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    Palacete Visconde do Rio Preto

    Palacete Visconde do Rio Preto
    Brazil
    XIX

    Enquadramento Urbano e Paisagístico

    A casa está situada na Praça Visconde do Rio Preto, nº 19, na região central da cidade de Valença. A referida praça, que é um dos logradouros públicos primitivos da cidade, inicialmente se chamava Praça da Câmara e, depois, Praça do Barão do Rio Preto.

    O lote onde o palacete está implantado é predominantemente plano e elevado em relação ao nível da praça. Na elevação principal encontra-se uma calçada com extensa escada de pedra de três degraus que permite o acesso ao lote. A residência encontra-se edificada na testada do lote e está voltada para nordeste. O acesso se dá por meio de duas passagens laterais com portão de ferro.

     

     

    Morfologia e Composição

    A casa apresenta um volume único de forma retangular com pátio central. Está elevada do nível do solo por um porão não habitável, e pode ser acessada por duas escadarias localizadas nas elevações laterais. Possui telhado coberto por telhas cerâmicas. As elevações, exceto a posterior, são arrematadas por platibanda com trechos de balaústres.

     

     

    Fachada Principal

    Apresenta uma composição simétrica, marcada por colunas da ordem clássica coríntia que cria três planos. Os vãos dos planos laterais são em verga reta encimados por elemento decorativo. O plano central é caracterizado pelos presença de quatro vãos de verga em arco pleno, também encimados por elemento decorativo e com fechamento de esquadria de madeira com bandeira decorada em forma de pétalas. A elevação é arrematada pela presença da platibanda que possui trechos de balaústres e, ao centro, o frontão triangular.

     

     

    Fachadas Secundárias

    As fachadas laterais apresentam, cada uma, oito janelas de verga reta e uma porta que é acessada por meio de escadaria de pedra com guarda-corpo metálico. Destacam-se os vãos que dão acesso ao porão não habitável. Encimando as fachadas laterais encontra-se a platibanda com balaústres.  A fachada posterior apresenta vãos em verga reta.

     

     

    Pormenores

    O frontão triangular presente na fachada principal apresenta elementos decorativos relacionados ao primeiro proprietário, com a sigla VRP (Visconde do Rio Preto) encimada por uma coroa. Logo abaixo do frontão, após a cimalha, destacam-se as frases: Associação Balbina Fonseca e Lar José Fonseca. Encontram-se buzinotes de cobre decorados em forma de peixe. As escadarias laterais são formadas por lastras de pedra com guarda-corpo metálico e cobertas por policarbonato transparente. Os acessos laterais são marcados por portais de alvenaria encimados por vasos decorativos, tendo entre eles portão metálico.

     

     

    Jardim

    Em 1908 a casa foi adquirida pelo construtor Antonio Jannuzzi, qual é possível atribuir a confecção do jardim existente ao redor da casa. Neste jardim encontram-se diversos elementos decorativos chamados Rocailles. Esses elementos são estruturas confeccionadas principalmente por cimento armado que possibilita a criação de diversas formas. Neste jardim destaca-se a fonte, localizada na parte posterior da casa, que apresenta ao centro uma espécie de tronco por onde sai a queda d’água. Nas laterais da casa destacam-se os canteiros que são limitados por uma forma orgânica imitando tronco. Na lateral direita o desnível do terreno foi resolvido com um muro de arrimo com detalhes que imitam pedra e com guarda corpo imitando madeira. O mesmo desenho de pedra é observado nas escadas que dão acesso a casa. A mesma técnica é observada no mobiliário como nos bancos que imitam madeira.

     

     

    Bibliografia

    INEPAC. Projeto Inventário de Bens Culturais Imóveis. Desenvolvimento Territorial dos Caminhos Singulares do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2004.

    IÓRIO, Leoni. Valença de ontem e hoje (subsídios para a história de Valença) 1789-1952. Valença, 2013.

     

     

    Cronologia e Proprietários

    1858 - Domingos Custódio Guimarães, o então Barão do Rio Preto, construiu o palacete urbano.

    1868 - O Visconde do Rio Preto faleceu e o palacete foi transmitido a sua esposa, D. Maria das Dores de Carvalho.

    1873 - Com a morte da Viscondessa a casa passa para seu filho, Domingos Custódio Guimarães Filho, o 2º Barão do Rio Preto.

    1876 - O 2º Barão do Rio Preto faleceu e o palacete ficou com sua esposa, Maria Bibiana de Araújo.

    1889 – O palacete funcionou como internato para meninas, com a instalação do Colégio 1º de Julho.

    1893 – A casa abrigou o Clube Recreativo de Valença.

    1902 - O imóvel foi adquirido por José Facieira, que instalou o Colégio Cruzeiro do Sul. Em 1905 Facieira faleceu e a casa foi herdada por sua esposa, Maria Rita de Melo Facieira.

    1908 - A casa foi vendida a Antonio Jannuzzi, que promoveu uma grande reforma na casa. Tempos depois Jannuzzi doou o palacete a Igreja Presbiteriana de Valença, que instalou o Ateneu Valenciano Presbiteriano.

