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    Fazenda do Pinheiro

    Fazenda do Pinheiro
    Brazil
    XIX

    Enquadramento Urbano e Paisagístico

    A casa situava-se próximo à margem do Rio Paraíba nas terras pertencentes à Freguesia de Piraí. As terras pertencentes à Fazenda do Pinheiro deram origem à vila do Pinheiro, que se estabeleceu após a instalação da estação de trem da Estrada de Ferro D. Pedro II em 1871. Atualmente a região compõe o município de Pinheiral.

    O terreno se caracteriza pela linearidade, onde existiam campos gramados e árvores, apresenta um pequeno aclive, onde a casa foi instalada acima de um platô. A construção da casa é de meados do século XIX, tendo a data de 1851 como época da reforma quando adquirida por José de Souza Breves. O acesso era marcado por uma aléia de palmeiras que conduzia a fachada principal.

     

     

    Morfologia e Composição

    A casa era formada por um único pavimento, com planta quadrangular e pátio central. Era elevada do solo por um porão não habitável. Possuía acesso por todas as fachadas, nas fachadas principal e laterais o acesso era feito por escadas. O telhado era revestido por telha cerâmica, arrematado por cornija simples. 

     

     

    Fachada Principal

    A fachada principal era marcada pela simetria com dez janelas e três portas e pela presença do porão não habitável. A escada de acesso possuía dois lances opostos que levavam as portas. Os vãos eram todos em verga reta, fechados por janelas de guilhotina em metal com vidro e possuíam duas folhas de abrir em madeira internamente. Já as portas contavam com duas folhas de abrir, também em metal com vidro, encimadas por bandeira com os mesmos materiais. Havia ainda frontões triangulares encimando os vãos das portas.

     

     

    Fachadas Secundárias

    Conforme a casa se assentava no terreno, as demais fachadas tiveram uma menor presença do porão não habitável. A lateral direita possuía treze janelas e duas portas, que eram acessadas pelas escadas em pedra. A fachada lateral esquerda  possuía quinze janelas e duas portas, também acessadas por escadas de pedra. A fachada posterior possuía oito janelas e duas portas, que já não precisavam da escada, se nivelando com o restante do terreno.

     

     

    Pormenores

    A escada na fachada principal possuía guarda corpo metálico decorado. As janelas eram do tipo guilhotina em metal com vidro. Encimando as portas dessa mesma fachada encontravam-se três frontões triangulares com um círculo ao centro, com a datação de 1851, quando José de Souza Breves teria reformado a casa.

     

     

    Bibliografia

    AGASSIZ, Luís e Elizabeth Cary. Viagem ao Brasil 1865-1866. Brasília: Senado FederalConselho Editorial, 2000. Disponível em: <https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/1048>. Acesso em 19 de nov. 2021.

    BEILER, Aloysio Clemente M. I. de J. Breves. Breves Café: História do Café no Brasil Imperial. Disponível em :http://brevescafe.net/. Acesso em 09 de set. 2021.

    CAMARGO, Angélica Ricci. Arquivo Nacional: Diretoria de Indústria Animal. 2020. Disponível em: <http://mapa.arquivonacional.gov.br/index.php/dicionario-primeira-republica/846-diretoria-de-industria-animal>. Acesso em 19 de nov. 2021. 

    GANDRA, Daniel Nogueira. Audazes Pioneiros: Terras, Escravos e Fortunas em Piraí, 1810-1888. 258f. Tese (Doutorado em História). Rio de Janeiro: UniRio, 2020.

    LOURENÇO, Thiago Campos. O império dos Souza Breves nos oitocentos: política e escravidão nas trajetórias dos Comendadores José e Joaquim Breves. 199f. Dissertação (Mestrado em História). Niterói: UFF, 2010.

    ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. Disponível em: <https://bibliotecadigital.seade.gov.br/view/singlepage/index.php?pubcod=10011588&parte=1>. Acesso em 19 de nov. 2021. 

     

     

    Cronologia e proprietários

    1851 - A propriedade pertencia ao barão de Piraí, José Gonçalves de Moraes, que a deixou como herança a seu genro José de Souza Breves.

    1868 - Rita Clara de Moraes Breves, falece e em seu inventário consta a avaliação da fazenda.

