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    Casa Grandjean de Montigny

    Casa Grandjean de Montigny
    Brazil
    XIX

    Enquadramento Histórico e Paisagístico

    A casa está localizada em terreno levemente acidentado, fica localizado no bairro da Gávea no Rio de Janeiro. A propriedade  integrava a  Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas, que recebe esse nome em 1808 após a desapropriação do antigo engenho pela Coroa Portuguesa. Integrou ao longo dos anos diversos logradouros e atualmente se encontra dentro das dependências da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com numeração 233 e circundado por uma área arborizada também protegida pelo IPHAN.

     

     

    Morfologia e Composição

    A casa é composta por três pavimentos, sendo um deles o porão alto parcial. Sua morfologia segue a regularidade clássica francesa e tem ritmo na fachada definido por uma sequência de colunas. Sua planta é conceituada no plan massé ou plano concentrado, acrescida, na parte posterior da casa, de uma volumetria que quebra a forma quadrática com uma porção que se sobressai do plano regular com um meio cilindro. Como um exemplar neoclássico o porão habitável além de sua funcionalidade de elevar a casa da umidade e vencer a inclinação do terreno concede a construção um caráter monumental que é intensificado pela configuração do jardim composto de laranjeiras e plantação vasta de abacaxi e canteiros à francesa. (fonte)

     

     

     

     

    Fachada Principal

    A fachada principal é voltada para o nordeste e para interna do campus em que era a alameda, se revela em etapas, e é realçado pela perspectiva monumental consequência do jardim circundante e alteamento do terraço.

    A escada centralizada de tijolos encontra o nível do chão com uma forma semicircular e dispõe os primeiros degraus antes de seguir retilíneo ao topo do avarandado com blocos escalonados que seguem sua estética a ladeando.

    O avarandado obtido a partir da laje do porão alto parcial, que contém seis vãos em arco pleno, três em cada lado da escada, possui em suas quinas um adereço retangular, disposto em sequência e alternados. O primeiro andar possui grossas colunas que remetem a ordem toscana de alvenaria, e se encontra levemente recuado desse plano do porão habitável.
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    No segundo pavimento destaca o guarda corpo em ferro nos vãos entre colunas assim como o ritmo causado pelas colunas. Centralizado em ambos pavimentos há três vãos, o acesso principal no primeiro, acesso a varanda o segundo, e em cada lado uma janela.

     

     

    Fachadas Laterais

    As fachadas laterais são de difícil visão devido ao crescimento da vegetação. A fachada sudeste possuindo acesso pela estreita rua lateral e a noroeste pelo caminho que conecta ao nível do avarandado na fachada posterior. Ambas fachadas possuem três colunas, conectadas pelo guarda corpo em ferro.

     

    Fachada Posterior

    A fachada posterior voltada para o sudoeste tem seu plano cortado por um corpo cilíndrico cujo acesso situa-se sob um frontão.
    O pórtico de gosto neoclássico, emoldurado por quatro colunas de seção quadradas que sustentam a arquitrave do pequeno frontão triangular que se destaca entre os vãos da fachada. Outras duas aberturas ficam dispostas em alinhamento vertical ladeando o frontão e a janela central superior compondo uma sequência de cinco vãos. Tendo o semicírculo três do total.
    O porão alto que marca a fachada principal desaparece com o desnível do terreno deixando a fachada mais simples, composta por dois pavimentos sem divisão horizontal aparente.

     

     

    Programa Interior

    O sobrado conta com área total construída aproximada de 340,00m2, com repetição na planta do térreo e do primeiro pavimento. A casa é constituída de pavimento térreo, pavimento superior e um porão habitável parcial, apresentando uma planta conceituada no plano concentrado de formato quadrático com um semicilindro saliente. Segundo croquis de Louis Symphorien Meunié (PEREIRA, 1992)  assistente de Grandjean de Montigny, é possivel se conhecer a primeira ocupação da casa, descrita a seguir,

     

    Piso 0- Porão habitável.

    Com as funções de serviço, o porão deveria comportar espaço para depósitos, cozinha, forno e animais e escravizados.

     

    Piso Térreo

    O piso térreo, destinado a funções sociais,  da acesso à sala de estar  que — contrastando com os padrões franceses em que seria posicionada na parte nobre da residência próximo ao jardim posterior, fica voltada para a varanda onde se tem a melhor vista.

    Uma passagem se bifurca antes de atingir o salão redondo destinado à sala de jantar; para a esquerda, desfazendo a simetria, ha uma antecâmara onde fica recuada a escada helicoidal de madeira e, mais ao extremo, um gabinete e, na direita, uma antecâmara, seguido de outro gabinete.

