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    Palacete do Conde de Itamaraty

    Palacete do Conde de Itamaraty
    Brazil
    XIX

    Autor / Mestre / Construtor

    José Maria Jacinto Rebelo

     

    Enquadramento Urbano e Paisagístico

    O terreno em que se assenta a chácara que pertenceu ao Conde de Itamaraty fica localizado no bairro da Tijuca, antigo Andaraí Pequeno, no Alto da Boa Vista, nº 118, e já possuiu numeração de 36, 38, 2, 12. O sítio primordialmente pertenceu à Sesmaria de Salvador Correia de Sá em 1568. A residência foi projetada por José Maria Jacintho Rebello para Francisco José da Rocha Leão, o Conde de Itamaraty. Esta localizada na área de proteção paisagística do Parque Nacional da Tijuca, que compreende a Serra dos Três Rios, Serra da Carioca e o Maciço da Gávea.

    O Palacete do Alto da Boa Vista era utilizado como casa de veraneio e foi apelidado de “segundo Itamaraty". Esta casa foi edificada anos depois da construção do Palácio Itamaraty na Avenida Marechal Floriano, entre 1851 e 1854, que foi uma nobre residência, mais tarde tendo sido sede do governo da república até 1897 e sede do Ministério das Relações Exteriores. No entanto, era usado mais como um ambiente para celebrações pela família que optou por morar no sobrado ao lado e ocasionalmente no Palacete do Alto da Boa Vista.

    O palacete do Conde foi a primeira casa a possuir piscina particular no Rio de Janeiro, possuindo acesso direto ao rio que nomeou o bairro e uma gruta, sendo delimitado por um muro com gradil de ferro.

     

     

    Morfologia e Composição

    O palacete era composto por três blocos separados, sendo um deles uma capela e seu terreno parcialmente plano e parcialmente em declive contava com jardim, horta, gruta, lagos e caramanchões.
    Dos blocos distintos que compunham o prédio principal em formato de H, o voltado para a fachada e seu corpo possuíam apenas um pavimento enquanto o posterior alinhado com o da fachada possuia três, desalinhado em relação aos outros devido ao desnível do terreno. Ocasionando que o acesso pelo fluxo interno fosse diretamente pelo segundo pavimento.

    Foi construido em pedra, madeira e tijolo, e conta também com um porão com arejadores para circulação de ar por baixo das tábuas e isolamento da umidade do chão. Além da construção principal, de cada lado há outras duas construções, uma delas, a capela. Atualmente, remanescente do corpo original, há apenas a porção voltada para a fachada principal

     

     

    Fachada Principal

    Em estilo Neoclássico, sua composição é simétrica constituído por um conjunto central dispostos três vão em verga de arco pleno intercalados com por um ritmo de coluna de inspiração jônica Centralizado, um frontão triangular sob uma arquitrave e friso simples, e entablamento trabalhado com estuque. Para ambos os lados, mais dois vãos em verga reta fazem parte das sete aberturas para a fachada principal. Os acessos se dão através de degraus semicirculares em cantaria voltados tanto para a fachada principal quanto para as fachadas laterais. As janelas possuem moldura de cantaria e balcões sacados, as fazendo janelas de púlpito, seguradas por um guarda corpo de ferro forjado. As quinas são adornadas por cunhais também acrescidas de capitéis como as colunas. E coroando, as platibandas simples com o mesmo detalhe das quinas dialogando com o corpo da edificação.

     

     

    Fachadas Secundárias

    As fachadas laterais consistem em um eixo de três vãos. Uma escada em cantaria de quatro degraus semicirculares levam ao acesso lateral coberto por um pequeno beiral engastado na fachada por um suporte trabalhado em serralheria. De cada lado, uma janela. Arquitrave o friso simples sobre as colunas ornadas na quinas formam um suporte para um pequeno beiral. Acima a platibanda simples com o mesmo detalhe das quinas não esconde completamente o telhado.

