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    Palácio Grão-Pará

    Palácio Grão-Pará
    Brazil
    XIX

    Autor/ Mestre/ Construtor

    Projeto desenvolvido entre 1858 e 1859, pelo arquiteto da Casa Imperial, Theodor H. Marx

     

     

    Apresentação

    Estudo de caso de transformação do uso hoteleiro para o residencial.

    O edifício abrigou originalmente o Quartel dos Semanários ou Casa dos Semanários, que funcionava como alojamento para os funcionários do Palácio Imperial. No século XX,  se tornou residência de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, filho primogênito da Princesa Isabel, passando a ser conhecido como Palácio Grão-Pará. Neste período, o imóvel sofreu diversas modificações arquitetônicas.

     

     

    Enquadramento urbano e paisagístico

    O Palácio Grão Pará está situado na área central de Petrópolis, cidade planejada e construída a partir de decreto imperial de 1843. O edifício foi implantado nos fundos do Palácio Imperial, na confluência das Ruas Epitácio Pessoa e Dr. Joaquim Moreira. No espaço central entre as duas construções, foi traçada uma extensa área ajardinada, projetada pelo botânico e paisagista francês Jean Baptiste Binot.

        

     

     

    Morfologia e composição

    A edificação era composta originalmente por um único corpo, retangular e assobradado, distribuído em dois pavimentos. Para suprir as novas demandas  que surgiram com a implantação do uso residencial, foi acrescentado um bloco assobradado na lateral esquerda da casa, colado à construção primitiva. O conjunto é marcado pela horizontalidade, ressaltada pela extensa platibanda que percorre todo o perímetro da construção, ocultando o telhado, além dos frisos e cornijas horizontais que arrematam e segmentam os pavimentos.

      

     

     

    Fachada Principal

    A fachada frontal apresenta composição simétrica e pavimentos delimitados por frisos e cornijas. O térreo do corpo primitivo conta com duas portas e dez óculos retangulares encimados por elementos decorativos. A porta de acesso social é demarcada por duas colunas, que são arrematadas por um frontão triangular. No pavimento superior estão dispostas doze janelas com verga em arco pleno, seguindo o alinhamento dos vãos inferiores.

    O corpo lateral possui pavimento inferior com três vãos em arco pleno vazado, alinhados a três vãos também em arco pleno, situados no pavimento superior, sendo apenas dois deles vazados. O plano é coroado por platibanda, que percorre toda a extensão da fachada principal.

       

     

     

    Fachadas secundárias

    O térreo da fachada lateral direita é composto por três vãos com janelas de guilhotina e gradis de ferro, encimadas por elementos decorativos.  No pavimento superior, estão dispostos três vãos com janelas com verga em arco pleno, alinhadas aos vãos inferiores. Assim como na fachada principal, o plano é coroado por platibanda.

     

     

    Programa interior

    A edificação primitiva, projetada por Theodor H. Marx, possuía uma planta retangular, entretanto, foram realizados acréscimos no século XX, quando foi incorporado um corpo lateral, à esquerda da edificação preexistente. No pavimento térreo deste anexo foi construída a cozinha (16), a garagem (19) e uma passagem coberta (17). Já no pavimento superior, foram adicionados alguns quartos (40, 42, 44 e 45), banheiros (36, 37 e 38) e varandas cobertas (41 e 39). Nos fundos, foi introduzido um salão (4) e uma varanda (5), encimados por um amplo terraço, situado no pavimento superior.

    O corpo principal da casa apresenta uma clara divisão em três eixos horizontais. No eixo central estão dispostos a escada principal (2), que interliga os pavimentos, e os corredores ( 8 e 35), por onde se distribuem os demais compartimentos.  A entrada principal ficava originalmente de frente para a suntuosa escada helicoidal (2), ainda existente, entretanto, esse acesso foi fechado durante a transformação em Palácio Grão- Pará, dando lugar a uma janela. Hoje em dia, o acesso social é realizado pela fachada principal, defronte para a Rua Epitácio Pessoa, através da porta demarcada por frontão triangular. No pavimento térreo da edificação primitiva estão dispostos, atualmente, o saguão de entrada (1), os halls das escadas (2 e 15), o escritório (7), a sala de jantar (8), a sala de visitas (3) e o quarto dos empregados (14). Enquanto isso, a parte íntima se situa no pavimento superior, onde estão dispostos 8 quartos (21, 22, 23, 26, 28,30, 32 e 33), dois banheiros (24 e 29), dois vestiários (25 e 27), além de uma sala (31).

       

     

     

    Cronologia

    1830 – D. Pedro I compra a fazenda do Córrego Seco, com o objetivo de ali construir o Palácio da Concórdia (LACOMBE, 2007).

    1843 – D. Pedro II assina um decreto para a criação de Petrópolis (LACOMBE, 2007).

