obeda]

    (fl. 219 – fl. 219v: Cap. 17)

    [Viajem dos Duques da Quinta de Obeda para Borba]

    (fl. 219v – fl. 220v: Cap. 18)

    [Recebimento dos Duques]

    (fl. 220v – fl. 222: Cap. 19)

    [Entrada dos Duques em Vila Viçosa]

    (…)

    A senhora Dona Catherina vendo o coche do Duque no meo do terreiro, começou a se abalar da camara, (…) e foi até á sala quatro ou sinco passos antes de chegar á porta dela; e a este tempo vinha já a duquesa subindo as escadas (…), e com isso forão andando (…) (fl. 222) chegando a camara, se puseram a senhora Dona Catherina e a Duquesa em pé sobre o estrado, na borda dele, (…) e (…) se sahio o Duque com os senhores, e fidalgos para a sala, onde estava a meza posta pera cearem-

    Da çea

    Capitulo 20

    Estava a meza posta sobre hum estrado muito grande, alcatifado capás de todas as pessoas que a ela se havião de assentar e dos ministros que haviao de servir. Estava posta ao comprido ao longo do docel, e da parte dele estavão sinco cadeiras de veludo carmesim, e huma de tela toda bordada; a qual estava no segundo lugar da mão esquerda. No primeiro lugar da mão esquerda se assentou o conde de Haro. No segundo o Duque (fl. 222v) No terceiro o senhor Dom Duarte. No quarto o senhor Alexandre. No quinto o senhor Dom Felipe. No sesto o Bispo de Viseu. Nos topos da meza se assentarão o senhor Dom Constantino Dom Pedro Girão Dom Nolasco de aragão, Dom Antonio de Valasco, Dom Felipe de Navarra Dom Afonso de Velasco; Dom Fernando de Almeida.

    Assentados estes senhores veio agua-as-maos com as ceremonias costumadas na Caza de Bragança, quando comem em publico, e estas normas se fazem todas as vezes que se trazem iguarias, ou se dá de beber ao Duque que são as seguintes. Vem dous porteiros diante que são da cana, e ambos fasem reverençia ao Duque do pé do estrado, e após eles vem dous porteiros da mesa com as massas de prata e armas do Duque penduradas do pescoso como como atras fica dito. Depois vem os dous araute, e passavante com suas cotas de armas, e assim como chegão fazem reverencia ao Duque e se afastão dando lugar aos que os seguem e depois vai o vedor com sua cana na mão (fl. 223) e sobe ao estrado junto da meza, e faz reverencia ao Duque muito baixa. Ultimamente vai o mantieiro com prato e jarro, o qual o dá ao trinchante para dar agoa-as-maos ao Duque e senhores. E depois vem logo os mosos da camara com outros pratos, e jarros pera eles mesmos darem agoa-as-maos aos convidados. Mas sempre o Duque convidou o Conde de Haro com o seu prato, e assim ambos se lavavam juntamente. Este he o modo como tenho dito, que se tem no dar de agua-as-maos, e beber quendo se come em publico. E tornando ao intento cearão estes senhores com esta solemnidade, e as mais das veses comerão com ela emquanto o Conde de Haro não foi pera Castela tangendo-se ordinariamente entre o comer as charamelas, e trombetas; a que acodião as danças, e folias, e pelas a fazerem seus oficios, emquanto durava o banquete.

    Estavão a esta meza em ordem homens da guarda com suas alabardas desd’a copa até junto da meza, da huma e oura parte, afastando a gente e fazendo lugar aos ministros da meza.

    Tenho por escusado tratar da meza quam (fl. 223) explendida era, e abundante de todo o género de iguarias (…) Acabado ele se despedio o Duque do Conde de Haro em se decendo da meza, e se recolheo pera onde estava a senhora Dona Catherina e a Duquesa. E o Conde de Haro pera o quarto, aonde estava aposentado; indo até la com ele os senhores irmaos do Duque, e os mais fidalgos, que com ele vierão de Castela.

    (…)

    (fl. 223v – fl. 225: Capitulo 21)

    [Librés que o Conde Haro deu aos seus criados]

    (fl. 225 – fl. 226: Capitulo 226)

    [Vestidos do Conde de Haro]

    (fl. 226 – fl. 227: Capitulo 23)

    [Vestidos dos Duques]

    (fl. 227 – fl. 227v: Capitulo 24)

    [Festas: fogo-de-artifício no terreiro, artilharia no castelo, corrida de touros]

    (fl. 227v – fl. 228: Capitulo 25)

    [Visita à Tapada, acrobacias no terreiro, máscaras, corrida à carreira, jogos e escaramuças com tochas acesas]

    (fl. 228v – fl.: Capitulo 26)

    [Partida do Conde de Haro para Castela, corrida de touros, fogo-de-artifício]

    Ao Domingo, comeo o Duque em publico com a senhora Dona Catherina (fl. 230) e com a Duquesa, e senhores somente, e com as solemnidades, e ceremonias atrás ditas.

    Estavão seis cadeiras, huma negra no meio, e junto dela, outra de tela toda bordada, e as mais de veludo carmesim, e todas estavão da parte do docel. A terceira era e de tela e a quarta a negra. Na primeira da mão esquerda se assentou o senhor Dom Duarte. Na segunda o Duque. Na terceira a Duquesa. Na quarta a senhora Dona Catherina. Na quinta o senhor Dom Alexandre. E na seista o senhor Felipe.

    Estavão a esta meza os mosos fidalgos de joelhos, como he costume, e as damas em pé fora do estrado em que a meza estava; e os fidalgos galanteando com elas; principalmente Rui de Sousa com Dona Francisca de Noronha, e quando a senhora Dona Catherina, ou a Duquesa havião de beber, hia huma destas damas dar-lhe água. No principio da meza sobio a ela o Deão acompanhado de dois capelães a benze-la, e assim o fes no cabo ao dar das graças e tudo o mais se fes como já fica dito; e se costuma fazer quando o Duque come em publico.

    (…)

    [passeio a cavalo à vila, corridas à carreira e escaramuças no terreiro]

    (fl. 231 – fl. 232: Capitulo 27)

    [Interrupção das festas em virtude do falecimento de Dona Vicência, freira professa no Mosteiro das Chagas, filha do Duque D. Jaime e da Duquesa D. Joana]

    (fl. 232)

    Das festas que se tornarão

    a continuar

    Capitulo 28

    (…)

    Estava o Duque neste tempo sentado na sala grande, com a senhora Dona Catherina, e a Senhora Duquesa, e o senhor Dom Alexandre, e o senhor Dom Felipe. E a parte direita da sala em alcatifas, que estavão ao pé do estrado, se assentarão muitas damas, e donas.

    (…)

    [Discurso de uma dama mourisca, danças de “matachins”]

    (fl. 236 – fl. 237v: Capitulo 29)

    [D. Duarte e D. Filipe fixam no terreiro um quartel de desafio de combate em defesa da causa da dama mourisca]

    (fl. 237v – fl. 239v: Cap. 30)

    [Jogo de canas no terreiro, corrida de touros, mascaradas, jogos de carreira e laranjadas]

    (fl. 240 – fl. 240v: Cap. 31)

    [Preparativos para o torneio, para o qual se ergueram tendas, paliçadas, grades e palanques no terreiro]

    (fl. 241 – fl. 250v: Cap. 32)

    [Auto dos juízes e adjuntos do torneio, vestimentas dos participantes, ordem dos combates, publicação e distribuição dos prémios, final das festas]

     

    [1] Ms. repete: “e goteiras de brocado com franjas de ouro e retros carmesim”.

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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