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    José de Magalhães (1851-1899)

    José de Magalhães (1851-1899)
    XIX
     

    José de Almeida Magalhães nasceu em 1851, em Pernambuco. Cursou a Escola Politécnica do Rio de Janeiro (antiga Escola Central) de 1871 a 1874, quando obtém os títulos de bacharel e ciências físicas e matemáticas e de engenheiro-geógrafo. Nesse período, foi colega de Aarão Reis, futuro responsávele pela construção de Belo Horizonte, e Miguel Lemos, que fundaria a Igreja Positivista do Brasil, em 1881.
    De 1876 até o início da década de 1880 viveu em Paris, onde ingressou, inicialmente, na École Nationale et Spéciale de Dessin et de Mathématiques, frequentou o atelier de Pierre-Jérome Honoré Daumet, até ser admitido, em 1878, na École des Beaux Arts. (ALMEIDA, 2018).

    Em 1881, de volta ao Rio de Janeiro, foi nomeado arquiteto da Inspetoria de Obras Públicas do Município Neutro, tendo sido responsável pela conclusão da obra da segunda Câmara Municipal, com destaque para implantação de escada de ferro e mármore. No ano seguinte, ensinou desenho de arquitetura no Liceu de Artes e Ofícios. Pouco depois, abriu empresa de arquitetura, engenharia e construção, voltada para o setor privado, quando divulgou o estilo chamado “neorrenascença”, com o uso da cantaria nas fachadas.. Segundo anúncio da companhia J. Magalhães que faria publicar, ele teria atuado na construção de cerca de 50 prédios em diferentes cidades, com destaque para o palacete do Barão do Amparo, em Vassouras.

    Em 1894, no jornal Minas Gerais, foi descrita sua atuação na iniciativa privada:

    “Citarei, em primeiro lugar, o projeto do Jardim Zoológico, que se realizou em Vila Isabel e, passando para o lado das dezenas de prédios que o nosso arquiteto construiu, nos bairros de Botafogo, Catete, Laranjeiras, S. Cristóvão, S. Clemente, Petrópolis e Vassouras [Palacete Barão do Amparo], destacarei, por melhores, uns prédios para aluguel, de tijolo aparente, na rua de Guanabara e uns outros, no fim da rua das Laranjeiras; uma casa para aluguel, com a frente toda de cantaria, no Catete, a casa do Visconde de Vergueiro, e a do Sr. Teixeira Leite, em S. Clemente [n. 320] Em Petrópolis citarei por entre muitas outras casas, a do Sr. Tavares, na rua de D. Affonso e a do, então, cônsul argentino, o sr. Luiz Frias, à rua Joinville. Em Petrópolis existe também, do mesmo arquiteto, a fábrica de S. Pedro de Alcântara, toda erigida com blocos imensos de pedra [...]. Em S. Paulo, há para citar o palacete do dr. Abílio Vianna, à rua do Conselheiro Chrispiano, e uma outra casa na rua do Barão Itapetininga. E, finalmente, [...] no concurso havido em Ouro Preto, para o monumento a Tiradentes, [...] foi classificado em primeiro lugar.” (RIANCHO, 1894, p. 4 e 5)

    Ernesto de Araújo Viana, professor da Escola de Belas Artes, ressalta a sua contribuição para a melhoria do panorama da arquitetura do Rio de Janeiro no final do século XIX Ele o citou, ao lado dos irmãos Jannuzzi, como profissionais que “concorreram para a alteração do aspecto da arquitetura particular” (ARAUJO VIANA, 1914, p. 109) e como profissional que “influiu salutarmente em novas casas construídas segundos planos pitorescos e corretos; concorreu para a fase progressistas da arquitetura civil no Rio de Janeiro”.(ARAUJO VIANA, 1915, p. 600)

    Na década seguinte, José de Magalhães integrou a Comissão Construtora da Nova Capital - CCNC (1894-1895), responsável pela implantação de Belo Horizonte, no cargo de Chefe da 3ª Seção, escritório de Arquitetura, tendo sido responsável, entre eles outros edifícios, pelo Palácio da Liberdade, proeminente edificação que serviu de referência para as construções subsequentes na cidade. No Parque Municipal, projetou “um cassino, um restaurante, um observatório meteorológico, uma ponte rústica e um belo portão de entrada” (OLIVEIRA, 1997, p. 276 apud OLIVEIRA, s.d.).

    Ele faleceu a 28 de dezembro de 1899, na vila de Jaguarybe, atual município de Campos do Jordão, no Estado de São Paulo, assassinado por uma disputa por demarcação de terrenos, deixando mulher e filhos. (Minas Geraes, 1900, p.4).

     

     

     

    Bibliografia

    ARAUJO VIANA, Ernesto da Cunha de. A Architectura e a Arte Ornamental. Phases de seu Desenvolvimento no Brazil. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Vol. XXXVIII. 1914.

    ARAUJO VIANA, Ernesto da Cunha de. Das artes plásticas no Brasil em Geral e na Cidade do Rio de Janeiro em Particular. RIGHB, Rio de Janeiro, t. LXXVIII, parte II, 1915, p. 505-579.

    ALMEIDA, Danilo de Carvalho Botelho. Belo Horizonte underground: os sistemas de saneamento e as canalizações dos cursos d’água da Nova Capital de Minas Gerais. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e urbanismo). Belo Horizonte: UFMG, 2018. Disponível em: <https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/MMMD-B7JHCJ>. Acesso em 06 novembro 2020.

    ANGOTTI-SALGUEIRO, Heliana. A Casaca do Arlequim: Belo Horizonte, uma Capital Eclética do século XIX. São Paulo: Edusp; Belo Horizonte; Ed. UFMG, 2020.

    RIANCHO, Antônio [Alfredo Camarate]. Por Montes e Vales. Minas Gerais, n. 182, 8 jul. 1894, p. 4 e 5. Disponível em <http://memoria.bn.br/DocReader/291536/4639 >. Apurado em 12.nov. 2020.

    FILHO, J. Mirandola. Neo-sculptura e mármore artificial do engenheiro A. Guattari. In: Revista dos Constructores, n. 5, 20 jun. 1886, p. 68. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/227110x/74> Acesso em 06 nov 2020.

    MUSEU HISTÓRICO ABÍLIO BARRETO. José de Magalhães. Arquiteto da Comissão. Disponível em: <http://comissaoconstrutora.pbh.gov.br/exe_dados_documento.php?intCodigoDoc=CCFot1897%20008&strTipo=FOTOGRAFIAS>. Acesso em 20 mar 2021.

    MINAS GERAES, n. 3, 4 jan. 1900, p.4. Disponível em <http://memoria.bn.br/DocReader/291536/17599> . Apurado em 25. Nov. 2020.

    OLIVEIRA, Eustáquio Gorgone. Jardins esquecidos. Caxambu: [s.n.], [s.d]. Disponível em: <https://silo.tips/download/eustaquio-gorgone-de-oliveira-jardins-esquecidos>. Acesso em 12 nov 2020.

    O VASSOURENSE, 1886. Disponível em <http://memoria.bn.br/docreader/217930/1052> Acesso em 12 nov 2020.

     

    Coordenação: Ana Pessoa (FCRB), 2020

    Pesquisa: Ana Pessoa (FCRB), Ana Lúcia V. dos Santos (EAU/UFF), e Andreza Baptista (PCTCC/FCRB)

    Edição: Ana Pessoa (FCRB) e Francesca Martinelli (PCTCC/FCRB)

    Agradecimentos: Ricardo Giannetti

     

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    PTCD/EAT-HAT/11229/2009

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