    1879 - José de Souza Breves faleceu sem deixar herdeiros. O espólio se alonga por anos, tendo por fim em 1890 quando suas propriedades vão a leilão.

    1890 - O Governo Federal declara a fazenda de utilidade pública e a desapropria (escritura pública de 28 de março de 1891, lavrada às fls. 85 do livro 64 – Cartório do 7.º Ofício de Notas - Rio de Janeiro, com uma transcrição em Piraí-RJ)

    1891 - Foi instalada uma hospedaria para imigrantes, abrigando-os durante a epidemia na capital. Contava com diversas construções para moradia dos imigrantes, administração da hospedaria e hospital. Ao longo dessa década diversos lotes pertencentes à fazenda foram arrendados a terceiros.

    1897 - A hospedaria foi extinta e parte da fazenda cedida ao Ministério da Guerra, abrigando o 12º batalhão de Infantaria. 

    1910 - A fazenda foi cedida para o Ministério da Agricultura e passou por obras para receber o Posto Zootecnico Federal. Onde funcionou a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária.

    1920 -  A fazenda foi visitada pelo rei Alberto da Bélgica, em companhia do Presidente Epitácio Pessoa e grande comitiva. 

    1941 - A fazenda do Pinheiro abrigou o Colégio Agrícola Nilo Peçanha, um dos mais antigos e tradicionais estabelecimentos de ensino profissionalizante agrícola. Permanecendo com as atividades educacionais voltadas para a agricultura até 1975. 

    1985 - A fazenda é cedida em comodato à Universidade Federal Fluminense, permanecendo com o vínculo até 2008. 

    1986 - Foi vítima de um incêndio que destruiu parte de suas instalações e a maioria dos seus registros históricos.

    1990 - Passa novamente por outro incêndio, destruindo permanentemente a casa. 

    2015 - Foi inaugurado o Parque das Ruínas da Fazenda São José do Pinheiro nas ruínas da fazenda. 

     

    José Gonçalves de Moraes, barão de Piraí, nasceu a 12 de fevereiro de 1776 em São João Marcos, Estado do Rio de Janeiro. Irmão do Padre Joaquim Gonçalves de Moraes e filho de Antônio Gonçalves de Moraes, nascido em 1750, português de Miranda d'Oiro, e de Rita Clara de Souza, filha de Antônio Paula de Souza, fazendeiro paulista de Itu. Recebeu o título de Barão de Piraí em 18 de julho de 1841.  

    Foi casado com Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves, com quem teve nove filhos, sendo eles, Antônio Gonçalves de Moraes, Joaquina Clara Moraes (baronesa de Vargem Alegre), Maria Isabel de Moraes Breves (casada com Joaquim José de Souza Breves), Rita Clara de Moraes Breves (casada com José de Souza Breves), Joaquim José de Moraes, Emiliana de Moraes (casada com o futuro conde de Tocantins), José Gonçalves de Moraes, Cecília de Moraes e Ana Clara de Moraes.

    Era proprietário de diversas fazendas, além da Três Saltos, entre elas Fortaleza, Santa Rita do Bracuhy, Passa Três, Confiança, e Poço de Espuma. Tinha ainda dois vapores de nomes Pirahy e Cecília. Ficou conhecido como um dos maiores benfeitores da Freguesia de Santana de Piraí, tendo se empenhado na emancipação da freguesia, junto com outros fazendeiros da região, organizando reuniões na Fazenda dos Três Saltos, onde arrecadou verbas para a construção da matriz de Sant'ana de Piraí e dos prédios da Câmara, da Cadeia e do Júri.

    Através dos dotes concedidos às suas filhas, surgiram diversas e importantes fazendas de café na região, como é o caso da Fazenda Bella Aliança, doada à sua filha Anna Clara ao casar-se com o comendador Silvino José da Costa, ou o da Fazenda Três Poços, passada para Cecília, que casou-se com o comendador Lucas Antônio Monteiro de Barros, ou ainda das terras da Fazenda da Vargem Alegre, recebida pela filha Joaquina Clara, que se casou com Mathias Gonçalves de Oliveira Roxo, o primeiro barão, com grandeza, da Vargem Alegre.

    José Gonçalves de Moraes morreu em 11 de outubro de 1859, aos 83 anos, deixando uma grande fortuna que contava com dez fazendas e 1.343 escravos. 