     

     

    Piso 1-

     

    No segundo andar da mesma maneira o acesso inicia no centro. Para os lados o quarto das filhas mais novas e de Julie, a mais velha. Voltado para a entrada e consequentemente a vista da Lagoa Rodrigo Freitas o quarto principal, de Grandjean.

     

     

     

    Bibliografia

    BARATA, Carlos Eduardo; GASPAR, Cláudia Braga. A Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas na formação de Jardim Botânico, Horto, Gávea, Leblon, Ipanema, Lagoa e Fonte da Saudade. Rio De Janeiro: Cassará Editora, 2015.

    IPHAN. Série Inventário, Rio de Janeiro, RJ. Solar Grandjean de Montigny e jardim I.RJ-030.01.

    IPHAN. Processo n.º 92-T-38, volume I.

    PEREIRA, Margareth Campos da Silva. O Solar Grandjean de Montigny na Gávea nos desenhos de Louis Symphorien Meunié: arquitetura e modo de vida. In: A morada carioca: Grandjean de Montigny e o Solar da Gávea. Solar Grandjean de Montigny, Centro Cultural da PUC-Rio, Rio de Janeiro: 1992.

    PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA. Uma cidade em questão I: Grandjean de Montigny e o Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: PUC: FUNARTE: Fundação Roberto Marinho, 1979. Catálogo de exposição.

    TELLES, Augusto Carlos da Silva. "A casa de residência de Grandjean de Montigny do Rio de Janeiro" Separata de: vol. V das Actas do V Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros.

     

     

    Cronologia e Proprietários

    No final do século XVIII o terreno pertencia a Joaquim Pereira da Cruz e sua mulher Isabel de Oliveira Neves, onde foi construído uma casa de vivenda e se instaurou uma lavoura de cana.

    1800- Diogo Peres de Oliveira Lara e sua mulher Ana Rosa Joaquina conservaram a casa porém por residirem em Paraty, deixam a propriedade na gestão do procurador Capitão Domingos Pinto de Miranda, que ordenava um engenho de farinha e de arroz.

    1801- Escritura consta a aquisição de Bernardo José de Andrade das propriedades de Diogo e Ana Rosa através do procurador Capitão Domingos Pinto de Miranda.

    1804-Bernardo José de Andrade e sua mulher Luisa Rosa do Espirito Santo vendem a propriedade para Antônio Pereira de Lemos e sua mulher Vicência Maria Angelica.

    1816- É vendida a propriedade, benfeitorias e escravos para Antônio Gomes Moura, Capitão Tenente da Armada Real, e sua esposa Flaviana Rosa.

    1816- No mesmo ano, é vendida a Joaquim Fernandes dos Santos, que vende a propriedade ao arquiteto Grandjean de Montigny em 1817.

    1829- Faleceu a segunda esposa de Grandjean no Solar, Magdeleine Catherine Victoire Cavaro, com 45 anos de idade.

    1850 - A casa é habitada até o ano de morte do arquiteto e até este marco a propriedade tinha passado por uma série de desmembramentos com seis vendas parciais do lote, possivelmente por dificuldades financeiras.

    1856 -A viúva Luiza Francisca Ramos Panasco Grandjean vende a propriedade para Antonio Francisco Farias no lote 47 junto com a chácara numero 27 e a olaria. 

    1867- Antonio Francisco Faria e sua esposa, Dona Maria Rosa Moreira de Faria vendem a Dona Felicidade Perpétua de Jesus, que posteriormente em data indefinida, vende a casa e metade da chácara localizada na numeração 47 da Rua Boa Vista da Lagoa, para Manuel de Freitas Lima Guimarães e sua esposa Carolina Perpetua de Freitas,que deixam após sua morte a propriedade para a filha Maria Josephina de Freitas Lima e Silva.

    1903 - A propriedade é adquirida por Tenente Coronel Joaquim Lourenço da Silva Ramos, a venda por leilão de Dona Maria Josephina de Freitas Lima e Silva no endereço de 73, Rua Marquez de São Vicente, Freguesia da Nossa Senhora da Conceição da Gavea pela quantia de vinte e quatro contos e seiceentos mil reis. 

    1938- É tombada pelo iphan e as proprietárias Julia Ramos Barreto e Maria de Faria Ramos.

    1950- A casa é comprada pela Universidade juntamente com outros terrenos na rua Marquês de São Vicente.

    1980- Passou por uma restauração e foi reinaugurado.

