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    Palacete de Antonio Jannuzzi - Petrópolis

    Palacete de Antonio Jannuzzi - Petrópolis
    Brazil
    XIX

    Autor/ Mestre / Construtor

    Antonio Jannuzzi (arquiteto)

     

    Enquadramento Urbano e Paisagístico

    A casa está implantada sobre uma elevação na rua Visconde de Itaboraí, nº 188, no bairro Valparaíso na cidade de Petrópolis. Foi construída sob os prazos de terra 142-2, 1423-5, 1423-6, 1423-21 do quarteirão Rhenania Inferior. 

    O terreno onde o palacete foi construído é marcado pela diferença de nível em relação a rua, proporcionando ao edifício uma posição de destaque na paisagem. A casa foi construída afastada da testada do lote e está voltada para sudeste. O acesso ao terreno se dá por portão de ferro que leva ao caminho que conduz até a fachada principal da edificação.

     

     

    Morfologia e Composição

    A casa é formada por dois volumes retangulares anexados, sendo um volume principal de maiores dimensões e outro volume menor aos fundos. Com dois pavimentos, a casa foi construída no nível do solo e possui dois acessos pelas fachadas laterais. Possui telhado coberto por telhas cerâmicas arrematado por beiral em cachorrada.

     

     

    Fachada Principal 

    A fachada principal é caracterizada pela simetria dos vãos e pelo avarandado qual onde se chega pela escada de acesso ao pavimento nobre. Se distribuem diversos frisos e elementos decorativos ao longo da elevação, com destaque para as colunas e pilastras com capitel na ordem clássica coríntia.

     

     

    Fachadas Secundárias

    A fachada lateral direita apresenta cinco vãos em cada pavimento e apresenta a mesma ornamentação presente na fachada principal. A fachada lateral esquerda apresenta um anexo retangular inserido nas intervenções posteriores, caracterizado no pavimento superior por uma cobertura metálica transparente.

    Pormenores

    A escada que dá o acesso principal a casa possui elementos decorativos em pedra. A varanda à qual se chega através dessa escada é marcada pelo guarda corpo em balaustrada e pela presença das colunas com capitel na ordem clássica corintia. O piso desta varanda é composto por ladrilho hidráulico.

     

     

    Bibliografia

    Casa de Oswaldo Cruz. Palácio Itaboraí. Disponível em: <http://www.coc.fiocruz.br/index.php/pt/palacio-itaborai.html>. Acesso 15 ago 2023.

    FRAGUAS, Alessandra B. F. Martha Watts e o Colégio Americano: uma educadora pioneira em Petrópolis (Parte II). Disponível em: <http://ihp.org.br/?p=6950>. Acesso 15 ago 2023.

    OLIVEIRA, Benedito T. (Coord.); COSTA, Renato G. R.; PESSOA, Alexandre J. S. Um Lugar para a Ciência: a formação do campus de Manguinhos. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003.

     

     

    Cronologia e Proprietários

    1892 – Jannuzzi compra o terreno e constrói o Palacete. 

    1894 – Jannuzzi vende o Palacete para a Congregação Metodista Americana que instala o Colégio Americano, funcionando como internato e externato.

    1923 – O Colégio Americano foi transferido para o Rio de Janeiro e o Palacete permaneceu como propriedade da Associação da Igreja Metodista. Sendo em seguida instalado o Instituto Lafayette. 

    1935 - Por quatro anos a casa foi sede da Universidade de Petrópolis - seção Faculdade de Direito Plínio Leite. 

    1938 – O Palacete passa a ser residência de verão dos interventores do Estado, após ser desapropriado pelo Governo do Estado, durante o governo de Amaral Peixoto. Neste período a casa passou por grandes reformas alterando apenas o aspecto interior. É também nesse ano que a casa passa a ser chamada de Palácio Itaboraí, homenagem a Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí. 

    1944 – O Governo do Estado adquire edificações e terrenos próximos e incorpora ao Palacete.

    1969 – O edifício passa por intervenções que acrescenta uma ala de serviço.

    1982 – O Palacete é tombado pelo IPHAN (Processo IPHAN n.º 662-T-62, v.I-A, p. 189 e 197).

    1988 - A casa encontrava-se em estado precário de conservação com portas e janelas quebradas, paredes descascadas e com falta de telhas na cobertura. Neste período o espaço era ocupado pelo Centro Regional de Educação e Cultura (CREC), que era responsável pela manutenção do edifício, pela Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana (Fundrem) e Casa do Fazer.

    1998 – O Palacete, que neste momento abrigava a Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), Coordenadoria Regional da Região Serrana II, Centro de Estudos Supletivos de Petrópolis e a Fundação Leão XIII, é cedido à Fundação Oswaldo Cruz.

    2008 – O Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz desenvolve o projeto de restauração para a residência. As obras foram financiadas pela Petrobras e concluídas em 2011.

    2011 – Com a conclusão das obras de restauração, o Palacete Jannuzzi passa a abrigar o Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde, que permanece até o momento atual.