     

    José de Souza Breves, nasceu na Fazenda Manga Larga em 1795. Era filho de José de Souza Breves e Maria Pimenta de Almeida Frazão e teve nove irmãos, entre eles Joaquim José de Souza Breves, o Rei do Café. Foi Comendador da Ordem de Cristo e Oficial da Ordem da Rosa, Coronel da Guarda do Imperador. Casou-se com Rita Clara Gonçalves de Moraes, filha dos barões de Piraí e não teve filhos.

    Participou efetivamente do tráfico ilegal de africanos, enriquecendo com a exploração deles no plantio do café. Foi proprietário de diversas fazendas entre elas a do Pinheiro e do Bracuhy.. Suas propriedades iam da região de Piraí até a costa, abrangendo os municípios de Mangaratiba e Angra dos Reis.

     

     

    Documentação

    Inventário de José de Souza Breves, 1879Fonte: Museu da Justiça – Centro Cultural do Poder Judiciário. Coleção Textual, Acervo Textual. Mídia AP_020464_V2 e AP_020464_V7.

     

    Leilão do espólio de José de Souza Breves de 1890.

     

    Quadros de José de Souza Breves e Rita Clara de Moraes Breves, pintados por Edmond Viancin. Acervo IHGB.

    Planta de uma parte da província do Rio de Janeiro na qual se inclui a Imperial Fazenda de Santa Cruz, 1848. Acervo Arquivo Nacional.

    ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. p. 18-21.

    “Fazenda do Pinheiro [...] Depois de quatro léguas andadas por um caminho regular, e costeando a margem direita do Paraíba, exposto aos raios intensos de um sol terrível, cheguei finalmente à fazenda do Sr. Comendador José de Sousa Breves. A casa de um dos mais abastados fazendeiros da província merece uma descrição especial. Deixa-me, portante, descansar um pouco, tomar uma xícara de café, recrear a vista por estes quadros magníficos e pela opulência desses salões e depois te direi o que me parece esta imensa propriedade, que é mais uma grande povoação do que uma fazenda. 

    A casa do Sr. Comendador José de Sousa Breves, na sua fazenda do Pinheiro, não é uma habitação vulgar da roça; é um palácio elegante, e seria mesmo um suntuoso edifício em qualquer grande cidade. Situada sobre uma eminência, domina o vasto anfiteatro de montanhas que a circundam, e revê-se por assim dizer nas águas do orgulhoso Paraíba, que, poucas braças em frente, murmura seguindo o impulso de sua rápida correnteza. Duas pontes, que se encontram sobre uma ilha no meio do rio, dão passagem mesmo em face da casa do Sr. Comendador Breves, de uma para outra margem. O aspecto que esta vista apresenta é realmente pitoresco e faz um efeito admirável a quem contempla com olhos de artista. 

    Um delicioso jardim se desdobra como um tapete de flores pelo pendor da colina sobre que está assentada esta suntuosa habitação, e dá-lhe um novo realce. Duas escadas laterais de mármore levam a uma espaçosa varanda, para onde deita a porta do salão de espera, que é uma vasta quadra cujas paredes estão adornadas pelos primorosos retratos de S. M. o Imperador e S. M. a Imperatriz, devidos ao hábil pincel de Cromoelston. Seis ou oito magníficas gravuras, representando as cópias de diferentes quadros de Horácio Vernet, completam a decoração artística desta elegante sala, correspondendo a mobília e os ornatos ao bom gosto que por toda parte reina. A sala nobre é uma peça soberba. Grandes espelhos de Veneza, ricos candelabros de prata, lustres, mobília, tudo disputa a primazia ao que deste gênero se vê de mais ostentoso na própria capital do Império. Enfim, todas as outras salas, o edifício inteiro está em harmonia com o luxo, profusão e riqueza do que acabo de descrever-te. 

    Porém o que mais me surpreende e merece a minha particular atenção são os magníficos caminhos de rodagem que em todas as direções cortam esta fazenda. O Sr. Comendador José Breves compreende, o que felizmente já vai acontecendo também a muitos dos nossos lavradores, que as boas vias de comunicação são um dos meios mais eficazes de suprir com vantagem os braços, que tanto escasseiam. 