     

     

     

    Documentação 

    -Transcrição da escritura de venda que faz Antônio Pereira de Lemos e sua mulher Vicência Maria Angelica. da propriedade, benfeitorias e escravos para Antônio Gomes Moura, Capitão Tenente da Armada Real, e sua esposa Flaviana Rosa, em 1816:

    “Disseram elles os Outorgantes vendedores, seem senhores e possuidores de huma chacara situada na Lagoa de Rodrigo de Freitas, em terras hoje pertencentes à Real Fábrica de Pólvora, cujas benfeitorias nella existentes constão de casa de vivenda, coberta de telha, Engenho de fazer farinha, e de descascar arroz, e arvoredos e tudo mais existente nella, que elles Outorgantes e sua mulher houveram por compra que fizeram de Bernardo José de Andrade e sua mulher [...]; e bem assim sem mais elles Outorgantes possuidores de escravos, de nomes João, de Nação Megumbe, e Damiana, de Nação Benguella, e Felizardo[...] filhos que existem na mesma chácara e que tudo se acha livre e desdmbaaraaçaddo de penhora hypotheca ou outro algum cargo judicial e fazem de tudo venda ao Outorgado[...] e bem assim a posse do terreno, e ágoa existente da[...] na dita chácara, pela quanta dde Rs. 728$000, a saber, pelas benfeitorias e posse do terreno Rs. 600$000 e pelos escravos Rs. 128$000.”  (BARATA; GASPAR, 2015, p.133)

     

    -Na escritura de 18 de dezembro de 1817, Joaquim Fernandes dos Santos vende a prorpiedade por um conto e quinhentos mil réis a Grandjean de Monitgny. (BARATA; GASPAR, 2015, p.134)

     

    -Publicação no Jornal do Commercio em 1828 anunciando a rifa que faz Grandjean. “Riffa anneixa á proxima Loteria do Imperial Theatro de s. Pedro de Alcantara, que faz Mr Grandjean, de huma linda chacara, casas e outros mais premioss que se achão detalhados no plano desta riffa. Esta chacara ee caasas vantajosamente situadas na Lagoa de Rodrigo dde Freitas, apresenta huma das mais bellas propriedades na visinhança desta Corte. A chacara he todaa plantada de arvoredo de espinho, e a casa possue todas as commodidades para huma grande familia; ha além disto huma Olaria de muito bom producto. Os bilhetes desta riffa achão-se pelo preço de 4U00 rs., nas casas de Plancher, rua do Ouvidor; J.J. Dodsworth, rua da Alfandega N. 88 na casa de leilão; Brandão, rua Direita; João Baptista, [...]”.

    -Escritura da venda da chácara dona Luiza Francisca Ramos Panasco Grandjean a Antonio Francisco Farias em 29 de outubro de 1856 (IPHAN. Série Inventário, Rio de Janeiro, RJ. Solar Grandjean de Montigny e jardim I.RJ-030.01.):

     

    -Escritura de venda da casa e metade da chácara de número 27 da rua Boa Vista da Lagoa que faz Antonio Francisco Farias a Dona Felicidade Perpetua De Jesus em 20 de setembro de 1867 (IPHAN. Série Inventário, Rio de Janeiro, RJ. Solar Grandjean de Montigny e jardim I.RJ-030.01.):

     

     

    -Escritura da venda do prédio e chácara de número 73 que faz Dona Maria Josephina de Freitas Lima e Silva em 11 de novembro de 1903.  Com a descrição do inventário, “O predio é de dous andares, edificado em um plateau no centro da characa cujo terreno é proprio, o qual mede 14,m80 [...] O predio é como se disse edificado em uma parte alta do terreno, com uma grande escada de tijolo,que dá entrada ao predio,esta varanda mede de largura onze metros e noventa centimetros e de fundos dous metros, distando para este a varanda trez portas e duas janellas de peitoril do primeiro pavimento do predio [...] Um puchado ao lado esquerdo do predio o qual mede 7,m35 dee largo por 10,m30 de fundo dividido em sala de copa, cosinha, despensa, um quarto que dista para a varanda, sendo este de parede de madeira, existindo na frente do segundo pavimento um terraço [...] A construção do predio é de pedra cal e tijolo.”  (IPHAN. Série Inventário, Rio de Janeiro, RJ. Solar Grandjean de Montigny e jardim I.RJ-030.01.):

     

    -Croqui de Debret vista noroeste da casa de Grandjean de Montigny. (IPHAN. Série Inventário, Rio de Janeiro, RJ. Solar Grandjean de Montigny e jardim I.RJ-030.01.):

     

    Observações

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB)

    Pesquisa, texto e edição: Ligyane Nazareth (Pic/FCRB)

    Fotos: Júlia Souza Costa,Ana Lucia Vieira, Claudia Gaspar, PUC e IPHAN

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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