     

     

    A Capela

    À esquerda, construída em pedra, cal e tijolo e coberta por telhas, a capela possui formato de chalet Seu acesso se dá por uma escada de três degraus até a entrada com detalhe em arco pleno apesar de possuir verga reta, desembocando na porta de madeira.
    Nas laterais, as quinas são marcadas como na construção principal, porém de forma simplificada. Coroando, um frontão sobre um entablamento decorado por um ritmo horizontal possui um recorte para acomodar a imagem de padroeira da capela, Nossa Senhora das Graças.

     

     

    Programa interior

    Programa geral, tipologia e planta

    A casa possui uma planta retangular com dois blocos, também retangulares, nas extremidades de forma perpendicular. É uma casa marcada pelo ritmo dos vãos que se distribuem ao longo de todas as fachada e o acesso era feito pelo vão central na fachada principal. Não se tem o registro da distribuição interna. 

     

    Cronologia e Proprietários

    1858 - Francisco José da Rocha Leão, Conde de Itamaraty, compra o terreno do Conde de Say.

    1883 - O Conde de Itamaraty falece e a propriedade fica sob responsabilidade de Maria Romana Bernardes da Rocha, Marquesa de Itamaraty.

    1887 - A família Imperial ficou hospedada em breve temporada no palacete. 

    1896 - Após o falecimento da Marquesa, a propriedade fica para os herdeiros.

    1903 - A casa foi adquirida por Martim Cifre Bennasar, instalando na casa o Grande Hotel White.

    1910 - O nome do hotel é alterado para Palace Hotel Itamaraty.

    1917 - A casa passa por reformas adequando ao uso do espaço com hotel.

    1936 - A chácara é alugada para serem instalados a Escola Alfredo Pinto e o Patronato de Menores, que permaneceram até 1945.

    1947 - Ocorre o leilão judicial em favor da obra de assistência ao Filho de Tuberculoso.

    1950 - A casa passa por reformas, onde é refeita a capela. Neste mesmo ano é instalado o Preservatório Nossa Senhora das Graças.

    1972 - É desativada a assistência aos tuberculosos.

    1977 - A propriedade é vendida para a obra do grupo Riviera, representado por Avelino Riviera, para o empreendimento “Hotel Bar e Restaurante Floresta da Tijuca”. O Palacete então ficou sob responsabilidade da Rede de Hotéis Gândara.

    1978 - O INEPAC estabelece o tombamento da residência através do processo E-03/33716/78.

     

    Francisco José da Rocha Leão, Conde de Itamaraty, nasceu em 12 de fevereiro de 1806 no Porto, em Portugal. Foi filho de Francisco José da Rocha Leão, 1º barão de Itamaraty, e de Margarida Cândida Bernardes. Casou-se com Maria Romana Bernardes da Rocha, depois Marquesa de Itamaraty. Com Maria teve três filhos: Clara Guilhermina da Rocha, que casou-se com José Francisco Bernardes, Barão de São Joaquim; Francisco José da Silva Rocha, que se casou com Maria José Paranhos e Romana Guilhermina da Silva Rocha, que se casou com Luis Manuel Monteiro. Chegou com dois anos ao Brasil, junto ao pai que era militar. Foi capitalista, negociante e militar. Em 1854 recebeu o título de 2º barão de Itamaraty, sendo elevado a Visconde em 1872 e dez anos depois a Conde. Dentre suas propriedades de destaque estão as projetadas por José Maria Jacinto Rebelo na região central do Rio de Janeiro e o palacete no Alto da Boa Vista. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 5 de julho de 1883, sendo sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula, no Catumbi.

     

    Maria Romana Bernardes da Rocha, Marquesa de Itamaraty, nasceu em 18 de novembro de 1818 no Rio de Janeiro. Foi filha de Pedro José Bernardes e Clara Teixeira. Casou-se com Conde de Itamaraty com quem teve três filhos: Clara Guilhermina da Rocha, Francisco José da Silva Rocha e Romana Guilhermina da Silva Rocha. Em 1887, após a morte de seu marido, teve seu título elevado à marquesa de Itamaraty como agradecimento ao período em que a família Imperial se hospedou no palacete do Alto da Boa Vista. Faleceu em 17 de outubro de 1896.