    O caminho, aberto uma vez, compensa em pouco tempo o gasto da construção e poupa o desperdício de muita força produtiva. Um carro puxado por alguns bois transporta a carga que dificilmente seria carregada por cinquenta ou sessenta escravos. Por aqui se pode já calcular quanto lucra o lavrador que manda abrir bons caminhos em seus terrenos, e aumenta por consequência no cultivo de suas plantações o número de braços que retirou do transporte dos produtos. O mesmo acontecerá quando estiverem convenientemente construídos os grandes troncos de estradas e abertos os caminhos vicinais, acabando o fazendeiro com as tropas, em que, além da prodigiosa despesa que estas fazem, estão empregados os melhores serviços de sua escravatura de um modo tão prejudicial para seus próprios interesses.

    Os lavradores como o Sr. Comendador José Breves são os que dão o exemplo que deveria partir nestes assuntos das altas regiões administrativas. 

    Apenas deixamos o caminho de uma destas fazendas, um atoleiro, uma ponte desmoronada, uma estiva rota, nos vem advertir que entramos na estrada pública, subvencionada pela nação e fiscalizada pelo governo provincial! 

    O contraste é realmente vergonhoso, e não deixaremos de chamar constantemente para este assunto a atenção do digno atual Presidente da Província, quanto mais que temos toda a confiança no seu zelo e na boa vontade que o anima em favor dos melhoramentos que tão altamente reclamam os interesses da lavoura. 

    Estamos cada vez mais convencidos que o futuro dos agricultores, e, por consequência, o do país, depende absolutamente do tino da administração e da estabilidade de um governo que possa identificar-se praticamente com o estudo de seus recursos e de suas necessidades. 

    A propriedade do Sr. Comendador José Breves é pois, como já disse, uma das maiores e das mais ricas da Província do Rio de Janeiro. 

    A grande extensão dos terrenos e a fertilidade deles, as vastíssimas plantações de café que cobrem um largo espaço de elevados morros, o número prodigioso de cativos consagrados aos trabalhos agrícolas, os grandes auxiliares de que dispõe o proprietário, já como abastado capitalista, já como homem de bom senso e praticamente conhecedor da nossa lavoura, conferem a este estabelecimento as honras de primeira grandeza.

    Uma descrição exata e minuciosa de tudo que há para admirar nesta fazenda precisaria uma série de artigos, e bem vês que é forçoso passar a outro objeto, para não acumular um trabalho que faço, muitas vezes, de memória. [...]”

     

    AGASSIZ, Luís e Elizabeth Cary. Viagem ao Brasil 1865-1866. p. 134-137.