     

    Antonio Jannuzzi, foi um projetista e construtor italiano que teve vasta atividade profissional na Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Nasceu em 1854 em Fuscaldo, na Calábria, Itália. Em 1872 emigrou de para Montevidéu, Uruguai, onde permaneceu por pouco tempo. Chegou ao Rio de Janeiro em 1874 e no ano seguinte fundou a firma Antonio Jannuzzi, Irmão & Cia., junto com seus irmãos. A atuação de Jannuzzi se concentrava nas cidades do Rio de Janeiro, Petrópolis e em Valença, onde teve grande influência na cidade contribuindo com a municipalidade e a sociedade com ações filantrópicas, como a reforma e doação de diversas edificações. A  Companhia da família, que teve o nome alterado em 1907 para Antonio Jannuzzi, Filhos & Cia., foi responsável pela atuação em Valença nas primeiras décadas do século XX. Jannuzzi faleceu em 23 de junho de 1949, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

     

     

    Documentação

    Projeto de Antonio Jannuzzi para a residência de verão na cidade de Petrópolis. Acervo: Câmara Municipal de Petrópolis Fonte: OLIVEIRA, Benedito T. (Coord.); COSTA, Renato G. R.; PESSOA, Alexandre J. S. Um Lugar para a Ciência: a formação do campus de Manguinhos. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003.

    Compra e venda da casa pelo Governo do Estado em 1939. Acervo Iphan - anexado ao processo nº E-12/3.160/81. 

    “Certifico que as fls. 274 do livro 3-Q, do Registro a meu cargo, foi transcripto hoje, sob nº 5345, o immovel sito a rua Visconde de Itaborahy nº 188, antiga rua Móra nesta cidade, objecto da escriptura de compra e venda lavrada em 31 de dezembro de 1938, nas notas do tabelião Ananias Pimentel de Araujo, do 3º officio de Nictheroy, Estado do Rio de Janeiro, pelo valor de cento e vinte e cinco contos de réis, Rs. 125:000$000 - sendo adquirente o ESTADO DO RIO DE JANEIRO representado pelo Dr. Elisio da Silva Pinehiro, Procurador da Fazenda e transmittentes a Associaçã da Igreja Metodista com sede no Rio de Janeiro, que se denominava Associação da Igreja Metodista Episcopal do Sul do Brasil. O citado immovel tem os seguintes caracteristicos e confrontações: - Terreno com forma irregular cujos lados tem respectivamente pela Visconde de Itaborahy 79m,27, pela esquina da rua Visconde de Itaborahy com a rua Ernesto Paixão 3m,00, pela rua Ernesto Paixão 95m,13, pelo terreno de propriedade de Luiz Carvalho 88m,70, pelo terreno de - Eugenio Arnoldo 74m,40, pelo terreno de propriedade de Maria Gualder de Oliveira 43m,45 e finalmente pelo terreno de Nagib Gabriel Ecanchar - 24m,24; o terreno occupa uma area de 10.847m²,20 e, bem assim, o predio nelle edificado de dois pavimentos construido de paredes de alvenaria de tijolo, coberto com telhas planas typo francez, occupa uma area de 516m²,50 é dividido em 38 compartimentos sendo 15 no primeiro e vinte e tres no segundo, em bom estado de conservação; o predio de um pavimento é construído com paredes de alvenaria de tijollos, coberto com telhas planas, typo francez, occupa uma area de 75m²,79, e divide-se em 7 compartimentos que annexa ao predio existe uma coberta de zinco de 9m²,20, em máo estado de conservação, o alpendre está construido em pilastra de alvenaria de tijolo, coberto com telhas planas typo francez, occupa uma area de 61m², 68, tudo de accordo com as plantas levantadas pela directoria do dominio do Estado em 3 vias que assignadas pelas partes contractantes, que ficam fazendo parte integrante do titulo, o terreno é foreiro à Cia. Immobiliaria de Petropolis. Certifico mais, que a presente compra está isenta do pagamento de imposto de transmissao inter-vivos por ser interessado o Estado do Rio de Janeiro.”

     

    Trecho de notícia do Jornal do Brasil de 21 de fev. 1987. Palácio espera verão do governador

    “[...] O primeiro andar se divide em várias salas e é todo acarpetado em cinza - com exceção do hall de entrada, que é de tabua corrida, o que é raro se ver hoje em dia em imóveis novos. Tanto no primeiro quanto no segundo andar, os cômodos são surpreendentemente pequenos, a começar pelo quarto que cabia ao governador e foi transformado em um escritório com máquina elétrica e tudo. As salas do primeiro andar sao decoradas com uma sequencia de quadros da dança dos anjos em cores cinzentas, que nao trazem o nome do autor. É nos suntuosos lustres de cristal e bronze, nas compridas mesas de madeira-de-lei e nas elegantes penteadeiras de mármore-de-carrara que se podem encontrar os vestígios da nobreza de um lugar onde funcionou por muitos anos o Colégio Bennett. [...] No segundo andar ficam os quartos, a cozinha e a sala de jantar. O antigo quarto de hóspedes está ocupado por mais de dez carteiras de aula e entulhado de livros didaticos. ‘Os banheiros são o máximo da cafonice’, avisa a gerente-geral do Crec. Num deles a caixa de descarga roxa se mistura com o verde e o rosa da pia e dos ladrilhos. No banheiro do governador, o ladrilho preto do box convive com as torneiras douradas. Ao lado do box, há um pequeno armário envidraçado onde se esconde um cofre. A banheira cor-de-rosa está coberta por colchões Anatom. E nao há lampadas. Os moveis da cozinha, toda branza, foram elvados pelos funcionários do Crec. Na sala de jantar, a mesa oval desdobravel e as cadeiras com fios dourados estao cobertas por um lençol.[...]”. 

     

     

    Programa interior

    A planta da casa apresenta três volumes retangulares. O volume de maior dimensão corresponde ao setor por onde as alas social e íntima da casa se distribuiam. O segundo volume retangular abrigava a área de serviço que atendia a casa. Por fim, o terceiro volume foi anexado em intervenção posterior e onde hoje encontra-se a cobertura metálica.

     

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2023

    Pesquisa e edição: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Fotografias: COC/FIOCRUZ

     

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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