    1845 a 1862 – Período de construção do prédio neoclássico, onde atualmente funciona o Museu Imperial.

    1850 – Inicia-se o planejamento e execução dos jardins pelo paisagista Jean-Baptiste Binot (LACOMBE, 2007).

    1858- Inicia-se o projeto para transformação da residência imperial de Petrópolis, no qual são idealizadas edificações de apoio. O projeto é de autoria do arquiteto da Casa Imperial: Theodor H. Marx

    1859-1861 - Período de construção da Casa dos Semanários, segundo notícia dos relatórios do Superintendente para o Mordomo da Casa Imperial (AULER, 1952).

    1862-  As obras do complexo são suspensas em 16 de dezembro, através de uma portaria, devido à falta de recursos financeiros (AULER, 1952).

    1890- Com o advento da República, a edificação passa a funcionar como Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (IPHAN).

    1925- Com a revogação do banimento da Família Imperial, o antigo Quartel dos Semanários se torna residência de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, filho primogênito da Princesa Isabel, conhecido como Príncipe do Grão-Pará. Em virtude disso, a edificação passa a ser chamada de Palácio Grão-Pará.

    1938 - O IPHAN decreta o tombamento do atual Palácio Grão-Pará.

    2023-  A edificação permanece na posse dos herdeiros da Família Imperial. O príncipe Pedro Carlos Bragança é o atual proprietário.

     

     

     

    Documentação

    Projeto original da Casa dos Semanários (Atual Palácio Grão-Pará)

    Enumeração das madeiras usadas na construção da Casa dos Semanários

    Transcrição do pedido de mobiliário para a Casa dos Semanários, realizado em 25 de outubro de 1861.

     

    Fotografia mostrando a Casa dos Semanários, recém construída. Em primeiro plano, observa-se o Bosque do Imperador, 1862. Coleção: José Kopke Froés. Fotógrafo: Anônimo. 

    http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/7008

     

    Impresso reproduzindo uma aquarela, onde se vê a fachada principal da antiga Casa dos Semanários, após modificações e acréscimos para abrigar o Palácio Grão-Pará. Observa-se a introdução de um pórtico com frontão triangular no corpo primitivo da construção e a inserção de um corpo lateral, s/data. Coleção: José Kopke Froés.

    http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/5251

     

    Vista do Palácio Grão-Pará,  a partir da  esquina da Rua Epitácio Pessoa com a Avenida Dom Pedro I, s/data. Coleção: José Kopke Froés. Fotógrafo: Stefan.

    http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/6600

     

     

    Fotografia mostrando a movimentação em frente ao Palácio Grão-Pará, no dia do enterro do príncipe do Grão-Pará, 1940.  Coleção: José Kopke Froés. Fotógrafo: Anônimo. 

    http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/6780

     

     

    Impresso mostrando parte da fachada do palácio Grão-Pará, na época em que era residência de verão do embaixador dos Estados Unidos, s/data. Coleção: José Kopke Froés. Fotógrafo: Anônimo. 

    http://dami.museuimperial.museus.gov.br/handle/acervo/4882

     

    Exterior e interiores do Palácio Grão-Pará, 1954. (Arquivo Central do IPHAN/RJ. Série Inventário. Petrópolis, RJ. Palácio Grão-Pará. I.RJ-0287.01)

              

     

    Plantas do Palácio Grão- Pará, em 1943. (Arquivo Central do IPHAN/RJ. Série Inventário. Petrópolis, RJ. Palácio Grão-Pará. I.RJ-0287.01)

     

     

     

    Bibliografia

    AGUIAR, Jaqueline Vieira de. Princesas Isabel e Leopoldina: Mulheres Educadas para Governar. Curitiba: Annris, 2015.

    Arquivo Central do IPHAN/RJ. Série Inventário. Palácio Grão-Pará. Petrópolis: IPHAN, s/data.

    AULER, Guilherme. A construção do Palácio de Petrópolis. Petrópolis: Vozes de Petrópolis, 1952.

    AULER, Guilherme. A princesa e Petrópolis. Petrópolis: Vozes de Petrópolis, 1953.

    LACOMBE, Luiz Lourenço. Biografia de um Palácio. Petrópolis: Museu Imperial, 2007.

    PESSOA, Ana; SANTOS, Ana Lúcia Vieira dos. Th. Marx, um arquiteto na corte de D. Pedro II. 3º Anais do Congresso Internacional de História da Construção Luso-Brasileira. 3 a 6 setembro 2019, Salvador.

    Portal Ipatrimônio. Disponível em: < https://www.ipatrimonio.org/petropolis-palacio-grao-para/#!/map=38329&loc=-23.536094368220105,-406.63275718688965,14 >. Acesso em 21 junho 2023.

     

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2023.

    Pesquisa, texto e edição: Clara Albani Rezende (PCTCC/FCRB), 2023.

    Fotos: Igor Holderbaum.

     

     

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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