    1925 - O palacete foi adquirido pelo Coronel Manoel Joaquim Cardoso, que cedeu a casa a Rita da Silva Figueira da Graça Monteiro, sua cunhada, que nela instalou a “Pensão da Dona Carola”, oferecendo hospedagem e alimentação.

    1938 - A Associação Balbina Fonseca comprou a casa para instalar o Lar José Fonseca, como abrigo para meninos desamparados. Neste período foram realizadas obras para adaptação ao novo uso, modificando o aspecto interno da casa.

    2000 - O abrigo já havia encerrado as atividades, quando o Governo do Estado do Rio de Janeiro desapropriou o imóvel para instalar o Colégio Estadual Theodorico Fonseca, que permanece até o momento.

    2004 - O INEPAC estabeleceu o tombamento do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico formado pela Praça Visconde do Rio Preto e adjacências, incluindo o palacete. Processo número: E-18/001.004/2004

     

    Domingos Custódio Guimarães, Visconde do Rio Preto, nasceu em São João del Rei em 1802. Filho de Pedro Custódio Guimarães e Teresa Maria de Jesus, casou-se com sua sobrinha, Maria das Dores de Carvalho (1815-1873), com quem teve seis filhos, entre eles Domingos Custódio Guimarães Filho (?-1876). Sua fortuna tem origem na década de 1820 com o tráfico de escravizados e com o abastecimento de carne para a Corte, através da Companhia Mesquita e Guimarães. Após desfazer a sociedade, investe o lucro na compra de terras e no plantio de café no vale do Rio Preto, adquirindo a Sesmaria das Flores em 1843, onde construiria sua principal fazenda, a Flores do Paraizo. Possuía casas urbanas em Rio das Flores e um palacete em Valença. Recebeu o título de barão do Rio Preto em 1854 e visconde do mesmo nome em 1867. Criou o ramal da Estrada da União e Indústria denominado Paraibuna/Porto das Flores, também conhecido como “Estrada das Flores”. Inaugurado em 1868, o ramal ligava Flores do Paraizo à estação de mudas de Paraibuna. O visconde do Rio Preto faleceu na cerimônia de inauguração deste ramal, no vestíbulo da fazenda.

    Antonio Jannuzzi, foi um projetista e construtor italiano que teve vasta atividade profissional na Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Nasceu em 1854 em Fuscaldo, na Calábria, Itália. Em 1872 emigrou de para Montevidéu, Uruguai, onde permaneceu por pouco tempo. Chegou ao Rio de Janeiro em 1874 e no ano seguinte fundou a firma Antonio Jannuzzi, Irmão & Cia., junto com seus irmãos. A atuação de Jannuzzi se concentrava nas cidades do Rio de Janeiro, Petrópolis e em Valença, onde teve grande influência na cidade contribuindo com a municipalidade e a sociedade com ações filantrópicas, como a reforma e doação de diversas edificações. A  Companhia da família, que teve o nome alterado em 1907 para Antonio Jannuzzi, Filhos & Cia., foi responsável pela atuação em Valença nas primeiras décadas do século XX. Jannuzzi faleceu em 23 de junho de 1949, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

     

     

    Documentação

    Partilha Amigável de bens do visconde do Rio Preto, 1869. [Trecho relativo ao Palacete de Valença]. Fonte: Museu da Justiça – Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Processos da Nobreza Brasileira, Acervo Textual. Cx. 1695/16097, fl. 11-26. Mídia AP_016097.

    Partilha amigável de bens da viscondessa do Rio Preto, 1873. Fonte: Museu da Justiça - Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Processos da Nobreza Brasileira, Acervo Textual. Cx. 2800/16989. Mídia AP_016989.

    Inventário do 2º Barão do Rio Preto, 1876. Fonte: Museu da Justiça - Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Processos da Nobreza Brasileira, Acervo Textual. Cx. 2828/Rg. 015637. Mídia AP_015637.

     

     

     

    Programa interior

    A casa apresenta uma planta retangular, de corpo único com pátio central. Conta com apenas um pavimento e jardim lateral e aos fundos. O acesso é realizado pelas fachadas laterais através de escadarias de pedra guarnecida com guarda corpo metálico. Atualmente é possível acessar a casa pela fachada posterior que leva ao pátio central. O interior da casa encontra-se alterado, tendo apenas permanecido a distribuição dos salões na parte dianteira da casa.

     

    Piso 1, Salão principal

     

    Piso 1, Corredor

     

    Piso 1, Pátio interno

     

    Pintura decorativa

    Durante as atividades de manutenção da casa foram encontradas algumas pinturas parietais nos salões. Embora não se tem a autoria, nem datação dessa pintura decorativa, após a descoberta algumas janelas estratigráficas foram abertas para identificação dos desenhos. Foram encontradas pinturas que apresentam as técnicas do tipo stencil e marmorizado.

     

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2023

    Pesquisa e edição: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Colaboração: Clara Albani (PCTCC/FCRB); Francesca Martinelli; Adriano Novaes; Renata Leite; Carlos Aurélio Mayrinck

     

    ttt
    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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