    “Visita à fazenda de Comendador Breves. 14 de julho – Acabo de passar dois ou três dias da semana muito agradavelmente. Alguns amigos me decidiram a visitar com eles uma das maiores fazendas das proximidades do Rio, propriedade do comendador Breves. Em quatro horas, a estrada de ferro D. Pedro II nos leva à Barra do Piraí; depois continuamos calmamente a nossa caminhada, montados em burros, ao longo das margens do Paraíba, através de uma paisagem calma e muito linda, menos pitoresca entretanto que a que cerca o Rio. Ao pôr-do-sol, chegávamos à fazenda, situada sobre uma esplanada que domina o rio e donde se abrange encantadora perspectiva de águas e florestas. Acolhem-nos com uma hospitalidade de que dificilmente, penso, se encontrará fora do Brasil. Não se pergunta quem sois, donde vindes, e abrem-se-vos todas as portas. Desta vez, éramos esperados; mas nem por isso é menos verdadeiro que, nessas fazendas onde há lugar à mesa para cem pessoas, se necessário fosse, todo viajante que passa é livre de parar e ter pouso e refeição. Vimos vários desses hóspedes de passagem: um par, entre outros, absolutamente desconhecido dos donos da casa, que ficara por uma noite, mas que a doença tinha surpreendido antes da partida, prolongava a sua estada havia perto de uma semana; essas pessoas pareciam estar inteiramente em sua casa. Contam-se nesta propriedade cerca de dois mil escravos, dos quais uns trinta empregados no serviço doméstico. A habitação contém tudo o que é necessário às exigências duma tão numerosa população: há uma farmácia e um hospital, cozinhas para os hóspedes e para os negros, uma capela, um padre, um médico. A capela é um simples oratório, somente aberto para as cerimônias e ornamentado com muita elegância com vasos de ouro e de prata, tendo uma frente de altar em seda vermelha, etc. Está situado na extremidade de uma sala muito comprida que, embora utilizada para outros misteres, torna-se, durante as missas, o lugar de reunião de todos os habitantes da fazenda. A dona da casa nos fez visitar, certa manhã, as diversas salas de trabalho. A que mais nos interessou foi aquela em que as meninas aprendem costura. Admiro-me que não se tenha cuidado, nas nossas plantações do Sul, em tornar as pretas um pouca hábeis nesse mister. Aqui todas as meninas aprendem a costurar muito bem e muitas delas bordam e fazem renda na perfeição. Em frente a essa sala, vimos uma oficina de roupas, que me pareceu bastante parecida com as nossas sanitaryrooms com suas peças de lã ou de algodão, que as negras cortam e costuram para os trabalhadores do campo. As cozinhas, as oficinas e os quartos dos negros circundam um pátio espaçoso plantado de árvores e de arbustos, em volta do qual há uma passagem coberta, calçada de tijolos. Aí os pretos, jovens e velhos, pareciam um formigueiro; desde a velha ressequida que se gabava ela mesma de ter cem anos, mas não mostrava com menor orgulho o seu fino trabalho de renda e corria como uma menina, para que se visse como era ainda ativa, até os pequerruchos todos nus que engatinhavam a seus pés. Esta velhinha recebera a sua liberdade havia muito tempo, mas por dedicação à família dos seus antigos senhores nunca quis deixá-la. São fatos que dão à escravidão no Brasil um aspecto consolador e permitem esperar muita coisa. A emancipação geral é aqui considerada como um tema de discussão, a regular por lei para ser adotado. Fazer presente a um escravo da sua liberdade nada tem de extraordinário. À noite, quando depois do jantar tomávamos o café na varanda, uma orquestra composta de escravos pertencentes à fazenda nos proporcionou boa música. A paixão dos negros por essa arte é um fato observado em toda parte; esforçam-se muito para aprendê-la, aqui, e o Sr. Breves mantém em sua casa um professor a quem os alunos fazem honra, na verdade. No fim da noite, os músicos foram introduzidos nas salas e tivemos um espetáculo de dança, dado por negrinhos que eram dos mais cômicos. Como uns diabretes, dançavam com tal rapidez de movimentos, com tal animação de vida e alegria espontânea que era impossível não os acompanhar. Enquanto durou o baile, portas e janelas se achavam obstruídas por um enxame de gente preta, no meio da qual se destacavam aqui e ali uns rostos quase brancos, pois que aqui, como em toda parte, a escravidão traz consigo suas fatais e deploráveis conseqüências, e escravos claros não constituem raridade muito extraordinária.[...]”

     

    Fotografias de 1901, quando a fazenda abrigou o 12º batalhão de Infantaria. Revista da Semana, n. 38, ed. 38, 3 de fevereiro de 1901.

     

    Fotografias da visita do rei Alberto da Bélgica, em companhia do Presidente Epitácio Pessoa e grande comitiva em 1920. Revista Fon-Fon - Anno XIV - no. 43 - Rio, 23.10.1920.  Imagens cedidas por Clovis Bezerra Cavalcante.

     


    Programa interior

    Programa geral, tipologia e planta

    A edificação possuía majoritariamente uma planta quadrada, acrescida de um pequeno bloco na fachada posterior, criando uma espécie de planta em L encurtado. Contava com apenas um pavimento e possuía pátio interno, para onde se voltavam os quartos. A entrada principal era feita por escada de cantaria com gradis de ferro que levavam a Sala do Piano (1). Desta sala era possível chegar na Sala Nobre (3) por meio do Corredor da entrada (4), à direita, que também levava a Sala de Espera (5), em seguida chegava-se a Sala do Bilhar (6), depois a Sala de Baile (7) e Capela (8). Em seguida chegava ao setor de serviço com a Sala de Costura (14), Copa (15), Cozinha (16), Sala de Engomar (17) e Escritório (18). De volta ao setor social, chegava-se à Sala de Jantar (23), que possuía um corredor (24) que dava acesso à Sala do Piano. Neste mesmo corredor se dá o acesso ao Quarto (25) principal que contava com capela anexa (26). Os demais quartos eram distribuídos em volta do pátio interno e com acesso às salas mencionadas.

     

     

    Observação

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB)

    Texto e pesquisa: Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

     

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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