     

     

    Bibliografia

    ALEXANDRE, Luis. Parque Nacional Da Tijuca. Clube de Autores, 21 Oct. 2019.

    BANDEIRA, Carlos Manes. Parque Nacional Da Tijuca. São Paulo, MAKRON Books do Brasil. Editora, Editora McGraw-Hill, 1994.

    BARROSO, Gustavo. História Do Palácio Itamaraty. Rio de Janeiro, Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores, Seção de Publicações, 1968. do Diplomático. Palácio Itamaraty, Brasília, Rio de Janeiro. 2002.

    CONDURU, Guilherme Frazão. O Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty: história e revitalização. Brasília: FUNAG, 2013.

    FERREZ, Gilberto. Pioneiros da cultura do café na era da independência : a iconografia primitiva do café / Por: Publicado em: (1972) Monographia do café : história, cultura e produção / Por: Porto-Alegre, Paulo. Publicado em: (1879)

    HEYNEMANN, C. B. Floresta da Tijuca. [s.l.] Prefeitura Da Cidade Do Rio de Janeiro Secretaria, 1995.

    IPHAN. Série Inventário, Rio de Janeiro, RJ. Casa que pertenceu ao Visconde de Itamaraty I.RJ-0843.01

    INEPAC. Processo de tombamento E-03/33716/78.

    Maria, et al. Estudos Arqueológicos Do Parque Nacional Da Tijuca. 2002. Sousa-LeãoJoaquim. Palácio Itamaraty. Rio de Janeiro, Ministério das
    relações exteriores, 1942.

    OTTONI, R. A Floresta da Tijuca. 1967.

     

     

     Documentação

    Vista do Alto da Boa Vista. Na primeira imagem: a direita, o primitivo caminho para a Cascatinha da Tijuca e as terras da familia Taunay. A esquerda, terreno onde se construiria a casa do Conde de Itamaraty. Na sgeunda imagem: A direita o palacete do Conde de Itamaraty, tendo bem em frente a casa do Visconde de Ipanema; ao longo, no alto, a casa do engenheiro Mr. Ginty no princípio da estrada Açude da Solidão. A esquerda, propriedade do visconde de Estrela.

    Foto da fachada com o letreiro do Patronato de menores, Escola Alfredo Pinto; Imagem parcial do letreiro Preservatório Nossa Senhora das Graças. Fotografias do IPHAN.

    O Jornal O Malho (RJ), noticia um almoço no Hotel Itamaraty. A revista Careta (RJ), noticia baile à fantasia na residência. Outro anúncio da mesma revista apresenta o aspecto geral do Hotel e Restaurante Itamaraty.

     

    Pranchas obtidas no INEPAC do projeto de modificação para o hotel, bar e restaurante.

     

    Retratos de Francisco José da Rocha Leão, Conde de Itamaraty, e de Maria Romana Bernardes da Rocha, Marquesa de Itamaraty. Pinturas de François Claudius Compte Calix, 1855

     

    Família Imperial Brasileira nos jardins do palacete, em 1887. Fotografia de Marc Ferrez.

    Em 1905 com grupo de pessoas, Francisco de Oliveira Passos, filho de Francisco Pereira Passos e de Maria Rita de Andrade Passos, fotografam na escadaria do palacete em visita à Floresta da Tijuca. Dentre as pessoas Manoel Maria Del Castilho, Superintendente Municipal de Limpeza Pública e Particular e o escritor e diplomata Graça Aranha. Foto de Augusto Malta. Data:17/12/1905

     

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB)

    Pesquisa e texto: Ligyane Nazareth (Pic/FCRB)

    Edição: Ligyane Nazareth (Pic/FCRB) e Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Fotos, plantas e mapas: IPHAN, INEPAC, Brasiliana fotografica, fotos google, frame obtido por drone por @cunhakite DRONE FPV. Mapa figura 18 de Estudos Arqueológicos Do Parque Nacional Da Tijuca. Mapa F de Parque Nacional da Tijuca. Carlos Manes Bandeira. Mapa do ImagineRio. Plantas disponibilizados de arquivos do IPHAN E INEPAC. 

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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